{"id":4235,"date":"2025-06-30T02:20:00","date_gmt":"2025-06-30T02:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4235"},"modified":"2025-06-27T09:52:37","modified_gmt":"2025-06-27T09:52:37","slug":"tres-perguntas-e-mais-uma-fazer-todo-o-bem-que-pudermos-eis-a-forca-do-escapulario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/tres-perguntas-e-mais-uma-fazer-todo-o-bem-que-pudermos-eis-a-forca-do-escapulario\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas e\u2026 mais uma: \u00abFazer todo o bem que pudermos, eis a for\u00e7a do Escapul\u00e1rio!\u00bb"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1. No contexto desta obra, qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o Escapul\u00e1rio e a ideia de \u00abVestidos de C\u00e9u\u00bb que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma boa pergunta. O livro <em>Vestidos de C\u00e9u<\/em> tem duas partes: a primeira \u00e9 composta por biografias; a segunda por ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o saberei bem dizer se o termo <em>biografias<\/em> est\u00e1 bem aplicado; sei o que quero dizer com ele: que cada texto \u2013 e s\u00e3o dezasseis, um por cada dia que antecede a Festa de Nossa Senhora do Carmo! \u2013 narra a hist\u00f3ria de vida duma pessoa que, em algum momento, foi revestido do Escapul\u00e1rio do Carmo. S\u00e3o hist\u00f3rias que li, vi, mas contaram ou a que assisti em primeira m\u00e3o; s\u00e3o hist\u00f3rias \u2013 chamo-lhes <em>est\u00f3rias<\/em> para dizer narra\u00e7\u00f5es \u2013 de pessoas que, a partir dalgum momento das suas vidas, viveram vinculadas a Nossa Senhora do Carmo, ao ponto de imitarem a Sua vida e virtudes, atrav\u00e9s do Escapul\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santo Escapul\u00e1rio do Carmo \u00e9 o motor de cada uma destas dezasseis <em>est\u00f3rias<\/em>, logo, portanto, tamb\u00e9m deste livro.<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que os cat\u00f3licos portugueses, pelo menos os mais antigos, est\u00e3o familiarizados com a narra\u00e7\u00e3o da <em>entrega<\/em> do Escapul\u00e1rio a S\u00e3o Sim\u00e3o Stock. Estando a nossa Ordem em risco de vida, Frei Sim\u00e3o increpou ao C\u00e9u um sinal de protec\u00e7\u00e3o. Que se a nossa Ordem era consagrada a Nossa Senhora, isto \u00e9, se todos os Irm\u00e3os e tudo o demais era Dela, porque n\u00e3o haveria Ela de cuidar de n\u00f3s? Porque n\u00e3o nos daria um sinal da sua protec\u00e7\u00e3o? E foi assim que a 16 de Julho de 1251, depois duma longa e intensa jornada de ora\u00e7\u00e3o, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, Nossa Senhora do Carmo apareceu a Frei Sim\u00e3o, sexto Prior Geral da Ordem e lhe entregou o Escapul\u00e1rio, dizendo-lhe: <em>\u00abRecebe, meu filho muito amado, este Escapul\u00e1rio de tua Ordem, sinal de meu amor, privil\u00e9gio para ti e para todos os Carmelitas: quem com ele morrer, n\u00e3o se perder\u00e1. Eis aqui um sinal da minha alian\u00e7a, salva\u00e7\u00e3o nos perigos, alian\u00e7a de paz e de amor eterno\u00bb<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o Escapul\u00e1rio foi trazido do C\u00e9u pelas m\u00e3os da M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e; e por Ela nos foi-nos dado, a n\u00f3s, peregrinos de esperan\u00e7a, como sinal de Sua maternal protec\u00e7\u00e3o. E \u00e9 assim que ainda hoje o usamos como prenda de Maria e como sinal de consagra\u00e7\u00e3o a Ela. E quando o digo n\u00f3s, digo as Irm\u00e3s e os Irm\u00e3os Carmelitas, religiosos e leigos que se associam a n\u00f3s pelo uso do mesmo Escapul\u00e1rio, logo pela mesma consagra\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma: O Escapul\u00e1rio veio do C\u00e9u e \u00e9 dado a quem o quiser receber e atrav\u00e9s dele imitar a vida de Quem o trouxe e no-lo deu.