Frei João Costa, OCD

1.           Chamem-me louco ou acusem-me a Deus, que eu não levo a mal, mas esta tenho de a dizer já e na primeira linha: ninguém chega a santo se não gostar de animais. Pode-se gostar menos ou gostar mais, mas tem de se gostar. Não digo que tem de gostar-se tanto deles como tanto deles gosta o Criador que os criou. Digo que tem de se gostar, simplesmente. Basta apenas gostar. Não tem de se gostar como São Francisco, ou como São João da Cruz, já agora – tem de se gostar. Apenas gostar.

Tenho ainda outra, e bem arriscada: quem não gostar de animais como pode gostar de Deus? Como pode querer ir para o céu? Enfim, como podemos não gostar do que Deus criou, viu, e gostou do que viu? Se eu até acho que o Tom e o Jerry andam à bulha um com o outro, em correrias pelas moradas eternas, como poderemos nós não gostar aqui de animais? Não digo que os animais sejam o nosso tudo e mais que tudo que, óbvio é, a primazia não lhes cabe, aliás, nem o primeiro, o segundo, terceiro e quarto lugares. Digo simplesmente que não podemos não gostar deles.

Enfim, o mundo não seria o mesmo sem animais. Digo-o depois de ter pensado bem: uma casa com eles por perto ou por dentro está bem mais perto de ser céu! Vivo, como creio que sabem, num convento. Sem quase espaço para nós, impossível ter bichos grandes, logo aqui não existem, não. Nem mesmo um bichano – bem, minto, existem, dois agapornis – o Juanico e a Benedita – que não sei como suportam o duro frio de Braga. Mas lá se aguentam.

2.           Nos conventos primícios da nossa Descalcez não consta a presença de bichos, pelo menos como mascote. Mas também não admira, visto que a comunhão com aqueles irmãos era bem mais facilmente próxima há um século ou séculos atrás que agora. Agora que estabelecemos a cidade em ruptura com a natureza, agora precisamos, naturalmente, de os trazer para dentro de casa – precisamos nós, não eles! –, sendo que antes, eles conviviam connosco pelo menos até à soleira da porta da cozinha. Para quê, portanto, ao tempo de São João da Cruz, falar ou cronicar do gostar ou não gostar de bichos se eles estavam sempre por ali, num terreiro, num galinheiro, numa coelheira, numa pomba arrulhadora que se aproxima, num gato tão independente quão sonolento a meia tarde? Estavam, estavam; estavam, sim.

Sim, a meu pobre ver, um santo tem de gostar de bichos – é como se a relação com os bichos completasse a humanidade que nos singulariza. Enfim, não me parece que um santo por ser santo tenha de andar com eles ao colo, isso não, mas não pode andar de costas voltadas para eles. Aliás, não manda o Evangelho que contemplemos as avezinhas do céu, que não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus jamais as desampara, delas cuida e as alimenta? Ora se o cuidado de Deus se prolonga e alonga bem para além de nós, se as maravilhas de Deus também se exprimem nesse cuidado e nesse gosto em sustentar os animais, como poderíamos nós ignorá-los ou desprezá-los?

Ah, e também reparo: aquando do dilúvio, não mandou a Noé guardar, proteger e defender os animais? Claro que sim – a criação é para defender e cuidar; e defender e cuidar é já amar.

3.           O Vaticano é o país mais pequenino do mundo. Ora isso faz-me suspeitar que cada palmo de terra seja ali valiosíssimo! Mas se eu disser que quase metade desse estado são jardins, que pensará o meu querido leitor? Que, pois, pensar dum estado tão pequenino que dá tanto espaço aos humanos como o que dá aos animais e às plantas? E que mais dirá se eu acrescentar que esse espaço assaz extraordinário, e que povoa o imaginário de muitos, abriga tantos animais, incluindo aves de várias espécies, além de sapos e esquilos; e se mais acrescentar que os jardins guardam também, livremente, gamos, gazelas e corços?

