Maria Jesus Sousa autora do livro “Desatando Nós”
Foi com curiosidade e surpresa que recebi o convite da Verónica para estar aqui, hoje, a realizar a apresentação deste livro e é importante que percebam a razão…
Há mais de 38 anos que me dedico à Educação e isso implica estudar, escutar, observar e aprender todos os dias, para assim conseguir ajudar a crescer os corações mais puros que existem, os das crianças.
Ao longo de todo este tempo, aprendi que as emoções, tal e qual como os novelos de lã, por vezes emaranham-se e formam nós apertados cá dentro, que fazem doer, chorar, gritar, nós que dificultam o leve fluir da infância…
Foi com esta metáfora em mente que escrevi “Desatando Nós”, um livro infantil que procura ajudar crianças e adultos, de forma simples e amorosa, a lidarem melhor com as emoções mais difíceis de sentir, como a raiva, a tristeza ou o medo, e aprender como desatar esses nós interiores.
A receita? Difícil é ser tão simples: transformá-los em laços! Laços fortes e aconchegantes.
Mas qual é o segredo para essa transformação mágica?
Igualmente simples e acessível a todos: o abraço!
Um abraço na hora certa, um abraço que acolhe, demorado, caloroso, terno, compreensivo.
O poder do abraço reside na sua capacidade de acalmar, de consolar, de regular a respiração, de mostrar que não estamos sozinhos. Um abraço pode desfazer um nó e transformar essa energia negativa em algo positivo, num laço que une, estrutura e fortalece. Abraçar o corpo é tocar a alma!
O meu livro levou a este convite e o convite levou à leitura deste novo livro, o que me fez ver que os desafios também evoluem e que as metáforas podem crescer com eles!
Eu não conhecia a Verónica, nem pessoal, nem virtualmente. Foi alguém ligado a ambos os livros que criou uma ponte entre nós, uma ponte feita de linhas, cliques, nós e laços, mas que não é, de todo, uma ponte frágil, porque no seu alicerce estão as emoções e estas são a base da vida, porque definem os nossos comportamentos, moldam as nossas experiências e guiam as escolhas que fazemos.
Peguei em “Betânia, linhas e cliques” após conhecer “Direitos não confinados” e apaixonei-me à primeira vista pelas ilustrações do Kiko, que tem um enorme dom e alguns anjos da guarda que o incentivam a desenvolvê-lo… e dei por mim a imaginar um livro infantil ilustrado assim: um sonho!
Mas este não é um livro dedicado à infância, antes à etapa que se segue na linha contínua da vida.
Na adolescência, os nós podem tornar-se mais complexos, mais difíceis de desatar…
As dúvidas ficam mais profundas e as inseguranças aumentam de tamanho, à medida que o diálogo e a comunicação correm o risco de encolher. É um “caminho de montanha”, uma verdadeira aventura a percorrer!
Foi nisso que pensei ao ler esta jornada de descoberta interior, feita de diálogo, mesmo que virtual, qual bússola para ajudar a navegar entre perguntas e respostas, pelas águas por vezes turbulentas da adolescência, sempre com “um fio condutor inquebrável: o poder da palavra e a necessidade fundamental de se ser ouvido e compreendido – o cerne de toda a obra”.
“Betânia, entre linhas e cliques” não é uma solução mágica para os problemas, é antes um guia amigável, que pode ajudar a clarificar questões de identidade, amizades, relações familiares, redes sociais e tantas outras questões importantes nesta fase da vida…
É um livro para auxiliar o processo de crescimento pessoal dos adolescentes, para abrir pontes de diálogo, reflexão e comunicação com quem os cerca, para os ajudar a entender e a gerir os “nós da adolescência” e a transformá-los em laços fortes e duradouros, os laços que verdadeiramente unem.
Assim como os abraços em “Desatando nós”, “Betânia, entre linhas e cliques” oferece um abraço virtual, acolhedor e seguro ao longo das suas páginas, para que os adolescentes possam saboreá-lo, aconchegar-se nele e, assim, encontrar-se e fortalecer-se.
Deixo os meus parabéns aos autores e ao ilustrador, porque um livro pode ser uma ferramenta importante na descoberta da rota certa para o “caminho de montanha”, construindo laços de amizade, amor e compreensão. Que esse seja também o papel da “Betânia”. Boas leituras!
Maria Jesus Sousa, 1 junho 2025 | Convento do Carmo Braga










