{"id":4686,"date":"2026-04-30T02:38:00","date_gmt":"2026-04-30T02:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4686"},"modified":"2026-04-27T09:40:12","modified_gmt":"2026-04-27T09:40:12","slug":"os-enfermos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/os-enfermos\/","title":{"rendered":"Os enfermos"},"content":{"rendered":"\n<p>LA CUEVA DE SAN JVAN DE LA \u2020<\/p>\n\n\n\n<p><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tomamos por enfermos os que por qualquer motivo perderam a verticalidade, aqueles que de p\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o se firmam, e que em raz\u00e3o disso mais precisam do nosso amparo e ajuda. Saber firmar os <em>in-firmus c<\/em>onsidero-o um verdadeiro dom e gra\u00e7a, tanto para com eles, como para toda a sua fam\u00edlia e comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui trataremos dos enfermos das comunidades de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e do modo carinhoso como o Santo prior deles amparava e cuidava.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7o algumas pessoas exemplares neste cuidado, todas elas mulheres. Ser\u00e3o elas impelidas, talvez, pela via da educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei; sei ou cuido saber que o lado cuidador \u00e9 mais prevalente nas mulheres. N\u00e3o o deveria ser, julgo eu, mas l\u00e1 que elas sofrem mais e que s\u00e3o mais atentas e compassivas que n\u00f3s, homens, disso n\u00e3o tenho d\u00favidas. Se a educa\u00e7\u00e3o dos dias de hoje o pode alterar tamb\u00e9m n\u00e3o sei. Parece que n\u00e3o, a ver pelo crescente individualismo e indiferen\u00e7a para com o sofrimento alheio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que nisso, ao rev\u00e9s, o padre Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 bastante feminino; e muito discreto. Muito atento, delicado, e at\u00e9 firme se necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz-se que s\u00f3 quem foi peregrino por desabrigadas terras de ningu\u00e9m sabe acolher bem e bem cuidar os peregrinos. Faz sentido. Tal como faz sentido que os pobres s\u00e3o quem melhor compreende os pobres, mesmo se em meu pobre terrunho se recomende que <em>n\u00e3o pe\u00e7as a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.<\/em> Ah, e s\u00f3 quem j\u00e1 esteve doente \u2013 mormente se esteve gravemente dependente por enfermidade \u2013 \u00e9 que bem percebe e sabe agradecer o valor da silenciosa aten\u00e7\u00e3o, da prestimosa ternura e delicado carinho a qualquer hora, da leveza da palavra certa e delicada, do toque de uma m\u00e3o que acalma e espairece, por segundos que seja, as brumosas nuvens do dia. S\u00f3 quem j\u00e1 esteve enfermo \u00e9 que sabe do valor impag\u00e1vel duma m\u00e3o tocando a nossa m\u00e3o, mesmo sem palavras; mesmo se algo distra\u00edda, essa m\u00e3o tem a for\u00e7a da fala duma b\u00edblia inteira, instando:<em> levanta-te<\/em>! Sim, s\u00f3 quem j\u00e1 esteve prolongadamente isolado em sua enfermidade, indefinidamente s\u00f3, apartado dos trabalhos e das ora\u00e7\u00f5es em comunidade, s\u00f3 quem j\u00e1 se sentiu inteiramente s\u00f3, s\u00f3 como um r\u00e9probo em tribunal, t\u00e3o desacompanhado que pare\u00e7a que ningu\u00e9m sofre com ele, t\u00e3o isolado que se sinta envolto no anonimato do sofrimento, qual embrulho de papel pardo j\u00e1 n\u00e3o necess\u00e1rio, s\u00f3 esse, sim, sabe como cinco minutos de aten\u00e7\u00e3o t\u00eam valor de \u00e2nimo e conforto revigorante de cireneu.