{"id":4580,"date":"2026-02-28T02:18:00","date_gmt":"2026-02-28T02:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4580"},"modified":"2026-02-27T11:04:13","modified_gmt":"2026-02-27T11:04:13","slug":"fazei-tudo-o-que-ele-vos-disser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/fazei-tudo-o-que-ele-vos-disser\/","title":{"rendered":"\u00abFazei tudo o que Ele vos disser\u00bb"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Irm\u00e3 Sofia da Cruz, Carmelo de Aveiro<\/p>\n\n\n\n<p>Vou apenas partilhar consigo algo do que penso acerca dos 2 adjectivos que usou para qualificar aquela que deve ser a atitude fundamental da nossa vida: \u201cFazei tudo o que Ele vos disser\u201d, \u201cmuito dif\u00edcil e custa muito quando n\u00e3o coincide com a nossa vontade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria muita ingenuidade da minha parte discordar de si, mas tamb\u00e9m seria, da minha parte, um grave sintoma de imaturidade na f\u00e9 e como tal de muita superficialidade n\u00e3o passar da categoria do acidental para a do essencial. Assim, concordando consigo, mas ao mesmo tempo discordando vou tentar mostrar-lhe o que, para mim, esta subjacente a estes adjectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFazei tudo o que Ele vos disser\u201d \u2013 muito dif\u00edcil. Se o vimos desde n\u00f3s mesmos, se o tentamos fazer pelas nossas pr\u00f3prias for\u00e7as, se o assumimos como algo exterior a n\u00f3s, como algo que estamos obrigados a fazer, se situamos este \u201cmandamento\u201d no contexto da antiga lei que era necess\u00e1rio observar, damos-lhe o cunho de prescri\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. Tornando-o para n\u00f3s um peso insuport\u00e1vel porque entra em conflito com a fragilidade do nosso ser natural. \u00c9 como se quis\u00e9ssemos chegar ao c\u00e9u sem subir o monte. Claro que, sem subir o monte nunca l\u00e1 chegaremos\u2026 Contudo se o transferirmos da ordem da lei para a ordem da Gra\u00e7a ou, se preferir, se o transferirmos da ordem do fazer para a ordem do ser a dificuldade fica anulada em si mesma, porque o fazer tudo o que Ele nos disser, passa a ser, como que naturalmente, a atitude fundamental da nossa exist\u00eancia, enquanto meio mais perfeito e total de realizarmos a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00faltima.<\/p>\n\n\n\n<p>Transferida para a ordem da Gra\u00e7a esta prescri\u00e7\u00e3o situa-nos no contexto da Nova Alian\u00e7a, o que significa que n\u00e3o nos \u00e9 pedido que cumpramos um mandamento como cumprimos uma lei, mas antes que acolhamos o mandamento e o observemos atrav\u00e9s da Gra\u00e7a. Aqui reside o segredo de fazer a vontade de Deus, na media\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria gra\u00e7a. Repare que o que Maria diz ao Anjo aquando da Anuncia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Fa\u00e7o, mas \u00e9 Fa\u00e7a-se segundo a tua Palavra. Algo id\u00eantico temos de dizer, quando o Mestre nos pede alguma coisa ou nos manda fazer alguma coisa: \u201cFa\u00e7a-se\u201d, Faz em mim\u2026 Isto implica primeiro o reconhecimento da nossa debilidade na realiza\u00e7\u00e3o da vontade de Deus, aqui todos chegamos, mas depois implica o tirarmo-nos do centro e dar lugar a Deus, isto \u00e9, reconhecermos que a Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel e que Ele pode realizar a vontade Dele em n\u00f3s como quiser, quando quiser e do modo que quiser, desde que livremente o consintamos. Se existe dificuldade \u00e9 aqui. Porque enquanto n\u00e3o reconhecemos a Deus como o Senhor da nossa vida, o Outro diferente de n\u00f3s, Aquele por quem vivemos, estamos numa continua batalha, uma batalha connosco, entre a vontade de Deus e as nossas debilidades que a tornam inacess\u00edvel para n\u00f3s, e uma batalha com o pr\u00f3prio Deus que se quer dar de todo a n\u00f3s e que n\u00f3s inconscientemente recusamos, truncando a d\u00e1diva\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Santo