<\/p>\n\n\n\n<p>A mensagem do livro, resumida no seu t\u00edtulo \u00e9, pois, esta: pessoas existem que, ao n\u00edvel da excel\u00eancia da virtude, se vestem ou vestiram com o Escapul\u00e1rio do Carmo, ou seja, se vestem de C\u00e9u; e depois fazem e fizeram do caminho peregrinante das suas vias uma vida <em>marieforme<\/em>, enformada pelos modos, sentimentos e virtudes de Nossa Senhora do Carmo, e Lhe consagraram tudo: haveres e sentires, preces e dores, alegrias e esperan\u00e7as, urg\u00eancias e necessidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Se eu tivesse de apresentar o Escapul\u00e1rio a um povo que cantasse: <em>\u00abSomos um povo que caminha \/ e juntos caminhando podemos alcan\u00e7ar \/ outra cidade onde h\u00e1 justi\u00e7a\u2026\u00bb<\/em>, eu dir-lhe-ia: sim, tu que caminhas pelo p\u00f3 da terra, usa o Escapul\u00e1rio e confia; confia e boa caminhada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Que papel desempenham estas biografias na transmiss\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o carmelita?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra boa pergunta. Devemos, por\u00e9m, matizar o horizonte que ela sup\u00f5e; ou seja: creio n\u00e3o me enganar se disser que este n\u00e3o ser\u00e1 um livro que vir\u00e1 a ser muito conhecido. N\u00e3o apostaria nisso\u2026 Logo tamb\u00e9m a resposta n\u00e3o se torna muito urgente; mas a\u00ed vai, pois, em algum momento, sim, o livro contribuir\u00e1 para prolongar o amor e devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora do Carmo:<\/p>\n\n\n\n<p>Atrevo-me a dizer que o valor destas biografias \u00e9 o testemunhal: em quase oitocentos anos de tradi\u00e7\u00e3o, em todo o orbe crist\u00e3o, homens e mulheres houve que se arraigaram aos fios do Escapul\u00e1rio com todas as for\u00e7as, como quem n\u00e3o tivera outra boia de salva\u00e7\u00e3o! Pergunto, por exemplo: a que se agarraram os marinheiros espanh\u00f3is e portugueses durante as travessias das Descobertas, se n\u00e3o ao Ros\u00e1rio e ao Escapul\u00e1rio? Dir-me-\u00e3o que eram movidos pelo medo e que se agarraram ao que puderam; pois era, e n\u00f3s? A que nos agarramos n\u00f3s quando nos falha o ch\u00e3o das certezas racionais? Eu respondo: \u00e0 primeira quinquilharia factual ou espiritual que estiver ao alcance. Negue-me quem quiser, que n\u00e3o precisarei de provar. Basta olhar com olhos de ver.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas dezasseis <em>Biografias do Escapul\u00e1rio<\/em> \u2013 ressalto a cifra dezasseis porque n\u00e3o descarto, noutra hora, achegar-me \u00e0s trinta! \u2013 s\u00e3o a prova de que em todos os tempos e lugares, e em todos os contextos sociais, o Escapul\u00e1rio do Carmo representou uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, um farol orientador, uma mensagem de serenidade e de paz. O que caladamente o Santo Escapul\u00e1rio nos diz \u00e9: tens m\u00e3e, tens m\u00e3e, tens m\u00e3e! Todos temos uma M\u00e3e que nos aconchega! Que cuida de n\u00f3s! Nos ampara e abra\u00e7a! Nos adverte e at\u00e9 chora por n\u00f3s!