{"id":4478,"date":"2025-12-31T02:38:00","date_gmt":"2025-12-31T02:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4478"},"modified":"2025-12-23T09:39:18","modified_gmt":"2025-12-23T09:39:18","slug":"la-cueva-de-san-jvan-de-la-%e2%80%a0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/la-cueva-de-san-jvan-de-la-%e2%80%a0\/","title":{"rendered":"LA CUEVA DE SAN JVAN DE LA \u2020"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">La Cueva, a c\u00e1tedra<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>Chuvoso ia dezembro, e nem a meio, quando passei por Seg\u00f3via, norte da minha b\u00fassola. Passei, n\u00e3o; parei como quem \u00e0 boca duma cova se det\u00e9m diante dos p\u00f3rticos do c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Num pequeno enclave entre o Santu\u00e1rio de Nossa Senhora de la Fuencisla e a Igreja da Vera Cruz h\u00e1, a meia subida das Penhas Gralheiras, uma cova pequenina que me encanta. Bruta e desprovida, usan\u00e7a dava apenas para um homem semi-recostado \u2013 na verdade, hoje j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 \u2013, e \u00e9 talvez isso que mais me seduz. Ainda que n\u00e3o goste do edif\u00edcio que certo bispo mandou ali construir em derredor, a pequenina e isolada cova, sim, atrai-me.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 de saber, leitor, leitora, que este assunto de covas \u00e9 coisa muito antiga e carmelita \u2013 tal como as cruzes, o caminho, o monte, o sol, os rios, as flores.<\/p>\n\n\n\n<p>2. A cova.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde, no Carmelo antigo, expulsando raposas e lacraus, o Profeta Elias, e seus disc\u00edpulos, recostaram os ossos, sen\u00e3o em covas? E se o Profeta em fogo ali viveu por c\u00edclicas e avantajadas temporadas, onde mais, pois, se haveriam de refugiar do calor abrasador e da neblina h\u00famida e fria? Certamente em covas que, volvidos tantos s\u00e9culos, se ter\u00e3o bastamente erodido, embora, espero, n\u00e3o totalmente, que hoje a mim uma r\u00e9stia desses vest\u00edgios bastaria para me aquietar. E quando o mesmo Profeta, peco, subiu ao Horeb, donde escuitou ele a brisa suave sen\u00e3o \u00e0 boca doutra cova? E em que lugar alguma vez lhe brincou a brisa com as grandes barbas e os carac\u00f3is do longo cabelo? E na era medieval, onde mais, sen\u00e3o ali mesmo, desprezando honras, conquistas, condecora\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos, espadas, arcos e bestas, se agasalharam os primeiros monges carmelitas, herdeiros do fogo e da palavra de Elias? Pois, nas covas que o monte ainda oferecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo que no Horeb o n\u00e3o ver de Elias \u2013 estava ele de costas! \u2013 favorecera o toque delicado da brisa suave; e que herdeiro era de Elias, de Eliseu e seus disc\u00edpulos, e dos antigos eremitas do b\u00edblico Carmelo, o que mais haveria de buscar frei Jo\u00e3o da Cruz para ver a Deus? Uma cova, o que \u00e9 muito adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da de Seg\u00f3via, frei Jo\u00e3o teve pelo menos outra de elei\u00e7\u00e3o. Foi em Pastrana.