Pois, das duas uma: ou que, o nosso justo lugar é estar dentro da Arca de Noé – o que quer dizer que, ou nos salvamos juntos, ou toda a criação junta perecerá connosco –, ou que, a teremos de trazer até nós, pois não fomos criados para sozinhos habitarmos a terra. E sim, se o mais pequeno país do planeta – para mais rodeado duma cidade! – concede metade do seu espaço para que as plantas e os bichos tenham ali cidadania, este é, em definitivo, um grande país! E eu quero-me daí, obviamente.

4.           Os bichos habitam a nave de São João da Cruz, tal como habitam a sua poesia. Percorrendo, por exemplo, os versos do seu Cântico Espiritual, o seu poema mais extenso, encontramos ali bichos vários: cervos, feras, leões, raposas, manadas de gado, aves, pombas, rouxinol, cavalos. E nos dias da sua vida, o mesmo é dizer no seu ensinamento oral, encontramos outros muitos. Falarei aqui das rãs, dos peixinhos e duma lebre.

Antes, porém, recordar-te algo, leitor, leitora, sobre um pombo e os burros. Como de si o Santo pouco ou nada falou, ouçamos o que dele outros nos disseram.

Quando as fontes falam da construção do convento de Segóvia – sob o risco, orientação e a humilde laboração do próprio Santo – dizem-nos que para si o seu primeiro Prior escolheu a cela mais próxima ao coro da igreja, e descrevem-na como a mais acanhada, dispensada de adornos e de conforto: não tinha estante nem livros, e que uma tábua presa à parede fazia de mesa (e haveria por ali um banquilho, claro!); por decoração, apenas uma tosca cruz de madeira e uma estampa de Nossa Senhora. E um pombo!

A estória do pombo tem que se lhe diga, visto que ele não apareceu apenas em Segóvia, visto que anteriormente também já fora visto no Carmo de Granada, ao tempo que o Santo ali vivera. Os frades sabem disso e comentam-no entre si. E a razão é simples: o pombo é belíssimo, extraordinário até; repousa calado e silencioso sobre a cabeceira da porta da cela do Prior, nunca dali se retira nem para comer nem para buscar companhia de iguais. Ah, e o que é mais singular: aparece quando o padre João se ausenta da comunidade, pelo que os bons frades de Segóvia comentam que isso é sinal da sua santidade, e que se o pombo mais se faz presente na ausência do Prior é porque Deus lho envia para lhes fazer companhia! Não sei que imaginarás, tu, leitor, leitora, mas a isso o Santo virava costas, enquanto lhes respondia:

– «Deixem-se dessas coisas!».

Não deixaram; felizmente, inteiramente não deixaram.

Sobre os burros não leio, intuo, pelo tanto que vi na minha terra, que não é nem foi terra de burros, mas de bois. Eu ainda vi aquelas leiras e campos serem trabalhados em modo laboira, isto é, à força de músculos, sejam de humanos sejam de bois. E tinha a coisa mais ciência do que possa parecer. Mocito eu era e vi homens e alimárias trabalharem até à exaustão; e apreciei que os donos das juntas eram mais rápidos em cuidar e a dar descanso às parelhas que a si mesmos. Eu vi e apreciei que no toque e no trato dos bichos havia, por vezes, mais humanidade que a concedida aos filhos – é um exagero, conceda-se, mas fica assim para que se esclareça o que quero dizer: amor igual se repartia pelos filhos e pelos animais. Mas a estes, com especial nobreza pelo tanto que deles a família dependia.