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou eu que o digo, mas os santos e os simples biografados neste livro. N\u00e3o existe santo que n\u00e3o tivesse de suportar trag\u00e9dias, nem gente simples que n\u00e3o tivesse suportado dificuldades e contradi\u00e7\u00f5es. Uns e outros testemunham-nos que o Escapul\u00e1rio do Carmo \u00e9 um apoio em momentos de crise, \u00e9 uma <em>voz serena<\/em> que nos diz: filho, filha, tem calma! Confia! Sou tua m\u00e3e e estou contigo! Confia!<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, provavelmente n\u00e3o existiu tempo t\u00e3o \u00f3rf\u00e3o (e t\u00e3o solit\u00e1rio) como o nosso! Logo n\u00e3o existe um tempo que tanto precise do testemunho dos que nunca se sentiram abandonados ou s\u00f3s, porque pertenciam a Nossa Senhora do Carmo! A prova est\u00e1 nestas biografias que bem vale a pena ler.<\/p>\n\n\n\n<p>Se estas biografias refor\u00e7ar\u00e3o a tradi\u00e7\u00e3o mariana carmelitana de hoje? Nem duvido! Ser\u00e3o uma simples pedrinha, um cal\u00e7ozito, mas ajudar\u00e3o. E o m\u00e9rito nem \u00e9 meu, \u00f3bvio! \u00c9 de quem em nossos dias nos prova com suas <em>est\u00f3rias<\/em> que a M\u00e3e do C\u00e9u nunca nos abandona. Nunca deixa de ser M\u00e3e! Por isso, o que mais desejaria \u00e9 que dentro de cinquenta anos algu\u00e9m escrevesse as <em>Novas Biografias do Escapul\u00e1rio<\/em> para contar que, em p\u00f3s estas, muitas pessoas continuaram a testemunhar que sim, que podemos n\u00e3o querer ser filhos, mas a M\u00e3e dos Carmelitas \u00e9 sempre M\u00e3e e nos ama e nos beija, nos guarda e acalma, mesmo se chegamos a casa sujos e maltrapilhados.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, estas <em>est\u00f3rias <\/em>do Escapul\u00e1rio ajudam a fincar hoje o amor e a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora do Carmo e ao Santo Escapul\u00e1rio \u2013 n\u00e3o passamos de alicerces dos que h\u00e3o-de vir!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Como \u00e9 que este livro poder\u00e1 ser uma forma de evangeliza\u00e7\u00e3o e inspirar aos seus leitores o amor pelo escapul\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quem vai a Maria n\u00e3o fica nunca por Ela retido, nem nos seus bra\u00e7os nem no seu colo. N\u00e3o fica nem retido nem repousado. Quem se achega ao p\u00e9 da M\u00e3e, talvez nem lhe suba ao colo, por que Ela nos leva para Jesus! Essa \u00e9 a miss\u00e3o da M\u00e3e: encaminhar tudo e todos para Jesus! A sua tarefa \u00e9 n\u00e3o perder nenhum filho, nenhuma filha, mas entregar-nos todos a Jesus. Sim, somos filhos da M\u00e3e! Mas a M\u00e3e sabe que o nosso caminho e fim \u00e9 Jesus, e \u00e9 para Ele que Ela porfia e nos encaminha.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o recordo se em alguma linha do livro isso fica claramente dito. Se n\u00e3o o disse, digo-o e recordo-o agora aqui: A M\u00e3e n\u00e3o tem nada de seu, somos todos de Jesus! Todos para Jesus, a Quem Ela nos oferece e apresenta!<\/p>\n\n\n\n<p>A alian\u00e7a que pelo Escapul\u00e1rio estabelecemos com a M\u00e3e est\u00e1 sempre subordinada \u00e0 Alian\u00e7a redentora que Jesus selou com o seu Sangue! A da M\u00e3e aponta para o Filho! N\u00e3o pode ser de outra maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>(Quero, talvez, corrigir-me; sim, \u00e9 poss\u00edvel que se nos achegamos \u00e0 M\u00e3e, Ela nos tome e nos sente no Seu colo! \u00c9 bem poss\u00edvel, sim, que Ela \u00e9 a M\u00e3e de Miseric\u00f3rdia! Fa\u00e7o, por\u00e9m, uma ressalva: o colo \u00e9 Dela, mas s\u00f3 enquanto trono do Menino Jesus! O que a mim me parece aceit\u00e1vel \u00e9 que se lhe subimos ao colo ou Ela nos ampara e sustenta nos seus bra\u00e7os \u00e9 para nos colocar frente a frente a Seu divino Filho! \u00c9 como se dissesse: Jo\u00e3o, meu filho, \u00e9s de Jesus! Agora descansa junto Dele, a labuta vir\u00e1 depois!).