{"id":4635,"date":"2026-03-31T06:18:00","date_gmt":"2026-03-31T06:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4635"},"modified":"2026-03-27T14:48:32","modified_gmt":"2026-03-27T14:48:32","slug":"la-cueva-de-san-jvan-de-la-%e2%80%a0-os-irmaos-leigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/la-cueva-de-san-jvan-de-la-%e2%80%a0-os-irmaos-leigos\/","title":{"rendered":"LA CUEVA DE SAN JVAN DE LA \u2020: Os Irm\u00e3os leigos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Quererei falar-vos neste texto dos irm\u00e3os leigos da nossa Ordem de carmelitas descal\u00e7os; daqueles que em alguns Institutos Religiosos s\u00e3o nomeados como Irm\u00e3os Coadjutores, ou seja, aqueles que adjuvam, que ajudam. A um ou a outro, prefiro o nosso nome: irm\u00e3os leigos. Parece-me o nome mais acertado, porque irm\u00e3os, simplesmente irm\u00e3os, desde o in\u00edcio, somos todos: uns presb\u00edteros, outros sem o serem, por isso se se lhes acresce o adjectivo leigo \u00e9 s\u00f3 para dizer que n\u00e3o t\u00eam ordens sacras. No resto participam igualmente na miss\u00e3o da Ordem, n\u00e3o como adjuvantes, mas como int\u00e9rpretes de primeira linha. Como todos. Com todos.<br>Naturalmente que o que aqui mais quererei sublinhar \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre eles e o padre Jo\u00e3o da Cruz, para uns, reformador \u2013 ou nem isso, apenas adjuvante de Santa Teresa\u2026 \u2013 para mim, co-fundador da nossa Descalcez.<\/li>\n\n\n\n<li>Entendo dever referir que na nossa Prov\u00edncia conheci alguns, dois que, entretanto, se exclaustraram, e parece, j\u00e1 morreram, e dois que nela morreram como carmelitas descal\u00e7os. E j\u00e1 depois de terem regressado \u00e0 Prov\u00edncia de Navarra conheci o irm\u00e3o Matias Burguete (basca\u00edno mais portugu\u00eas que muitos portugueses) e o irm\u00e3o Luis Longo (apelido n\u00e3o familiar, mas assim conhecido por ser muit\u00edssimo alto; tamb\u00e9m ele basco). Estes dois com quem me cruzei breve e circunstancialmente eram muito am\u00e1veis, muito simp\u00e1ticos, muito alegres, muito carinhosos e acolhedores dos portugueses \u2013 creio at\u00e9 que no c\u00e9u continuar\u00e3o a preferir a l\u00edngua portuguesa \u00e0 vasca.<br>Saber\u00e1s, leitor, leitora, que o que frequentemente pensaram os fundadores n\u00e3o \u00e9 o mesmo que os seus filhos sucessores. Regra geral ningu\u00e9m os suplanta, pois s\u00e3o os carism\u00e1ticos; por isso, o mais habitual \u00e9 que decaia o esp\u00edrito original. E acerca dos irm\u00e3os isso sucedeu, sim. Por isso, mesmo agora que entre n\u00f3s, portugueses, j\u00e1 n\u00e3o existem irm\u00e3os leigos, ainda persiste o preconceito de que eram \u00abo pi\u00e3o de todas as nicas\u00bb \u2013 a ideia de que o pi\u00e3o roda ou gira movido por bra\u00e7o alheio \u00e9 o que mais me assusta, ainda que igualmente me assuste aqueloutra de insignific\u00e2ncia sempre dispon\u00edvel para aguentar todos os sacrif\u00edcios. \u00c9 talvez por essa raz\u00e3o que os irm\u00e3os leigos, digo, a sua miss\u00e3o, entre n\u00f3s terminou.<br>Em Avessadas, quando aos dez anos ali entrei no Semin\u00e1rio Menor, al\u00e9m dos padres \u2013 quase todos professores \u2013 conheci tr\u00eas irm\u00e3os leigos: O irm\u00e3o Augusto Faria Ribeiro, o irm\u00e3o Manuel Camacheiro e o irm\u00e3o Francisco Gr\u00e1cia. Dos tr\u00eas s\u00f3 o irm\u00e3o Augusto morreu na Ordem. Talvez n\u00e3o fosse muito idoso, mas era muito anafado. E por esse motivo, julgo, lento, vagaroso e cansado. Deve ter morrido durante as f\u00e9rias grandes, porque no regresso j\u00e1 n\u00f3s, mi\u00fados, o n\u00e3o vimos por l\u00e1. Era homem bom e sabia falar um portugu\u00eas ao