1.           Um teólogo quando põe os óculos, para que vê ou lê cinema?

Como acontece com qualquer pessoa – pois o teólogo também é pessoa (embora haja teólogos que não se pareçam como tal), – um teólogo dá-se a um filme para contactar com outras leituras da realidade, que, e agora como pessoa crente, o ajudem a conhecer melhor o humano que somos e o mundano em que vivemos, de modo a estar atento aos caminhos, retratados em cada filme, por onde sabe que Jesus e os demais andam e, assim, ele deve andar para ajudar estes a conhecerem Aquele.

2.           O que pode o cinema; nomeadamente, o que pode ele revelar-nos sobre Deus e sobre o ser humano?

O cinema não se limita a mostrar quem é Deus e quem é o ser humano (e, acrescentaria eu, o referido “mundano”). Ele embebeda-nos, através dos nossos sentidos e órgãos espirituais (o entendimento, a vontade, a memória e, sobretudo e entre outros, a imaginação), com outras facetas, para nós tantas vezes desconhecidas, de tudo isso, inclusive quando estamos diante de um filme de onde Deus parece ausente (algo que, infelizmente, também acontece ao nosso redor diariamente), alargando os nossos horizontes de sentido, a serem por nós interpretados, como é evidente, por tais órgãos a comungarem com Cristo.

3.           Por que razão ao abordar o Oeste, pelo filtro dos filmes de cóbois, não escolheu ler um que remetesse para o tempo novo da (re)criação?

E eu que julgava que na abordagem dos dois grandes filmes de cóbois tinha feito isso. Mais uma lição para a vida. Sim; é verdade: não há, no meu livrinho, um filme claramente sobre Jesus (como, por exemplo, “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson), mas a leitura de todos os filmes, do velho Oeste ao novo Este (onde nada há de novo), parte da certeza de que já estamos, em qualquer filme, diante de um retrato da “(re)criação”. Sei que isso pode parecer não ser o caso, mas apenas porque não temos os nossos olhos suficientemente (re)criados e, às vezes, também porque nem sequer sei se queremos ter olhos.

4.           Que transformação gostaria que o leitor levasse consigo depois de ler este livro?

A que o Senhor lhe concedesse. Não posso desejar nada de melhor para quem, por arte ou desastre, vier a ler o livrinho a que se referiu, o qual se tem algo de positivo, deve-se totalmente a Ele.