{"id":4406,"date":"2025-11-30T01:13:00","date_gmt":"2025-11-30T01:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4406"},"modified":"2025-11-27T14:50:21","modified_gmt":"2025-11-27T14:50:21","slug":"os-caminhos-que-o-levaram-ao-mar-donde-anteviu-o-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/os-caminhos-que-o-levaram-ao-mar-donde-anteviu-o-ceu\/","title":{"rendered":"Os caminhos que o levaram ao mar, donde anteviu o c\u00e9u"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>H\u00e1 pouco mais de quatro s\u00e9culos, como suave cometa, uma ardente l\u00edngua de fogo e de b\u00ean\u00e7\u00e3o divina, cantando, ligeiro palmilhou, os nossos caminhos. E continua percorrendo-os, hoje, n\u00e3o j\u00e1 ele em seu m\u00ednimo corpo, mas ele todo em nossos cora\u00e7\u00f5es viadores. Sim, alegra-me muito saber que um m\u00edstico ignescente e luminoso, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, chama de rara estirpe e grave estaleca, atravessou outrora Portugal de cabo a rabo. Caminhando, peregrinando, no cora\u00e7\u00e3o cozia da mais bela e acendrada poesia de Deus e das mais altas e nobres paternas palavras. Agrad\u00e1vel me \u00e9 muito saber que os caminhos e larguezas onde duzentos anos antes D. Nuno \u00c1lvares Pereira erguera sua espada, e primeiramente exercitara seus lanceiros para defender Portugal, esses mesmos, fossem depois ungidos pelos hinos apaixonados e mansos p\u00e9s descal\u00e7os desse castelhano t\u00e3o m\u00ednimo maior que d\u00e1 pelo nome de San Jvan de la Cruz, esse universal pai das almas.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa viagem s\u00f3, ora a p\u00e9, ora na garupa dum humilde parente do de Bel\u00e9m, palmilhou ele mais de setecentos quil\u00f3metros \u2013 aqueles tantos que v\u00eam da andaluza Granada, onde era prior de Los M\u00e1rtires, para a pac\u00edfica Lisboa, onde, longe dos inquisidores ouvidos de Madrid, a Descalcez se reuniria em Cap\u00edtulo Provincial.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa inteira viagem me cabe um lamento s\u00f3: que daquela ou doutra que a completasse, n\u00e3o tenha ele descido Portugal de cima a baixo como quem, percorrendo trilhos e carreiros, nos tra\u00e7asse uma cruz sobre o cora\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 que o n\u00e3o fez, esta nos bastar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim se uniram numa s\u00f3 viagem as duas \u00fanicas na\u00e7\u00f5es que os p\u00e9s do andarilho frade descal\u00e7o ungiram: a sua e a nossa, que tamb\u00e9m \u00e9 sua.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados eram quatro anos em que os Descal\u00e7os desaguado haviam em Lisboa, quando ele os atravessou de l\u00e9s a l\u00e9s at\u00e9 ao Carmo de S\u00e3o Filipe, esparzindo un\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o por nossas inteiras veredas e barrancos. E se em p\u00f3s tanta constru\u00e7\u00e3o lacerante e tanta asneira dilacerante, ainda hoje nos \u00e9 permitido dizer que Portugal \u00e9 lindo, mormente na primavera, imagine-se o que de n\u00f3s n\u00e3o ter\u00e1 dito S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, e como n\u00e3o ter\u00e1 ele cantado e trinado em nossas veigas e por entre nossas loiras searas! Imagine-se!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo prior de Los M\u00e1rtires, acercou-se, pois, como lhe competia, aquele Cap\u00edtulo de 1585, caminhando par em par com seu s\u00f3cio, Frei Bartolomeu de S\u00e3o Bas\u00edlio. A rota portuguesa dos 720km do trajecto que o trouxeram foi: Vila Verde de Ficalho, Vila Nova de S\u00e3o Bento, Serpa, Beja, Alfund\u00e3o, Odivelas, Quinta de Dom Rodrigo (pr\u00f3xima de Xarraminha), Alc\u00e1cer do Sal, Alberge, Palma, \u00c1guas de Moura, Marateca, Palmela, Moita, Almada, Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum feliz dia deste ano jubilar, algu\u00e9m deveria plantar serena cruz em essa terra de azeite, vinho e mel que \u00e9 Ficalho, a prim\u00edcia lusa que seus santos e descal\u00e7os p\u00e9s beijaram. Coubera-me a mim e por perto plantaria tamb\u00e9m uma oliveira cordovil de Serpa e um estendal de roseiras brancas, pela simples raz\u00e3o de que, por certo, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz se acercou \u00e0 p\u00e1tria lusa advindo da andaluza aldeia de Rosal de la Frontera.