<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que fica tamb\u00e9m impl\u00edcito outro pormenor muito consolador: a confraternidade. Por Maria somos para Jesus e somos irm\u00e3os de Jesus. E em Jesus somos todos irm\u00e3os. Por isso \u00e9 frequente, ou melhor, era antes muito frequente, que os que se consagravam em alian\u00e7a com Maria, se constitu\u00edam em confraternidades ou confrarias que, como c\u00e9lulas dum povo peregrino, depois se processionavam fraternalmente de Escapul\u00e1rio do Carmo ao peito e com suas opas pelos ombros. Ora, esse peregrinar como irm\u00e3os \u00e9 um grande sinal prof\u00e9tico que nos diz que Jesus nos quis irm\u00e3os e nos deixou o exemplo ao fazer-se nosso irm\u00e3o para caminhar connosco \u2013 e n\u00e3o \u00e9 isto uma grande mensagem evang\u00e9lica?<\/p>\n\n\n\n<p>Quero ainda ressaltar outro pormenor: quem usa o Escapul\u00e1rio, mesmo que disso n\u00e3o seja consciente, est\u00e1 sempre em ora\u00e7\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de belas palavras, de f\u00f3rmulas perfeitas ou lit\u00fargica. \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o calada, uma ora\u00e7\u00e3o afectuosa, filial, delicada, terna, serena. Sobretudo, calada. \u00c9 ora\u00e7\u00e3o porque dedica\u00e7\u00e3o olhos nos olhos a Nossa Senhora; \u00e9 imita\u00e7\u00e3o dessa Mulher toda centrada em Jesus; \u00e9 comunh\u00e3o com Ela pois que, pelo Escapul\u00e1rio participamos todos da sua ternura e do Seu sorriso, e da incans\u00e1vel delicadeza das Suas m\u00e3os!<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, quem usa o Escapul\u00e1rio, pelo facto de o usar, e isso significar uni\u00e3o com a Virgem Maria, j\u00e1 reza incessantemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quero confessar uma coisa que tenho por certa, sem que agora me ocorra alguma prova: um dia \u2013 \u00f3 feliz dia! \u2013 todos e cada um de n\u00f3s saber\u00e1 qu\u00e3o devedor \u00e9 da ora\u00e7\u00e3o dos outros; e, quem sabe: se mais devedor da ora\u00e7\u00e3o dos outros que da sua! O que quero dizer \u00e9 que se muitos usam o Escapul\u00e1rio, e com ele e atrav\u00e9s dele muito rezam, eu sei e confio que muitos mais s\u00e3o os que, sem saberem, beneficiam dessa ora\u00e7\u00e3o gentil e generosa; n\u00e3o por m\u00e9rito autom\u00e1tico de quem o usa, isso n\u00e3o, mas porque Deus assim quis!<\/p>\n\n\n\n<p>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 caridade em acto. Impulsionados pelo Escapul\u00e1rio, n\u00e3o fazer mal e fazer todo o bem que podermos \u00e9 assemelharmo-nos a Deus, e isso tem valor de salva\u00e7\u00e3o! Ora se tem, e tem, algu\u00e9m, para al\u00e9m de mim, especialmente para al\u00e9m de mim, tem de beneficiar disso! Esse benef\u00edcio silencioso e intestemunhado \u00e9 caridade da melhor e sem interesse, \u00e9 dar por dar, sem m\u00e9rito de quem d\u00e1 nem de quem recebe. \u00c9 ora\u00e7\u00e3o gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus n\u00e3o \u00e9 merceeiro que conte tost\u00f5es, mas a sua gra\u00e7a n\u00e3o pode perder-se, mesmo se se nos achega atrav\u00e9s de simples sinais sagrados, como o Escapul\u00e1rio do Carmo.