{"id":4306,"date":"2025-08-31T02:34:00","date_gmt":"2025-08-31T02:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4306"},"modified":"2025-08-26T10:08:34","modified_gmt":"2025-08-26T10:08:34","slug":"jubileu-e-esperanca-tons-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/jubileu-e-esperanca-tons-de-esperanca\/","title":{"rendered":"Jubileu e esperan\u00e7a: Tons de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>Armindo Vaz, OCD<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os registos em que se pode ler o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos b\u00edblico. Um seu motivo condutor \u00e9 o que cadencia todo o poema de tons de esperan\u00e7a. \u00c9 o motivo da procura ansiosa do amado, que aparece e desaparece para suscitar mais procura e mais esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a \u00e9 o constante alimento do amor da amada; e o amor \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o da sua esperan\u00e7a. A amada deseja impaciente o amado; tem medo de o perder. Ent\u00e3o \u00e9 salva pela esperan\u00e7a. Assegura-o Frei Lu\u00eds de Le\u00f3n, comentando o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos: \u00abO amor n\u00e3o perde a esperan\u00e7a, mesmo quando n\u00e3o tem not\u00edcias do que busca e deseja; antes, ent\u00e3o at\u00e9 se acende mais. Porque \u00e9 sempre assim: ao amor s\u00f3 o amor o encontra, s\u00f3 o amor o entende, s\u00f3 o amor o merece\u00bb (citado por El cantar m\u00e1s bello. El Cantar de los cantares de Salom\u00f3n [traducci\u00f3n y comentario de Emilia Fern\u00e1ndez Tejero] [La dicha de enmudecer; Trotta; Madrid 1998] 85).<br>Procurando o amado com avidez, o cora\u00e7\u00e3o da amada s\u00f3 se fixa nele. Da\u00ed brota nela esta incontida prece, que tudo diz, tudo pede definitivamente:<br>Mostra-me, amor da minha alma,<br>Onde apascentas o rebanho,<br>Onde descansas ao meio-dia,<br>Para que n\u00e3o ande assim perdida<br>Atr\u00e1s dos rebanhos dos teus companheiros (1,7).<br>Em escarpados esconderijos<br>mostra-me a tua figura,<br>deixa-me escutar a tua voz,<br>porque \u00e9 dulc\u00edssima a tua voz<br>e formosa a tua figura (2,14).<\/p>\n\n\n\n<p>A busca do amado torna-se esperan\u00e7a, que \u00e9 o modo supremo da procura dele e o modo mais denso de ir ao encontro dele.<br>Ao exprimir-se assim, o poeta do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos vai segredando em surdina ao seu leitor: \u2018Viver \u00e9 sempre comungar com o outro. Mas a comunh\u00e3o que j\u00e1 aconteceu n\u00e3o \u00e9 tudo o que \u00e9 poss\u00edvel. Continua a procurar com esperan\u00e7a. Ainda h\u00e1 mais amor a dar e a receber; h\u00e1 mais amor para al\u00e9m das penas e das decep\u00e7\u00f5es\u2019. O amor que o \u00e9 deveras ser\u00e1 imorredouro. Di-lo a amada:<br>N\u00e3o podem as \u00e1guas mais caudalosas apagar o amor,<br>Nem os rios afog\u00e1-lo.<br>Como se poder\u00e1 desprezar<br>A quem por amor d\u00e1 tudo quanto tem? (8,7).<br>Para o triunfo final do amor contribu\u00edram os sucessivos actos de esperan\u00e7a da amada. A esperan\u00e7a n\u00e3o a defrauda, porque a procura fiel do amor a enriquece e faz com que se transcenda no amado e se salve.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD S\u00e3o v\u00e1rios os registos em que se pode ler o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos b\u00edblico. 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