Agostinho sintetiza muito bem a realidade da gra\u00e7a ao afirmar: \u201cSenhor d\u00e1-me tudo o que me pedes e pede-me tudo o que me d\u00e1s\u201d. Aqui est\u00e1 patente n\u00e3o s\u00f3 o pedido da vontade de Deus, mas tamb\u00e9m o pedido do aux\u00edlio divino para a realizar, mas ele vai mais longe entrando, analogicamente, na din\u00e2mica da vida intratrinit\u00e1ria querendo como o Filho receber-se inteiramente do Pai e oferecer tudo ao Pai e por isso continua rezando: pede-me tudo o que me d\u00e1s. Mas o essencial, para n\u00f3s, neste momento, est\u00e1 em situarmo-nos no contexto da Nova Alian\u00e7a. Muitas vezes acontece que a vontade de Deus se torna dif\u00edcil, porque nos esquecemos de que n\u00e3o somos n\u00f3s que a vamos realizar, quero dizer, somos na medida em que livremente damos o nosso consentimento para que ela se realize em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s, mas o \u201cacto em si mesmo\u201d \u00e9 realizado n\u2019Eles, por Eles e com Eles, porque \u00e9 n\u2019Eles que \u201csomos, nos movemos e existimos\u201d. Quando somos conscientes disto n\u00e3o podemos afirmar que fazer o que Ele nos disser seja dif\u00edcil porque \u00e9 o meio de nos relacionarmos e vivermos j\u00e1, ainda que muito imperfeitamente, aquilo que \u00e9 a vida de comunh\u00e3o com a Trindade, \u00e0 qual todos estamos chamados.<\/p>\n\n\n\n<p>No Salmo 2 \u00e9 feita uma afirma\u00e7\u00e3o que nos pode ajudar a compreender esta passagem da ordem da lei para a ordem da Gra\u00e7a, que \u00e9 a seguinte: \u201cTu \u00e9s meu Filho, eu hoje te gerei.\u201d Nesta frase s\u00e3o feitas duas afirma\u00e7\u00f5es. A primeira concernente \u00e0 revela\u00e7\u00e3o da nossa identidade e a segunda concernente ao modo como a vamos adquirindo. Assim, podemos dizer que somos filhos em virtude do \u201ceterno hoje da cria\u00e7\u00e3o\u201d a que estamos sujeitos. Este \u201ceterno hoje da cria\u00e7\u00e3o\u201d est\u00e1 em perfeita sintonia com o \u201cfazei tudo o que Ele vos disser\u201d, ambos se referem ao tipo de rela\u00e7\u00e3o que Deus mant\u00e9m com as suas criaturas, ou seja, connosco. Ele est\u00e1 constantemente a amar-nos e como amar \u00e9 a ess\u00eancia e a ac\u00e7\u00e3o de Deus, ao amar-nos Ele est\u00e1 a \u201crecriar-nos\u201d, a criar-nos de novo. O que significa que para sermos o que estamos chamados a ser temos de situar-nos no \u201ceterno hoje\u201d de Deus e da\u00ed abrir-nos \u00e0 Sua ac\u00e7\u00e3o amorosa, que de n\u00f3s espera correspond\u00eancia. Para compreendermos melhor o \u201ceterno hoje de Deus\u201d podemos recorrer \u00e0 imagem do Oleiro, apresentada no cap\u00edtulo 18 de Jeremias: \u00abPalavra que foi dirigida pelo Senhor a Jeremias: 2 \u201cLevanta-te e desce \u00e0 casa do oleiro, l\u00e1 te farei ouvir minhas palavras\u201d. 3Desci \u00e0 casa do oleiro e eis que ele trabalhava no torno. 4Quando se estragava o vaso que estava fazendo, com a argila na sua m\u00e3o, o oleiro fazia novamente um outro vaso, como lhe parecia melhor. (\u2026) Como a argila na m\u00e3o do oleiro, assim sois v\u00f3s na minha m\u00e3o\u2026\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Situarmo-nos no \u201ceterno hoje de Deus\u201d exige de n\u00f3s a liberdade de n\u00f3s mesmos. Aqui radica um outro ponto de conflito, que cai por terra diante do argumento do Amor. Com frequ\u00eancia criamos uma situa\u00e7\u00e3o de incompatibilidade entre liberdade e obedi\u00eancia, entre o fazer o que eu quero e o \u201cfazer o que Ele me disser\u201d. Situa\u00e7\u00e3o fict\u00edcia, sem consist\u00eancia real que revela apenas que n\u00e3o temos bem definida a nossa identidade de Filhos de Deus. Digo-o, n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade que acreditamos, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade que vivemos. Sim, somos Filhos de Deus, mas cada um de n\u00f3s ao seu jeito, negando muitas vezes, sem nos darmos conta, os fundamentos em que radica a nossa identidade de filhos no Filho. S. Paulo ao dirigir-se a Deus, na sua ora\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito claro pedindo-Lhe aquilo que podemos considerar como o essencial dum filho de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abDobro os joelhos em presen\u00e7a do Pai, 15de quem toda a fam\u00edlia no c\u00e9u e na terra recebe o nome, 16para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos por seu Esp\u00edrito, com vistas ao crescimento de vosso homem interior. 