contr\u00e1rio \u2013 sentado numa pedra, lembro-me bem, fazia-nos rir falando fluentemente as palavras ao contr\u00e1rio; incluindo os nossos nomes! Era bom. Um dia, depois da viuvez, vendeu tudo o que tinha e entregou-o ao Padre Delegado Provincial e fundador do Santu\u00e1rio do Menino Jesus de Avessadas, frei Isidoro Maguna. Foi ainda em Avessadas que o conheci, portanto, dezasseis anos ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o daquele convento. Agora que penso um pouco, considero que depois de ter governado o que era seu, veio ele para a Ordem a fim de ser governado e gerido como \u00abum pi\u00e3o das nicas\u00bb. Infelizmente. Mas l\u00e1 tem Deus os seus caminhos\u2026<br>Ao irm\u00e3o Manuel e ao irm\u00e3o Francisco conheci-os tamb\u00e9m em Avessadas e sei que eram dados \u00e0s artes da decora\u00e7\u00e3o e da pintura, mais o segundo, a quem muito estimei, que o primeiro. N\u00e3o davam aulas; soube que pintavam e tamb\u00e9m soube que trabalhavam na laboira, mas jamais o dia inteiro e, porque recentemente mo testemunhou, sei que o irm\u00e3o Francisco trabalhara como pe\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do convento e santu\u00e1rio de Avessadas \u2013 como os antigos irm\u00e3os leigos!<br>Ao irm\u00e3o Domingos Borlido conheci-o em Viana do Castelo, quando ali fui seminarista por quatro anos \u2013 a portaria era o seu reino. Depois conheci-o melhor quando para ali fui enviado como prior durante seis anos. Continuava rei, mas agora da sacristia \u2013 e ai do sacerdote que usasse casula ou sanguinho que ele n\u00e3o determinasse! Continuava a trabalhar a horta (pequenina) que ele a horas decidia como trabalhar, que semear e quem convocar para dela cuidar e recolher os frutos \u2013 era tamb\u00e9m ali rei. A pedido do Delegado Provincial, P. Vasco Dias Ribeiro, serviu a comunidade e o semin\u00e1rio tamb\u00e9m como cozinheiro \u2013 e cozinhou at\u00e9 ao fim, com bom gosto e aprumo. Cozinhou por tantos anos que ganhou autonomia e, cozinhando, guardou diligentemente a nossa fome de crescer. O fog\u00e3o era o seu trono e das panelas enormes sa\u00eda a sua lei \u2013 era rei, portanto, tamb\u00e9m ali. Era t\u00e3o aut\u00f3nomo que por muitos anos decidira ele as ementas, at\u00e9 que algures nos anos de 1980 o retiraram da cozinha porque, julgo eu, j\u00e1 n\u00e3o havia necessidade das panelas mastod\u00f4nticas. Como seminarista, conheci-o agreste, mas n\u00f3s \u00e9ramos perfiladamente muito ariscos; como prior dele, simp\u00e1tico e at\u00e9 doce o senti, embora sempre muito senhor do seu nariz. Era muito resistente \u00e0 dor, como eu nunca vi igual. Um dia pediu-me que lhe cortasse uma unha do dedo grande do p\u00e9, j\u00e1 n\u00e3o sei qual. Quando retirou a meia propus-lhe lev\u00e1-lo ao hospital, porque o encravamento me parecia urgir bisturi e m\u00e3o segura de cirurgi\u00e3o. Negou-se e negou-se e negou-se \u2013 que tinha de ser eu, que era o prior. Fui. Vi-me sem faca nem alguidar, apenas com uma tesoura de cortar papel bastante romba e outra pequenina meia curva. Invoquei as horas da minha m\u00e3e quando nos cuidava das mazelas e, confiado, fiz como ela fazia. E cortei a unha, e desencravei-a sob um jorro de sangue. E limei-a procurando que n\u00e3o voltasse a encravar e curei-a o melhor que pude e soube e vigiei-a por semanas a fio. Durante a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o disse nem ai nem ui, foi falando sem se queixar, sem retirar o p\u00e9, sem que a voz lhe tremesse ou sufocasse, mas obviamente eu magoava-o. Mas assim era ele.<br>Assim, no meu tempo, eram os irm\u00e3os leigos: bastante humildes de condi\u00e7\u00e3o, mesmo que porventura algo orgulhosos de fundo, forma e feitio. O \u00faltimo que conheci, o Domingos, tamb\u00e9m era do lado das nicas, mas em casa mandava mais que um Provincial, e n\u00e3o apenas na sua cela.