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mi\u00fado, sobretudo, mas n\u00e3o apenas, muito eu vi algo desse sereno conforto e valimento nas mulheres da minha aldeia, infindamente postadas \u00e0 cabeceira da cama, como sacerdotes no altar. E vi-as aqui e ali visitando e consolando demoradamente este e aquele e muitos altares, como quem na semana santa visita as sete igrejas. E n\u00e3o \u00e9 que muito falassem, era t\u00e3o-s\u00f3 um estar, um toque, um beijo, um condoimento, uma escondida l\u00e1grima que mais sobrava para o len\u00e7o. Um sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Disto me alembro muito quando me lembro de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. Chamem-lhe poeta que eu gosto; mestre, tamb\u00e9m. Escritor, s\u00e1bio, doutor, pedagogo e educador. Chamem-lhe pregador e confessor, profeta, homem espiritual, homem de letras e das ci\u00eancias de Deus. E conhecedor dos segredos divinos. Gosto. Gosto. Gosto. Mas n\u00e3o me afastem jamais desse homem celestial e divino, de entranhas divinas, de entranhas humanas, desse homem materno, pr\u00f3ximo, atento, cuidadoso, carinhoso, paterno-fraterno. N\u00e3o me afastem do olhar deste santo. Isso, n\u00e3o me afastem, n\u00e3o, por favor.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma casa constr\u00f3i-se pela raiz; e da raiz aos ramos e aos frutos todo ele foi aten\u00e7\u00e3o atenta e cuidado carinhoso para com os que, dentro ou fora do convento, sofressem. O seu ber\u00e7o foi desengon\u00e7ado e pobre; ali\u00e1s, naqueles tempos de crua carestia foi mais que pobre, foi hum\u00edlimo, pobr\u00edssimo \u2013 n\u00e3o de amor, j\u00e1 se sabe, mas de caldo e de p\u00e3o. Nasceu e cresceu em contexto exaurido e arriado, e foi assim que, sem direito a escolha, a sua alma foi marcada pelo ferrete do sofrimento que mais mordeu quem n\u00e3o tinha para dar de comer aos que chamara \u00e0 vida \u2013 haver\u00e1 dor ingl\u00f3ria maior que esta?<\/p>\n\n\n\n<p>Seu pai morreu da prolongada pouquidade de p\u00e3o \u2013 tal como as \u00e1rvores que deixam cair as folhas para alimentar ra\u00edzes pr\u00f3prias e alheias. Infante ainda, morreu-lhe tamb\u00e9m o irm\u00e3o do meio, Lu\u00eds. O nada que ficou, embrulhado na esperan\u00e7a indom\u00e1vel do cora\u00e7\u00e3o corajoso da m\u00e3e Catarina deu para levar adiante a fam\u00edlia restante: ela, Francisco e Jo\u00e3ozinho. A pen\u00faria e o sofrimento dormem, pois, desde o ber\u00e7o, lado a lado com o menino. E gladiar-lhe-\u00e3o toda a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser demasiado infante, \u00e9 certo que n\u00e3o viu morrer o pai. Nem o irm\u00e3o Lu\u00eds. Mas l\u00e1 se lhe achegou a idade em que os meninos aprendem a chamar pai e a chamar m\u00e3e. E aqueloutra em que olham para o pai a fazer a barba, a trabalhar e a rezar. E aprendem a fazer como ele. Jo\u00e3ozinho, por\u00e9m, n\u00e3o teve pai para ver. T\u00e3o-s\u00f3 um cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e valente como um le\u00e3o. N\u00e3o era pouco, de facto, mas n\u00e3o era como devia ser que fosse. \u00c9 certo que uma m\u00e3e-cora\u00e7\u00e3o-de-le\u00e3o sabe apresentar vivo um pai morto. Mas \u00e9 isso t\u00e3o pouco\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>E que pensa um menino quando \u00e9 infante? N\u00e3o pensa nada, certamente, que todos inteiramente cuidamos dele, mormente a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Que pensa um menino quando distinguindo j\u00e1 o garfo da colher e da faca, a m\u00e3e lhe sabe pedir que a ajude, aproximando-lhe uma colher, mas jamais o garfo ou a faca? Pensa, julgo eu, que a m\u00e3e fica contente por ele a estar a ajudar, e