{"id":4879,"date":"2026-09-30T02:15:00","date_gmt":"2026-09-30T02:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4879"},"modified":"2026-09-28T10:39:49","modified_gmt":"2026-09-28T10:39:49","slug":"diario-sem-voo-que-e-que-eu-faco-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/diario-sem-voo-que-e-que-eu-faco-aqui\/","title":{"rendered":"DI\u00c1RIO SEM VOO: Que \u00e9 que eu fa\u00e7o aqui?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cheguei a Avessadas na v\u00e9spera de Santo Ant\u00f3nio. Nunca gostei muito de mudar; nunca tanto me custou mudar. Vim por obedi\u00eancia, sem a tomar por virtude. A secas. E \u00e9 que neste estroncar de ra\u00edzes ainda n\u00e3o vejo virtude alguma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca Eu n\u00e3o voo, n\u00e3o tenho alucina\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tenho histerismos, n\u00e3o tenho arroubamentos. E at\u00e9 estou, julgo eu, mais do lado do barro pesado que do leve vitral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Junho 13, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca Festa de Santo Ant\u00f3nio. Intr\u00e9pido. Como ele, s\u00f3 um; ele mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca Certo dia, quase fortuitamente, fui a um concerto do S\u00e9rgio Godinho. Gosto. Gostei. Tinha ele uma garrafa de vinho tinto, donde ao longo do concerto foi bebendo, libando e saudando a vida. N\u00e3o me recordo quanto bebeu; mas sei que n\u00f3s, sacerdotes, no altar, tamb\u00e9m vertemos vinho tinto num c\u00e1lice.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recordo-me que depois da primeira can\u00e7\u00e3o, ele abriu a camisa e contou que sa\u00edra vivo e salvo duma opera\u00e7\u00e3o de <em>barriga aberta<\/em>. Concordei que valia bem a pena celebrar a vida com vinho tinto. Do nosso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que mais me ficou daquele curto concerto na foz do Lima foi um trecho da segunda can\u00e7\u00e3o que ele cantou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>D\u00f3i-me o joelho. D\u00f3i-me parte do antebra\u00e7o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>D\u00f3i-me a parte interna. De uma perna.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>E parte amiga. Da barriga.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Que fadiga. O que \u00e9 que eu fa\u00e7o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sei que mais me doi, se a parte amiga se a desamiga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Julho 5, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca No domingo dia 5 de julho cheguei, manh\u00e3zinha, cheio de sono ao Funchal. Os dois frades desdobram-se para me aconchegar e para que, em sua ajuda, celebrasse missa. Por fim, ajustamos que fosse \u00e0s 18:00. Foi e ainda bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Regressei no dia vinte, num voo qu\u00e1si nocturno. Na mala trazia mais de trinta canetas (todas oferecidas). Tenho de perceber porqu\u00ea. Pelo meio preguei a novena de Nossa Senhora do Carmo, na Missa das novo e na das dezoito. Intenso. Para surpresa de n\u00e3o poucos, em ambos os momentos a igreja do Carmo esteve crescentemente cheia. E por fim, opulenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 16 sepult\u00e1mos a Nina. De facto, n\u00e3o foi surpresa n\u00e3o t\u00ea-la nem na assembleia, nem no zeloso cuidado dos altares. Por\u00e9m, inesperadamente, participei nas suas ex\u00e9quias; mas s\u00f3 no fim me disseram que ela tinha pedido ao Senhor para morrer: ou no dia 12 de junho, ou no dia 15 de julho, ou no dia 7 de dezembro. O leitor perceber\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o. Morreu a 15 de julho e Deus e a M\u00e3e sabem porqu\u00ea. Levou o Escapul\u00e1rio sobre o peito. E outro, igualmente grande, sobre o caix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terra do cemit\u00e9rio \u00e9 muito vermelha. E o modo de ali abrir as covas \u00e9 muito diferente do continente, pelo menos a norte. Nunca