17Que Cristo habite pela f\u00e9 em vossos cora\u00e7\u00f5es, e que sejais arraigados e consolidados no amor, 18a fim de que possais com todos os santos compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, 19e conhecer a caridade de Cristo, que supera todo conhecimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.\u00bb (Ef 3,14-19)<\/p>\n\n\n\n<p>Confirmados pelo Esp\u00edrito no homem interior, Configurados com Cristo que habita pela f\u00e9 nos nossos cora\u00e7\u00f5es e, por \u00faltimo, Fundamentados e arreigados no amor, eis as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para fazer com que a vontade de Deus se v\u00e1 tornando natural em n\u00f3s. Em nenhum momento estas caracter\u00edsticas entram em contradi\u00e7\u00e3o com \u201cFazei o que Ele vos disser\u201d pelo contr\u00e1rio pressup\u00f5em-no e exigem-no eliminando a dificuldade. A estas condi\u00e7\u00f5es todos temos acesso pelo dom da Paternidade Divina.<br>Assim como, o Pai gera o Verbo desde toda a eternidade e num influxo de amor o \u201cfaz sair de Si mesmo\u201d, colocando-O diante de Si como Sua imagem, e este, sendo de igual condi\u00e7\u00e3o do Pai, assume para com Ele uma rela\u00e7\u00e3o filial, recebendo e recebendo-se do Pai, fazendo com que o Pai exer\u00e7a a Sua miss\u00e3o divina da Paternidade, assim n\u00f3s analogamente, temos de nos situar diante do Pai, temos de nos voltar para o Seio do Pai, recebendo e recebendo-nos Dele. S\u00f3 quando nos situamos diante do Pai, quando reconhecemos que Dele vimos, n\u00e3o no momento pontual do nosso nascimento, mas no quotidiano da vida da f\u00e9, \u00e9 que \u201cfazemos mem\u00f3ria da filia\u00e7\u00e3o divina\u201d, realizando a nossa pr\u00f3pria filia\u00e7\u00e3o, e permitindo a Deus Pai que exer\u00e7a a Sua miss\u00e3o divina da Paternidade. A Paternidade Divina \u00e9 tanto mais exercida quanto melhor \u00e9 vivida a filia\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, quanto mais somos filhos mais Deus \u00e9 Pai. N\u00e3o que Ele n\u00e3o seja sempre Pai, Ele \u00e9 o sempre de igual forma, n\u00f3s \u00e9 que O podemos permitir ser mais ou menos nosso Pai, conforme o tipo de rela\u00e7\u00e3o que estabelecemos com Ele. Desta forma quanto mais nos manifestarmos a Ele como filhos mais ele se manifestar\u00e1 a n\u00f3s na plenitude da sua Paternidade. Aqui, reside uma das belezas, que me encanta contemplar, das Tr\u00eas Pessoas Divinas, a de se realizarem umas nas outras, na medida em que cada uma vivendo em plena perfei\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o a que est\u00e1 chamada com a outra permite que a outra o viva em igual grau de suma perfei\u00e7\u00e3o, porque mais livre est\u00e1 de si mesma para receber-se da outra e para projectar-se na outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Do receber-se do Pai e do projectar-se no Pai, de Jesus, e do dar-se do Pai a Jesus, numa cont\u00ednua gera\u00e7\u00e3o, procede o Esp\u00edrito Santo, v\u00ednculo de Amor entre o Pai e o Filho. No receber e recebermo-nos do Pai e no dar e darmo-nos ao Pai \u201cfazemos mem\u00f3ria\u201d do v\u00ednculo do amor divino, criado pelo Esp\u00edrito de Amor que habita em n\u00f3s. Da mesma forma que do Amor do Pai e do Filho procede o Esp\u00edrito, do amor de Deus por n\u00f3s, isto \u00e9, do deixarmo-nos amar e do amarmos surge ac\u00e7\u00e3o santificadora do Esp\u00edrito