{"id":4376,"date":"2025-10-31T02:41:00","date_gmt":"2025-10-31T02:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4376"},"modified":"2025-10-28T09:43:05","modified_gmt":"2025-10-28T09:43:05","slug":"a-oracao-e-missionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/a-oracao-e-missionaria\/","title":{"rendered":"A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 mission\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>N\u00e3o t\u00e3o grande como uma migalha, este texto \u00e9 um pequenino contributo para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial das Miss\u00f5es deste ano de 2025.<br><br>Cada comemora\u00e7\u00e3o destas \u00e9, ali\u00e1s, um convite a (re)descobrirmos o valor e a urg\u00eancia da miss\u00e3o que tamb\u00e9m a n\u00f3s, cat\u00f3licos do s\u00e9c. XXI, foi entregue. Enfim, em cada momento da hist\u00f3ria \u2013 tamb\u00e9m hoje, portanto \u2013 deve ser nossa preocupa\u00e7\u00e3o partir e ensinar e batizar em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo, pois que o alheamento dos bra\u00e7os cruzados n\u00e3o \u00e9 nunca assunto para n\u00f3s.<br><br>Pelas miss\u00f5es rezemos, particularmente, neste terceiro domingo de outubro e, pelo m\u00eas fora continuemos rezando pelos mission\u00e1rios que, ardentes de esperan\u00e7a, v\u00e3o trabalhar para longe. E rezemos ainda por n\u00f3s que ficamos por aqui, pois que tamb\u00e9m por estas praias onde restamos urge trabalhar pelo regresso \u00e0 fecundidade das fontes do Evangelho.<br><\/li>\n\n\n\n<li>Segundo o \u00faltimo census a comunidade cat\u00f3lica cresceu em todo o mundo, inclusive, espante-se, na velha Europa! Contudo, o papel que a n\u00f3s, cat\u00f3licos, hoje e aqui nos cabe \u00e9 o de devolvermos a esperan\u00e7a aos cora\u00e7\u00f5es desanimados \u2013 que outra raz\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 para termos sido incorporados ao rio da f\u00e9 em Cristo.<br><br>Eis, pois, sem mais, a raz\u00e3o pela qual trabalhamos e rezamos: para animar e fortalecer os vencidos e os desvalidos. N\u00e3o, n\u00e3o fomos constitu\u00eddos para sermos pol\u00edcias de costumes ou coveiros do que quer que seja, mas mission\u00e1rios de esperan\u00e7a entre os povos, entre as gentes do nosso bairro, na nossa casa, no emprego, no est\u00e1dio, no teatro, na esplanada.<br><br>E para sermos mensageiros e artes\u00e3os de esperan\u00e7a pelo mundo fora deu-nos Deus as ferramentas urgentes e necess\u00e1rias \u2013 isto \u00e9, dons e qualidades \u2013 para que, pondo-as em ac\u00e7\u00e3o, sejamos tais quais. O que, pois, neste texto melhor gostaria de recordar-me a mim mesmo \u00e9 que somos homens e mulheres de ora\u00e7\u00e3o, porque a assumo como fonte de esperan\u00e7a e o primeiro passo em favor da miss\u00e3o.<br><br>De ora\u00e7\u00e3o nos fala Lucas 18:1-8, a p\u00e1gina do Evangelho deste dia mundial das miss\u00f5es. Atrevo-me, portanto, a assumir esta par\u00e1bola como uma s\u00edntese dos ensinamentos desse grande orante que foi Jesus.<br><br>Que sentia, como vivia e rezava Jesus?