<br>Muito gostaria de aqui poder falar do Vener\u00e1vel irm\u00e3o Louren\u00e7o da Ressurrei\u00e7\u00e3o, franc\u00eas, falecido em Paris, em 1661, com fama de santidade e de zeloso condutor de almas. Mas talvez n\u00e3o haja espa\u00e7o.<br>O que mais quererei aqui dizer, enunciei-o acima: falar dos irm\u00e3os leigos de ao tempo de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e de como eles foram fundamentais para o triunfo da viv\u00eancia carism\u00e1tica da nossa Descalcez. A isso agora vou, visto encontrar toda a conveni\u00eancia em evidenciar o trato do Santo Padre para com estas pessoas humildes. Olhando-os a eles, isto \u00e9, \u00e0queles que conviveram com o padre Jo\u00e3o da Cruz, tamb\u00e9m veremos melhor quem ele era.<\/li>\n\n\n\n<li>Regra geral os irm\u00e3os leigos provinham de fam\u00edlias e meios humildes. Mas n\u00e3o eram desprovidos nem tontos. N\u00e3o estudavam teologia, \u00e9 certo, nem eram ordenados sacerdotes. Mas necess\u00e1rio \u00e9 dizer que o nosso nome oficial dentro da Igreja \u00e9 de Irm\u00e3os da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Irm\u00e3os! Ordenados ou n\u00e3o, somos todos irm\u00e3os.<br>Desde a primeira hora da nossa Descalcez, os irm\u00e3os vivem em comunidade com os padres e os estudantes, porque todos irm\u00e3os, afinal. No primeiro convento, o de Duruelo (finais de novembro de 1568), entre os dois padres, Ant\u00f3nio e Jo\u00e3o, est\u00e1 o irm\u00e3o leigo Jos\u00e9. O padre Jo\u00e3o da Cruz beneficiar\u00e1 muito da sua presen\u00e7a e do seu carinho, muito para al\u00e9m do que representavam como for\u00e7a de m\u00e3o de obra. Ali\u00e1s, n\u00e3o conhe\u00e7o estudo, mas atrevo-me a rediz\u00ea-lo, todas as primeiras funda\u00e7\u00f5es dos carmelitas descal\u00e7os eram constitu\u00eddas por irm\u00e3os leigos. Sim, a sua presen\u00e7a era valiosa enquanto for\u00e7a de trabalho, mas era mais que isso: era carism\u00e1tica. E que quero dizer com isto? Que a sua presen\u00e7a naquelas comunidades evidenciava a dimens\u00e3o da pobreza, da simplicidade, do trabalho laborioso e da fraternidade que se estava em vias de restaurar \u2013 n\u00e3o vinham para um campo de f\u00e9rias, mas para viverem como irm\u00e3os de Cristo pobre! Ah, e se eram irm\u00e3o de Cristo pobre, o padre Jo\u00e3o da Cruz tinha por eles uma proximidade e predilec\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00e3o!<br>Como n\u00e3o eram nem homens dos sacramentos, nem se dedicavam ao estudo teol\u00f3gico acad\u00e9mico, ocupavam-se nos trabalhos, nos muitos of\u00edcios manuais que um convento prop\u00f5e e precisa \u2013 portaria, cozinha, sacristia, carpintaria, encaderna\u00e7\u00e3o, agricultura, sapataria, barbearia\u2026 e outros tantos, como sair a pedir, construir ou reconstruir a casa! \u2013, e alegravam a comunidade com a sua presen\u00e7a e id\u00eantica consagra\u00e7\u00e3o. E se espiritual e carismaticamente n\u00e3o eram mais que ningu\u00e9m, tamb\u00e9m n\u00e3o eram menos \u2013 ali\u00e1s, apesar de n\u00e3o pertencerem \u00e0 sacra hierarquia, em nada sa\u00edam diminu\u00eddos na vida fraterna. De facto, ainda hoje, n\u00e3o s\u00e3o os estudos de filosofia e teologia que nos definem ou fazem melhores homens e melhores irm\u00e3os! Afinal, at\u00e9 Deus trabalhou como carpinteiro (alguns dizem que como catxarreiro, que \u00e9 como quem diz: era homem de sete of\u00edcios (outro pi\u00e3o das nicas!) \u2013 disso se haveriam de lembrar eles, quero eu pensar \u2013.