Divino em n\u00f3s. Digamos que o esp\u00edrito Divino se torna presente em n\u00f3s em \u201cacto\u201d, sendo para n\u00f3s manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Deus ao mesmo tempo que \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o da vontade de Deus, uma vez que Deus \u00e9 amor e que a sua vontade n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o amar-nos. O Esp\u00edrito Divino, enquanto abra\u00e7o amoroso entre o Pai e o Filho, leva a plena realiza\u00e7\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de Paternidade e de Filia\u00e7\u00e3o. No plano intratrinit\u00e1rio vemo-lo \u201cvazio de si mesmo\u201d, em total liberdade, \u201ccomo encontro de realiza\u00e7\u00e3o plena\u201d do Pai e do Filho. Ad extra, em n\u00f3s, Ele completa a sua miss\u00e3o \u201cde encontro, de comunh\u00e3o, com o Pai e o Filho\u201d e como tal de perfeita realiza\u00e7\u00e3o da Paternidade e da Filia\u00e7\u00e3o, levando-nos \u00e1 viv\u00eancia perfeita daquela que \u00e9 a nossa verdadeira identidade: a de filhos no Filho.<br>\u00abVede que Amor o Pai nos consagrou ao podermos chamar-nos de filhos de Deus e somo-lo de facto\u00bb. Podemos considerar este amor, de que fala Jo\u00e3o, como o pr\u00f3prio Esp\u00edrito de Amor que em n\u00f3s leva \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o o amor, na medida em que Ele \u00e9 o Amor do Pai e do Filho. Configurando-nos com o Filho, Ele oferece-nos, no Filho ao Pai, para que o Pai nos reconhecendo como irm\u00e3os do Seu Bem-Amado nos assuma como filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste v\u00ednculo de Amor, que se estabelece entre n\u00f3s e Deus, que nos \u00e9 manifestada a Sua vontade. Desta forma, o \u201cfazei tudo o que Ele vos disser\u201d ao mesmo tempo que se torna uma manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Deus por n\u00f3s, torna-se um convite a deixar-se amar, a despojar-se de si mesmo e a situar-se diante de Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, livremente, permitindo-lhes que Eles se recriem plenamente em n\u00f3s, quero dizer, que se manifestem plenamente em n\u00f3s enquanto Divindade Criadora, Redentora e Santificadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui est\u00e1 o mais puro Amor e o sentido mais profundo da express\u00e3o de Jo\u00e3o: \u00abAmamos porque Ele nos amou primeiro\u00bb Sim, amamos, porque ao Amar-nos Eles passam a amar em n\u00f3s, porque descendo at\u00e9 n\u00f3s eles elevam-nos at\u00e9 eles, porque esvaziando-nos enchem-nos de Si mesmos, fazendo-nos participar da Sua vida divina.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese: \u201cFazei tudo o que Ele vos disser\u201d consiste, apenas, em deixar-se amar para chegar a amar com o mesmo Amor com que se \u00e9 amado.<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u2013 \u201cFazei o que Ele vos disser\u201d custa muito quando n\u00e3o coincide com a nossa vontade. Completou-se h\u00e1 dias aquela que pode ser considerada a 3\u00aa d\u00e9cada da minha exist\u00eancia. Que por sinal, quanto a mim, \u00e9 a mais bonita.<br>N\u00e3o estaria demais falarmos da sua beleza a partir do 4 Canto do Servo de Isa\u00edas:<br>\u00ab2Ele vegetava na sua presen\u00e7a como um rebento, como raiz em terra seca: N\u00e3o tinha beleza nem formosura que atra\u00edsse os nossos olhares, n\u00e3o tinha apresenta\u00e7\u00e3o para que desej\u00e1ssemos v\u00ea-lo. (\u2026) Mas, se Ele oferece a sua vida como sacrif\u00edcio pelo pecado, certamente ver\u00e1 uma descend\u00eancia, prolongar\u00e1 os seus dias, e por meio dele o des\u00edgnio de Deus h\u00e1-de triunfar. (Is 53,2.10)\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esta a beleza de que falo. A beleza nascida da Cruz. A Cruz foi o sinal que deu autenticidade a toda esta d\u00e9cada. Da\u00ed que nela se encontrem profundos sulcos de dor que \u201c\u00e0 for\u00e7a do Amor\u201d, isto \u00e9, \u201c\u00e0 for\u00e7a