{"id":4303,"date":"2025-08-31T02:28:00","date_gmt":"2025-08-31T02:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4303"},"modified":"2025-08-26T09:59:08","modified_gmt":"2025-08-26T09:59:08","slug":"perfume-e-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/perfume-e-silencio\/","title":{"rendered":"Perfume e sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Este texto \u00e9 sobre sil\u00eancio. Para dizer a verdade ao leitor direi que bem n\u00e3o sei o que seja o sil\u00eancio, da\u00ed que aqui mais arrisque a falar sobre o que menos saiba. Como, por\u00e9m, vivo entre a brisa de Elias e o engenho de Gede\u00e3o, algo direi, sobretudo, depois que o sil\u00eancio me atingiu como um ti\u00e7\u00e3o aceso numa tarde quente de agosto, no alto de um monte seco.<br>Entre um bailarico de cabelo ao vento e o \u00edmpeto de fornalha ardente anda, pois, este texto porque, creio, por ambas balizas anda em mim o sil\u00eancio.<\/li>\n\n\n\n<li>Um pouco al\u00e9m da Senhora de Agosto deste vinte-vinte e cinco fui a Viana presidir \u00e0s ex\u00e9quias do Senhor Ara\u00fajo. Convenhamos que eu sei que ningu\u00e9m sabe quem o Senhor Ara\u00fajo foi. Afinal, ele n\u00e3o descobriu terras, n\u00e3o foi empreendedor, n\u00e3o apareceu na televis\u00e3o, n\u00e3o deu pontap\u00e9s na bola, n\u00e3o foi citado em nenhum podcast famoso, n\u00e3o se notabilizou em nada, n\u00e3o sobressa\u00eda, n\u00e3o era essencial numa prociss\u00e3o, numa banda, n\u00e3o era macaco de nenhuma claque \u2013 era um Z\u00e9 Normal, como muitos que por a\u00ed existem, com a vantagem do seu nome ser mesmo Jos\u00e9. Ah, e tamb\u00e9m n\u00e3o foi ladr\u00e3o, nem homicida, nem criminoso algum que lhe valesse fugaz apari\u00e7\u00e3o na CMtv. Foi apenas um desses homens pequeninos como o cimento que se junta \u00e0 areia e assim ajuda, h\u00e1 s\u00e9culos, a colar as pedras de edif\u00edcio famoso \u2013 e como tal, n\u00e3o se via, n\u00e3o se dava por ele, n\u00e3o sobressa\u00eda. E se tinha defeitos \u2013 e parece que tinha \u2013 foram com ele para a cova. Sim, tinha defeitos e pelo menos uma virtude: n\u00e3o se punha nunca em bicos de p\u00e9s. Essa virtude eu a aprecio cada vez mais, embora a reconhe\u00e7a em alguns outros \u2013 mas, sobretudo, entre falecidos, que aqui e agora n\u00e3o d\u00e1 para falar. Devo, pois, reconhecer que a mais afoita raz\u00e3o que mais me levou a Viana nesse dia at\u00e9 foi a de sempre lhe ter visto o tal bico dos p\u00e9s na horizontal (e nunca na vertical); sim, tal foi a raz\u00e3o mor por, naquela manh\u00e3, eu ter voado de Braga a Viana em contrarrel\u00f3gio!<br>Como alguns saber\u00e3o aquele era um dia das festas da cidade \u2013 o do Cortejo da Mordomia (?) \u2013, pelo que dos jardins \u00e0s paredes tudo bombava e me gritava festa e chieira como s\u00f3 \u00e0 beira da boca do Lima se vive e existe. Para o ano, v\u00e3o por l\u00e1 e testemunhem.