<br><br>S\u00e3o Lucas narrou-nos a ora\u00e7\u00e3o intensa e frequente de Jesus, deixando v\u00e1rias vezes registado que Jesus rezava sempre e em todos os momentos da sua vida. Rezar era normal para Ele, n\u00e3o o extraordin\u00e1rio. A sua boca e o seu cora\u00e7\u00e3o andavam sempre e s\u00f3 em Deus, Esse de quem n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel jamais esconderemo-nos, seja nos l\u00edquidos abismos mais profundos, nas tocas mais quentes e fofas ou l\u00e1 no alto onde profusamente as estrelas esparzem doirado p\u00f3! Envolvendo-Lhe o cora\u00e7\u00e3o, Jesus tinha o Pai sempre presente e diante do olhar \u2013 ah, como eu gosto de pessoas que olham olhos nos olhos o pai! E o Pai! Como falam e os escutam, como os veem presentes em todas as coisas e como isso os faz felizes e os ajuda a dizer-lhes obrigado! Obrigado! Obrigado, Pai!<br><br>Ora, se Jesus vivia caminhando olhos nos olhos com o Pai e com Ele em sintonia de palavra e cora\u00e7\u00e3o; se para Ele o Pai estava sempre conSigo, porque n\u00e3o confiamos n\u00f3s, hoje, que Deus est\u00e1 sempre a nosso lado? Porque n\u00e3o Lhe falamos como os amigos falam entre si? Em inteira confian\u00e7a, como Jesus?<br><\/li>\n\n\n\n<li>Sim, Jesus confiava na ora\u00e7\u00e3o, na conversa fiada com o Pai, e n\u00e3o menos na for\u00e7a da sua palavra e no esfor\u00e7o das suas humanas m\u00e3os. Sim, Ele orava (conversava) confiadamente ao Pai, mas jamais cruzava os bra\u00e7os, como se Lhe bastara esperar para ver acontecer. Confiava e trabalhava, com o Pai a seu lado, com o Pai nos olhos e no cora\u00e7\u00e3o, porque Deus nunca joga \u00e0 defesa, desentendido ou distante de n\u00f3s. E Jesus sabia disso.<br><br>Para este contexto nos puxa o evangelho de hoje.<br><\/li>\n\n\n\n<li>Haveremos de ter sempre presente que S\u00e3o Lucas escreveu o seu Evangelho cinquenta anos depois da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, precisamente quando a comunidade crist\u00e3 era violentamente perseguida, dizimada e votada ao desprezo, pelo que a preocupa\u00e7\u00e3o do Evangelista foi a de animar e reavivar a f\u00e9 dos primeiros crist\u00e3os, e dizer-lhes que o Pai de Jesus os amava e se preocupava intensamente por cada um deles.<br><br>Os factos podiam indiciar que n\u00e3o, mas amava. E ama, e continua amando. Podia e pode-se suspeitar que tardava ou tarda, mas nem ontem nem hoje o tempo de Deus \u00e9 bem o nosso. N\u00e3o \u00e9, n\u00e3o, mas \u00e9 sempre para n\u00f3s tempo de salva\u00e7\u00e3o.<br>De facto, naquela hora de grande ang\u00fastia e persegui\u00e7\u00e3o a maior tenta\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os foi a de se irem embora virando as costas ao caminho da f\u00e9, porque para eles Deus n\u00e3o intervinha nem os protegia como pediam! E se n\u00e3o intervinha, porque esperar?<br><br>Por isso, melhor compreendemos agora que Lucas se dedique a chamar os crist\u00e3os \u00e0 raz\u00e3o, a sarar-lhes as feridas provocadas pelas mordidelas dos lobos, a refor\u00e7ar-lhes a f\u00e9 em des\u00e2nimo, a recordar-lhes que no caminho do seguimento de Jesus jamais Ele prometeu anular-nos o sofrimento, pelo que deviam\/devemos confiar e rezar tal e como Ele confiava no Pai que nos ama e escuta (mesmo se n\u00e3o nos responde da maneira como Lhe pedimos e esperamos).<br>Depois disto que tanto \u00e9 contr\u00e1rio ao por n\u00f3s desejado e esperado, o que n\u00f3s, cat\u00f3licos de hoje, haveremos de fazer: ir embora? Ou, combatendo todo o des\u00e2nimo, resistir e ficar? E ir para as miss\u00f5es?