{"id":4881,"date":"2026-09-30T02:16:00","date_gmt":"2026-09-30T02:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4881"},"modified":"2026-09-28T10:40:53","modified_gmt":"2026-09-28T10:40:53","slug":"biblia-e-atencao-aos-anciaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/biblia-e-atencao-aos-anciaos\/","title":{"rendered":"B\u00edblia e aten\u00e7\u00e3o aos anci\u00e3os"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Armindo Vaz, OCD<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A f\u00e9 b\u00edblica solicita com vigor o respeito para com o anci\u00e3o, tamb\u00e9m por ele ser fr\u00e1gil: \u201cLevanta-te diante dos cabelos brancos e honra o rosto do anci\u00e3o; teme o teu Deus\u201d (Lv 19,32). Honrar os anci\u00e3os era abrir o futuro aos jovens. O s\u00e1bio Ben Sira recomenda-o: \u201cN\u00e3o desprezes um anci\u00e3o, porque tamb\u00e9m n\u00f3s envelheceremos\u201d (8,6). \u00c9 como se dissesse: \u00abfilho \u00e9s, pai ser\u00e1s; como fizeres assim achar\u00e1s\u00bb, mais cedo ou mais tarde. A raz\u00e3o para esse respeito e para honrar o anci\u00e3o est\u00e1 no facto de ele ser deposit\u00e1rio e reserva de sabedoria da comunidade: \u201cN\u00e3o desprezes os ensinamentos dos anci\u00e3os, pois eles aprenderam-nos dos seus pais\u201d (Sir 8,9). V\u00eam de tr\u00e1s, s\u00e3o um precioso relic\u00e1rio e uma biblioteca de experi\u00eancia, como diria Sancho Panza em <em>Dom Quixote de la Mancha:<\/em> \u201c\u00c9 bom viver muito para ver muito, embora tamb\u00e9m digam que quem longa vida alcan\u00e7a muito mal viu e mais espera\u201d (M. de CERVANTES, <em>Don Quijote de la Mancha<\/em> (Castalia; Madrid 1997) II, 32). Tornados assim mestres de f\u00e9, os anci\u00e3os traziam um tesouro dentro de si, marcavam a cultura e representavam a riqueza de um povo. O seu testemunho unia as idades da vida e at\u00e9 as dimens\u00f5es do tempo. Conversar com um anci\u00e3o era abrir-se \u00e0 experi\u00eancia e ao enriquecimento acumulados por intelig\u00eancias do passado, porque ele tinha muito a dizer: via e mostrava a vida de outros pontos de vista. A raz\u00e3o de respeito para com os anci\u00e3os era maior no caso dos pais, pois deles os filhos tinham recebido tudo, especialmente a vida: \u201cN\u00e3o desprezes a tua m\u00e3e quando \u00e9 idosa\u201d (Pr 23,22); \u201cfilho, ampara o teu pai na velhice\u201d (Sir 3,12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atitude de desprezo dos anci\u00e3os como um peso social e econ\u00f3mico \u00e9 vista como sinal de grave degenera\u00e7\u00e3o e da barb\u00e1rie da sociedade b\u00edblica. O profeta Baruc, referindo-se aos babil\u00f3nios, entre os quais sobreviviam os israelitas no ex\u00edlio devastador, fala de um povo estranho, povo cruel, de linguagem b\u00e1rbara, sem respeito pelo anci\u00e3o\u201d (Ba 4,15). Descartar os anci\u00e3os era despudor pr\u00f3prio dos \u00edmpios que proclamavam com factos e palavras: \u201cn\u00e3o respeitemos os cabelos brancos do anci\u00e3o\u201d (Sab 2,10). Ponto assente do tratamento dos anci\u00e3os era n\u00e3o serem exclu\u00eddos da comunidade b\u00edblica dos mais jovens nem serem periferia abandonada numa esp\u00e9cie de \u2018cidade dos velhos\u2019. Ao contr\u00e1rio, a vida de uns fazia mais sentido enquanto integrada na dos outros, pois apareciam uns ao servi\u00e7o complementar dos outros, os idosos como fundamento do saber dos vindouros e como primeiros arautos da f\u00e9. Os anci\u00e3os n\u00e3o eram in\u00fateis para a sociedade e um fardo para os novos: tinham a fun\u00e7\u00e3o nobre de ser ilumina\u00e7\u00e3o da vida deles, j\u00e1 que os golpes da vida os fizeram crescer com mimosos toques na alma; a bagagem adquirida com a experi\u00eancia era preciosa chave de leitura para o <em>hoje<\/em> dos jovens. Os sulcos e as rugas da alma que vincavam a sua testa denunciavam o assombro diante da beleza da vida, punham a nu a for\u00e7a dos pensamentos profundos e das decis\u00f5es dif\u00edceis que tinham tomado. Em cada ruga dos outros cantos do rosto encerrava-se um peda\u00e7o da hist\u00f3ria de Israel.&nbsp;As marcas que o tempo foi imprimindo na sua pele eram cicatrizes de batalhas ganhas, trof\u00e9us de conquistas feitas ao longo de uma vida de experi\u00eancias e de crescimento. Por isso Paulo ensina que o \u201cconforme \u00e0 s\u00e3 doutrina\u201d \u00e9 que \u201cos anci\u00e3os sejam s\u00f3brios, dignos, prudentes, firmes na f\u00e9, no amor e na paci\u00eancia\u2026; que as anci\u00e3s sejam mestras de virtude, a fim de ensinarem as adolescentes\u201d (Tito 2,1-4).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD A f\u00e9 b\u00edblica solicita com vigor o respeito para com o anci\u00e3o, tamb\u00e9m por ele ser fr\u00e1gil: \u201cLevanta-te diante dos cabelos brancos e honra o rosto do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4853,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4881"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4882,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4881\/revisions\/4882"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}