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois das prim\u00edcias de Duruelo, Pastrana \u00e9 o segundo convento da Descalcez frailuna, inaugurado a 13 de julho de 1569. Algo como um ano depois, a fim de organizar o noviciado constitu\u00eddo por um variegado plantel de quinze novi\u00e7os, c\u00e9lere como quem responde a uma emerg\u00eancia, ali acorreu frei Jo\u00e3o da Cruz. A situa\u00e7\u00e3o era desafiadora, mas ele resolveu-a a contento. N\u00e3o existem muitas not\u00edcias, mas uma, permanecendo no cora\u00e7\u00e3o e na boca dos daquela vila ducal, atravessou os nevoeiros da hist\u00f3ria: l\u00e1 pelo meio daquelas terras, n\u00e3o muito mais para al\u00e9m de quinhentos metros do Carmo, plantara Deus a Cova dos Mouros. Fora esta utilizada ao longo dos s\u00e9culos, quer como ref\u00fagio de passantes e bandoleiros, quer como resguardo de rebanhos imensos. Monges e ascetas tamb\u00e9m a habitaram. E a seu tempo, nela tamb\u00e9m se recolheu frei Jo\u00e3o da Cruz. Na verdade, n\u00e3o se trata bem duma cova, mas dum conjunto de galerias com sa\u00eddas v\u00e1rias para o exterior. Algures a meio, numa esp\u00e9cie de encruzilhada, talharam uma abertura de uns cinco metros de altura, por onde se v\u00ea o c\u00e9u! Que m\u00e3o a rasgou n\u00e3o se sabe, j\u00e1 sim, reconhece-se nas paredes, uma s\u00e9rie de sinais que n\u00e3o correspondem a nenhum tipo de escrita conhecida. Era por entre estranhas palavras escritas na escura parede e, por esta nesga de luz rasgada no negro ventre da terra, que frei Jo\u00e3o mais gostava de mirar o c\u00e9u!<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem que aprecie contemplar o c\u00e9u faz bem em recluir-se numa cova; se \u00e9 certo que diminui o horizonte, tamb\u00e9m \u00e9 certo que por mais m\u00ednimo tra\u00e7o que mire, por demais o valoriza.<\/p>\n\n\n\n<p>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Frei Jo\u00e3o da Cruz residiu em Seg\u00f3via desde o fim do ver\u00e3o de 1588 at\u00e9 ao ver\u00e3o de 1591. Neste per\u00edodo comprou parcelas v\u00e1rias de terra, terr\u00edculas e penhascos por forma a ampliar o pequeno aido conventual (e evitar vizinhan\u00e7as indisciplinadas e indiscretas). Ah, e encheu de farta terra negra os baixios das penhas, para que dessem bom cultivo e sustentassem os frades que o Cap\u00edtulo lhe entregara, os conselheiros da Consulta, os estudantes e novi\u00e7os que se achegavam. Em meio \u00e0s parcelas compradas est\u00e1 uma pedreira, donde ele e seus frades rasgar\u00e3o, medir\u00e3o e afei\u00e7oar\u00e3o pedra para a igreja e o convento que ele riscou no ch\u00e3o, cujas funda\u00e7\u00f5es lan\u00e7ou e depois ergueu, mais como pedreiro que como m\u00edstico, tal como, ali\u00e1s, ainda hoje se veem. E houve ainda de cercar as leiras e leiranchos, o convento, o quintal, a pedreira e os penhascos de vigorosa cerca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 sua sa\u00edda de Seg\u00f3via \u2013 uns quatro ou cinco meses antes de morrer\u2026 \u2013 a igreja ficou erguida at\u00e9 \u00e0s cornijas (a capela onde ora repousa o seu corpo s\u00f3 seria constru\u00edda posteriormente\u2026); o claustro erguia-se acima das arcadas; e deixou os frades acomodados nas celas da ala que d\u00e1 para o alc\u00e1cer \u2013 empreitada assaz not\u00e1vel, diga-se, para apenas dois anos de trabalho, quando, para mais, teve de demorar-se em viagens, ocupar-se das tarefas da presid\u00eancia da Consulta que geria a Prov\u00edncia, al\u00e9m das do convento, do cuidado das descal\u00e7as, de tanto mais&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi aquela uma empreita feliz, lavrada desde a raiz, desde o risco no ch\u00e3o e do rasgar do ventre da terra, com