<br>Refor\u00e7o: desde o in\u00edcio da nossa funda\u00e7\u00e3o, entre n\u00f3s, carmelitas descal\u00e7os, os irm\u00e3os leigos n\u00e3o eram nem menos nem mais que ningu\u00e9m. Eram irm\u00e3os, chamados como todos, \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, como todos, \u00e0 santidade pelo caminho da ora\u00e7\u00e3o, da abnega\u00e7\u00e3o e da vida fraterna \u2013 oh, que belo modo de fazer santos!<br>S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz amava os irm\u00e3os leigos! Como se ver\u00e1. E n\u00e3o s\u00f3 os amava, caminhava lado a lado com eles, e com eles, descal\u00e7o, trabalhava ombro com ombro.<br>Quem algo j\u00e1 leu sobre a constru\u00e7\u00e3o do convento de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, em Seg\u00f3via, que o pr\u00f3prio riscou, rasgou e assentou pedra em p\u00f3s pedra, sabe que o padre Jo\u00e3o n\u00e3o tinha jeito de capataz, nem cruzava os bra\u00e7os ou metia as m\u00e3os nos bolsos. N\u00e3o. N\u00e3o, n\u00e3o! Os seus p\u00e9s descal\u00e7os pisavam o mesmo solo e cascalho que pisavam os p\u00e9s descal\u00e7os dos irm\u00e3os leigos. E as suas m\u00e3os de prior faziam tombar e cantar e erguer as mesmas pedras que eles \u2013 e \u00e9 por isso que eu quando vou a Seg\u00f3via, jovioso vou visitar essas pedras g\u00e9meas, lavradas por m\u00e3os fraternas, sem punhos de renda!<br>A alegria e empenho das comunidades do padre Jo\u00e3o da Cruz vinham da\u00ed: o prior era primus inter pares, o primeiro trabalhador entre tantos. Ele que era poeta, pregador, confessor e estudioso, era, enfim, tamb\u00e9m o primeiro trabalhador nos trabalhos humildes, fosse na cozinha, fosse nas obras. E \u00e9 deste exemplar primeiri\u00e7o servi\u00e7o que nasce a sua autoridade, jamais do facto de ser sacerdote e prior!<br>A verdade, \u00e9 que para bem ver s\u00e3o precisos mais que dois olhos; e o padre Jo\u00e3o tinha esse olhar puro! Tanto respeitava ele os irm\u00e3os leigos que os tratava como iguais, e por nada mais, sen\u00e3o que eles significavam para si a verdadeira maestria da humildade, da mansid\u00e3o e pobreza evang\u00e9licas, pois lhe recordavam eles a serena, confiada e humilde laboriosidade de S\u00e3o Jos\u00e9 na oficia de Nazar\u00e9. Por essa raz\u00e3o, quando nos nossos come\u00e7os foi ele respons\u00e1vel de comunidades, cuidava com particular aten\u00e7\u00e3o destes irm\u00e3os mais simples: jamais os sobrecarregava, nunca lhes entregava trabalhos desnecess\u00e1rios, cuidava-lhes pessoalmente da sa\u00fade, e primeireava a harmonia entre trabalho manual e ora\u00e7\u00e3o. O seu entendimento era este: jamais o trabalho se pode instaurar como obst\u00e1culo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o; mas ao contr\u00e1rio: o trabalho obediente e amoroso decorre da ora\u00e7\u00e3o contemplativa \u2013 eis quanto S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz propunha aos seus religiosos mais simples!<br>A verdade \u00e9 que a presen\u00e7a dos irm\u00e3os leigos recordava \u2013 e recorda; feliz, por isso, quem ainda os tem! \u2013 que a fam\u00edlia dos carmelitas descal\u00e7os n\u00e3o se sustenta sobre discursos intelectuais, mesmo os de primeira \u00e1gua espiritual, mas sobre a fidelidade di\u00e1ria \u00e0s pequenas coisas, aos pequenos pormenores, inclusive \u00e0s pequenas aten\u00e7\u00f5es e delicadezas. De facto, a presen\u00e7a dos irm\u00e3os leigos na comunidade recorda-nos \u2013 e nisso eles s\u00e3o modelos e mestres at\u00e9 dos doutores em teologia \u2013 essa inadi\u00e1vel e inultrapass\u00e1vel e sempre desej\u00e1vel fidelidade ao pequenino e esmiu\u00e7ado da vida. E o que \u00e9 mais, sem que me tome eu por doutor, a vida an\u00f3nima e escondida dos pequeninos das comunidades volve-se e deve ser vista como o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho: Deus fez-se homem, porque ama e se compraz nos humildes e nos simples.