<br>Por essa raz\u00e3o, cheguei em cima da hora \u00e0 igreja de S\u00e3o Francisco, onde repousava o f\u00e9retro, visto que o rendilhado labir\u00edntico de carros n\u00e3o fora f\u00e1cil de tornear e vencer. L\u00e1 dentro, o cl\u00e1ssico actual: pouca gente; ou n\u00e3o estivera a Pra\u00e7a da Rep\u00fablica a latejar ao ritmo do despique de bombos entre os de Santa Maria de Jazente e os de S\u00e3o Sebasti\u00e3o de Darque. Sim, enquanto em baixo aqueles retaliavam entre si, c\u00e1 em cima, nas faldas da encosta de Santa Luzia, o Cal\u00f3 chorava, a esposa chorava, e a neta Maria chorava. E assim foi que naquela hora de paradoxo de l\u00edquidos \u2013 uns moviam-se batidos a cerveja e a carrasc\u00e3o, outros, n\u00f3s, a l\u00e1grimas salgadas \u2013 nos ajunt\u00e1mos para lhas enxugar; n\u00f3s, quer dizer: eu, os compadres ou parceiros e um pequenino e solid\u00e1rio grupinho de amigos. Como \u00e9 de lei entre cat\u00f3licos, celebr\u00e1mos a Eucaristia, ouvindo, primeiro, a Palavra cuja esperan\u00e7a n\u00e3o engana e actualizando, depois, o mist\u00e9rio da Paix\u00e3o e Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, penhor da vida e sa\u00fade de todos n\u00f3s. Lembro que, falando diante dos restos mortais do Senhor Ara\u00fajo, recordei t\u00ea-lo conhecido, sobretudo no \u00faltimo ano de vida, durante uma nesga de tempo \u2013 tanto quanto durou a fuma\u00e7a de um calado meio cigarro que ele antecipadamente sacara do bolso da lapela. Podem retorquir-me que isso n\u00e3o d\u00e1 para nada conhecer, mas c\u00e1 para mim d\u00e1 porque para bom entendedor meio mata-ratos basta!<br>(Ah, e devo ainda dizer que entre os que compunham aquela pequenina Bet\u00e2nia mais l\u00e1grimas havia, porque entre n\u00f3s s\u00f3 se pode estar ok se tu estiveres ok. E a pequenininha fam\u00edlia n\u00e3o estava, \u00f3bvio.)<br>Sa\u00eddos da mesa eucar\u00edstica impunha-se reconfortarmos o corpo noutra mesa. Fomos, por isso, para fora de Viana, porque festa e l\u00e1grimas n\u00e3o condizem. L\u00e1 chegados, \u00e0 hora de botar os p\u00e9s debaixo da mesa, n\u00e3o o pudemos fazer porque outros, antes de n\u00f3s se tinham apropriado, e bem, do pequenino lugar. Surpreendidos, mas n\u00e3o aborrecidos, debandamos para o monte como as cabras, porque em certo lugar \u2013 a meia hora de dist\u00e2ncia \u2013 haveria uma locanda que nos receberia. Recebeu.<\/li>\n\n\n\n<li>E a seguir falo de sil\u00eancio.<br>(N\u00e3o posso prosseguir sem dizer dos variegados sabores regionais que nos saciaram, nem ocultar os que depois nos re-temperaram o esp\u00edrito, pois que tamb\u00e9m visit\u00e1mos o mosteiro de S\u00e3o Jo\u00e3o d\u2019Arga e, um pouco mais al\u00e9m, entre penhascos, galinhas e giestas, a exposi\u00e7\u00e3o Arte na Leira. Foi algures por ali que me sucedeu um sil\u00eancio que n\u00e3o sei explicar \u2013 se \u00e9 que algum existe que seja explic\u00e1vel.)<br>No carro em que viajava ia um rebuli\u00e7o sustentado pela presen\u00e7a de quatro irrequietos adolescentes e seus Iphones. Dele saindo algures, no alto do monte, ao abrir a porta, sobressaltei-me e exclamei (sendo certo ao certo n\u00e3o saber se algu\u00e9m me escuitou!):<br>\u2013 Olhem o sil\u00eancio!<br>Talvez, leitor, leitora, j\u00e1 tenhas sofrido o impacto do abrir dum forno depois da cozedura do p\u00e3o: acometendo-nos e torneando-nos, para fora sai uma baforada deliciosa no seu bafo e calorosa no seu envolvente abra\u00e7o. Tal foi o que senti naquele milissegundo em que abri a porta do carro: diante de mim e \u00e0 minha volta, vi o majestoso sil\u00eancio quente no alto daquele monte sagrado!