{"id":4340,"date":"2025-09-30T06:11:00","date_gmt":"2025-09-30T06:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4340"},"modified":"2025-09-26T16:14:20","modified_gmt":"2025-09-26T16:14:20","slug":"tres-perguntas-e-mais-uma-com-as-carmelitas-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/tres-perguntas-e-mais-uma-com-as-carmelitas-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas e\u2026 mais uma: com as Carmelitas de Aveiro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Egino Weinert era um orante; a ora\u00e7\u00e3o sa\u00eda-lhe em forma de arte. Qual \u00e9 a arte de rezar do Carmelo de Aveiro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A arte de rezar do Carmelo de Aveiro \u00e9 a arte da rela\u00e7\u00e3o com Deus, isto \u00e9, a arte de \u00abestar muitas vezes a s\u00f3s, tratando de amizade com quem sabemos que nos ama\u00bb, como diz Santa Teresa; ou, se quisermos evocar o Evangelista Jo\u00e3o, a arte de sermos amigos de Cristo Jesus, deixando que Ele nos d\u00ea a conhecer os segredos do Amor que existe entre Ele e o Pai: \u00abA v\u00f3s chamo-vos amigos porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>A arte de rezar n\u00e3o se confina ao \u00e2mbito do Carmelo. O papa Francisco dizia que quando rezamos estamos a abra\u00e7ar o mundo, os homens e mulheres do nosso tempo, quem quer que sejam. E n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 pretendemos abra\u00e7ar esta Humanidade como, essencialmente, fazer com que cada leitor possa abra\u00e7ar a Cristo e estabelecer com Ele uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, que cada um possa escutar de Cristo Jesus: \u00abChamo-te amigo porque te dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de leitura orante que fazemos para cada vitral [da capela do Carmelo de Cristo Redentor] \u00e9 simples: numa p\u00e1gina apresentamos o vitral para a contempla\u00e7\u00e3o do leitor, seguidamente o texto b\u00edblico que ele representa e uma breve interpreta\u00e7\u00e3o do vitral, fazendo confluir o fundamento b\u00edblico e a dimens\u00e3o art\u00edstica. Depois apresentamos uma proposta de leitura orante que pretende implicar o leitor no mist\u00e9rio de Cristo que o vitral representa levando-o a fazer a sua pr\u00f3pria leitura. Conclu\u00edmos com uma ora\u00e7\u00e3o que sintetiza o que pode ser o fruto do encontro com Cristo atrav\u00e9s daquele vitral. Tamb\u00e9m aqui o objetivo \u00e9 que cada um possa falar a Cristo cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No seu pref\u00e1cio, o Cardeal Tolentino de Mendon\u00e7a tem um par\u00e1grafo que sintetiza muito bem o que o Carmelo de Aveiro pretende. Escreve: \u00ab<em>A presente obra, que publica os vitrais da Vida de Cristo na Capela da Comunidade das Carmelitas Descal\u00e7as do Carmelo de Cristo Redentor em Aveiro, emerge nas nossas m\u00e3os como um desafio espiritual. Ela oferece-nos um prisma para olharmos toda a vida de Cristo por meio da inspira\u00e7\u00e3o do artista Egino Weinert (1920-2012). Mas para se ser testemunha de Cristo n\u00e3o basta apenas conhecer narrativamente a sua vida completa, \u00e9 preciso os olhos da f\u00e9, garantida pela via da contempla\u00e7\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o: esta \u00e9 a chave de leitura que nos faz ver a identidade divina na sua identidade humana, \u00e0 semelhan\u00e7a de um vitral. Sem luz, este n\u00e3o \u00e9 percet\u00edvel.\u00bb<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se n\u00e3o nos pudermos recolher em ora\u00e7\u00e3o, como poderemos rezar um vitral ou uma pintura ou uma imagem de uma igreja?