esquecerei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a novena \u2013 ali dizem <em>novenas<\/em> \u2013 cantaram-se c\u00e2nticos lind\u00edssimos a Nossa Senhora do Carmo, alguns dos quais eu nunca ouvira. Algu\u00e9m deveria recolh\u00ea-los e pass\u00e1-los ao futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca O pessoal do Funchal \u00e9 especial. Vim com a alma cheia de versos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Agosto 1, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exceptuando a \u00faltima semana, passei quase todo o agosto em Avessadas. N\u00e3o existe nisso nenhuma esp\u00e9cie de hero\u00edsmo, mas foi assim. Aqui e ali, a terra ao longe ardia, o que n\u00e3o \u00e9 sossego algum. Colunas de fumo ati\u00e7avam o ar. E o ar ardia e queimava \u00e0 volta da pele. Queimou. Claro que compreendo os que, podendo, fogem para sul e, durante uns dias, veem renascer-lhes as guelras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Agosto 21, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passada a rija can\u00edcula do in\u00edcio da tarde de hoje, dois irm\u00e3os subiram o escad\u00f3rio do Santu\u00e1rio para confessar-se. O segundo, Abel de nome, tamb\u00e9m se confessou. Carcomido por um cancro, disse-me que j\u00e1 n\u00e3o se confessava h\u00e1 35 anos, n\u00e3o por nada, mas porque a vida tinha sido para o trabalho, o trabalho, o trabalho, o trabalho\u2026 O trabalho. Estava a morrer e sabia-o. Dei-lhe a absolvi\u00e7\u00e3o e depois amparei-o num abra\u00e7o longo, durante o qual enchi uma pipa de l\u00e1grimas. Deixando-me com tudo o que tinha, lavou-me a branca t\u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Agosto 28, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelas nove da noite, em Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo, eu, a Ver\u00f3nica Parente e o Professor Manuel Vitorino apresent\u00e1mos o livro <em>Exame Final<\/em>. Nenhum de n\u00f3s tr\u00eas tem mais que um exemplar, pelo quem quiser l\u00ea-lo que o pe\u00e7a \u00e0quela Junta de Freguesia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na realidade trata-se dum livrinho, mas tenho para mim que os livros n\u00e3o se medem aos palmos. A verdade \u00e9 que no dia 14 de dezembro de 2025, e depois em todos os dias 14 de 2026, comecei a publicar na Claustro (www.carmelitas\/claustro) uma pequena obra de arte em torno \u00e0 figura do Santo de Hontiveros, frei Jo\u00e3o da Cruz. Tenho por ele especial ternura, e como uma imagem vale por mil palavras\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rui Pinto, pintor vianense de 80 anos, aceitou colaborar connosco. A m\u00e3o treme-lhe, o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o. Foi generoso, atendeu-nos uma mancheia de vezes, aprendeu tanto de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz que, a nosso parco ver, em algo \u2013 ao menos no despojamento \u2013, se parece ao Santo. Mas como essa \u00e9 a fazenda de Deus, \u00e9 Ele quem bem sabe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No livrinho escrevemos os nossos encontros com ele, e umas palavras pequeninas sobre o Santo da nossa elei\u00e7\u00e3o. A esse conjunto de palavras min\u00fasculas cham\u00e1mos-lhe <em>Exame Final<\/em>. O t\u00edtulo \u00e9 simples de descodificar: a m\u00e3o treme-lhe e a candeia do olhar j\u00e1 n\u00e3o o alumia muito, \u00e9 certo, mas ainda assim, ele permanece generoso, dispon\u00edvel para ouvir, gracioso no falar e generoso no repartir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>No entardecer da vida seremos examinados no amor<\/em> \u2013 diz S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. O Rui tamb\u00e9m; e diante de n\u00f3s, ele passou no exame com <em>suma cum laude<\/em>. Estamos-lhe muito gratos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na apresenta\u00e7\u00e3o do livro, diante dos circunstantes, referi que o papel do artista \u00e9 alumbrar-nos os olhos e a alma. E n\u00e3o retiro o que disse. Pelo menos, eu sinto-me