<br>Por conseguinte, o padre Jo\u00e3o da Cruz, enquanto prior, ele que \u00e9 tamb\u00e9m poeta e mestre espiritual, sabia abaixar-se e adequar com maestria a sua linguagem teol\u00f3gica e espiritual \u00e0 simplicidade daqueles irm\u00e3os pequeninos. Por isso, com frequ\u00eancia as suas exorta\u00e7\u00f5es deitavam m\u00e3o de belas imagens b\u00edblicas, recorriam a compara\u00e7\u00f5es subtra\u00eddas da vida di\u00e1ria, da beleza da natureza e sempre, sempre, fazia apelo \u00e0 pureza de inten\u00e7\u00e3o. Deste modo exemplar prova-nos \u2013 e qu\u00e3o necess\u00e1rio isso hoje \u00e9 \u2013 que a experi\u00eancia m\u00edstica n\u00e3o se encontra reservada a um grupo de eleitos que sabe ler latim, grego e hebraico, mas que antes se encontra escancarada a quantos se deixam transformar pelo amor de Deus!<br>Atrevo-me, pois, a dizer, em forma de s\u00edntese: felizes de n\u00f3s, carmelitas descal\u00e7os, que temos o pai que temos: poeta, irm\u00e3o, sacerdote, mission\u00e1rio oper\u00e1rio, tanto da pedra como da palavra escrita e falada. E santo. A verdade, \u00e9 que assim costumam ser os pais! Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que: ou, gentil, ele soube aprender dos irm\u00e3os leigos, ou, perspicaz e s\u00e1bio, soube dar-lhes lugar e voz, para que nos ensinassem a n\u00f3s, os de hoje. (Ou as duas, o que bem pode e deve ser verdade!) Pelo que me pergunto: \u00e9 ou n\u00e3o verdade que, ainda hoje, a simplicidade \u00e9 um dos pilares mais estimados da nossa irmandade? E mais ouso: e quanto do caminho do \u00abnada, nada, nada\u00bb jo\u00e3ocruciano, quanto daquele despojamento interior, como forma de liberdade perante tudo o que n\u00e3o seja Deus, aprendeu ele daqueles benditos irm\u00e3os pequeninos, como tanto aprendeu ele de sua m\u00e3e Catarina?<br>Os pequeninos e os pobres s\u00e3o nossos mestres, lembremo-nos sempre.<\/li>\n\n\n\n<li>Como \u00e9 de meu gosto, sempre que sei e posso, transporto para estes carreiros de linhas algumas est\u00f3rias que comprovem a doutrina do que atr\u00e1s fique dito.<br>Por exemplo, no tempo da constru\u00e7\u00e3o do convento de Seg\u00f3via existem v\u00e1rios epis\u00f3dios sobre o respeito que os irm\u00e3os pequeninos t\u00eam pelo seu prior, e outros que falam da ternura do padre Jo\u00e3o vertida em favor dos irm\u00e3os leigos. Existe um epis\u00f3dio que exemplifica bem isso: por certa altura v\u00e1rios dos pequenos irm\u00e3os que trabalhavam como pe\u00f5es e artistas da obra adoeceram; por indica\u00e7\u00e3o de frei Jo\u00e3o da Cruz, prior, o irm\u00e3o Alberto da M\u00e3e de Deus, cozinheiro, preparou-lhes uma refei\u00e7\u00e3o algo mais delicada \u2013 eles mereciam e a situa\u00e7\u00e3o impunha. Por\u00e9m, ao ser servida, querendo evitar murmura\u00e7\u00f5es e preconceitos, o prior explicou publicamente a toda a comunidade que o delicado repasto se justificava por ser um acto de justa e necess\u00e1ria caridade, pelo que ningu\u00e9m \u2013 em tempos de tantas mortifica\u00e7\u00f5es e austeridades \u2013 se deveria escandalizar ou mal-interpretar. E como devemos interpretar n\u00f3s, ent\u00e3o, este epis\u00f3dio? Diz-nos ele que se o Santo se preocupava com a dignidade espiritual dos irm\u00e3os leigos, n\u00e3o se esquecia de, se necess\u00e1rio, lhes restabelecer as for\u00e7as f\u00edsicas, mesmo recorrendo a mimos extraordin\u00e1rios!