{"id":4276,"date":"2025-07-31T02:45:00","date_gmt":"2025-07-31T02:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4276"},"modified":"2025-07-26T08:07:09","modified_gmt":"2025-07-26T08:07:09","slug":"jubileu-das-indulgencias-a-indulgencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/jubileu-das-indulgencias-a-indulgencia\/","title":{"rendered":"Jubileu: Das indulg\u00eancias \u00e0 indulg\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><br>Armindo Vaz, OCD<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por primeira vez na hist\u00f3ria da Igreja, em 1300, o Papa Bonif\u00e1cio VIII promulgou o jubileu e instituiu a indulg\u00eancia jubilar, com a remiss\u00e3o das d\u00edvidas \u2013 agora espirituais \u2013 causadas pelos pecados: \u00abConcedemos uma indulg\u00eancia de todos os pecados, n\u00e3o s\u00f3 plena e mais abundante, mas plen\u00edssima\u00bb. Depois, a doutrina sobre as indulg\u00eancias evoluiu at\u00e9 ao Papa Francisco, que fez uma inova\u00e7\u00e3o importante: a abertura da \u00abPorta Santa \u00e9 para oferecer a experi\u00eancia viva do amor de Deus\u00bb (Bula de proclama\u00e7\u00e3o do jubileu ordin\u00e1rio 2025, <em>Spes non confundit<\/em>, 6). Colocou em primeiro plano a miseric\u00f3rdia e o perd\u00e3o de Deus oferecido gratuitamente \u00e0s pessoas que mediante a ora\u00e7\u00e3o se abrem ao dom do Pai na pessoa do Filho amoroso, em vista da reconcilia\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os: \u00abA todos, crentes e afastados, possa chegar o b\u00e1lsamo da miseric\u00f3rdia como sinal do reino de Deus j\u00e1 presente no meio de n\u00f3s\u00bb (Bula de proclama\u00e7\u00e3o do jubileu extraordin\u00e1rio da miseric\u00f3rdia em 2015, <em>Misericordiae vultus<\/em>, 5). Sublinha que a miseric\u00f3rdia \u00e9 \u00aba arquitrave que suporta a vida da Igreja\u2026 A Igreja tem a miss\u00e3o de anunciar a miseric\u00f3rdia de Deus, cora\u00e7\u00e3o pulsante do evangelho, que por meio dela deve chegar ao cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 mente de cada pessoa\u00bb (<em>Misericordiae vultus<\/em>, 10 e 12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta nova espiritualidade do jubileu j\u00e1 se fala pouco de <em>indulg\u00eancias<\/em>. Usa-se a palavra no singular, que subentende mais o amor de Deus que perdoa do que os actos de piedade para obter o perd\u00e3o. E as express\u00f5es habituais na celebra\u00e7\u00e3o dos jubileus do passado, \u00abganhar indulg\u00eancias\u00bb, \u00abremiss\u00e3o da pena temporal devida aos pecados\u00bb\u2026, dispensam-se sem perder a riqueza espiritual e humana do amor de Deus concedido. \u00abViver a indulg\u00eancia no Ano Santo significa aproximar-se da miseric\u00f3rdia do Pai com a certeza de que o seu perd\u00e3o cobre toda a vida do crente. A indulg\u00eancia \u00e9\u2026 para que o perd\u00e3o se estenda at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias aonde chega o amor de Deus\u00bb (<em>Misericordiae vultus<\/em>, 22). O jubileu recusa olhar para a vida como sem-sentido ou como fado e sugere viv\u00ea-la <em>com j\u00fabilo<\/em>: n\u00e3o \u00e9 para a condenar, mas para a recuperar e redimir, at\u00e9 nos que a consideram perdida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra mais apropriada para exprimir o conte\u00fado da <em>indulg\u00eancia<\/em> \u00e9 <em>miseric\u00f3rdia<\/em>. A indulg\u00eancia sublinha a grandeza da miseric\u00f3rdia de Deus e aponta para ela: \u00abN\u00e3o \u00e9 por acaso que na Antiguidade a palavra<em> miseric\u00f3rdia<\/em> era permut\u00e1vel com <em>indulg\u00eancia<\/em>, precisamente porque tem a inten\u00e7\u00e3o de exprimir a totalidade do perd\u00e3o de Deus que n\u00e3o conhece limites\u2026 [Cristo] \u00e9 \u201ca nossa indulg\u00eancia\u201d\u00bb (<em>Spes non confundit<\/em>, 23). A <em>Misericordiae vultus<\/em> concretiza o alcance da indulg\u00eancia: \u00abTodos n\u00f3s fazemos experi\u00eancia do pecado\u2026 Sentimos fortemente o peso do pecado. Ao mesmo tempo que notamos o poder da gra\u00e7a que nos transforma, experimentamos a for\u00e7a do pecado que nos condiciona. Apesar do perd\u00e3o, carregamos na nossa vida as contradi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o consequ\u00eancia dos nossos pecados. No sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, Deus perdoa os pecados, que s\u00e3o verdadeiramente apagados. Mas o cunho negativo que eles deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos permanece. A miseric\u00f3rdia de Deus, por\u00e9m, \u00e9 mais forte. Torna-se <em>indulg\u00eancia<\/em> do Pai que, atrav\u00e9s da Esposa de Cristo, alcan\u00e7a o pecador perdoado e o liberta de qualquer res\u00edduo das consequ\u00eancias do pecado, habilitando-o a agir com caridade, a crescer no amor em vez de recair no pecado\u00bb (n.