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nunca podemos perder a consci\u00eancia de que a plenitude m\u00e1xima da pessoa que somos \u2014 e de qualquer pessoa \u2014 est\u00e1 em sermos seres orantes, pessoas capazes da rela\u00e7\u00e3o com Deus; uma rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica chamada a atingir a uni\u00e3o com o pr\u00f3prio Deus. E isto \u00e9 o pr\u00f3prio Vaticano II que o afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Movendo-nos neste horizonte percebemos que h\u00e1 muitos momentos em que este recolhimento n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, por\u00e9m, a imagem, a pintura ou o vitral, n\u00e3o deixam de invocar o mist\u00e9rio de Deus no seu todo.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada um de n\u00f3s \u00e9 dado como dom a porta de entrada para o mist\u00e9rio, uma porta que \u00e9 uma parte do mist\u00e9rio, que nos permite entrar em comunh\u00e3o com Deus, e que \u00e9 s\u00f3 nossa e que faz com que haja a pessoaliza\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio. Esta porta de entrada pode ser, por exemplo, a Anuncia\u00e7\u00e3o, o Deus Menino, a Cruz, a Eucaristia, a Ressurrei\u00e7\u00e3o, enfim, uma porta de gra\u00e7a em que entrando por ela, vamos sempre encontrar a presen\u00e7a de Deus no que temos diante dos olhos. H\u00e1 sempre a evoca\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Deus e h\u00e1 sempre a nossa capacidade de invocar o Esp\u00edrito Santo para nos fazer ver o novo de Deus, presente ali. \u00c9 o campo da simb\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplifico o que digo com um exemplo que nos pode ajudar a perceber a novidade da presen\u00e7a de Deus nas coisas e atrav\u00e9s delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um destes dias, numa circunst\u00e2ncia um pouco inusitada, fui convidada a escutar a m\u00fasica <em>You Raise Me Up<\/em>, interpretada por Josh Groban. A poucos instantes do in\u00edcio, no meu interior ressoaram as palavras de Jesus: \u00abQuando eu for levantado da terra atrairei tudo a mim\u00bb (Jo 12, 32). Era aqui que eu estava levantada nos ombros de Jesus e os ombros de Jesus coincidiam com os bra\u00e7os da Cruz. Estava levantada pelo amor com que Jesus me tinha amado e me estava a amar, a ponto de transformar a minha exist\u00eancia em mist\u00e9rio de salva\u00e7\u00e3o. Dos bra\u00e7os da cruz onde repousavam os ombros de Jesus eu via a minha vida como Ele a via, cheia de luz. E deste ser levantado da terra, desde a cruz, segui para um outro ser levantado que fala o profeta Oseias 11, 1-4: \u00ab<strong>\u2026<\/strong>Eu os atra\u00ed com la\u00e7os de bondade, com cordas de amor. Fazia com eles como quem levanta at\u00e9 ao seu rosto uma crian\u00e7a; para lhes dar de comer, eu baixava-me at\u00e9 eles\u00bb.&nbsp; J\u00e1 n\u00e3o era apenas o amor de Jesus, agora era o amor do Pai. Era o conhecer-me como esta crian\u00e7a levantada at\u00e9 ao rosto do Pai, levantada pelo amor at\u00e9 ao conhecimento do Pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, o cantor continuava a cantar, enquanto o Esp\u00edrito rezava no meu interior. A m\u00fasica com a sua letra e melodia invocaram em mim uma presen\u00e7a de Deus que constitui a minha terra sagrada, faz parte da minha identidade religiosa. Contudo, para mim, a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 preciosa pelo que ela \u00e9 em si mesma, mas pelo que evoca de mist\u00e9rio divino.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe ainda outra forma mais simples de rezar um vitral ou uma pintura ou uma imagem de uma igreja, quando n\u00e3o nos podemos recolher: trata-se de partirmos desde a consci\u00eancia de beleza.