{"id":826,"date":"2017-07-17T16:57:21","date_gmt":"2017-07-17T16:57:21","guid":{"rendered":"http:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=826"},"modified":"2017-07-21T15:19:41","modified_gmt":"2017-07-21T15:19:41","slug":"santa-teresa-e-a-virgem-do-carmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/santa-teresa-e-a-virgem-do-carmo\/","title":{"rendered":"Santa Teresa e a Virgem do Carmo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Daniel de Pablo Maroto, ocd<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">[Trad. de Jos\u00e9 Maria Louren\u00e7o, ocd]<\/p>\n<p>No dia 16 de Julho, a Igreja Cat\u00f3lica celebra a solenidade da Virgem do Carmo, \u201ccujos altares se espalham pelos quatro cantos do planeta\u201d. A Ordem do Carmo bem como os Carmelitas Descal\u00e7os, herdeiros da sua fundadora Teresa de Jesus, t\u00eam-na como a principal padroeira e celebram, com toda a solenidade, a sua festa em todas as suas igrejas, tanto de frades como de monjas. Fa\u00e7o mem\u00f3ria, a partir de \u00c1vila, de Santa Maria do Carmelo e de Teresa de Jesus, que a adoptou como m\u00e3e na adolesc\u00eancia, preenchendo de gozo e esperan\u00e7a a sua orfandade, como guia espiritual no Convento da Encarna\u00e7\u00e3o e como Padroeira da sua Reforma do Carmelo.<\/p>\n<p>A piedade mariana herdou-a de sua m\u00e3e, que ensinou os seus filhos a rezar o ros\u00e1rio ao calor da lareira, na sua casa de \u00c1vila. Depois o relato tardio da sua vida, t\u00e3o pormenorizado em aventuras humanas e m\u00edsticas, tem refer\u00eancias \u00e0 Virgem Nossa Senhora, a Rainha do Carmelo, e outras men\u00e7\u00f5es plenas de ternura filial, mas sem mais explica\u00e7\u00f5es de como e quando se preencheu a sua alma da espiritualidade mariana.<\/p>\n<p>Penso que seria quando descobriu Cristo na ora\u00e7\u00e3o interiorizada, que lhe ensinaram as Agostinhas do convento de Santa Maria da Gra\u00e7a, o que a levou de menina a um encontro profundo com a sua M\u00e3e, a Virgem Maria (Vida 9, 4; Cfr. 9, 7 e 3, 4). O processo, que vai de Cristo a Maria, \u00e9 coerente num caminho espiritual que se percorre por etapas e que, nela, culminou em experi\u00eancias m\u00edsticas, igualmente de cariz mariano.<\/p>\n<p>Mas, com toda a certeza, foi no convento da Encarna\u00e7\u00e3o, de monjas carmelitas, onde tinha ingressado em 1535, em que se desenvolveu toda a sua profunda piedade mariana. Mesmo que pare\u00e7a mentira a quem desconhece a hist\u00f3ria da sua voca\u00e7\u00e3o, ela foi uma de tantas jovens que se refugiou no convento \u201cpara se remediar\u201d, n\u00e3o por falta de recursos econ\u00f3micos ou de pretendentes de casamento; ou mesmo pelo amor a Cristo ou a Maria, mas para se garantir a salva\u00e7\u00e3o eterna. N\u00e3o nos atrever\u00edamos a diz\u00ea-lo t\u00e3o abertamente, se ela pr\u00f3pria n\u00e3o o tivesse confessado com tanta honradez, simplicidade e humildade: \u201cNeste movimento de escolher estado, julgo que me movia mais o temor servil do que o amor\u201d. \u201cComo o amor a Deus ainda n\u00e3o superava o do meu pai e parentes\u2026 deu-me coragem para me contrariar e concretizei o meu plano\u201d (Vida 3, 6 e 4, 1). Estas s\u00e3o as raz\u00f5es que ela apresenta e o historiador intui mais alguma coisa tamb\u00e9m de \u00edndole mundana e familiar, fora do \u00e2mbito da santidade, com certeza. A maturidade espiritual saneou as suas primeiras inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas abandonemos este pre\u00e2mbulo da sua voca\u00e7\u00e3o e entremos no convento da Encarna\u00e7\u00e3o, a verdadeira escola do seu marianismo cultural e devocional. A Ordem do Carmo, propriet\u00e1ria do convento, tinha nascido na Palestina, terra de Jesus e de Maria, nos in\u00edcios do s\u00e9culo XIII; os primeiros frades observavam uma Regra que obrigava a viver \u201cem obs\u00e9quio de Jesus Cristo\u201d sem qualquer alus\u00e3o \u00e0 sant\u00edssima Vigem Maria. E, no entanto, os te\u00f3logos da ordem, defenderam logo nos in\u00edcios que o Carmelo \u00e9 <strong>totalmente mariano. <\/strong>O que ter\u00e1 acontecido na hist\u00f3ria? Em que se basearam os te\u00f3logos carmelitas para propor esta aparente mudan\u00e7a na direc\u00e7\u00e3o espiritual do culto a Cristo para o de Maria? Apenas manifestaram o que estava impl\u00edcito na Regra.