que gostando ele de a ver contente, tudo far\u00e1 para que ela fique sempre contente com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Que pensa um menino que j\u00e1 aprendeu a seguir com o dedo o carreiro oficial das letras? Sabendo, sabe certamente muito pouco. N\u00e3o sabe ainda porque cai a noite e com ela vem o sono, nem como se alevanta o dia e com ele nos erguemos do leito. Mas de hora em hora melhor vai sabendo que, seguindo por aquele carreiro, mais se lhe alumia a raz\u00e3o sobre as altas montanhas do mundo, e um pouco, mas pouco mesmo, sobre as profundidades da alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dias da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia de Jo\u00e3ozinho foram de fome. Se bem sei, a pequenina poeira das migalhas sobrantes da r\u00e9stia pobre de p\u00e3o negro dispon\u00edvel sobre a materna mesa foram o seu primeiro e mais fecundo alfabeto. Foi por ele, ali\u00e1s, que aprendeu a ler o mundo da fome e o dos afectos. Abandonando Fontiveros, ao colo de Catarina \u2013 e o mais velho ao lado e a par com ela \u2013 os tr\u00eas trilharam uma dura <em>peregrina\u00e7\u00e3o da fome<\/em> pelas imensas terras ressequidas de Toledo: Torrijos, G\u00e1lvez, Ar\u00e9valo, Medina del Campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele contexto de extrema pen\u00faria, que sabia um infante faminto que \u00e0 sua volta s\u00f3 via morte e fome, indig\u00eancia e filas de pobres e mais pobres, e a indiferen\u00e7a atroz dos ricos e dos governadores para com a sua desemparelhada fam\u00edlia?<\/p>\n\n\n\n<p>Em circunst\u00e2ncias t\u00e3o cru\u00e9is \u2013 e at\u00e9 mesmo noutras porventura ligeiramente mais favor\u00e1veis \u2013 que aspira ou sabe do futuro um menino? Para que cavaria ele se, por causa da seca e das mol\u00e9stias, as terras n\u00e3o davam p\u00e3o? E para qu\u00ea aprender a desenhar letras se n\u00e3o sabe ele o que faz um escriv\u00e3o, um poeta, um assentador de certid\u00f5es de \u00f3bito ou um secret\u00e1rio de rei?<\/p>\n\n\n\n<p>Que da vida sabe um adolescente do <em>Col\u00e9gio dos Doutrinos<\/em> de Medina del Campo? Pouco. N\u00e3o creio que ali ensinassem latim, mas mesmo que lho tenham ensinado, n\u00e3o se pressagiar\u00e1 ele a si mesmo como um novo C\u00edcero. E mesmo que um pouco mais al\u00e9m escreva poemas \u2013 e parece mesmo que os escreveu, e n\u00e3o apenas como exerc\u00edcio acad\u00e9mico! \u2013 n\u00e3o se auspiciar\u00e1 jamais a si mesmo como um poeta e santo de elei\u00e7\u00e3o, ou como alguns o dizem: <em>o poeta mais santo e o santo mais poeta<\/em>, e pr\u00edncipe de todos eles!<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que enquanto desenha letras, Jo\u00e3ozinho aprende que no futuro deve ser um homem honrado, trabalhador, \u00fatil. E imagino que v\u00e1 tomando consci\u00eancia de que sempre ser\u00e1 pobre, sempre \u00f3rf\u00e3o, e que o elevador social \u2013 jarg\u00e3o do nosso tempo, claro \u2013 n\u00e3o funcionar\u00e1. E n\u00e3o aprende apenas a ler, a desenhar e a redigir, pois tamb\u00e9m vai experimentando os of\u00edcios de carpinteiro, alfaiate, entalhador e pintor. Mas por falta de jeito e de qualidades, so\u00e7obrar\u00e1 nos quatro. Como menino e \u00f3rf\u00e3o do <em>Col\u00e9gio dos Doutrinos<\/em>, um dos seus assumidos compromissos era o de acolitar na igreja da Madalena \u2013 e aqui, sim, n\u00e3o falhar\u00e1! Aqui de tudo foi capaz, para gozo seu e deleite de quem o v\u00ea. Ao mesmo tempo, foi cooptado como enfermeiro do Hospital das Bubas \u2013 doen\u00e7as infecciosas, s\u00edfilis \u00e0 frente \u2013, um dos quatorze que a caridade crist\u00e3 abrira em Medina del Campo. Tamb\u00e9m aqui n\u00e3o falhar\u00e1, nem como enfermeiro, nem como colector de esmolas que ajudem ao sustento do hospital; nem nos estudos!