{"id":4474,"date":"2025-12-31T02:36:00","date_gmt":"2025-12-31T02:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4474"},"modified":"2025-12-23T09:36:45","modified_gmt":"2025-12-23T09:36:45","slug":"deixe-que-ele-lhe-lave-os-pes-se-eu-nao-te-lavar-nao-teras-parte-comigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/deixe-que-ele-lhe-lave-os-pes-se-eu-nao-te-lavar-nao-teras-parte-comigo\/","title":{"rendered":"\u201cDeixe que Ele lhe lave os p\u00e9s\u201d \u2013 \u201cSe eu n\u00e3o te lavar, n\u00e3o ter\u00e1s parte comigo\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Irm\u00e3 Sofia da Cruz, Carmelo de Aveiro<br><\/p>\n\n\n\n<p>Meu irm\u00e3o<br>O nosso orgulho far-nos-\u00e1 dizer como Pedro: \u201cSenhor, tu, lavar-me os p\u00e9s?! (\u2026) Jamais me lavar\u00e1s os p\u00e9s!\u201d. (Jo 13,6-9) Mas ao v\u00ea-lo com os olhos da alma, pela f\u00e9, ajoelhado diante de n\u00f3s, com o seu olhar repleto de ternura, com aquela luz que penetra at\u00e9 ao fundo da nossa alma e faz com que Ele nos comungue na totalidade do nosso ser, n\u00e3o podemos sen\u00e3o deixar que Ele exer\u00e7a o Seu minist\u00e9rio Sacerdotal sobre o nosso ser.<br>Esta \u00e9 a atitude de alma que lhe pe\u00e7o que tenha ao escutar o que o Esp\u00edrito lhe disser atrav\u00e9s desta partilha fraterna. Nada do que aqui est\u00e1 importa, apenas que se recolha e O veja diante de si com a toalha presa \u00e0 cintura e a bacia da \u00e1gua. Deixe-se estar assim at\u00e9 que Ele Lhe diga algo, ou at\u00e9 que no seu cora\u00e7\u00e3o surja algo para Lhe dizer.<br>Ele que \u00e9 \u201cMinistro do Amor\u201d sabe que o Seu minist\u00e9rio Lhe foi confiado pelo Pai Eterno, e, que tendo vindo do Pai ao Pai volta, mas n\u00e3o sem antes comer a Sua P\u00e1scoa connosco, n\u00e3o sem antes nos levar consigo, n\u00e3o sem antes nos fazer participar na Sua gl\u00f3ria, n\u00e3o sem antes nos fazer comungar da Sua vida. \u00c9 de uma beleza \u201cindescrit\u00edvel\u201d porque Ele comunga o nosso ser fazendo-nos comungar de Si pr\u00f3prio. A beleza da plena unidade que O caracteriza em tudo porque reflexo da Trindade, do Verbo Encarnado. Um mesmo amor, um mesmo acto consacrat\u00f3rio e a plenitude da humanidade assume a plenitude da Divindade porque a plenitude da Divindade assume a plenitude da humanidade.<br>\u00c9 a for\u00e7a do Esp\u00edrito, que do \u201cFa\u00e7a-se\u201d da Virgem Sacerdotal se converteu num novo aniquilamento: \u201cSe eu n\u00e3o te lavar, n\u00e3o ter\u00e1s parte comigo\u201d; ou numa nova comunh\u00e3o divina: \u201cAssim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, tamb\u00e9m aquele que come a minha carne viver\u00e1 por mim.\u201d (Jo 6,57) Na for\u00e7a do Seu Esp\u00edrito, Ele \u00e9 em n\u00f3s mais do que n\u00f3s mesmos, Ele \u00e9 em n\u00f3s a nossa verdade, a nossa vida, o nosso caminho. N\u00e3o como algo que se nos apresenta desde fora, justaposto ao nosso ser e que temos que imitar, de percorrer e seguir, mas como seiva que nos percorre interiormente. Como vida sobrenatural que se desvela \u00e0 natural, como gra\u00e7a produzida pelo pr\u00f3prio acto de Jesus nos \u201ccon-sagrar\u201d no Seu Ser Sagrado ao lavar-nos os p\u00e9s.