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia dez daquele maio primaveril j\u00e1 Frei Jo\u00e3o da Cruz se encontrava no Carmo de S\u00e3o Filipe, por nesse dia e lugar se ter dado a abertura do primeiro Cap\u00edtulo da Prov\u00edncia Descal\u00e7a inteiramente separada da da Antiga Observ\u00e2ncia. No dia seguinte, depois do P. D\u00f3ria haver sido eleito Provincial, foi Frei Jo\u00e3o eleito segundo Definidor; e sete dias depois aquela magna assembleia foi suspensa, por dela estar ausente o Provincial eleito, P. Nicolau de Jesus D\u00f3ria de seu inteiro nome, fundador e at\u00e9 ent\u00e3o prior de G\u00e9nova.<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Jo\u00e3o da Cruz permaneceu em Lisboa at\u00e9 finais de julho ou in\u00edcios de agosto, data em que regressou a Andaluzia. Deu-se aqui \u00e0 vida claustral, como era seu timbre e mais convinha \u00e0 talha da sua alma; visitou as Carmelitas Descal\u00e7as de que era prioresa a carism\u00e1tica Madre Maria de S\u00e3o Jos\u00e9, uma das principais, se n\u00e3o a principal disc\u00edpula de Santa Teresa, pelo que nem podemos imaginar como santamente flamejaram ao falarem da Madre Santa, dos col\u00f3quios que entre os dois fundadores havidos eram e das variegadas ib\u00e9ricas andan\u00e7as da Descalcez por trancas e barrancas; ah, e como n\u00e3o, ditou-lhes e entoou-lhes de viva voz, al\u00e9m dos menores, os seus tr\u00eas poemas maiores: Noite, C\u00e2ntico Espiritual e Chama de Amor Viva; e negou-se a visitar, como os demais imprudentes capitulares, a trampolineira prioresa das dominicanas do mosteiro da Anuncia\u00e7\u00e3o \u2013 Maria da Visita\u00e7\u00e3o \u2013, por a sua f\u00e9 n\u00e3o precisar de mais chagas que as de Nosso Senhor; e deliciou-se, enfim, a contemplar a imensamente doce vastid\u00e3o do mar, que a sua proximidade e aqueles amenos dias pela primeira vez em sua vida tanto lho permitiram.<\/p>\n\n\n\n<p>Testemunharam muitos daqueles capitulares que, soindo Frei Jo\u00e3o passear para a Ribeira das Naus \u2013 \u00e0 data os amplos espa\u00e7os dos estaleiros navais onde se constru\u00edam e reparavam as lusas naves que, dando-se aos rigores das negras \u00e1guas e dos agrestes ventos, ofereciam \u00e0 largura da humanidade tantos novos mares e novas terras \u2013, dali p\u00f4de ele espraiar o olhar e a alma pela amplid\u00e3o do estu\u00e1rio do Tejo em direc\u00e7\u00e3o ao Atl\u00e2ntico. E como suave sede que nunca serena nem acalma, mais e mais ali se recolhia alheado dos af\u00e3s e vangl\u00f3rias do mundo, de vez em vez mais m\u00ednimo se tornando para os neg\u00f3cios terrenos e mais se agigantando para os do c\u00e9u. Tendo a correnteza do Tejo junto aos p\u00e9s e os estaleiros pelas costas, postado ele entre o cadenciado matraquear de macetas, malhos e martelos, entre o ronronar de serras e serrotes e o marulhar das \u00e1guas calmas, vejo-o eu, hoje, ainda ali, sentado numa rocha com a B\u00edblia s\u00f4belos joelhos. Acabado de ler num Salmo o verso \u00abeu te louvarei, Senhor, entre as na\u00e7\u00f5es, cantarei teus louvores entre os povos\u00bb, logo soerguendo o olhar sobre a delicada laje das doces \u00e1guas, o que v\u00ea? \u2013 Aproveitando a boa mar\u00e9 e os ventos favor\u00e1veis, tr\u00eas naves da Carreira das \u00cdndias zarpam n\u00e3o