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus entrega-nos a sua Beleza que reside no dom que nos faz de Si mesmo. \u00abA Beleza \u00e9 um dos nomes de Deus\u00bb. E o Esp\u00edrito Santo \u00e9 uma das m\u00e3os da Beleza em si, que comunica o esplendor da santidade e se revela como \u00abEsp\u00edrito de beleza\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>A renovada liturgia p\u00f3s-vaticana \u00e9 um \u00e2mbito de manifesta\u00e7\u00e3o dessa luz, j\u00e1 que presa pela simplicidade e pela autenticidade do espa\u00e7o, que deixa o Esp\u00edrito falar ao cora\u00e7\u00e3o. Essa presen\u00e7a do Esp\u00edrito, como presen\u00e7a de beleza, \u00e9 poesia sem palavras, \u00e9 m\u00fasica sem sonoridade. \u00c9 apenas Luz, pois o atributo mais conhecido do Esp\u00edrito Santo \u00e9 vida e luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus sempre se manifestar\u00e1 atrav\u00e9s da sua Beleza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na p\u00e1gina 47 do livro aparece escrito: \u00abQuase que somos for\u00e7ados a ver, para contar o que os nossos olhos viram&#8230;\u00bb. O que veem os nossos olhos nos vitrais do Carmelo de Cristo Redentor?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Num primeiro momento devemos dizer que no Carmelo de Cristo Redentor vemos um conjunto de vinte e um vitrais que representam a vida de Cristo. Eles est\u00e3o dispostos em cinco sequ\u00eancias de quatro vitais cada uma, segundo a fase da vida de Jesus que representam. Na entrada da capela podemos encontrar a primeira sequ\u00eancia que come\u00e7a com a Anuncia\u00e7\u00e3o. Dando a volta \u00e0 capela, terminando no presbit\u00e9rio com a sequ\u00eancia dos mist\u00e9rios da Ressurrei\u00e7\u00e3o ao Pentecostes, n\u00e3o esquecendo o Tom\u00e9, que nos representa tamb\u00e9m a n\u00f3s. O pr\u00f3prio movimento de disposi\u00e7\u00e3o dos vitrais faz-nos sentir em peregrina\u00e7\u00e3o com Cristo. O cardeal Tolentino de Mendon\u00e7a que colaborou connosco, escrevendo o pref\u00e1cio do livro, diz que: \u00abEm tempos de um certo empobrecimento espiritual, estes vitrais apresentam-se como uma catequese t\u00e1cita para aqueles que t\u00eam sede de Deus, que O procuram no sil\u00eancio ou que apenas esperam o seu sinal\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, os nossos olhos veem para al\u00e9m do que veem. \u00c0 medida que nos adentramos nos vitrais e vamos seguindo as realidades hist\u00f3ricas e circunstanciais da vida que representam, vamos dando conta que h\u00e1 uma realidade que emerge e se sobrep\u00f5e ao que de facto estamos a ver. \u00c9 o primado da gra\u00e7a que surge de forma t\u00e3o bela e luminosa, quase impercet\u00edvel, mas que nos faz passar da realidade vis\u00edvel para a invis\u00edvel, transpondo-nos para o mist\u00e9rio da presen\u00e7a de Deus. Quando contemplamos os vitrais verificamos que eles n\u00e3o est\u00e3o fechados em si, que se transcendem de forma din\u00e2mica, envolvendo-nos nesse dinamismo de gra\u00e7a. Cada um deles evoca a for\u00e7a criadora de Deus e \u00e9 precisamente esta evoca\u00e7\u00e3o que nos transporta para o primado da gra\u00e7a, porque a \u00faltima palavra pertence a Deus; a Deus que faz novas todas as coisas.&nbsp; \u00c9 algo que o artista consegue fazer passar de si, do seu amor a Deus, da sua viv\u00eancia da f\u00e9, e da sua espera confiante e abandonada, da sua ora\u00e7\u00e3o, para cada vitral. Na realidade, cada vitral \u00e9 ora\u00e7\u00e3o viva do artista, podemos ter a perce\u00e7\u00e3o do artista estar a rezar para n\u00f3s.