amorosa e verdadeiramente alumbrado e deslumbrado pelo tra\u00e7o tremelicado do Rui. Esta tarde fui ver algumas fotos que lhe tir\u00e1mos ao longo de curto punhado de meses: Nas primeiras aparece derreado, nas do meio, semi-erguido; nas \u00faltimas, alevantado e erecto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ah, meu Deus\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Setembro 6, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca O P\u00e1roco de Alpendurada e Matos, e de mais tr\u00eas par\u00f3quias, entrou na roda da mudan\u00e7a de P\u00e1rocos, aqui na regi\u00e3o. Como a outros, n\u00f3s, os do <em>Cumb\u00e9nto de Bessadas<\/em> fomos em socorro das comunidades \u2013 temos de ser uns para os outros, dizia-se na minha terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 ao dia vinte de setembro, data da tomada de posse do novo p\u00e1roco, celebrei missas e funerais em Eja, Torr\u00e3o e Alpendurada. Quem me conhece desde o lado de dentro, sabe que n\u00e3o tenho grande apre\u00e7o por celebrar fora da minha igreja conventual. N\u00e3o tenho n\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sou de deixar sem a caridade da prece e da ora\u00e7\u00e3o uma fam\u00edlia, uma comunidade ou um defunto. E l\u00e1 fui, como ap\u00f3stolo ruim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia vinte volvi l\u00e1 para celebrar o baptismo do Rodrigo que se apresentou muito viva\u00e7o e reguilita; e os que faziam a passadeira para a entrada do novo p\u00e1roco, atiraram-me: <em>\u2013 \u00d3, Senhor Padre, Boc\u00ea n\u00e3o nos larga! At\u00e9 parece que gosta de n\u00f3s!&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Soubessem eles!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade \u00e9 que num punhado de dias celebrei mais vezes fora da minha igreja que nos \u00faltimos cem anos da minha vida!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca E l\u00e1 voltei a lembrar-me da can\u00e7\u00e3o do Godinho: <em>O que \u00e9 que eu fa\u00e7o aqui<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Setembro 7, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rente ao Douro que agora corre amansado \u2013 ou ser\u00e1 entrevado? \u2013 por um ros\u00e1rio de barragens, celebrei na Par\u00f3quia do Torr\u00e3o as ex\u00e9quias de um homem, de quem j\u00e1 n\u00e3o recordo o nome. Embora afastado, o cemit\u00e9rio \u00e9 ainda mais junto \u00e0s \u00e1guas do lado direito do rio, o que me deixou certa inveja, por me parecer um pr\u00e9mio muito singular poder aguardar pela eternidade junto da mansa corrente das \u00e1guas. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que agora aqui quero destacar: Se n\u00e3o lembro o nome do homem, lembro o apelido \u2013 Esp\u00edrito Santo! Naquela tarde senti um certo inc\u00f3modo por enterrar o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem palavras\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Setembro 18, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s 18:30, serenamente, celebrei a Missa de S\u00e9ptimo dia de Abel. Encarregado que fora dos funerais daquela banda, n\u00e3o o celebrara eu o seu, mas o Padre No\u00e9 Martins, por nesse dia me encontrar em Aveiro, no IV Encontro do Carmo Jovem +.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cheguei \u00e0 Igreja Paroquial de Santa Clara do Torr\u00e3o para celebrar missa sem mais sal ou menos sal. \u2013 Facilmente poderia t\u00ea-lo advertido; mas nem de me lembrou que deveria celebr\u00e1-la como se celebra a primeira e a \u00faltima; sim, pesaroso, me confesso, nem me lembrei de tal. \u2013 O certo \u00e9 que a missa decorreu bem, serena, sem canto nem pressas. \u2013 \u00c0 minha proposta, respondiam todos, ou quase. Havia muito povo, comungou quase todo ele. A verdade \u00e9 que por estes lados os crist\u00e3os s\u00f3 comungam aos domingos ou nos funerais, que s\u00e3o raros \u2013 dizem; ou nas Missas de S\u00e9ptimo Dia que s\u00e3o\u2026 aos domingos. Mas claramente esta n\u00e3o o era.