sabe ele bem para onde. O que, por\u00e9m, lhe salta ao olhar e n\u00e3o pode ignorar, \u00e9 o bul\u00edcio na coberta de cada uma \u2013 ali v\u00e3o gentes inebriadas de esperan\u00e7a e pelo vigor da apar\u00eancia dos cascos ser\u00e1 para muito longe! E h\u00e1 nelas outro pormenor, logo ele o percebe: cada piloto sabe que deve conduzir a nave pelo fundo canal, nunca pr\u00f3ximo da margem, onde a lama do leito facilmente as empancaria! E n\u00e3o v\u00ea ele bem que cada quilha divide as \u00e1guas, e em mais avan\u00e7ando, sem esfor\u00e7o, continuamente, apartando-as, abre uma estrada favor\u00e1vel? Sim, e o que ali v\u00ea no Tejo, assim no mar: a quilha divide, a nave passa, e em p\u00f3s a r\u00e9, as \u00e1guas se ajuntam, se abra\u00e7am e se irmanam como antes, n\u00e3o restando mais diverg\u00eancia nem outra mensagem da sua passagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso Frei Jo\u00e3o ali testemunhou pela primeira vez. Foi, de facto, em Lisboa que se certificou, qual nave fagueira, de que assim sempre fora e assim sempre desejar\u00e1 seguir sendo no mundo: caminhar, caminhar rumo ao c\u00e9u, unindo, sem dividir. Sim, como n\u00e3o se ver a si mesmo como m\u00ednimo batelinho, ladeando a amurada da grande nau da Igreja, avan\u00e7ando incitado pelos dois remos da colegial e fraterna santidade, sem jamais as \u00e1guas ferir? Ou como n\u00e3o se ver a si qual nau voando para o c\u00e9u, sem pris\u00e3o nem atadura a criatura alguma, sem jamais ferir nem ao de leve lesar a nenhuma! Sim, aquela hora, quanto n\u00e3o ter\u00e1 ele, frade descal\u00e7o e irm\u00e3o universal dos espelhos d\u2019\u00e1gua, das brisas suaves e dos amorosos entardeceres, das escuras noites, das frescas manh\u00e3s e do secreto emba\u00e7o das neblinas, sim, quanto n\u00e3o ter\u00e1 ele de arduamente remar p\u2019las \u00e1guas que por diante de seus p\u00e9s ainda se lhe apresentem?<\/p>\n\n\n\n<p>Desde h\u00e1 muito que o lema de seus descal\u00e7os dias \u00e9 dar tudo pelo Tudo, raz\u00e3o pela qual, aquela hora e naquele lugar, a sua ocupa\u00e7\u00e3o mor foi a de mergulhar mais e melhor se ancorar na leitura da B\u00edblia. Sim, em Lisboa, nas margens do oce\u00e2nico lago, todo ele foi contempla\u00e7\u00e3o, sil\u00eancio e palavra. Terra, mar e c\u00e9u. Batel, remo e leme. Casa, caminho e peregrina\u00e7\u00e3o. Hino, ora\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o. Paz. Tudo, tudo ali foi por ele delicadamente entretecido no tear do seu cora\u00e7\u00e3o com o fio d\u2019oiro da ora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, plenamente restaurado, \u00e1gil e sereno regressou a seu ponto de partida pelo mesmo caminho, corrido ao inv\u00e9s. Em casa, ignorantes e fascinados todos lhe perguntar\u00e3o pela monja das chagas. O que, por\u00e9m, aqueles parecem ignorar, \u00e9 que a f\u00e9 \u00e9 acreditar sem ver e que ele s\u00f3 bebe da do Lado de Cristo pelo que, caminhando o regresso, ao se percatar que seu companheiro carrega paninhos carregados de tinta \u2013 que n\u00e3o de sangue, e mesmo que o fora! \u2013 logo fez com que deles se despojasse, atirando-os a um rio, dando-lhe a entender que nada daquilo que portava era fruto de santidade, mas de fingimento.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas nesta, mas sempre, conduziu-se segundo o modo em uso na Descalcez: acompanhado dum s\u00f3cio, caminhavam apoiados por jumentinho humildemente aparelhado, onde cada um se sentava em alternada fraternidade. Algumas vezes, por\u00e9m, para descanso da montada, Frei Jo\u00e3o dispensava-a alegremente. Posto que caminhasse a p\u00e9 cantava hinos a Nossa Senhora, Salmos, vers\u00edculos do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos ou o cap\u00edtulo 17 do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o; mas se