<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 encontrado o futuro do mais novo, pensa Catarina? Penso que sim, que o cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e \u00e9 atento e sabe pensar. Pensar\u00e1, ali\u00e1s, cuido eu, que de ora em diante, a aten\u00e7\u00e3o e o cuidado dos doentes ter\u00e3o em Jo\u00e3o de Yepes y \u00c1lvarez um oficial de primeira ordem. O futuro breve no-lo comprovar\u00e1. O futuro nos testemunhar\u00e1 que o fio silencioso que guia a sua vida com uma luz especial ser\u00e1 o cuidado com os seus frades doentes. Muito mais que pai, muito mais que irm\u00e3o, muito mais que guia, mestre e orientador espiritual, frei Jo\u00e3o da Cruz ser\u00e1 inteiro homem de bondade e ternura. N\u00e3o daquelas que apenas aparecem evidenciadas, ilustradas e aplaudidas nos telejornais ou nas redes sociais, mas daqueloutras sumamente discretas, serenas e ocultas. Mais que confessor e guia espiritual de pequenos grupos de monjas e de religiosos, muito mais que professor de pobres e mestre de leigos, mais muito mais do que s\u00e1bio consultado por doutores e c\u00f3negos, muito mais que tudo, o padre Jo\u00e3o da Cruz soube reconhecer nos frades enfermos das suas comunidades o lugar onde amar a Deus em carne viva!<\/p>\n\n\n\n<p>Digam-mo, por ousadia, abrasivo e austero, e eu di-lo-ei carinhoso ao extremo. Digam-mo \u00e1spero, eu di-lo-ei delicado. Digam-mo insens\u00edvel ou rude, eu di-lo-ei, e com testemunhos, doce, bondoso, pac\u00edfico, manso, atento, carinhoso. Terno. Materno. Divino.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, que a coisa, esse irreprim\u00edvel apelo, vem de muito detr\u00e1s, daquela raiz donde, ali\u00e1s, tudo vem \u2013 de Deus e do ber\u00e7o. Ao chegar ao convento frei Jo\u00e3o da Cruz encontrou, pois, na doen\u00e7a de seus irm\u00e3os frades um altar discreto onde se curvar com aten\u00e7\u00e3o e delicadeza. At\u00e9 para com os seus advers\u00e1rios e inimigos, se necess\u00e1rio. Sim, at\u00e9 esses se surpreender\u00e3o com a sua incomum delicadeza. \u00c9 o que digo, aqueles que mais o temem por austero, mais o testemunhar\u00e3o terno e delicado!<\/p>\n\n\n\n<p>Nos seus conventos ficou conhecido por dar prioridade e o melhor do seu tempo aos doentes, por jamais os enjeitar, abandonar ou banir. Gaste-se com eles, dizia, o que houver de se gastar \u2013 os c\u00e1lices da eucaristia, se necess\u00e1rio que, com ele a prior, a caridade suplanta a observ\u00e2ncia das leis! Nunca jamais o Santo se arvorar\u00e1 ou cingir\u00e1 espada de muitas palavras, mas multiplicar-se-\u00e1 em aten\u00e7\u00f5es e delicadezas, em af\u00e3 de passos silenciosos. E n\u00e3o \u00e9 isto casualidade alguma, antes uma pr\u00e1tica gentil dum homem que sendo espiritual, profundamente espiritual, sabe, tamb\u00e9m pela experi\u00eancia da sua inf\u00e2ncia e juventude, que quando a firmeza do corpo so\u00e7obra, dificilmente a alma e o esp\u00edrito podem subsistir.