<br>Ao lavar-nos os p\u00e9s \u2013 \u201cDeus transferiu-nos para o Reino de Seu Amado Filho\u201d (Col 1,13) \u2013 e deu actualidade, em n\u00f3s, \u00e0 plenitude da manifesta\u00e7\u00e3o de amor que fez aos seus disc\u00edpulos. Sim a for\u00e7a do memorial apodera-se das nossas almas e faz-nos ouvir no mais profundo do nosso ser aquela Verdade que se faz nossa: \u201cEu sou a videira e v\u00f3s os Ramos. Aquele que permanece em mim e Eu nele produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.\u201d (Jo 15,5)<br>Esta verdade faz-se nossa n\u00e3o pela for\u00e7a da medita\u00e7\u00e3o, mas pela vontade de Deus que a revela em n\u00f3s como realidade que nos desvela o nosso pr\u00f3prio ser, que nos faz encontrar connosco e que exerce em n\u00f3s um efeito pacificador, ao aproximar-nos da plenitude da rela\u00e7\u00e3o com o Deus Amor e introduzir-nos na rela\u00e7\u00e3o de Jesus com o Pai, atrav\u00e9s rela\u00e7\u00e3o que Jesus estabelece connosco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAssim como o Pai me amou tamb\u00e9m eu vos amei. Permanecei no meu amor.\u201d<br>(Jo 15,9)<\/p>\n\n\n\n<p>Sentimo-nos corpo de Cristo, experimentamo-nos corpo de Cristo, pelo amor que nos invade e que em n\u00f3s circula como for\u00e7a vital, que nos impele para permanecermos em Deus, ao mesmo tempo, que nos revela que a nossa perman\u00eancia \u00e9 a de filhos no Filho, porque o amor com que somos amados \u00e9 o do Pai pelo Filho. Somos corpo de Cristo porque Ele fez-se nosso corpo: \u201cN\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos destinei para dardes muito fruto (\u2026)\u201d (Jo 15,16)<br>Ele escolheu-nos e entrega-nos o Seu mesmo \u201cser\u201d, n\u00e3o como algo fora d\u2019Ele, n\u00e3o como algo fora de n\u00f3s, mas como algo que \u00e9 \u201cintimidade\u201d, como algo que \u00e9 o \u201centrar dentro\u201d, o entrar dentro de n\u00f3s, o \u201centrar dentro d\u2019Ele\u201d, o \u201cinterpenetrar-mo-nos\u201d mutuamente. O comungarmos do elemento \u00edntimo do Deus Trindade, a \u201cinhabita\u00e7\u00e3o\u201d, que em n\u00f3s se expressa como \u201cinterpenetra\u00e7\u00e3o\u201d que gera unidade.<br>A loucura do amor d\u2019Ele por n\u00f3s vai at\u00e9 ao abaixamento supremo do pr\u00f3prio Deus em Cristo Jesus ao revelar-nos e ao fazer-nos \u201cparticipar\u201d\/\u201dcomungar\u201d da pr\u00f3pria intimidade divina das Tr\u00eas Pessoas.<br>Comungando de Deus comungamos dos irm\u00e3os \u2013 da mesma forma que as Pessoas divinas se \u201cinhabitam\u201d, se comungam mutuamente como express\u00e3o da sua perfeita unidade, \u201cpenetramos\u201d dentro dos outros, conhecemo-los em Deus e \u201cpossu\u00edmo-los (como membros dum mesmo corpo)\/comungamo-los\u201d na luz de Deus, numa nova realidade que manifesta o Acto Criador do Pai, em suprema Bondade, porque a comunh\u00e3o com os membros do corpo de Cristo estabelece-se na bondade de cada um como marca do acto Criador de Deus. \u201cE Deus viu que era bom.\u201d (Gen 1,25) Esta Bondade do Eterno Pai, manifesta-se em Cristo \u201cAlfa e Omega\u201d que faz novas todas as coisas, o \u201cUnig\u00e9nito e o Primog\u00e9nito\u201d de muitos irm\u00e3os. E o \u201cUnig\u00e9nito e Primog\u00e9nito\u201d do Pai expressa-se no acto \u201ccon-sacrat\u00f3rio\u201d que \u00e9 comunh\u00e3o pelo Esp\u00edrito no esp\u00edrito, que faz de n\u00f3s verdadeiramente corpo de Cristo.