na garupa do asnilho, lia a B\u00edblia que, por alguma raz\u00e3o a conhecia toda de cor. E algumas vezes ficava ali t\u00e3o absorto nos divinos mist\u00e9rios, que ca\u00eda da montada! Estatelando-se sem maiores consequ\u00eancias, levantava-se; e beijando o Escapul\u00e1rio, sacudia o h\u00e1bito da Virgem, e seguia caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah!, e quem me diz a mim que aquelas viagens, aqueles nossos montes, soutos e ribeiras, aquele sol e long\u00ednquos caminhos lhe n\u00e3o inspiraram a alma ou lhe n\u00e3o incendiaram o cora\u00e7\u00e3o, como a pastorinho que de Deus fale a cabe\u00e7as que n\u00e3o sabem latim! Poderiam n\u00e3o saber, n\u00e3o, mas da convic\u00e7\u00e3o e fervor do itinerante pregador n\u00e3o ser\u00e3o nem tardos nem falhos. Sim, o que n\u00e3o quero ignorar \u00e9 que os caminhos de Portugal lhe foram pac\u00edficos, fecundos e inspiradores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>O perfume da presen\u00e7a de Frei Jo\u00e3o da Cruz perdurou largamente em Portugal, o que n\u00e3o \u00e9 para admirar j\u00e1 que, segundo o cronista Frei Belchior de Santa Ana, de todos os capitulares foi quem mais saudades deixou em Lisboa, porque \u00abnunca houve conversa\u00e7\u00e3o nem mais branda, nem mais singela, nem mais desassombrada que a sua; por nunca ter faltado \u00e0s suas obriga\u00e7\u00f5es; por trazer os olhos sempre cheios de alegria e de pureza, a boca de sorriso e de mod\u00e9stia, o semblante todo de boa gra\u00e7a e de autoridade; nas palavras a ningu\u00e9m ofendia e a todos melhorava; era de t\u00e3o not\u00e1vel a do\u00e7ura com que falava de Deus que afervorava e recolhia os \u00e2nimos dos que o ouviam e vestia os interiores de t\u00e3o firmes prop\u00f3sitos de nova vida que s\u00f3 ouvi-lo bastava para fazer os t\u00edbios fervorosos; o v\u00ea-lo era paz, o falar-lhe aproveitamento, o ouvi-lo consola\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos lugares de Portugal, com destaque para a vila de Aveiro, quando ainda era apenas Bem-venturado, aquele povo tratava-o como O Santo de Aveiro, visto ser ali considerado como o m\u00e9dico protector contra todas as maleitas e p\u00fastulas do corpo, tal como o testemunharam perante tribunal can\u00f3nico o dr. Ant\u00f3nio Bastos, miraculado por sua interven\u00e7\u00e3o duma doen\u00e7a incur\u00e1vel, e outras trinta e sete testemunhas daquela vila e seus largos arredores.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo dia 14 de dezembro, dia lit\u00fargico de nosso Santo Pai, come\u00e7aremos o jubiloso ano do tricenten\u00e1rio da sua canoniza\u00e7\u00e3o e os cem do seu doutoramento. Este texto para a\u00ed aponta. A ep\u00edgrafe que o assinala remete para a adusta cova para a qual, em Seg\u00f3via, tanto ele gostava de conduzir-se e recolher-se em nocturnas contempla\u00e7\u00f5es. De covas e de caminhos se procurar\u00e3o fazer os pr\u00f3ximos textos; porque de esticados caminhos e de esquecidas covas sempre se fizeram as vidas dos herdeiros de Elias.<\/p>\n\n\n\n<p>Que, pois, a celebra\u00e7\u00e3o deste jubiloso ano de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz nos ajude a n\u00f3s, lusos \u2013 que nunca fomos de bem nos governar ou de nos deixar governar \u2013, a alcan\u00e7ar a perfeita uni\u00e3o com Deus, pelo alcance da compreens\u00e3o de que \u00abn\u00e3o se pode chegar a esta uni\u00e3o sem grande pureza, e que esta pureza n\u00e3o se alcan\u00e7a sem grande desnudez de todas as coisas criadas\u00bb \u2013 San Jvan de la Cruz dixit.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 pouco mais de quatro s\u00e9culos, como suave cometa, uma ardente l\u00edngua de fogo e de b\u00ean\u00e7\u00e3o divina, cantando, ligeiro palmilhou, os nossos caminhos. 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