<br><\/li>\n\n\n\n<li>Sobre isto, Santo Agostinho costumava ensinar que a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser abordada como forma de convencermos a Deus sobre qual assunto seja, mas para que, arrega\u00e7ando as mangas, nos mobilizemos a trabalhar afincadamente; ou, como escreveu um poeta: d\u00e1-nos Deus o vento, para n\u00f3s desfraldarmos as velas!<br><br>N\u00e3o, n\u00e3o, a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma conversa ao telefone com Deus para que O conven\u00e7amos a remar e a nossa barquinha ven\u00e7a a regata, mas para que navegando na nossa traineira v\u00e1 Ele connosco e connosco mergulhe nas durezas da faina. De facto, n\u00e3o \u00e9 habitual que, por si s\u00f3, Deus nos d\u00ea peixe quando Lho pedimos, j\u00e1 sim, que nos d\u00ea for\u00e7a, intelig\u00eancia e capacidade para lutarmos contra as tempestades, lan\u00e7armos as redes ao mar bravio e pescarmos.<br><br>Martin Luther King resumia tudo isto dizendo que Deus nos deu intelig\u00eancia para pensarmos e corpo para trabalharmos, pelo que entendia ele ser uma trai\u00e7\u00e3o a Deus alcan\u00e7armos pela ora\u00e7\u00e3o o que fora de ganhar pela intelig\u00eancia e pela for\u00e7a do trabalho!<br><br>Dou-lhe raz\u00e3o.<br><\/li>\n\n\n\n<li>Mas ent\u00e3o, porque haveremos de rezar, n\u00f3s, os aprendizes de mission\u00e1rios?<br>Sim, dev\u00edamos, devemos todos rezar todos os dias como Jesus, porque isso aprendemos do pr\u00f3prio Jesus. Devemos rezar continuamente para fazermos como Jesus que rezava sempre e tamb\u00e9m nas agruras e durezas da vida; devemos rezar continuamente para que andando com Jesus e fazendo como Jesus n\u00e3o baixarmos jamais as m\u00e3os, n\u00e3o desanimarmos t\u00e3o r\u00e1pido, sobretudo para n\u00e3o desanimarmos nos momentos dif\u00edceis.<br><br>Rezando mantemos o v\u00ednculo relacional com Deus Pai, por isso: como desistir se Ele est\u00e1 connosco ou, o que \u00e9 mais prov\u00e1vel, se Ele nos tem ao seu colo?<br><br>N\u00f3s rezamos e seguiremos rezando, mas n\u00e3o para informarmos o Pai das nossas dores, nem das dores do mundo, nem das injusti\u00e7as que sobre ele recaem e o arrepanham. N\u00e3o, Deus n\u00e3o precisa duma central de informa\u00e7\u00f5es sobre a vida dura dos seus filhos e filhas! Mas sim, n\u00f3s rezamos para nos inundarmos da presen\u00e7a do Pai que secretamente habita o nosso cora\u00e7\u00e3o e nos d\u00e1 o Seu amor. N\u00f3s rezamos a di\u00e1rio para nos envolvermos e nos submergirmos na luz e na for\u00e7a de Deus e n\u00e3o deixarmos jamais de sonhar e de trabalhar por um mundo mais justo e mais fraterno \u2013 como Ele sonhou! E isso faz de n\u00f3s indesistentes mission\u00e1rios e artes\u00e3os de esperan\u00e7a, porque \u00e9 imposs\u00edvel guardarmos s\u00f3 para n\u00f3s a chama que nos alumia e, resguardada em nosso cora\u00e7\u00e3o, ilumina os recantos sombrios do mundo.<br><\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 isso que o Papa disse quando disse que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro movimento mission\u00e1rio dum cat\u00f3lico!<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4354,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4376","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4376"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4376\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4377,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4376\/revisions\/4377"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}