<br>Sim, somos corpo de Cristo porque Ele \u00e9 a videira e n\u00f3s os ramos e o Pai \u00e9 o agricultor. (Jo 15,1) Sim, somos corpo de Cristo na \u201ccomum uni\u00e3o de almas\u201d, na comunh\u00e3o espiritual do irm\u00e3o, na comunh\u00e3o em Deus dos membros deste corpo. N\u00e3o numa realidade desencarnada mas na plenitude da Encarna\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 o Emanuel, e porque \u00e9 um Deus connosco, \u00e9 um Deus por n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s, o que significa que a \u201ctodos os que O receberam Ele deu o poder de se tornarem filhos de Deus\u201d e de nos irmanarmos em Deus mesmo e de possuirmos em n\u00f3s, na For\u00e7a do Esp\u00edrito, um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma, \u00e0 semelhan\u00e7a do pr\u00f3prio Deus: um \u00fanico amor, uma \u00fanica vontade, um \u00fanico poder.<br>Se em Deus a \u201cinhabita\u00e7\u00e3o\u201d mutua das Pessoas Divinas manifesta a igualdade radical que existe entre elas, a comunh\u00e3o perfeita que manifesta a distin\u00e7\u00e3o mais do que a diferen\u00e7a, em n\u00f3s a \u201cinterpenetra\u00e7\u00e3o\u201d do irm\u00e3o, \u201cno Verbo\u201d, \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o da nossa igualdade n\u2019Ele e simultaneamente da nossa distin\u00e7\u00e3o uns dos outros. Distin\u00e7\u00e3o que manifesta a unicidade e irrepetibilidade da pr\u00f3pria ac\u00e7\u00e3o de Deus, a pr\u00f3pria gl\u00f3ria de Deus ao ciar-nos \u00fanicos e irrepet\u00edveis mas semelhantes a Ele.<br>O sermos corpo de Cristo exige de n\u00f3s a mesma unidade e distin\u00e7\u00e3o de Deus, no sentido da afirma\u00e7\u00e3o de Cristo Jesus: \u201cQue todos sejam um. Como Tu, Pai, em mim e eu em ti, que eles sejam um em n\u00f3s\u2026\u201d (Jo 17, 21). Tal como a inhabita\u00e7\u00e3o rec\u00edproca expressa e realiza plenamente a unidade das pessoas, na sua distin\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a do Verbo em n\u00f3s, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a \u201cinterpenetra\u00e7\u00e3o\u201d, para a comunh\u00e3o no esp\u00edrito dos irm\u00e3os, manifesta a plenitude da uni\u00e3o na distin\u00e7\u00e3o. A plenitude da nossa \u201ccomum unidade\u201d manifesta-se em sermos corpo de Cristo, em Cristo, por Cristo e com Cristo.<br>A pr\u00f3pria glorifica\u00e7\u00e3o de Cristo est\u00e1 em sermos corpo de Cristo. Porque O reconhecemos e acolhemos como enviado do Pai e deixamos-nos reconhecer e acolher por Ele, pois fomos-Lhe dados pelo Pai e somos do Pai. (Jo 17, 9-10) Como todas as coisas de Jesus s\u00e3o do Pai e as do Pai de Jesus \u00e9 no seu corpo que a Sua gl\u00f3ria se manifesta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue todos sejam um. Como Tu Pai, em mim e eu em ti, que eles sejam um em n\u00f3s, para que o mundo creia que Tu, me enviaste. Eu dei-lhes a gl\u00f3ria que tu me deste, para que sejam um como n\u00f3s somos um.\u201d<br>(Jo 17, 21-22)<\/p>\n\n\n\n<p>A Gl\u00f3ria \u00e9 o Esp\u00edrito da verdade na realiza\u00e7\u00e3o do \u201cacto consacrat\u00f3rio\u201d, pela comunica\u00e7\u00e3o ao nosso esp\u00edrito do que escuta de Jesus e pela for\u00e7a com que nos impele \u00e0 comunh\u00e3o divina, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na vida do pr\u00f3prio Deus. O sentido pleno do nosso ser \u00e9 sermos \u201ccorpo de Cristo\u201d.<br>Quanto mais nos aproximamos de Deus mais contemplamos a sua \u201cunidade amorosa\u201d em abaixamento \u00e0 nossa fr\u00e1gil e d\u00e9bil humanidade. Mais nos convertemos em testemunhas vivas de que o Crucificado-Ressuscitado toca a nossa humanidade com a sua Humanidade Gloriosa e comunga-a com a Divindade do seu ser.