\u00ba 22; cf. <em>Spes non confundit<\/em>, 23). A indulg\u00eancia d\u00e1 ao pecador a consci\u00eancia de redimido e de que est\u00e1 sempre frente \u00e0 bondade de Deus como Pai. Todavia, esta apresenta\u00e7\u00e3o da espiritualidade da indulg\u00eancia n\u00e3o deve levar a desconfiar da efic\u00e1cia total da miseric\u00f3rdia de Deus manifestada na vida e na morte de Jesus e comunicada no sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o; o jubileu proporciona e refor\u00e7a o clima espiritual apropriado para o confessado prolongar os frutos do sacramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os exerc\u00edcios para obter a indulg\u00eancia dos pecados, Francisco prop\u00f5e visitar \u2013 em peregrina\u00e7\u00e3o \u2013 uma bas\u00edlica, um santu\u00e1rio, uma igreja jubilar. Com isso sugere que a f\u00e9 crist\u00e3 agradece lugares e momentos que recordem concretamente os seus factos hist\u00f3ricos fundadores. Dirigir-se em peregrina\u00e7\u00e3o a um lugar considerado sagrado \u00e9, simbolicamente, demandar a terra prometida, a Jerusal\u00e9m celeste (Ap 21,1.4). \u00c9 fazer um retiro espiritual, subir ao monte de Deus, como Abra\u00e3o, Mois\u00e9s, Elias, Jesus, Paulo&#8230; A pr\u00e1tica da peregrina\u00e7\u00e3o desempenha um important\u00edssimo papel catequ\u00e9tico e de amadurecimento da vida espiritual. Libertada de express\u00f5es supersticiosas e reduzida ao seu significado genu\u00edno, constitui um verdadeiro meio de crescimento humano e espiritual. E \u00abrepresenta um elemento fundamental de todo o evento jubilar. P\u00f4r-se a caminho \u00e9 de quem anda \u00e0 procura do sentido da vida\u2026 Favorece muito a redescoberta do valor do sil\u00eancio, do esfor\u00e7o, daquilo que \u00e9 essencial\u00bb (<em>Spes non confundit<\/em>, 5). Quem faz o exerc\u00edcio sagrado da peregrina\u00e7\u00e3o proclama \u00edntima e socialmente a sua condi\u00e7\u00e3o de caminhante sobre a terra, na dureza e nas alegrias da vida; declara-se insatisfeito com o j\u00e1 realizado e desejoso de subir mais no humano e na vida do esp\u00edrito. A peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade para a descoberta, para a purifica\u00e7\u00e3o interior. \u00c9 ocasi\u00e3o para a catequese do cora\u00e7\u00e3o, sob o signo da contempla\u00e7\u00e3o, do gozo e da paz de esp\u00edrito; \u00e9 uma inicia\u00e7\u00e3o ao \u00abitiner\u00e1rio da alma para Deus\u00bb. Mais do que puro exerc\u00edcio de ascese que exige esfor\u00e7o, mortifica\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia, a peregrina\u00e7\u00e3o \u2018diz\u2019 que o seguidor de Jesus n\u00e3o se prende muito a coisas passageiras e n\u00e3o olha para tr\u00e1s, porque o <em>atr\u00e1s<\/em> j\u00e1 passou. Peregrinar \u00e9 entender que a vida \u00e9 breve e n\u00e3o h\u00e1 tempo para fazer tudo, muito menos o mal, mas s\u00f3 o bom e o melhor. Nem h\u00e1 aut\u00eantica peregrina\u00e7\u00e3o se o peregrinar f\u00edsico n\u00e3o realiza uma peregrina\u00e7\u00e3o ao interior do ser e da vida, para perceber que sentido e que orienta\u00e7\u00e3o dar-lhe. Implicando ora\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o, a peregrina\u00e7\u00e3o continua a ser uma forma irrenunci\u00e1vel de humaniza\u00e7\u00e3o. Durante uma peregrina\u00e7\u00e3o jubilar e no fim dela, reaviva-se a esperan\u00e7a humana e crente como melhor fruto da celebra\u00e7\u00e3o do jubileu.\u00a0\u00a0 <em>[continuar\u00e1]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD Por primeira vez na hist\u00f3ria da Igreja, em 1300, o Papa Bonif\u00e1cio VIII promulgou o jubileu e instituiu a indulg\u00eancia jubilar, com a remiss\u00e3o das d\u00edvidas \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4277,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4276","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4276"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4278,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4276\/revisions\/4278"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}