&nbsp; E \u00e9 algo que nos fascina porque n\u00e3o s\u00f3 nos p\u00f5e dentro da rela\u00e7\u00e3o do artista com Deus, mas lan\u00e7a-nos para a nossa pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o com Deus e com o mist\u00e9rio da Sua presen\u00e7a na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, dir\u00edamos que cada vitral objetivamente diz: isto aconteceu assim, mas Deus interveio e converteu isto em hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o e nesta simplicidade, entre linhas, tra\u00e7os e cores, manifesta-se o absoluto de Deus. Depois da leitura orante do conjunto dos vinte vitrais, facilmente, a presen\u00e7a de Deus na sua amorosa for\u00e7a criadora invade o nosso interior fortalecendo a nossa f\u00e9 e fazendo-nos olhar para a vida mais al\u00e9m das circunst\u00e2ncias e obst\u00e1culos, colocando-nos num dinamismo de espera confiante desta palavra que Deus diz e que unifica a nossa vida, dando-lhe um novo sentido, enchendo-a da gra\u00e7a da Sua presen\u00e7a. Sempre o primado da gra\u00e7a sobre todas as coisas e a experi\u00eancia de estarmos em Deus, na Sua presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>e 4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lendo a biografia de Egino Weinert percebe-se que se perdeu um monge e se ganhou um artista. Mas n\u00e3o se perdeu um orante. A arte \u00e9 ora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, a arte pode ser ora\u00e7\u00e3o, mas quero ser mais ousada e afirmar que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma verdadeira arte, em que o Artista \u00e9 Deus. Muitas vezes esquecemo-nos que Deus reza e que n\u00f3s somos ora\u00e7\u00e3o de Deus. Deus reza em n\u00f3s, reza no nosso templo interior, mas a Sua ora\u00e7\u00e3o manifesta-se na nossa vida, no que vivemos, na pessoa que somos. Estamos pouco despertos para o facto de sermos o lugar onde Deus reza e a nossa vida ser ora\u00e7\u00e3o de Deus. Poucas vezes paramos para nos perguntarmos: hoje, o que \u00e9 que Deus rezou em mim?<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, Deus reza-Se em n\u00f3s. E a Sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito simples. Em cada um de n\u00f3s Deus reza: \u00abTu \u00e9s meu filho, eu hoje te gerei\u00bb. E \u00e9 sempre assim, Deus reza Cristo em n\u00f3s, para que cheguemos a ser verdadeiramente seus filhos, filhos no Filho. A configura\u00e7\u00e3o com Cristo \u00e9 a grande ora\u00e7\u00e3o que Deus Pai reza em n\u00f3s, em todos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande novidade da ora\u00e7\u00e3o de Deus est\u00e1 na segunda parte do vers\u00edculo: \u00abeu hoje te gerei\u00bb \u2013 trata-se da individualidade de cada pessoa e do mist\u00e9rio da Palavra que hoje Deus pronuncia\/reza em n\u00f3s. Conhecer o que hoje Deus reza em n\u00f3s \u00e9 o grande desafio da arte da ora\u00e7\u00e3o e o que pode fazer da arte uma ora\u00e7\u00e3o. O desafio da nossa f\u00e9. Deus reza em n\u00f3s o mist\u00e9rio de Cristo, conhecer este mist\u00e9rio s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com os olhos do amor iluminados pela intelig\u00eancia da f\u00e9 e sustentados pelo abandono confiante da espera em Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 tamb\u00e9m um dos desafios do encontro com Cristo proposto na leitura orante dos vitrais, o descobrirmo-nos como ora\u00e7\u00e3o de Deus e chegarmos a conhecer o que Deus reza em n\u00f3s, o dom que Deus nos faz de Si em Cristo. Esta \u00e9 a verdadeira arte da ora\u00e7\u00e3o e nesta simbiose a arte \u00e9 verdadeiramente ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9 algo que transparece na rela\u00e7\u00e3o de Deus com Egino Weinert. Ao contemplar a ac\u00e7\u00e3o amorosa de Deus na vida de Egino, a ora\u00e7\u00e3o que Deus rezou nele, o que de facto ressalta n\u00e3o \u00e9 que tenhamos perdido um monge, mas a fidelidade de Deus ao desejo que incutiu no cora\u00e7\u00e3o de Egino desde toda a eternidade: servir Cristo, traduzindo o Evangelho na sua pr\u00f3pria arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus foi fiel a este desejo de forma prof\u00e9tica, tirou um poss\u00edvel monge do anonimato dum mosteiro e duma corrente lit\u00fargica com um determinado estilo, para transferiro monop\u00f3lio da arte sacra dos mosteiros para o \u00e2mbito laical. Estamos perante o primeiro leigo a ser convidado por um Papa, S. Paulo VI, para ter as suas obras no Vaticano.<\/p>\n\n\n\n<p>Weinert foi o artista que, at\u00e9 ao momento, mais cruzes fez em todo o mundo. Deus rezou de tal maneira neste homem que fez dele uma ora\u00e7\u00e3o viva e o lugar de ora\u00e7\u00e3o para muitos. Deus cumpriu a promessa que tinha feito a Egino: servir Cristo, traduzindo o Evangelho na sua pr\u00f3pria arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas palavras do pref\u00e1cio o Senhor Cardeal Tolentino aborda a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre arte e ora\u00e7\u00e3o e o que isto pode exigir de cada um de n\u00f3s. Deixemo-nos interpelar por elas: <em>\u00abNas v\u00e9speras de celebramos os 1700 anos do Conc\u00edlio de Niceia (325-2025), a obra surge como um pequeno \u201ctratado de cristologia\u201d, que reaviva em n\u00f3s o dogma cristol\u00f3gico definido neste Conc\u00edlio. Sim, porque os dogmas n\u00e3o s\u00e3o apenas para serem acreditados, mas tamb\u00e9m para serem vividos e contemplados. E Niceia aponta-nos uma condi\u00e7\u00e3o transversal: todos somos filhos de Deus (Gal 4,4-5). Esta consci\u00eancia filial esclarece-nos uma das primeiras regras da ora\u00e7\u00e3o: orar como filhos, como aqueles que sabem que n\u00e3o s\u00e3o a origem de si pr\u00f3prios e que dependem de outros e de um Outro para existir. A ora\u00e7\u00e3o tece-se com esta humildade e a humildade tece a coreografia da ora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao terminar a peregrina\u00e7\u00e3o pela capela do Carmelo somos convidados a louvar a Beleza de Deus, que Egino Weinert nos fez saborear, atrav\u00e9s do seu desejo de servir a Cristo e o Evangelho com a sua pr\u00f3pria arte, e aceitar o desafio de nos deixarmos iluminar pela Luz que \u00e9 Cristo e nos tornarmos reflexos da Beleza de Deus, pela ac\u00e7\u00e3o do Seu Esp\u00edrito de Beleza:<\/p>\n\n\n\n<p>Senhor,<br>Eu amo a beleza da Tua casa,<br>O lugar onde reside a Tua gl\u00f3ria.<br>A beleza que tu encerraste dentro de mim<br>E que \u00e9s Tu mesmo.<br>Tu escolheste-me para Tua morada,<br>Para ser Templo onde celebras<br>O memorial da Tua santidade,<\/p>\n\n\n\n<p>Como s\u00e3o verdadeiras<br>As Tuas palavras:<br>\u00abEu habitarei e andarei no meio deles.<br>Serei o Seu Deus e eles ser\u00e3o o meu povo\u00bb.<br>Tu habitas em n\u00f3s<br>E andas connosco.<br>E nada mais h\u00e1 a desejar,<br>Do que ser Teu<br>E entrar no santu\u00e1rio que constru\u00edstes<br>No \u00edntimo do nosso ser,<br>O lugar onde reside a Tua gl\u00f3ria,<br>E cantar as maravilhas do Teu Amor.<br>Porque o Templo de Deus \u00e9 Santo<br>E n\u00f3s somos esse templo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Egino Weinert era um orante; a ora\u00e7\u00e3o sa\u00eda-lhe em forma de arte. 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