<br>Ser corpo de Cristo \u00e9 primeiramente trazer em \u201cn\u00f3s as marcas de Jesus\u201d (Gal 6,17), n\u00e3o apenas como sinal de que entregamos o nosso corpo por Ele, mas como oferta do nosso corpo para \u201cmemorial da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo\u201d, para O tornar presente como \u201cnovas criaturas\u201d (Gal 6,15), como antecipa\u00e7\u00e3o da eternidade.<br>\u201cQuanto a mim, n\u00e3o aconte\u00e7a sen\u00e3o gloriar-me na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo est\u00e1 crucificado para mim e eu para o mundo. De resto, nem a circuncis\u00e3o \u00e9 alguma coisa, nem a incircuncis\u00e3o, mas a nova criatura. (\u2026) Eu trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.\u201d Gal 6<br>S\u00e3o estas marcas que fazem de n\u00f3s participantes da nova cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOferecei os vossos corpos como h\u00f3stia viva, santa e agrad\u00e1vel a Deus.\u201d<br>(Rm 12,1)<\/p>\n\n\n\n<p>A nova cria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u201cCria\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica\u201d em que se celebra a Encarna\u00e7\u00e3o, a Paix\u00e3o, a Ressurrei\u00e7\u00e3o e o Pentecostes num \u201c\u00fanico Acto\u201d \u2013 o Ser de Deus, Deus mesmo. E simultaneamente \u00e9 a plenitude da realiza\u00e7\u00e3o das palavras de Jesus: \u201cEis que fa\u00e7o novas todas as coisas\u201d. E f\u00e1-las seguindo o movimento doxol\u00f3gico no qual a nova cria\u00e7\u00e3o \u00e9 P\u00e1scoa, P\u00e1scoa de Cristo ao Pai, p\u00e1scoa de n\u00f3s a Cristo. P\u00e1scoa \u2013 \u201cCon \u2013 sagra\u00e7\u00e3o\u201d do nosso corpo como h\u00f3stia viva, santa e agrad\u00e1vel a Deus, \u201cpor Cristo, com Cristo e em Cristo, ao Pai no Esp\u00edrito\u201d que nos converte em corpo de Cristo.<br>\u00abNa nova cria\u00e7\u00e3o a realidade n\u00e3o \u00e9 outra que o \u201cCorpo de Cristo\u201d. Por Ele realiza-se o crescimento em Deus.\u00bb (Col 2,17. 19).<br>O crescimento em Deus \u00e9 a seiva da videira, da qual o Pai \u00e9 o Agricultor e n\u00f3s os ramos, a vivificar a nossa vida, \u00e9 a \u00e1gua viva do Esp\u00edrito a animar o corpo de Cristo que somos, \u00e9 a nossa \u201cvida escondida com Cristo em Deus\u201d a \u201cencarnar\u201d em n\u00f3s, consagrando-nos em corpo de Cristo.<br>Mas na realidade nunca saberemos ser corpo de Cristo sen\u00e3o por des\u00edgnio Daquele que enviou o Seu Filho ao mundo para que vivamos n\u2019Ele. Ser corpo de Cristo conduz-nos \u00e0 mesma experi\u00eancia de alegria interior de Jesus: \u201cEu te bendigo, \u00f3 Pai, porque escondestes estas coisas aos s\u00e1bios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi dado por meu Pai. E ningu\u00e9m conhece o Filho sen\u00e3o o Pai e ningu\u00e9m conhece o Pai sen\u00e3o o Filho e aqueles a quem Ele O quiser revelar.\u201d (Lc11)<br>Se ningu\u00e9m conhece o Filho a n\u00e3o ser o Pai, ningu\u00e9m conhece o corpo do Filho sen\u00e3o o Pai. O crescimento em Deus \u00e9, assim, movimento de amorosa cria\u00e7\u00e3o que o Pai Eterno ao criar tudo no Verbo infundiu em todas as coisas, na for\u00e7a do Esp\u00edrito que as anima e impele para o fim que \u00e9 Cristo, para o fim que \u00e9 a Vida Eterna.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o quisestes obla\u00e7\u00f5es nem holocaustos, mas deste-me um corpo. Ent\u00e3o eu disse: Eis que venho, \u00f3 Pai, para fazer a tua vontade.