Quero crer que, no mínimo, igual trato e cuidado dava frei João da Cruz às mulas que o transportaram em tantas viagens. E não era para menos. Aliás, nem sei imaginar o quanto, naquela época, uma viagem de quatrocentos quilómetros dependesse da sua força e docilidade; mas pelo respeito e carinho com que na minha terra vi dar dos bichos, tenho por certo que naqueloutra não seria menor; sobretudo, pelas mãos desse homem manso que foi o padre João da Cruz. O que de todo em todo a mim me impressiona, e só tenho pena de melhor não conseguir fazer-me entender (e provar), é que entre o pai dos carmelitas descalços e os burros haveria uma gentileza assaz única, assaz delicada. De santo, lá está.

5.           As rãs.

Tinha o Carmelo de Beas de Segura, na província de Jaén, um logradouro ou quintal, e no quintal uma represa. Tanto na represa como nas cercanias – quem se admirará? – viviam muitas rãs, ora mergulhando, ora apreciando o sol, ora deliciando-se com os mosquitos, o seu andaluz prato preferido. Como por aqui também, aliás.

No biénio de 1579-1580, quando o padre frei João foi ali confessor, a cozinheira do Carmelo era a irmã Catarina da Cruz, que tinha tanto de boa cozinheira como de ingénua. Ora, em precisando a bendita Irmã dum ramo de salsa, duma folha de louro ou dum olho de couve para os seus cozinhados, lá saía ela da cozinha, entrava na horta, cruzava a represa e ia colher o que precisasse. Bem, no trajecto uma coisa sobremaneira desconsolava a pacífica carmelita: em passando pelo espelho d’água, as rãs percebiam os seus calados passos miudinhos e, zás!, mergulhando, escapuliam-se para o fundo da pôça! Ora, se a boa da irmã Catarina não percebia de rãs, tinha ela o padre João por bom sabedor das coisas de Deus e dos bichos da terra, que eles, como atrás dissemos, povoam os seus poemas e ensinamentos. E, a seu tempo, tratou de entrevistar-se com ele:

Padre, por qual razão, quando, cautelosa, passo pela represa, as rãs de um salto se escondem no fundo dela?

(Ora, aprecie e delicie-se, o apurado leitor, os problemas existenciais com que os confessores de contemplativas se desunham!)

Oh, filha! Pela simples razão de que esse é o lugar e o centro onde encontram segurança – logo lhe responde frei João.

Pois com certeza, responde a monja. E é que vossa reverência tem inteira razão! – anuía a cozinheira.

Mas o padre confessor não se fica por aqui, e como nunca perde a ocasião de dizer palavra útil e de bom proveito, acrescenta:

E assim há-de fazer você, Irmã Catarina: fuja das criaturas que a podem distrair e prejudicar. Por isso, mergulhe sempre no seu mais profundo centro, que é Deus! Esconda-se e proteja-se sempre Nele!

Dizer-te, leitor, leitora, que pouco depois frei João da Cruz houve de deixar de ser confessor daquelas freiras andaluzas e regressou a terras de Castela. Anos além, como nunca as esqueceu, escreveu-lhes uma carta. Numa breve linha da mesma deixou escrito o seguinte: «e à nossa Irmã Catarina digo que se esconda e mergulhe sempre no fundo».

Estou certo que, mesmo sem passar de humilde cozinheira, a Irmã Catarina foi uma santa, de per si, e também porque nos dois Santos Padres teve bons mestres e guias espirituais. É que no livro das Fundações (5,8) Santa Teresa recomenda às suas irmãs que, quando tiveram de se ocupar em tarefas exteriores, como por exemplo na cozinha, recordem sempre «que também entre as panelas anda o Senhor!»; e que isso as há-de ajudar a viver no seu interior. E depois, não é de crer que em pós a partida de frei João, as rãs tenham ido com ele, pelo que, sempre que passasse pela represa, a Irmã Catarina haveria de recordar a lição de seu pai espiritual: faça como as rãs, e mergulhe, porque é no profundo centro da sua alma, onde só Deus mora, que a irmã encontra o seu descanso e a sua segurança.