<\/p>\n\n\n\n<p>E em raz\u00e3o disto, quando em casa um frade lhe ca\u00eda de cama, o padre Jo\u00e3o da Cruz volvia-se servo hum\u00edlimo, logo abandonava livros e poemas, os trabalhos e outras preocupa\u00e7\u00f5es e, p\u00e9 ante p\u00e9, entrava preocupado, de olhar atento e de passos leves no quarto do doente. N\u00e3o jamais com cara de fastio, nem de desinteresse ou de legal cumpridor de preceito. N\u00e3o com pressa nem com gravidade estudada, mas com uma proximidade simples que fazia o doente sentir-se olhado, querido, amado. E de tudo se inteirava, at\u00e9 mesmo do apetite do doente, visto sabermos, e tamb\u00e9m tu, leitora, leitora, que existem doen\u00e7as por demais retinentes ao apetite e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As testemunhas recordam, ali\u00e1s, que quando necess\u00e1rio, ele mesmo preparava a comida, adaptando-a ao gosto e \u00e0 fraqueza do irm\u00e3o: um caldo suave, um peito de galinha bem cozido, algo que pudesse ser ingerido sem esfor\u00e7o. E depois, ajeitava a cama, ajustava e ca\u00e7ava o cobertor, e se o ar estivesse pesado, abria a janela. Fazia tudo como quem cumpre o dever mais sagrado, sem alarido e sem esperar agradecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O padre Jo\u00e3o da Cruz tinha o dom de acompanhar no sofrimento. Isso \u00e9 algo, ali\u00e1s, que n\u00e3o se compra nem mesmo inteiramente se herda \u2013 \u00e9 um dom. Uma d\u00e1diva dada pelo terno cora\u00e7\u00e3o de Deus, que sabe fazer do cora\u00e7\u00e3o humano, um cora\u00e7\u00e3o materno, independentemente do g\u00e9nero. Algu\u00e9m assim sabe quando falar e quando calar-se. Quando deve sentar-se ao lado da cama do enfermo e iniciar uma conversa simples, quase cotidiana, para distrair o irm\u00e3o de sua dor, ou ser corriqueiro e contar um chiste, uma anedota engra\u00e7ada, uma piada oportuna, convencido de que um sorriso pode aliviar mais do que muitos racioc\u00ednios teol\u00f3gicos e espirituais.<\/p>\n\n\n\n<p>E porque s\u00f3 n\u00e3o via quem ver n\u00e3o queria, os frades diziam que, nas enfermidades de seus filhos, o padre Jo\u00e3o da Cruz parecia outra pessoa \u2013 um maternal pai carinhoso! A sua presen\u00e7a inspirava suavidade e paz. Em estando ali, o doente sentia n\u00e3o ser um embara\u00e7o para ningu\u00e9m, que a sua fragilidade tinha um lugar na comunidade! Sim, frei Jo\u00e3o n\u00e3o tratava a doen\u00e7a como um obst\u00e1culo \u00e0 vida comunit\u00e1ria, mas como uma forma diferente de a viver, mais nua, mais verdadeira. Talvez porque mais unia \u00e0 paix\u00e3o e \u00e0 cruz do Redentor!<\/p>\n\n\n\n<p>Sem responsos nem discursos, os seus gestos e aten\u00e7\u00f5es transpareciam f\u00e9 e caridade. E jamais prometia curas ou procurava amenizar o sofrimento com palavras vazias. Ensinava, sim, a confiar, e com suavidade recordava que Deus estava perto, mesmo \u2013 e at\u00e9 mais \u2013 na fragilidade do corpo. E sempre dizia que Deus jamais se ausenta da dor humana, antes mais se inclina sobre ela como demorada un\u00e7\u00e3o de amor paciente, tal como o bom samaritano do Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>O seu amor de pai n\u00e3o dependia jamais da for\u00e7a de vontade do momento, mas duma decis\u00e3o: amar at\u00e9 ao fim. Para os seus frades, aquele cuidado silencioso era uma li\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel que perdura at\u00e9 hoje. Com ele aprendemos que a santidade se mostra nos grandes feitos ou nas palavras sublimes, mas muito mais numa sopa quente levada na hora certa, numa visita repetida sem cansa\u00e7o, numa noite velada \u00e0 cabeceira do irm\u00e3o que sofre.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim era S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz com seus doentes: um pequeno pai que delicadamente sabia inclinar-se sobre um filho doente. Era m\u00edstico, sim, e encontrou a Deus na noite luminosa da f\u00e9, no caminho da subida ao monte da perfei\u00e7\u00e3o, o Carmelo, mas tamb\u00e9m na fragilidade tr\u00e9mula de seus filhos e irm\u00e3os. E foi assim que naquelas celas humildes e silenciosas, ardeu, sem vacilar, uma das chamas mais puras do amor divino.