Armindo dos Santos Vaz

Em Novembro de 2024 foi publicado em espanhol a obra de Armindo dos Santos Vaz, «Criação divina sem pecado humano: uma história com sentido, Génesis 2-3» (Paulinas; Prior Velho 2024). É uma publicação de Editorial Fonte: Creación divina sin pecado humano.

A contracapa reporta um texto fulminante, que não aparece no original português:
«Será que alguém compreendeu claramente a famosa história que se encontra no princípio da Bíblia – a do terror de Deus diante da ciência? Ninguém a compreendeu… O velho Deus… vai de passeio pelo seu jardim: está aborrecido… Que faz então? Inventa o homem – o homem diverte. Mas nessa altura apercebe-se de que o homem também está aborrecido… Então Deus cria a mulher. Com isso cessou o aborrecimento, mas também muitas outras coisas! A mulher foi o segundo erro de Deus. “A mulher, por natureza, é uma serpente: Eva” – todos os padres o sabem. “Da mulher vem todo o mal do mundo” – também todos os padres o sabem… Igualmente dela nasce a ciência… Foi pela mulher que o homem provou da árvore do conhecimento» (F. Nietzsche, O anticristo, XLVIII).

Como esta leitura provocante do filósofo F. Nietzsche sobre Génesis 2-3, muitas outras foram feitas dentro e fora do cristianismo, menos controversas, igualmente inquietantes e questionáveis. Têm uma debilidade genética: estão descontextualizadas; como se esse relato bíblico fosse uma peça de filosofia e não reflectisse uma época, uma cultura, uma literatura, uma religiosidade. Neste livro oferecemos a interpretação nova que a partir do final do séc. XX se tornou possível, lendo a narração no seu contexto literário e cultural e concluindo que usa linguagem figurada. Dizer que ‘Adão e Eva’ com o seu pecado foram a causa de todas as desgraças humanas resulta de uma leitura ingénua, ao pé da letra. A narração da criação não está – não pode estar – relacionada com um pecado. Este livro, escrito por um Professor da Universidade Católica, ajuda o leitor crente e não-crente a revisitar a narrativa fundadora que tanto influenciou a cultura do Ocidente. Na realidade, ela ajuda a descobrir em Deus o sentido último da existência humana.