<br>Como disse, n\u00e3o sei se o sil\u00eancio \u00e9 explic\u00e1vel \u2013 talvez n\u00e3o; e, desse que ali senti e vi, nada sei, ou pouco mais sei dizer. Embora diga ou sinta que uma coisa que assim tanto nos impacta, habita e anda por ali, vadeando-nos os passos, at\u00e9 que nos atinja e nos volva renovados e diferentes, como se a viv\u00earamos docemente, intensamente e durante muito tempo! Nada sei dizer bem, mas direi que n\u00e3o haveria por l\u00e1, naquela hora, passarinho que pipilasse ou cobra que rastejasse; e, por j\u00e1 n\u00e3o poder crescer, sossegada, a erva seca morava por ali caladamente ef\u00e9mera. E l\u00e1 em baixo, num baixio lento e cansado, um l\u00e2nguido riachuelo cabriolava de pedrinha em pedrinha, mas por quase todo ele ser bebido por um par de libelinhas, n\u00e3o fazia ru\u00eddo algum ao nosso olhar. Oh que sil\u00eancio aben\u00e7oado! Sil\u00eancio fresco! Sil\u00eancio quente! Sil\u00eancio suave! Suave sil\u00eancio!<br>(Veio, ent\u00e3o, um homem que nos tirou uma foto a todos junto a um cruzeiro do lugar; perguntei-lhe de onde fora e disse-nos que do ru\u00eddo de Viana era e dali fugira a sete p\u00e9s, buscando refresco no alto monte. Ah, caramba, pensei, afinal n\u00e3o sou s\u00f3 eu o atingido em cada poro pelas frechas do sil\u00eancio!)<br>Ah, o sil\u00eancio, o sil\u00eancio, aquele sil\u00eancio; aquele sil\u00eancio, que s\u00f3 de record\u00e1-lo, me sinto agora mesmo, conjugando um mergulho em refrescante po\u00e7o de l\u00edmpidas \u00e1guas frias. N\u00e3o \u00e9 que na hora estivesse cansado de falar, que me fugissem as palavras ou elas se se negassem a subir-me \u00e0 boca; n\u00e3o \u00e9 que eu quisesse ausentar-me dali ou me recusasse a rezar na Capela do Baptizador. N\u00e3o. N\u00e3o era que evitasse ouvir est\u00f3rias de \u00abquando aqui, nestes quart\u00e9is, fomos felizes aos 17 anos!\u00bb ou os sonhos de encontrar o Papa na JMJ de Seul em 2025. N\u00e3o era nada disso, porque aquele sil\u00eancio era espa\u00e7o de comunh\u00e3o de vida, de hist\u00f3ria e de sonho.<br>Era sil\u00eancio, era um andar entre o ad\u00e1gio e o alegro, como quem espera acompanhado, sem racionalizar nem saber o que houvera depois. N\u00e3o era ilus\u00e3o, mas um encontro, um andamento de amigos, um acolhimento de quem, ciciando, fala e sabe que n\u00e3o se pode falar tudo nem tudo ouvir, que n\u00e3o se consegue sentir tudo, que n\u00e3o se ouvir\u00e1 nunca tudo e que, em passado momentos, antes do p\u00f4r do sol, reconstru\u00eddo ainda que amachucado, dali sairia para a balb\u00fardia e o ru\u00eddo da noite do mundo.<br>Naquela tarde, como diante da bocarra dum forno, o sil\u00eancio atingiu-me o peito e envolveu-me e inundou-me em seu calor purificador. Era como r\u00e9stia da frag\u00e2ncia da origem e feriu-me como seta amiga, atravessando a cota de cruzado em campo de batalha. E depois, reencontrado e ajustado, apesar de suavemente lancetado, agraciado dali sa\u00ed e mais amigo, e bem mais sem pressas, renotando que para l\u00e1 daquele limiar, a vida continuava a sobreviver, a precisar da fala de amigos, do Amigo, porque todo o homem, como as plantas, onde melhor se rev\u00ea \u00e9 num jardim.<\/li>\n\n\n\n<li>A baixa velocidade regressei s\u00f3 no carro s\u00f3 que me levara. Abri ambas as janelas porque o calor do sil\u00eancio me levantava em chamas e minhas roupas rescendiam a intenso perfume. Quase duvidando, olhei-me ao espelho e reconheci-me. E houve ainda de reolhar-me por me haver lembrado de um conto que eu sabia existir (e fui rebuscar), porque me achava como ali o s\u00e1bio narrador narra.