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando ele pr\u00f3prio estava cansado ou doente \u2013 e n\u00e3o foram poucas as vezes \u2013 n\u00e3o se fechava nem jamais se desligava dos outros. Ah, quanto dele aprendemos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos a factos, ou como noutro lugar digo, a testemunhos directos, em primeira voz:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No inverno de 1580 est\u00e1 frei Jo\u00e3o de reitor no rec\u00e9m-fundado col\u00e9gio de Baeza. \u00c9 ali muito famoso, ali\u00e1s. Na cidade, na universidade, nas par\u00f3quias, nos hospitais. Nesse ano, pelos reinos de Espanha desabou uma gripe maligna com for\u00e7a de peste. Em Valladolid, Santa Teresa acamou v\u00edtima de tal catarro, e em Medina del Campo, sua m\u00e3e Catarina morreu, sob o olhar e amparo de seu irm\u00e3o Francisco de Yepes. Quando a peste sobrecai sobre o col\u00e9gio de Baeza, frei Jo\u00e3o da Cruz est\u00e1 em Beas. Ao receber a not\u00edcia dali dispara. Ao chegar a casa encontra os dezoito frades todos acamados, pelo que a sua primeira preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 comprar carne que, depois de preparada, ele pr\u00f3prio serve aos doentes, animando-os a comer e, se necess\u00e1rio, mandando-lhes que comam! Entretanto, vindos do convento do Calv\u00e1rio, achegam-se ao col\u00e9gio mais nove doentes. Em casa j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nem colch\u00f5es, nem len\u00e7\u00f3is, nem mantas. Insistente, o ec\u00f3nomo pede-lhe encarecida licen\u00e7a para visitar os benfeitores, a fim de bem poder a todos socorrer. O padre Jo\u00e3o, diz-lhe que n\u00e3o, que deve confiar que <em>\u00abDeus remediar\u00e1\u00bb<\/em>. E nem \u00e9 tarde nem \u00e9 cedo: no dia seguinte, algu\u00e9m traz \u00e0 portaria do convento vinte e tal colch\u00f5es, grande n\u00famero de almofadas, len\u00e7\u00f3is e algumas camas. E em p\u00f3s as roupas chegam tamb\u00e9m alimentos \u2013 trinta frangos! V\u00eam da casa de Teresa de Ibros que, ao ver passar a derru\u00edda prociss\u00e3o dos doentes rumo ao Carmo, e sabendo da pobreza da casa, para ali endere\u00e7a a caridade de seu cora\u00e7\u00e3o filial e materno!<\/p>\n\n\n\n<p><em>T\u00e3o verdade como Deus ser Deus<\/em>, da boca do padre Jo\u00e3o da Cruz apenas se ouvir\u00e1: <em>\u00abVedes como \u00e9 bom confiar sempre em Nosso Senhor?\u00bb<\/em> \u2013 \u00f3 palavras t\u00e3o lhanas, t\u00e3o af\u00e1veis, palavras de quem mesmo em horas de dura tempestade navega em \u00e1guas calmas e tranquilas! Palavras de quem para al\u00edvio de seus doentes, sempre atento, sempre cuidadoso, ora sabe falar de coisas espirituais, ora de coisas indiferentes e honestas, ora jocosas, quando necess\u00e1rio!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o fiquemos por aqui, que os doentes s\u00e3o o tesouro de frei Jo\u00e3o da Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Por aqueles dias so\u00e7obra o \u00e2nimo de frei Martinho da Assun\u00e7\u00e3o, enfermeiro do col\u00e9gio de Baeza todo ele feito hospital. A raz\u00e3o \u00e9 simples: a parentela de sua casa, dezasseis pessoas no total, entre pais, irm\u00e3os e criados, est\u00e1 toda gravemente doente. O Reitor que o estima de verdade, toma-o, e leva-o consigo para visitar os seus doentes. Ali chegados, consola-os, l\u00ea a cada qual uma passagem do Evangelho, imp\u00f5e-lhes as m\u00e3os, a todos aben\u00e7oa e, por fim, regressam ao convento. Pelo caminho frei Martinho mant\u00e9m-se pesaroso e inconsol\u00e1vel perante a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Sem a negar, o padre Jo\u00e3o garante-lhe que ningu\u00e9m morrer\u00e1 daquela doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 <em>\u00abQuem lho disse?