<br>Creio que aqui bem se deve relevar a fidelidade \u2013 que para n\u00e3o cair em infravalora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o direi que era canina\u2026 \u2013 dos irm\u00e3os leigos ao padre Jo\u00e3o da Cruz. Ele amava-os, certamente; e eu tenho por certo que eles o sabiam e lho devolviam com inteireza; veja-se:<br>Frei Gaspar, mestre canteiro, e frei Alonso de Jesus, artista pedreiro de primeira, trabalharam na obra durante muitos anos, poupando, dessa forma, fartos ducados \u00e0 comunidade. Como n\u00e3o haveria de os estimar, portanto?<br>J\u00e1 o irm\u00e3o donado com o mesmo nome do prior, frei Jo\u00e3o da Cruz, ficou conhecido por amar tanto aquela constru\u00e7\u00e3o que todos os dias se levantava ainda a madrugada ia alta; e a raz\u00e3o era uma s\u00f3: antes que amanhecesse j\u00e1 ele dispusera todas as ferramentas, de modo que ao se achegarem os oper\u00e1rios externos, j\u00e1 uma boa parte do seu trabalho fora adiantada. Era um trabalho discreto e silencioso como constante, mas o seu valor ficou memor\u00e1vel pelo que significava de virtude e de entrega total \u00e0 causa! Quem, pois, seria o tonto, que desprezasse um colaborador destes? \u2013 O padre Jo\u00e3o da Cruz n\u00e3o, certamente.<br>Vale bem a pena encerrar com est\u00f3rias do irm\u00e3o Martinho da Assun\u00e7\u00e3o, ele que, regalado, acompanhou o padre Jo\u00e3o da Cruz por milhares e milhares de quil\u00f3metros e com ele partilhou o sil\u00eancio do mesmo claustro em v\u00e1rias funda\u00e7\u00f5es. Frei Martinho \u00e9, por isso, uma testemunha de elei\u00e7\u00e3o. \u00c9 um sabe tudo e, tamb\u00e9m, algu\u00e9m que sabe calar-se e reservar-se. Afinal ele foi uma sombra fiel. N\u00e3o foi jamais um coadjutor, mas um verdadeiro companheiro de vida e de miss\u00e3o, profundamente formatado pelo exemplo de vida santa do padre Jo\u00e3o da Cruz.<\/li>\n\n\n\n<li>\u2013 Conta-nos, pois, est\u00f3rias, frei Martinho! \u2013 lhe roguei.<br>\u2013 Aqui v\u00e3o elas! \u2013 Apressado, logo ele me contestou.<br>\u2013 Se eu puder dizer que amei um homem, direi que amei o padre Jo\u00e3o da Cruz. Digo-o sem medo, porque o amei no sentido em que o admirei em sua simplicidade, na sua alta sabedoria e confian\u00e7a em Deus, na sua justi\u00e7a verdadeira, jamais acomodada. Contarei aos teus leitores, frei Jo\u00e3o, um facto ou ordem com que, em certo dia, o padre Jo\u00e3o da Cruz me surpreendeu:<br>Certa vez mandou-me conduzir, por muitas l\u00e9guas, at\u00e9 Sevilha, sete novi\u00e7os e um irm\u00e3o donado. E sabes qual foi o meu espanto: e n\u00e3o \u00e9 que me mandou partir sem dinheiro nem provis\u00f5es? E olha que \u00e9ramos nove bocas e dezoito p\u00e9s a caminhar por muitas l\u00e9guas, meu Deus do c\u00e9u! E ainda lev\u00e1vamos uma alim\u00e1ria connosco!<br>Quando lho fiz notar, colocou-me ele a m\u00e3o direita sobre o ombro, e disse-me com uma tal serenidade, que eu jamais duvidei do Santo:<br>\u2013 Irm\u00e3o Martinho, me disse, confie apenas na provid\u00eancia de Deus! E se acaso vai mais confiante leve dois ou tr\u00eas fanicos de p\u00e3o e algumas rom\u00e3s. Mas ver\u00e1 que n\u00e3o precisar\u00e3o deles!<br>Pois fica sabendo uma coisa, frei Jo\u00e3o, ao longo do longo caminho a hospitalidade das pessoas manifestou-se-nos sempre de forma t\u00e3o inesperada como eloquente, que em n\u00f3s mais nos fez aumentar o fervor ao padre Jo\u00e3o da Cruz, e mais amar a vida de inteira pobreza dos carmelitas descal\u00e7os!<\/li>\n\n\n\n<li>\u2013 E tenho outra mais, frei Jo\u00e3o.<br>\u2013 Conta-ma, por favor, frei Martinho \u2013 ao instante lhe reclamei.<br>\u2013 Em certa funda\u00e7\u00e3o, eu, os restantes irm\u00e3os leigos e alguns oper\u00e1rios, seguindo instru\u00e7\u00f5es do padre Jo\u00e3o da Cruz, adapt\u00e1vamos uma casa de fam\u00edlia para nosso convento. Imaginar\u00e1s que seguir tais indica\u00e7\u00f5es significa segui-las \u00e0 risca!