<\/p>\n<p>A regra de vida foi escrita e imposta aos eremitas do monte Carmelo no contexto duma mentalidade feudal em que dominava um senhor da terra. Ora bem, Jesus Cristo era o Senhor da Palestina, sua terra natal, que a possui como senhor absoluto e, com Jesus, est\u00e1 a sua m\u00e3e, Maria. As duas figuras, Cristo e Maria eram insepar\u00e1veis para eles. A terra de Jesus era igualmente para eles terra de Maria, Senhora do lugar e m\u00e3e dos Carmelitas. A vassalagem, que os cruzados ocidentais prestavam aos seus senhores, era dada, no presente, a Jesus Cristo e a Maria, Sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Baseados neste argumento, pelo menos, desde a metade do s\u00e9culo XIII, aqueles ermit\u00e3os prestaram um culto especial a Maria edificando-lhe no meio das suas r\u00fasticas celas uma capela. Essa rudimentar capela transformou-se, na segunda metade do s\u00e9culo XIII, numa espl\u00eandida igreja g\u00f3tica dedicada \u00e0 Virgem do Carmo. O convento de frades, que se construiu ao lado da Igreja por volta do ano de 1263, e todo o majestoso complexo \u2013 Igreja e convento \u2013 de Wadi \u00a0\u2018Ain Es-Siah, foi abandonado precipitadamente em 1291, quando os sarracenos conquistaram o lugar.<\/p>\n<p>A Madre Teresa, quando pensou renovar a ordem do Carmo, recordou com nostalgia a vida asc\u00e9tica e a ora\u00e7\u00e3o contemplativa dos antigos eremitas do Monte Carmelo e neles se olhou como num long\u00ednquo espelho, sonhou com aquelas solid\u00f5es cheias de misteriosas resson\u00e2ncias e quis institu\u00ed-las no seu primeiro convento de S. Jos\u00e9 de \u00c1vila e, depois, nas restantes funda\u00e7\u00f5es de monjas e de frades; elas para orar e contemplar e eles pelas mesmas raz\u00f5es e estender o reino de Deus nas m\u00faltiplas actividades apost\u00f3licas.<\/p>\n<p>E, uma \u00faltima pergunta: Onde e como entrou em contacto a Madre Teresa com aquelas ess\u00eancias marianas do Carmelo? Existe um livro misterioso que, com toda a certeza, ter\u00e1 lido quando estava no convento da Encarna\u00e7\u00e3o, porque era tido como fundamental na forma\u00e7\u00e3o de frades e monjas e era considerado como a Regra antiga da ordem. Trata-se da <strong><em>Institui\u00e7\u00e3o dos primeiros monges,<\/em><\/strong> escrita no s\u00e9culo XIV pelo carmelita Filipe Ribot. Ali conheceu muitas tradi\u00e7\u00f5es e lendas fant\u00e1sticas da ordem, da sua antiguidade em uni\u00e3o com os herdeiros dos profetas Elias, a rela\u00e7\u00e3o dos eremitas com a fam\u00edlia de Nazar\u00e9 e Maria imaculada figurada na nuvenzinha que Elias viu erguer-se das salobres \u00e1guas do Mediterr\u00e2neo, etc.<\/p>\n<p>E, sobretudo, o v\u00ednculo singular dos antigos frades com a Virgem Maria at\u00e9 se poderem considerar\u00a0 <strong><em>Irm\u00e3os da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, <\/em><\/strong>porque ela viveu a virgindade como defendiam os carmelitas, t\u00edtulo de que se apoderaram os frades, quando passaram para ocidente e por tal foram perseguidos.<\/p>\n<p>Teresa sentiu-se como \u201cfilha, \u201cescrava\u201d e \u201cprotegida\u201d e transmitiu esse sentimento aos seus filhos e filhas. O t\u00edtulo que d\u00e1 a Maria \u00e9 muito significativo e vai mais al\u00e9m do oficial atribu\u00eddo \u00e0 sua reforma: Senhora e Padroeira do Carmelo. Consequentemente, tudo o que pertence a vida da Reforma refere-se a Maria do Monte Carmelo: o h\u00e1bito, que veste indignamente, as casas que funda, a Regra de vida cujas origens ela pretende recuperar para a renovar, os conventos da sua Reforma s\u00e3o pequenos pombais da Virgem, os membros do Carmelo reformado, monjas e frades, tudo \u00e9 uma prova evidente de que a Reforma est\u00e1 consagrada a Maria, onde \u00e9 M\u00e3e e mestra. Oxal\u00e1 que a grande fam\u00edlia do Carmelo, monjas, frades e laicos, n\u00e3o perca de vista este long\u00ednquo, mas sempre actual, modelo como \u00e9 a Virgem do Carmo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/delaruecaalapluma.wordpress.com\/2017\/07\/15\/santa-teresa-y-la-virgen-del-carmen\/\">Santa Teresa y la Virgen del&nbsp;Carmen<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel de Pablo Maroto, ocd [Trad. de Jos\u00e9 Maria Louren\u00e7o, ocd] No dia 16 de Julho, a Igreja Cat\u00f3lica celebra a solenidade da Virgem do Carmo, \u201ccujos altares se espalham [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":827,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=826"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":831,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826\/revisions\/831"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}