\u00bb<\/em>, pergunta ingenuamente o irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 \u00abQuem o pode fazer!\u00bb<\/em>, responde frei Jo\u00e3o da Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim vemos frei Jo\u00e3o da Cruz cuidando, n\u00e3o apenas os de sua casa, mas tamb\u00e9m dos de fora, como quando, discretamente, bastas vezes, ali\u00e1s, atravessa toda a cidade para visitar doentes no hospital. De facto, frei Jo\u00e3o tem verdadeira ternura pelos doentes. Casos h\u00e1 em que gasta tudo o que haja e seja necess\u00e1rio, mesmo em medicinas caras receitadas por escol\u00e1pio que mande chamar; e, sim, gasta, mesmo que, antecipadamente, saiba que n\u00e3o curar\u00e3o o doente! Mas se em algo lhe aliviarem os terr\u00edveis sofrimentos, at\u00e9 o Santo prior se sentir\u00e1 melhor\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Em Granada, certo religioso caiu doente. A falta de apetite \u00e9 mais que evidente. Vai frei Jo\u00e3o \u00e0 sua cabeceira e elenca-lhe todas as iguarias de que se lembra. Ao recus\u00e1-las todas, frei Jo\u00e3o diz-lhe:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Pois, filho, eu quero preparar-lhe uma comida e dar-lha pelas minhas pr\u00f3prias m\u00e3os; farei uma iguaria que lhe saber\u00e1 muito bem!\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Desce e manda assar uma perna de ave. Dissolve um pouco de sal em \u00e1gua e, ensopando o p\u00e3o no molho da perna asada, ele mesmo o d\u00e1 a comer ao doente, dizendo-lhe:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 \u00abIsto vai saber-lhe muito bem e, por isso, comer\u00e1 com apetite!\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m sabe o sabor misterioso daquele delicado manjar, preparado por frei Jo\u00e3o; o certo \u00e9 que o doente inapetente, come sem dificuldade e assenta-lhe muito bem no est\u00f4mago!<\/p>\n\n\n\n<p>Doentes nas comunidades de frei Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 coisa que nunca faltou. E nas outras tamb\u00e9m, naturalmente. Certo dia, um religioso adoece com gravidade. O prior d\u00e1 ordem ao enfermeiro que sirva ao doente uns torresmos, umas cerejas e um pouco de vinho \u2013 estranhe o leitor a ementa, mas por algo ser\u00e1, coisa que s\u00f3 Santo prior melhor saber\u00e1 justificar. O doente, por\u00e9m, tudo recusa, apesar da insist\u00eancia do enfermeiro. Por isso, este que tamb\u00e9m se sente adoentado, e tem autoriza\u00e7\u00e3o para almo\u00e7ar, vai ao refeit\u00f3rio com a iguaria preparada para o acamado e come o que para ele preparara. Quando o padre Jo\u00e3o visitar o doente ficar\u00e1 a saber o sucedido; obriga ent\u00e3o o enfermeiro a comparecer no quarto e pergunta-lhe por qual a raz\u00e3o ainda n\u00e3o trouxera o almo\u00e7o ao doente. O enfermeiro conta o que tinha sucedido, e o doente replica que n\u00e3o tinha comido porque queria que insistissem muito com ele!<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 \u00abCertamente, nosso Padre, disse o enfermeiro; pois eu comi-o, sem que ningu\u00e9m insistisse comigo!\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E o prior logo sorri, considerando aquela resolu\u00e7\u00e3o como boa para curar a estupidez do doente.