Frei João Costa, OCD
A cada dois anos, a UNESCO apresenta um calendário de aniversários, através do qual homenageia pessoas ou instituições que representem a excelência nos campos da paz, educação, ciência, ciências sociais e comunicação.
No passado dia 11 de novembro de 2021, tal calendário foi tornado público, aparecendo nele os 60 nomes que no biénio em curso seriam universalmente celebrados. Entre esse conjunto de excelência encontram-se quatro representantes do génio cristão, três homens e uma mulher: Nerses IV, o Grande; Copérnico, Mendel e Teresa de Lisieux – Um bispo, um padre, um monge agostinho, e uma freira carmelita descalça.
Eis um breve detalhe sobre cada um desses génios:
Nerses Shnorhali (1107 – 1173) foi um ilustre príncipe arménio que se tornou bispo católico e santo, cuja vida pastoral foi dedicada a promover iniciativas que volvessem a unir a Igreja de Roma, a da Arménia e a de Constantinopla; ao mesmo tempo, servindo-se da sua preponderância de pastor, ensinava, com humilde suavidade e arrojo, que a Igreja é antes de tudo povo de Deus e não pode ser assimilada por nenhuma aristocracia. Será lembrado em 2023 pelo 850º aniversário da sua morte (25 de julho).
Nicolau Copérnico (1473 – 1543) era o mais novo de quatro filhos de um abastado casal de comerciantes polaco. Em Cracóvia estudou matemática, astronomia, teologia e direito canónico, após o que foi ordenado sacerdote. Posteriormente, em Itália, aprofundou esses conhecimentos, após o que, em contracorrente, ousou afirmar ser o sol o centro do universo, e não o planeta terra, tal como até ali propunha a teoria geocêntrica em vigor. As suas teses derrubaram antigas certezas e abriram o mundo para a modernidade, o que gerou polémica e descrédito, nuns, surpresa e admiração, noutros. Será lembrado em 2023, pelo 550º aniversário de seu nascimento (19 de fevereiro).
Gregor Mendel (1822-1884) era de origem humilde, mas muito inteligente. Foi aluno da escola do mosteiro de Santo Agostinho, em Brno, actual Chéquia. Ainda em casa costumava observar e estudar as plantas, estudo que aprofundou no mosteiro, embora tivesse outros interesses como a meteorologia e as teorias da evolução. É conhecido como o «pai da genética moderna», revelando-se um homem à frente do seu tempo, apesar de ignorado durante toda a vida. Foi lembrado em 2022, pelo 200º aniversário do seu nascimento (20 de julho).
Teresa Martin (1873-1897), Thérése de Lisieux ou Santa Teresinha é filha de pais da burguesia francesa do séc. XIX; Zélie e Louis Martin, entretanto declarados santos, eram reconhecidamente muito piedosos, bondosos e empreendedores; e inclinados à caridade, a ponto de, ocasionalmente, acolherem pobres à sua mesa. Teresinha é a última de cinco filhas e por isso, a princesinha da família, mimada e birrenta na infância, figuração que se encontra bem longe da imagem idealizada que suas irmãs piedosamente nos fizeram crer; porém, ainda muito jovem, e apesar de freira de clausura, constituiu-se como «cientista do amor», cuja alma fascina gerações, e não apenas de crentes. Será lembrada em 2023 pelo 150º aniversário do seu nascimento (2 de janeiro).
Comentando estas escolhas, o Vaticano declarou serem quatro personalidades marcantes, cada uma a seu modo, da época em que viveram, tendo contribuído de forma universal para o bem da humanidade e que, juntos, são bem a expressão do génio cristão, simbolizado em todos os quatro pelo hábito religioso que usavam.
Pela proximidade temporal e espiritual, melhor se compreenderá que nas páginas do Diário do Minho mais nos ocupemos de Santa Teresinha do Menino Jesus, cujo reconhecimento da «universalidade da sua personalidade» levou a UNESCO a associar-se ao seu aniversário, e em razão do qual nos propomos revisitá-la ao longo deste ano, no dia 2 de cada mês, uma vez que tal reconhecimento abre novas perspectivas para a difusão de sua mensagem de vida, paz e amor levada até às «ilhas mais remotas», como expressa ela própria, ou às «periferias», segundo a expressão do Papa Francisco.
A concluir, propomos que ouça o poema Vivre d’Amour, de Santa Teresinha, interpretado por Sylvie Buisset et la Communauté des Béatitudes:
* Publicado no Diário do Minho de 2 janeiro 2023