de me deixar amar\u201d converteram-se nos mais puros e luminosos raios de luz, espargindo por todo o lado a Gl\u00f3ria de Deus. A beleza da Cruz est\u00e1 precisamente no facto da dor se ter tornado um sacramento vis\u00edvel do Deus invis\u00edvel, uma manifesta\u00e7\u00e3o da Gl\u00f3ria do pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando estava prestes o tempo de se completar esta d\u00e9cada, Deus concedeu-me a gra\u00e7a de a rezar comigo, no Esp\u00edrito, e de me sentir inundada por uma profunda alegria, a de participar \u201cj\u00e1 na Gl\u00f3ria de Deus\u201d. Era uma alegria que \u201cme fazia sair de mim mesma e me transferia para Cristo\u201d. Parecia ser demasiado grande para algu\u00e9m t\u00e3o pequeno como eu, ser \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o da Gl\u00f3ria de Deus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta alegria estava fundada naquelas palavras de S. Paulo: \u00abTenho para mim que os sofrimentos da vida presente n\u00e3o t\u00eam compara\u00e7\u00e3o alguma com a gl\u00f3ria futura que se manifestar\u00e1 em n\u00f3s.\u00bb (Rom8,18) Que bem as entendia! Que \u201cdoces\u201d me sabiam! Que esperan\u00e7a celeste me davam! Se j\u00e1 aqui Deus se pode manifestar t\u00e3o claramente e com tanto gozo, na f\u00e9, n\u00e3o deixando de recompensar com a participa\u00e7\u00e3o na Sua Gl\u00f3ria os nossos pequenos esfor\u00e7os, quanto n\u00e3o ser\u00e1 quando cair o v\u00e9u e virmos o quanto estamos envolvidos pela Gl\u00f3ria da Sua gra\u00e7a, com a qual Ele nos amou em Seu Amado Filho, e o quanto Ele a ter\u00e1 enaltecido em n\u00f3s\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Quando conhecemos o verdadeiro sentido das palavras do Ap\u00f3stolo, n\u00e3o podemos dizer que a vontade de Deus custa, porque ela \u00e9 o \u00fanico meio que temos de participar na Gl\u00f3ria de Deus, \u00e9 o meio mais puro e sublime que Deus tem de se nos revelar, de entrar em di\u00e1logo connosco, de nos fazer participar da Sua vida, manifestando em n\u00f3s a sua Gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o imagina como me sinto feliz de poder dizer com todo o meu ser, todo o meu cora\u00e7\u00e3o e toda a minha alma: \u201cQue toda a minha gl\u00f3ria est\u00e1 na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo\u201d , e quanto me sinto privilegiada de ser ela o sinal mais claro da terceira d\u00e9cada da minha exist\u00eancia\u2026 N\u00e3o me resta outra coisa sen\u00e3o dar gra\u00e7as a Deus pela Sua infinita miseric\u00f3rdia\u2026e continuar a deixar que seja ela o meu caminho para a uni\u00e3o com Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Termino dizendo-lhe que o amor lan\u00e7a fora o temor e tudo o que com ele se relaciona (as dificuldades e os \u201ccustos\u201d). J\u00e1 nada se mede porque o \u201cFazei tudo o que Ele vos disser\u201d converte-se no meio, ao nosso alcance, mais perfeito, para realizarmos as palavras de Jo\u00e3o Baptista: \u00ab\u00c9 preciso que ele cres\u00e7a e eu diminua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe, amo a Deus mas quereria consumir toda a minha vida s\u00f3 em am\u00e1-LO. A Ele nada \u00e9 imposs\u00edvel e a mim faz-me bem deseja-LO, porque olhando para a minha pequenez e para a minha mis\u00e9ria corro a procurar ref\u00fagio na Sua vontade e no Seu Amor. Confio n\u2019Eles e sei que levar\u00e3o a bom termo a obra que em mim come\u00e7aram\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 Sofia da Cruz, Carmelo de Aveiro Vou apenas partilhar consigo algo do que penso acerca dos 2 adjectivos que usou para qualificar aquela que deve ser a atitude fundamental [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4581,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4580"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4582,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4580\/revisions\/4582"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}