Aliás, o Santo firma esta doutrina quando comenta o verso terceiro da primeira canção da Chama de Amor Viva: «de mi alma en el más profundo centro». Ali, de facto,não falará de rãs, mas da pedra que «quando está na terra, mesmo que não esteja no ponto mais profundo, está de alguma maneira no seu centro, porque está dentro da esfera do seu centro, acção e movimento»[1].

6.           Os peixinhos.

No Carmo e no Carmelo a água é, naturalmente, muito apreciada e está ao serviço da doutrina dos nossos mestres, para que nos ensinem a ser espirituais. Creio, aliás, que até o católico mais pequenino está informado sobre como Santa Teresa dela se serviu para nos ensinar a rezar! São João da Cruz, por sua vez, não foi tão contundente, porém, no livro Subida ao Monte Carmelo (1:8:3), lembra e adverte-nos que os pescadores se servem das trevas para, com a luz do candil, encadilar os desprecavidos peixes e assim os caçarem em suas redes.

Sabemos, isso sim, e bem, que frei João gostava de rezar embrenhado na solidão dos campos e da natureza, e que jamais se dispensava de contemplar a água dum regato a correr, porque isso o ajudava a rezar e lhe recordava o mistério de Deus – essa fonte que mana e corre!

E não gostava de gostar ele só, mas que também os frades das suas comunidades gostassem do mesmo. Por isso, quando nos anos de 1582-1588 foi prior do convento de Los Mártires, em Granada, para os aliviar das durezas da vida claustral, costumava ele levar os seus frades para uma quinta junto a um rio. E enquanto eles se divertiam, o padre João descia até à margem do rio e contemplava, demorado e entusiasmado, os peixinhos cruzando e recruzando as águas. E não é que se cansasse de rezar e de contemplar tão pequeninas criaturas, mas para que seus frades o advertissem e aprendessem, chamava-os e dizia-lhes:

«Venham cá, irmãos, e hão-de ver como estes pequeninos peixinhos e criaturas de Deus O estão louvando! Levantemos, pois, o nosso espírito, que tanto o fazem estes animaizinhos sem razão nem entendimento! E se eles o fazem, por maioria de razão o deveríamos fazer nós!».

E enquanto a prelecção se alongava, o Santo Prior mais se extasiava; e para não o perturbarem em seu êxtase e elevações místicas, os bons frades dali se retiravam silenciosamente, deixando-o divinamente encandilado na contemplação dos peixinhos…

Ah, e se ainda hoje uns dizem que os peixes são mudos, outros reclamam que nós é que somos surdos; santos há, porém – os da talha de São João da Cruz –, cujo ouvido finíssimo sintoniza fraterna e delicadamente, até mesmo com as mais pequeninas criaturas de Deus e, partindo delas, elevam-se até à amorosa contemplação e louvor do Criador, e assim nos ensinam que tudo à nossa volta nos deve impelir a louvar o Senhor.

Existe na nossa tradição carmelitana um refrão que diz:

Vivo sem viver em mim
e de tal maneira espero
que morro porque não morro.

Santa Teresa comentou-o em verso e São João da Cruz também. Fiquemo-nos por uma estrofe do Santo, pois ela recorre à metáfora do peixe (e nós que a lemos, logo ali imaginamos o Santo com saudades do céu, estando sentado na margem dum rio, contemplando peixinhos!):

Fora de água o peixe é tal
que de alívio não carece,
pois na morte que padece
no fim a morte lhe vale.
Que mote haverá igual
ao viver em desespero,
pois se mais vivo mais morro?

7.           A lebre

No primeiro dia do mês de junho de 1591, sábado e vésperas do Pentecostes, reuniu-se em Madrid o capítulo dos Descalços – o último em que tomou parte frei João da Cruz. Participa, aliás, como terceiro conselheiro e Prior de Segóvia. Cerca do fim daquela assembleia magna, frei João oferece-se como missionário rumo ao México. O Capítulo ratifica-lhe o pedido, deixando-o sem conventualidade e com licença para percorrer a província da Andaluzia, juntar onze companheiros e partir.