<br>Segue-se: ora sucedeu que certa parede se apresentava mal projectada e erguida, pelo que oferecia uma inclina\u00e7\u00e3o assustadora. O padre Jo\u00e3o mandou derrub\u00e1-la, e n\u00f3s, irm\u00e3os e alguns oper\u00e1rios, logo ajustamos a melhor maneira de a deitar abaixo. Est\u00e1vamos a ensaiar como fazer, quando, de surpresa, ela se despencou sem apelo nem not\u00edcia pr\u00e9via, e sepultou o nosso padre Jo\u00e3o! Imaginar\u00e1s o nosso medo, mas, sobretudo, a consterna\u00e7\u00e3o de todos, ao ver que acab\u00e1ramos de sepultar o Santo! E \u00e9 que todos o d\u00e1vamos por morto, de forma que n\u00e3o havia quem n\u00e3o o lamentasse, que muitos vi eu que choravam como meninos! Mas n\u00e3o fic\u00e1mos parados! Logo deit\u00e1mos m\u00e3os \u00e0 obra: um retirou uma pedra; outro, outra; tr\u00eas ou quatro, um tabique; outros, outro; e retirou-se entulho daqui e dali, e \u00f3 sorte do c\u00e9u, que quem anda com Deus at\u00e9 o vento lhe ajunta a lenha! E n\u00e3o \u00e9 que o ach\u00e1mos ileso e sereno e a rir-se, acocorado sob aquele montalh\u00e3o de entulheira?!<br>\u2013 Tu n\u00e3o me digas isso, frei Martinho!<br>\u2013 \u00c9 o que te digo-te, \u00e9 o que te digo, frei Jo\u00e3o! E olha mais isto: \u00e9 que entre n\u00f3s, os irm\u00e3os leigos, se pud\u00e9ramos, preferir\u00edamos todos trabalhar mais duas horas ao dia, a fim de dispensarmos da luta o nosso prior; e se necess\u00e1rio fora perder\u00edamos mil vezes a nossa vida, a ter de lesar uma m\u00e3o ou um dedo que fosse, ao nosso Santo Padre Jo\u00e3o da Cruz!<br>A verdade \u00e9 s\u00f3 uma, frei Jo\u00e3o, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz partilhava os riscos e fadigas de cada um de n\u00f3s, seus irm\u00e3os, at\u00e9 mesmo dos irm\u00e3os mais simples da comunidade; ora, pois, como n\u00e3o haveria ele de ser muito amado por n\u00f3s? Pudera! Claro que era, porque ele era como n\u00f3s!<\/li>\n\n\n\n<li>Deveras estes homens simples e trabalhadores t\u00eam de ser muito amados e reconhecidos, ainda hoje, por n\u00f3s, descal\u00e7os do s\u00e9culo XXI. Eles foram os companheiros preferidos de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz! Sem a sua lhaneza a funda\u00e7\u00e3o da nossa Ordem n\u00e3o seria igual! A sua simplicidade, laboriosidade, o seu sil\u00eancio e profunda ora\u00e7\u00e3o, ainda hoje s\u00e3o oiro e tesoiro para n\u00f3s, homens da tecnocracia e da intern\u00e9tica. Tal como nossos avoengos de sangue, em seu discreto e silencioso labor, tamb\u00e9m eles nos ensinam o valor da palavra moderada, a afoiteza de sustentar de comunidades com muito pouco, o esmero do trabalho com alegria, do confiar na Provid\u00eancia, da fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o \u2013 pois assim se singularizou tamb\u00e9m a nossa identidade e carisma, no contexto da Igreja universal.<\/li>\n\n\n\n<li>Muito h\u00e1 a aprender com S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz que tanto os estimava, a ponto de reconhecer naqueles pequenos irm\u00e3os a fecundidade e grandeza humana e, pelo seu denodado trabalhar e calar, o seu fiel e generoso contributo para a defini\u00e7\u00e3o do nosso andamento comunit\u00e1rio pela hist\u00f3ria fora. Tratava-os ele como irm\u00e3os \u2013 desculpem se me repito \u2013, porque o eram de facto, e porque lhe eram pr\u00f3ximos; embora n\u00e3o se apresentassem com envergadura de s\u00e1bios, eram zelosos e, sobretudo, humildemente comprometidos com a comunidade. Sem d\u00favida que sem eles a marcha da nossa hist\u00f3ria n\u00e3o seria igual. S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz sabia-o bem, pois com eles palmilhou e compartilhou riscos e sobressaltos por tant\u00edssimos quil\u00f3metros \u00e0 intemp\u00e9rie; com eles, sem se distinguir, partilhou a profunda austeridade da Descalcez; com eles sofreu inclem\u00eancias e inseguran\u00e7as e, sobretudo, as inquieta\u00e7\u00f5es e desassossegos dos in\u00edcios, t\u00e3o t\u00edpicos de quem, ao fim do dia, apenas tem uma panela fanada e nada para l\u00e1 meter.