Irmã Sofia da Cruz, Carmelo de Aveiro
Querida Zé
Neste momento quero estar a teu lado para te abraçar e recordar as palavras da tua mãe: «Quando eu morrer tu não fiques triste, tu não chores.»
Ela tem razão, creio que Jesus a preparou para o encontro com Ele e ela sabia que partia para a vida em abundância, partia para a vida em plenitude, partia para a Festa. A Festa da Vida. Nesta hora da partida muitas são as recordações que assumem contornos de amor, de alegrias partilhadas, de tristezas e dores comungadas, de dificuldades que fizeram crescer parte a parte, de laços de pertença que apenas sente quem tem o outro no coração. Tu estiveste, estás e estarás sempre no seu coração e nada vos separará, porque o amor é mais forte que a morte. Tu fazes parte dela e ela faz parte de ti e será sempre assim por que em Deus nada acaba apenas se transforma e transforma-se sempre para melhor.
A morte é como que uma experiência de emigração. Quem parte emigra, aparentemente, para uma terra distante. Digo aparentemente porque para o coração não há distâncias. Agora passas a falar com ela pela oração, na dimensão espiritual e no segredo do coração ela vai-te responder, porque agora a única linguagem que ela entende e fala é a do espírito. Tu vais sentir como ela está perto de ti e de toda a família. A emigração está apenas na ausência da sua pessoa, que não é ausência da sua companhia e do seu amor. A sua presença amorosa e a sua companhia são sinais da terra prometida, o céu. Só estando lá podemos continuar a amar e ajudar aqueles que Ele nos deu. Agora de junto do Pai ela vai derramar sobre vós, a abundância da paz de Deus e uma alegria muito íntima e profunda, porque é o gozo de estar em Deus.
Dou graças a Deus contigo pelo dom a tua mãe, a querida Dona Natália. Pela mulher lutadora e empreendedora que ela foi. Pela sua grande confiança em Deus. Dou graças a Deus por a ter escolhido para ser a tua mãe, aquela pela qual tu recebeste a vida. Aquela de quem tu recebeste uma parte do teu ser, para além da educação e a formação. Certamente que foi com ela que despertaste para o bem, para a responsabilidade, para o ser família. Dou graças a Deus por todas as maravilhas que Ele realizou nela, na saúde e na doença, na juventude e na velhice, na alegria e na tristeza, no silencio e na oração. Para Deus nada é impedimento para fazer uma pessoa feliz e estou certa de que toda a sua vida foi um caminho de buscar a verdadeira felicidade e que ela partiu feliz. Partiu feliz porque te vê feliz com o Luís e o António, porque te deixa feliz na sua companhia. Ela goza da felicidade de ver a Deus e tu da alegria de ter uma intercessora junto de Deus.
Dou graças a Deus pelo dom da maternidade da Dona Natália, pelo dom da vocação matrimonial e da entrega diária e constante que ela foi fazendo da sua vida a Deus. Vocês são o fruto desta entrega e certamente ela está muito orgulhosa de vocês.
Quanto mais vocês se aproximarem dela, na oração, mais ela se aproximará de vós, continuando a ser a vossa Mãe e a vossa Avó.
Querida Zé rezo contigo e acção de graças, porque Jesus cumpriu na Dona Natália a sua promessa. Ele disse: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância», pois bem, nela hoje mesmo se cumpriu esta promessa. Exultemos e cantemos de alegria porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente e levou com Ele a Dona Natália, a tua querida Mãe, sentando-a ao seu lado no céu. Que de junto de Deus ela interceda por todos nós.
Rezo contigo e estou a teu lado.