Muito não se demorou ele, nem em despedidas, nem a acabar obras, nem a fechar dossiês, pelo que depois de percorrer as setenta léguas entre Segóvia e La Peñuela, no dia 10 de agosto de 1591, já naquela jocosa solidão sonora ele se encontra, restaurando-se e recompondo-se. Foi naquele entrementes, talvez em finais de agosto, ou quem sabe, nos inícios de setembro, que se declarou um grande incêndio nos baldios do convento. Tudo ali, além das altas temperaturas, está seco e mais que resseco, por isso o incêndio não lavra, devora e precipita-se pavorosamente! O que naquela situação de crise ficou de notável para o futuro foi o génio do padre João da Cruz: ele não sendo o Prior do convento, parecia sim um verdadeiro líder, um experiente chefe de brigada de bombeiros! Ajuntou a sua gente o mais rápido que pode e colocou uns a rezar na igreja diante do Santíssimo – quero crer que os mais trôpegos – e outros, entre frades e lavradores, a combater as chamas. Quanto a ele, foi postar-se, sem medo, de joelhos e braços em cruz, entre as chamas e o convento, precisamente naquele ponto da cerca em que as ervas eram mais altas e secas, e mais lenha havia! E vindo o fogo sobre o convento e a vinha, o Santo dali não se retirou jamais, a ponto das altas chamas o cobrirem e passarem por cima. Isso viram os bons frades e os lavradores que mais combate não podiam oferecer-lhes, em razão do qual o incêndio se precipitou sobre o convento e lhe lambeu as paredes, mas logo, inexplicavelmente, houveram as chamas de recuar tão repentina e inexplicavelmente como se haviam sobre ele precipitado. Ao retirar-se aquelas, todos viram que o Santo estava vivo e permanecia de joelhos, e nem o hábito nem os cabelos se havia chamuscado!

Escusado será dizer que todos logo ali falam, comentam e propalam o milagre! Quanto ao Santo, nada relevando, logo mandou abrir as portas da igreja para espantar o fumo. E ao abri-las certo frade, pode aquele ver que uma lebre que por ali se escondera, saiu precipitada para fora, correndo em direcção ao padre João da Cruz e se refugiou sob a túnica do seu hábito! Depois dum facto maravilhoso, juntava-se-lhe, agora, um segundo. Mas o mais relevante é que o Santo nem se intimidou, nem a assarapantou. Antes, porém, foram os demais que a recolheram, por duas vezes, e pelas duas a agarraram pelas orelhas e a puseram fora da cerca; e das duas vezes ela lhes fugiu, regressando a correr para a segurança da sombra de frei João, repousando, serena e calma, a seus pés.

8.           Porque à data a saúde já não era muita, e porque numa perna se lhe declararam umas «calenturillas» que não se remiam, antes do fim do mês, convalescente, frei João saiu de La Peñuela rumo a Úbeda, onde morrerá no dia 14 de dezembro de 1591. O que não morreu foi a estória da lebre que, a meu ver, casa bem com aqueloutra dos dois cães que, em certa viagem, se precipitaram sobre ele e seu companheiro. Como noutro lugar se lê, o Santo jamais se intimidou, antes sereno se quedou, até que foi por eles alcançado e cheirado, em pós o que a cólera dos mastins se serenou. Em boa verdade, não sei que tinha o santo frei João das Cruz. Sei que se diz que alguns humanos têm seis sentidos, e os cães parecem possuir mais, pois o seu faro percebe a santidade onde ela existe. E se ela existia e persistia em frei João da Cruz! Existia, sim, em tão alto grado que algo me diz que, se necessário fora, até entre a sua sombra se aconchegariam, como amigos e comparsas, um lebréu e uma lebre!

9.           Ah, queridos inimigos, querido irmão lebréu, querida irmã lebre!


[1]     Cfr Chama B 1:9-14.