<br>E ao rev\u00e9s, h\u00e1 que rediz\u00ea-lo, mais que por outros, o Santo mais amado foi por esses homens humildes, que o souberam aceitar como um igual, e porque, sem filtros nem media\u00e7\u00f5es, viram e testemunharam a fecundidade e as riquezas de seu paterno cora\u00e7\u00e3o e o seu profundo amor a Cristo e \u00e0 Igreja!<\/li>\n\n\n\n<li>H\u00e1 umas linhas atr\u00e1s evoquei a figura do pequenino irm\u00e3o carmelita descal\u00e7o franc\u00eas, o Vener\u00e1vel Irm\u00e3o Louren\u00e7o da Ressurrei\u00e7\u00e3o. E apontei que l\u00e1 mais para o final \u2013 algures por aqui onde agora estamos \u2013 algo poderia sobre ele dizer. Mas n\u00e3o direi, porque o que fica dito sobre os irm\u00e3os leigos j\u00e1 muito \u00e9. Por\u00e9m, nem tudo deverei sonegar-te, leitor, leitora, porque nos in\u00edcios de dezembro de 2025, estando de regresso ao Vaticano, vindo da sua peregrina\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds dos grandes cedros, o L\u00edbano, o Papa Le\u00e3o XIV, como que de improviso a ele se referiu, dizendo que \u00aba sua forma simples de rezar me acompanhou nos meus anos mais dif\u00edceis, incluindo nos dias de miss\u00e3o no Peru, aos tempos do terrorismo\u00bb; e acrescentou: \u00abpela leitura do livro Pr\u00e1tica Da Presen\u00e7a de Deus do Vener\u00e1vel Louren\u00e7o da Ressurrei\u00e7\u00e3o descobri Deus presente no meio das tarefas mais humildes e aparentemente menos espirituais, porque a sua ermida de ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava num retiro escondido, mas no interior do seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/li>\n\n\n\n<li>Finalizando, parece-me oportuno concluir com o relato dum especial abra\u00e7o de frei Jo\u00e3o da Cruz. Aceita-o, leitor, leitora, como se fosses tu o abra\u00e7ado.<br>Sem o suspeitar, est\u00e1, frei Jo\u00e3o, em seus dias finais, e acaba de chegar ao eremit\u00e9rio de La Pe\u00f1uela. J\u00e1 conhece a comunidade desde h\u00e1 anos pelo que, \u00e0 sua chegada, logo se apercebe que ali falta o irm\u00e3o hortel\u00e3o, frei Jo\u00e3o da M\u00e3e de Deus. E pergunta por ele.<br>\u2013 Lev\u00e1mo-lo para Baeza, gravemente doente e l\u00e1 est\u00e1, completamente desenganado dos m\u00e9dicos! \u2013 Lhe respondem.<br>Frei Jo\u00e3o pede e insiste que o tragam de volta, convencido de que se curar\u00e1 em La Pe\u00f1uela. E v\u00e3o busc\u00e1-lo. Quando a Baeza chega o frade encarregado de o trazer, este diz-lhe:<br>\u2013 Foi o padre Jo\u00e3o da Cruz que mandou cham\u00e1-lo e espera-o em La Pe\u00f1uela!<br>Ao ouvir isto, o doente arregala os olhos, recupera energias e responde:<br>\u2013 Pois vamo-nos em muito boa hora!<br>P\u00f5em-se a caminho e, \u00e0 chegada, o padre Jo\u00e3o da Cruz d\u00e1-lhe um grande abra\u00e7o e, como se neste abra\u00e7o lhe tivesse dado a sa\u00fade, o irm\u00e3o sente-se t\u00e3o bem que, se o deixassem, iria naquele mesmo instante trabalhar para o quintal!<\/li>\n\n\n\n<li>E finco-me aqui. Querido amigo, querida amiga, recebe um abra\u00e7o grande.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4617,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4635"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4636,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4635\/revisions\/4636"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}