poemas e com picos e martelos, at\u00e9 a perpendicularizar e subir o bastante as paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Durante aquele per\u00edodo, frei Jo\u00e3o da Cruz foi um verdadeiro oper\u00e1rio e pai de oper\u00e1rios, artes\u00e3o tanto da cal e da pedra como da palavra e do sil\u00eancio. No confession\u00e1rio, no p\u00falpito, por carta, nos seus escritos espirituais, na ermida alta, nos neg\u00f3cios de compra de terras. Por dois anos, a esse homem de fogo, os frades o viram descal\u00e7o como um pe\u00e3o, descal\u00e7o entre os caboucos, descal\u00e7o na pedreira, descal\u00e7o nos andaimes, descal\u00e7o na neve, descal\u00e7o rezando, ora carregando pedra, ora argamassa, ora ferragens e madeiras, animando uns, cuidando outros, e preocupando-se pela sa\u00fade de todos os oper\u00e1rios, frades ou n\u00e3o, cuidando que a ningu\u00e9m algo faltasse. Nem o \u00e2nimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nevasse que n\u00e3o nevasse, alegre e af\u00e1vel, frei Jo\u00e3o andava sempre descal\u00e7o, h\u00e1bito arrega\u00e7ado e a alva cabe\u00e7a descoberta, e se mais nevando mais parecia que ardia, pegando fogo a todos. Que obra! Que homem!<\/p>\n\n\n\n<p>Consta que a sua cela era a mais pequena e a mais vazia de livros, n\u00e3o havendo nela mais que uma grande cruz de madeira, uma estampa da Virgem na parede, um catre nu. Uma t\u00e1bua presa por ganchos \u00e0 parede fazia de mesa, com uma b\u00edblia. E havia um pombo que fizera morada no cabe\u00e7o da sua porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Oper\u00e1rios contratados e frades da casa trabalharam lado a lado, valendo um destes sete daqueles! Uns e outros viram-no trabalhador e homem de sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o eles que o dizem e no-lo fazem constar: naquele lugar onde a penha verdadeiramente se encarpa e faz dif\u00edcil, existe, em certo recanto, uma cova. Dizem que a certas horas do dia a\u00ed subia frei Jo\u00e3o para nela rezar, mas que, sobretudo, ali rezava durante a noite! Ningu\u00e9m sabe quantas horas ficava acordado a rezar, a contemplar, a dormir, n\u00e3o; o certo \u00e9 que em certas linhas se l\u00ea que <em>\u00abele ali viveu durante a constru\u00e7\u00e3o do convento\u00bb<\/em>; de facto, n\u00e3o parece acertado que ali vivesse e dormisse \u2013 que outras not\u00edcias h\u00e1 da sua pequena cela junto ao coro \u2013, j\u00e1, por\u00e9m, relevo que do tanto que ali permanecia a rezar, <em>parecesse<\/em>&nbsp;que ali vivia.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois que comprou aqueles bravios monturos e penhas, o primeiro que fez foi abrir caminhos. E visto que hoje parecem veredas de arquitecto, c\u00e1 para mim, por\u00e9m, foram seus p\u00e9s descal\u00e7os que afei\u00e7oaram e aplanaram aquela terra quase virgem e amaciaram aquelas calc\u00e1rias pedras, por onde hoje t\u00e3o agrad\u00e1vel \u00e9 passear e subir.<\/p>\n\n\n\n<p>De cada vez que ali vou \u2013 de dez em dez anos, talvez \u2013, cuido v\u00ea-lo lento subindo por entre cedros altos, l\u00edrios e pedrelhuscos. E no ch\u00e3o da pequena cova, um pouco ao lado, as sand\u00e1lias cambadas e desgastadas.