<\/p>\n\n\n\n<p>Haja que n\u00e3o haja doentes em casa, frei Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 sempre o primeiro nos actos comunit\u00e1rios, e nos servi\u00e7os mais humildes. Se h\u00e1 doentes, redobra-se e desdobra-se em aten\u00e7\u00f5es e visitas aos seus queridos enfermos; mas n\u00e3o se revela um perfeito capataz de apito na boca, \u00e9 mais um pai que entra e sai, pergunta e observa, anima e graceja, arrega\u00e7a as mangas, varre e esfrega panelas \u2013 que o que mais lhe importa \u00e9 que nada falte aos seus doentes, mesmo o tal rem\u00e9dio especial que urja comprar-se. Que nada falte, pois, aos irm\u00e3os acamados, ou ele o ir\u00e1 procurar e buscar \u2013 essa era a sua usan\u00e7a de carmelita descal\u00e7o feliz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terminemos com tr\u00eas breves relatos revelando pequenas delicadezas t\u00edpicas de quem \u00e9 santo. O primeiro \u00e9 um relato muito breve: se era para n\u00e3o faltar mesmo nada, que, pois, nada faltasse aos doentes. S\u00e3o por isso v\u00e1rios os testemunhos que recordam como o Santo chegava a contratar m\u00fasicos que levassem m\u00fasica aos seus doentes, porque \u2013 dizia ele \u2013 o cora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa de consolo, e n\u00e3o apenas o corpo!<\/p>\n\n\n\n<p>Vindo duma semana de trabalhos em Beas, achega-se frei Jo\u00e3o a Baeza. Nada mais chegar inteira-se que um irm\u00e3o tinha sido levado para o Hospital da Concei\u00e7\u00e3o. Todos sabem que o vig\u00e1rio da casa tudo fizera com o desejo de que o doente estivesse melhor atendido; ali\u00e1s, o hospital possui meios que o convento n\u00e3o disp\u00f5e. Frei Jo\u00e3o da Cruz, por\u00e9m, n\u00e3o acha oportuna a medida tomada, reprende o vig\u00e1rio da casa, e ordena o regresso imediato do doente para o convento; e ele pr\u00f3prio o atende, cura e serve, como se tratasse o Prior Geral da Ordem!<\/p>\n\n\n\n<p>E encerro este texto com o relato de mais um delicioso abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutra data o jovem irm\u00e3o Agostinho da Concei\u00e7\u00e3o sente-se muito angustiado. S\u00e3o passados dez meses de noviciado e, sem grande sa\u00fade, tem receio de ser inapelavelmente expulso. Um dia frei Jo\u00e3o da Cruz chama-o e manda-o curar-se para casa de um seu irm\u00e3o. Julgando-se dissimuladamente exclu\u00eddo, frei Agostinho aflige-se ainda mais, mas o Santo prior apressa-se a desdiz\u00ea-lo, mandando-o com o h\u00e1bito para casa, para que mais depressa se cure. Uma temporada depois, o novi\u00e7o regressa quase como partira, embora afirme a p\u00e9s juntos que se encontra bem, a fim de que o padre Jo\u00e3o da Cruz n\u00e3o lhe negue a profiss\u00e3o. Frei Jo\u00e3o apercebe-se inteiramente da situa\u00e7\u00e3o, ergue-se, e diz: <em>\u00abdar-lhe-emos a profiss\u00e3o, frei Agostinho\u00bb<\/em>! Acto seguido d\u00e1-lhe um abra\u00e7o e, a partir da\u00ed, o pobre fradinho gozar\u00e1 de boa sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ai, querido frei Jo\u00e3o dos Abra\u00e7os! Ah, abra\u00e7os ternos do padre Jo\u00e3o da Cruz! Ai abra\u00e7os de nosso bendito pai-m\u00e3e!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LA CUEVA DE SAN JVAN DE LA \u2020 Frei Jo\u00e3o Costa, OCD 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tomamos por enfermos os que por qualquer motivo perderam a verticalidade, aqueles que de p\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4687,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4686"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4688,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4686\/revisions\/4688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}