\u201d (Heb 10,5-9)<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua humanidade, Ele tocou a humanidade de cada um de n\u00f3s com as suas feridas, ao assumir um corpo semelhante ao nosso. E s\u00f3 com o toque d\u2019Ele fez-nos participar da sua vida divina curando as nossas feridas, tornando-as manifesta\u00e7\u00e3o da miseric\u00f3rdia de Deus. Tal como Ele ressuscitou com as chagas, como sinal da plenitude do Seu amor por n\u00f3s, tamb\u00e9m n\u00f3s possu\u00edmos no nosso corpo as marcas das feridas como sinal da abund\u00e2ncia da miseric\u00f3rdia que Deus derrama sobre n\u00f3s e da radicalidade da Sua entrega por n\u00f3s. Estas marcas deixam de ser apenas marcas das nossas feridas para passarem a ser marcas da presen\u00e7a e da ac\u00e7\u00e3o do Ressuscitado nas nossas vidas,<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDigo-Vos isto para que a minha alegria esteja em V\u00f3s\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O sacerdote est\u00e1 chamado a viver em plenitude esta rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria para possuir a gra\u00e7a e o dom de penetrar na alma daqueles que lhe s\u00e3o confiados, de conhecer dentro, e isto \u00e9 sempre abaixamento. E pode faz\u00ea-lo desde a \u00edntima comunh\u00e3o com Cristo, sentindo-se ele mesmo corpo de Cristo e manifestando a Bondade do Pai, que na For\u00e7a do Esp\u00edrito \u00e9 recria\u00e7\u00e3o do Filho em cada Pessoa.<br>Quando na luz do Verbo, o sacerdote, l\u00ea a vida dos que lhe s\u00e3o confiados d\u00e1-se a comunh\u00e3o duma mesma LUZ, duma mesma Palavra Criadora \u2013 o Verbo. Assiste-se ao encontro duma mesma Alegria \u2013 alegria de possuir em si o Verbo Eterno, que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a alegria de ser filho no Filho, alegria de ser corpo de Cristo. Alegria do pr\u00f3prio Jesus que \u00e9 express\u00e3o da comunh\u00e3o de vida divina dos Tr\u00eas. \u201cQue a minha alegria esteja em v\u00f3s e a vossa alegria esteja completa.\u201d (Jo 15, 11).<br>A for\u00e7a, a luz, e a efic\u00e1cia que o Esp\u00edrito imprime \u00e0 Palavra de Deus e a abertura vivencial do sacerdote \u00e0 comunh\u00e3o com o Verbo Eterno, pela f\u00e9, no di\u00e1logo \u00edntimo com Deus que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, fazem-no \u201cpenetrar\/comungar no\/do\u201d interior de cada pessoa e fazer crescer o Verbo do Pai Eterno que se encontra em pot\u00eancia. Aqui o sacerdote \u00e9 outra Maria. Maria, a Virgem sacerdotal, cuidou do Filho de Deus para que Ele crescesse em estatura, em sabedoria e em gra\u00e7a e esta \u00e9 a miss\u00e3o suprema do sacerdote fazer com que cada filho de Deus cres\u00e7a nestas tr\u00eas rela\u00e7\u00f5es amorosas com o Deus Pai Criador, com Esp\u00edrito de Verdade e de Sabedoria que procede da comum uni\u00e3o do Pai e do Filho e com o Verbo a Palavra Eterna que produz na alma a Gra\u00e7a do \u201cmais belo dos filhos dos homens\u201d. (Sal 44).<br>Deixe que Ele lhe lave os p\u00e9s e lhe revele a beleza do minist\u00e9rio sacerdotal que lhe confia. Dou gra\u00e7as a Deus pelo grande amor com que o nosso Eterno Sacerdote o ama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 Sofia da Cruz, Carmelo de Aveiro Meu irm\u00e3oO nosso orgulho far-nos-\u00e1 dizer como Pedro: \u201cSenhor, tu, lavar-me os p\u00e9s?! (\u2026) Jamais me lavar\u00e1s os p\u00e9s!\u201d. 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