<\/p>\n\n\n\n<p>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o posso duvidar das muitas horas de vig\u00edlia que ali tenha frei Jo\u00e3o passado naquele alcantil sobre o abismo, at\u00e9 porque se tirarmos as paredes do actual ermit\u00e9rio a paisagem \u00e9 soberba. Em baixo corre sereno o Eresma, e \u00e0 volta, l\u00e1 pelas arriscadas cumeadas, gravitam negras gralhas que, ao contr\u00e1rio dos frades, nunca dali foram nem enxotadas nem caladas. Desse covachozinho, rasgado ao que parece, logo n\u00e3o natural, viu ele, e veem-se ainda, n\u00e3o de todo ao perto, mas ao longe, searas loiras, serras, montes, caminhos e cumeadas quase sempre nevadas; e ao de cerca, uma cidade com seu nobre alc\u00e1cer. Sabe, leitor, leitora, que dali se via claramente visto o mundo e o universo, pois que o covacho n\u00e3o tem profundidade alguma, antes se oferece como doce recosto; e se por cima \u00e9 verdade que cobria quem ali se recostasse, n\u00e3o o cumpria para defesa de bichos ou dem\u00f3nios, mas como quem fazia descer a capucha sobre a testa sem vedar o olhar. Quero por igual pensar ou sonhar, que foi o Santo quem propositadamente rasgou essa covinha sobre o abismo. Quero pensar ou sonhar que o fez para mansamente se abismar diante da beleza que o Criador ali prodigalizava, quer no estrelado c\u00e9u que a cobria, quer no sol que aquece e brune as pedras, os caminhos e as searas, quer nos nevoeiros densos e nas generosas fontes de cerrados nevoeiros e de chuva rala mas intensa. Sim, quero pensar, e creio n\u00e3o errar, no que ningu\u00e9m jamais viu ou cuidou: que indo alta e recostada a noite, o Santo ali deixava o corpo e, sem que ningu\u00e9m jamais o visse ou testemunhasse, como conv\u00e9m, a meiga alma dali era raptada pelos doces la\u00e7os do Amado! Sim, quero eu pensar que tudo isso se dava e se deu por meses a fio, que eu, quando por l\u00e1 vou, e por l\u00e1 paro, ainda \u00e9 isso que oi\u00e7o dizer \u00e0 brisa suave que por l\u00e1 brinca com os chami\u00e7os, as margaridas, as ervinhas e os l\u00edrios do ch\u00e3o. Sim, \u00e9 isso, ou como se haveria de entender que frei Jo\u00e3o se arroubava naquela desnuda covachuela? Se para ali n\u00e3o ia dormir, que n\u00e3o ia, como se haver\u00e1 de entender a declara\u00e7\u00e3o dos que dizem que regressava ao convento t\u00e3o endeusado, e com o rosto t\u00e3o formoso e aceso, que parecia deitar chamas e reverberar resplendores, qual Mois\u00e9s em p\u00f3s a comunica\u00e7\u00e3o com Deus?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, sim, sendo frei Jo\u00e3o mais alma e esp\u00edrito que o achicado corpo, t\u00e3o pronto quanto poss\u00edvel talhara ele aquela covazinha; n\u00e3o profunda, quase s\u00f3 raspada no arenito. N\u00e3o para se ocultar, antes para ver. Para mirar o entorno cheio de belas not\u00edcias da formosura de Deus! Ah, benditos frades carmelitas descal\u00e7os, bendito frei Alberto da M\u00e3e de Deus, benditos Alonso de Jesus, Lucas de S\u00e3o Jos\u00e9, Barnab\u00e9 de Jesus, Jo\u00e3o Evangelista, Pablo de Santa Maria, Ant\u00f3nio do Esp\u00edrito Santo, natural de Lisboa, Inoc\u00eancio de Santo Andr\u00e9, Luis, Pedro, Ant\u00f3nio, Francisco, Alberto\u2026 ah, benditos frades; benditos disc\u00edpulos seus \u2013 Miguel de Angulo e Antonio de Alem\u00e1n \u2013 que no terreiro da ermida mais alta lhe escuitastes os seus versos, porque dorm\u00edeis quando vosso pai arroubado voava? Porque \u00e9 que v\u00f3s, c\u00f3negos da formosa s\u00e9 de Seg\u00f3via, porque \u00e9 que v\u00f3s, do\u00f1a Ana de Mercado e vosso irm\u00e3o don Lu\u00eds, presb\u00edtero, e porque \u00e9 que v\u00f3s Jer\u00f3nimo