<br>Na Hora de V\u00e9speras fiz coro com os meus frades. E na de Completas tamb\u00e9m. E pelo meio rimos \u00e0 mesa, enquanto ce\u00e1vamos um refrescante tomate cora\u00e7\u00e3o de boi cada um. E se querem saber, fomos falando dos crimes e da profunda chaga dos inc\u00eandios nacionais e de resultados de futebol, porque eu aprendi com uma Santa que quando mais santos, mais convers\u00e1veis, at\u00e9 porque os outros podem ser mais santos que n\u00f3s!<br>E aqui termino, deixando o conto sem aumentar um ponto:<br>Estando um monge em matinas com os outros religiosos do seu mosteiro, quando chegaram aquilo do salmo, onde se diz que \u00abmil anos \u00e0 vista de Deus s\u00e3o como o dia de ontem, que j\u00e1 passou\u00bb, admirou-se grandemente, e come\u00e7ou a imaginar como aquilo podia ser. Acabadas as matinas, ficou em ora\u00e7\u00e3o, como tinha de costume: e pediu afetuosamente a Nosso Senhor se servisse de lhe dar intelig\u00eancia daquele verso. Apareceu-lhe ali, no coro, um passarinho, que cantando suavissimamente, andava diante dele dando voltas de uma para a outra parte, e deste modo o foi levando pouco a pouco at\u00e9 um bosque que estava junto do mosteiro, e ali fez seu assento sobre uma \u00e1rvore; e o servo de Deus se p\u00f4s debaixo dela a ouvir. Dali a um breve intervalo (conforme o monge julgava) tomou o voo e desapareceu com grande m\u00e1goa do servo de Deus, o qual dizia mui sentido:<br>\u2013 \u00ab\u00d3 passarinho da minha alma, para onde te fostes t\u00e3o depressa?\u00bb<br>E esperou. Como viu que n\u00e3o tornava, recolheu-se para o mosteiro, parecendo-lhe que aquela mesma madrugada depois de matinas tinha sa\u00eddo ele. Chegando ao convento, achou tapada a porta, que de antes costumava servir, e aberta outra de novo em outra parte. Perguntou-lhe o porteiro quem era, e a quem buscava. Respondeu-lhe:<br>\u2013 Eu sou o sacrist\u00e3o, que poucas horas h\u00e1 que sa\u00ed de casa, e agora torno, e tudo acho mudado.<br>Perguntado tamb\u00e9m pelos nomes do abade e do prior, e procurador, ele lhos nomeou, admirando-se muito de que n\u00e3o o deixasse entrar no convento, e de que mostrava n\u00e3o se lembrar daqueles nomes. Disse-lhe que o levasse ao abade: e posto em sua presen\u00e7a, n\u00e3o se conheceram um ao outro; nem o monge sabia que dissesse, ou fizesse, mais que estar confuso e maravilhado de t\u00e3o grande novidade. O abade ent\u00e3o, iluminado por Deus, mandou vir os anais e hist\u00f3rias da Ordem: onde, buscando, e achando os nomes que o monge apontava, se veio a averiguar com toda a clareza que eram passados mais de trezentos anos desde que o monge sa\u00edra do mosteiro at\u00e9 que tornara para ele. Ent\u00e3o, este contou o que lhe havia sucedido, e os religiosos o aceitaram como a irm\u00e3o seu do mesmo h\u00e1bito. E ele, considerado na grandeza dos bens eternos, e louvando a Deus por t\u00e3o grande maravilha, pediu os sacramentos, e brevemente passou desta vida com grande paz no Senhor.<\/li>\n\n\n\n<li>Bem-aventurado quem a inesperada seta do perfume do sil\u00eancio atinge.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4304,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4303"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4305,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4303\/revisions\/4305"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}