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal pouquid\u00e3o \u00e9 estranha para mim, mas vou-me habituando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No regresso \u00e0 sacristia, em l\u00e1grimas, apesar de tudo, serenas, o povo trancou-me as portas. Perguntaram-me o nome, e coincidia: fora eu que confessara o Abel! E sim, fora, conclu\u00ed, por fim, tamb\u00e9m eu. E logo me disseram que ao chegar a casa \u2013 a sua <em>ekklesia<\/em>! \u2013 logo convocara os seus, dizendo-lhes: <em>Confessei-me em Bessadas e o Padre mandou-me dar um abra\u00e7o a cada um de b\u00f3s!<\/em> Por ser verdade, confirmei. Ali\u00e1s, quando numa sexta-feira de agosto o abra\u00e7ara depois da confiss\u00e3o, senti-o reconciliado com a terra e o c\u00e9u; e sereno, e leve, e esvoa\u00e7ante, em <em>fiat<\/em>. E confiante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, caramba, um Padre tem que ter cuidado com o que diz \u2013 cada vez penso mais nisso. Depois da confiss\u00e3o, o Abel fora para casa e chamara ou mandara chamar todos os familiares, incluindo os que estavam na di\u00e1spora. A todos deu um abra\u00e7o t\u00e3o doce que ningu\u00e9m bem o sabe explicar (nem agradecer!). E depois de abra\u00e7ar o derradeiro, morreu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ali estava eu a rezar com ele e por ele a Missa de S\u00e9ptimo Dia!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Setembro 19, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca Ao fim da tarde, desci de novo ao mosteiro de Alpendurada para rezar Missa de S\u00e9ptimo Dia por Manuel, solteiro e pobre de profiss\u00e3o, cujas ex\u00e9quias celebrara eu. Cheguei \u00e0 sacristia e o Senhor \u00c9lio, sacrist\u00e3o, tinha apontado mais dez ou doze inten\u00e7\u00f5es de Missa. Ralhei como quem ri. Respondeu-me s\u00e9rio:&nbsp; <em>\u2013 Senhor Frei, as pessoas ouviram-no na homilia do funeral e souberam que vinha. E ent\u00e3o, pediram que rezasse pelos defuntos deles. E a n\u00e3o ser assim, s\u00f3 ter\u00edamos aqui seis pessoas. Al\u00e9m disso, as pessoas gostam de comungar e aqui comungam poucas vezes!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u25ca O rio \u00e9 alimentado por pequenos riachos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Setembro 23, 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ferrado por um cancro, um homem achou-se a morrer. Foi-se detendo, lutando, mas um dia l\u00e1 mandou chamar urgentemente um padre cat\u00f3lico. Durante quase noventa anos militantemente militara ele contra a Igreja Cat\u00f3lica. E o Padre que do leito de morte se aprochegara, sabia-o. Queria confessar-se e o Padre iniciou o Sacramento. Mas o homem permaneceu mudo pela eternidade de cinco minutos. O Padre n\u00e3o sabia que fazer, mas n\u00e3o se retirou. Por fim, com voz segura, o homem falou assim:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Acha justo, Senhor Padre, que uma pessoa que viveu toda a vida contra Deus, agora Lhe pe\u00e7a para ir para o c\u00e9u?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que surpreso, o Sacerdote respondeu:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o acho. N\u00e3o \u00e9 nada justo, n\u00e3o. Mas, felizmente, Deus n\u00e3o \u00e9 justo. \u00c9 misericordioso, e h\u00e1 muito que aceitou ser continuamente roubado!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD \u25ca&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cheguei a Avessadas na v\u00e9spera de Santo Ant\u00f3nio. Nunca gostei muito de mudar; nunca tanto me custou mudar. Vim por obedi\u00eancia, sem a tomar por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4879","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","et-doesnt-have-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4879"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4879\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4880,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4879\/revisions\/4880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}