Carri\u00f3n e Francisca de Velasco, sempre recost\u00e1veis a cabe\u00e7a de olhos ocultos e cerrados, quando um farol iluminava as cercas e os longes de Seg\u00f3via, para l\u00e1 de \u00c1vila, para l\u00e1 de Salamanca, para l\u00e1 de Ciudad Rodrigo, para l\u00e1 da raia, para l\u00e1 de muito longe, at\u00e9 ao mar? Porqu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>Porque dormistes, amigos? Porque dorm\u00edeis, disc\u00edpulos? Porque t\u00e3o ba\u00e7o vimos ainda hoje que, parece, seguimos dormindo?<\/p>\n\n\n\n<p>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do\u00f1a Ana e seu irm\u00e3o don Lu\u00eds foram quem maiormente financiaram a constru\u00e7\u00e3o daquele convento e igreja. Diz-se que quando o mestre frei Jo\u00e3o da Cruz os visitava em sua casa, sempre lhes dava um desgosto porque, ou se sentava no ch\u00e3o, como um disc\u00edpulo, a ouvi-los e a falar-lhes, ou no assento mais baixo e humilde. Por\u00e9m, eu n\u00e3o duvido dos raptos daquela covachuela. Ningu\u00e9m os viu, \u00e9 certo; ningu\u00e9m jamais os filmou. E l\u00e1 falar ela n\u00e3o fala, a menos que algu\u00e9m aprenda o linguajar das covas e covachos. Por isso mesmo, eu n\u00e3o os valorizo tanto assim, entendam. J\u00e1 sim, tenho muito e muito apre\u00e7o pelo sepulcro que lhe deram dois anos depois da morte. N\u00e3o aquele t\u00e3o alto e aformoseado, que tem um s\u00e9culo ou coisa que o valha, mas aqueloutra sepultura escura e negra caixa, baixa e an\u00f3nima, em que delicadamente o depositaram r\u00e9s ao ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A cova, sempre a cova \u2013 a cova at\u00e9 ao fim. Uma cova <em>post mortem<\/em>, sempre uma cova obscura como o mist\u00e9rio, uma cova falando mais que a boca dum s\u00e1bio. A cova, uma cova na terra, uma cova onde \u00aby<em>o no supe d\u00f3nde estaba, \/ pero, cuando all\u00ed me vi, \/ sin saber d\u00f3nde me estaba, \/ grandes cosas entend\u00ed; \/ no dir\u00e9 lo que sent\u00ed, \/ que me qued\u00e9 no sabiendo, \/ toda ciencia trascendiendo\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma cova onde <em>\u00abgrandes coisas entendi\u00bb e<\/em> onde \u00ab<em>me qued\u00e9 no sabiendo<\/em>\u00bb. E se ele n\u00e3o sabe\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o sabe. Mas Santa Teresa sabe, e bem, porque viu e testemunhou que em Duruelo, raiz e princ\u00edpios da nossa Descalcez, frei Jo\u00e3o fundou um conventinho t\u00e3o pequenino e desenculatrado que pedia me\u00e7as \u00e0 gruta de Bel\u00e9m, digo, que de t\u00e3o pobre, n\u00e3o dava menos devo\u00e7\u00e3o que esta.<\/p>\n\n\n\n<p>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Talvez ele n\u00e3o saiba, n\u00e3o, mas ela sabe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La Cueva, a c\u00e1tedra Frei Jo\u00e3o Costa, OCD 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Chuvoso ia dezembro, e nem a meio, quando passei por Seg\u00f3via, norte da minha b\u00fassola. Passei, n\u00e3o; parei como quem \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4451,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4478","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4478"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4478\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4479,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4478\/revisions\/4479"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}