<\/p>\n\n\n\n<p>A caridade \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus! Ora, com certeza que o Escapul\u00e1rio \u00e9 an\u00fancio de Evangelho; pode ser silencioso, e \u00e9; e n\u00e3o sendo palavroso \u00e9 modesto sinal e fala de Evangelho \u2013 nunca puxa para o mal, sempre para o bem, para a convers\u00e3o, a fidelidade de vida, a imita\u00e7\u00e3o de Quem no-lo deu! Pelo que sim, pelo tudo e pelo muito bem que fazemos \u00e0 Igreja e ao mundo quando usamos o Escapul\u00e1rio, considero que isso \u00e9 um acto de perfeita evangeliza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>(Quanto \u00e0 segunda parte \u00e9 melhor n\u00e3o me alongar, nem me repetir, porque, creio, j\u00e1 deixei respondido na pergunta dois. Obrigado.)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2026 e 4. E pode o Escapul\u00e1rio ser visto como um s\u00edmbolo de protec\u00e7\u00e3o e compromisso na vida dos fi\u00e9is, segundo as biografias do livro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00edmbolo de protec\u00e7\u00e3o, l\u00e1 isso \u00e9, disso tamb\u00e9m n\u00e3o haja d\u00favidas. Ali\u00e1s, isso sempre foi bem sabido e bem assumido pelos Irm\u00e3os do Carmo e pelos devotos do Escapul\u00e1rio. Isso o sabem os que o recebem e dele se revestem depois duma catequese mariana mais ou menos breve. Repare-se: quando no ano de 1251 Nossa Senhora do Carmo entregou o Escapul\u00e1rio a frei Sim\u00e3o Stock o que fez foi entregar, atrav\u00e9s dele, aos Irm\u00e3os da Ordem um avental \u2013 de que eles j\u00e1 se revestiam nas tarefas di\u00e1rias \u2013, dizendo-lhes que ele seria sinal ou s\u00edmbolo de protec\u00e7\u00e3o. Ora, um avental \u00e9 isso mesmo: n\u00e3o \u00e9 um mero sinal, \u00e9 mesmo uma veste protectora ou ent\u00e3o n\u00e3o seria avental, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 \u00f3bvio que um avental protege o corpo e a roupa da sujidade, evitando o conspurcamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinal de protec\u00e7\u00e3o l\u00e1 isso \u00e9 o Escapul\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1, por\u00e9m, n\u00e3o aceito que o seja dessa forma m\u00e1gica que em algumas circunst\u00e2ncias e eras ele foi visto e assumido. O Escapul\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um escudo com super-poderes, nem tem poderes de martilhar como o martelo de Thor! \u00c9 um paninho, melhor, dois rectangulozinhos de pano castanho; e acreditem, n\u00e3o <em>defende<\/em> de nada: nem de raios nem de coriscos, nem de borrascas nem de cheias, nem de frios nem de calores, nem de espadas nem de setas. N\u00e3o defende, n\u00e3o, disso estejam seguros.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, o que o Escapul\u00e1rio diz \u00e9 que, em nossos actos e pensamentos, na nossa vida social e de ora\u00e7\u00e3o, na nossa vida de trabalho e de ora\u00e7\u00e3o, devemos ser como o foi e viveu Quem no-lo deu. E quem no-lo deu foi a Virgem Maria, sob o t\u00edtulo de M\u00e3e e Irm\u00e3 dos Carmelitas!<\/p>\n\n\n\n<p>Recordemos: nada \u00e9 t\u00e3o poderoso como uma M\u00e3e. Apare\u00e7a uma cobra diante duma crian\u00e7a e, num salto, a M\u00e3e p\u00f5e-se ali no meio dos dois. Assim fez Ela quando o drag\u00e3o lhe quis tragar o Filho rec\u00e9m-nascido! Usar o Escapul\u00e1rio atrai o olhar da M\u00e3e benevolente e defensor. (Mas ela n\u00e3o seria boa m\u00e3e se n\u00e3o cuidasse dos outros filhos que se revestem de ganga, ou com pernas na cabe\u00e7a, ou com turbantes, ou sejam metaleiros. N\u00e3o seria boa m\u00e3e, n\u00e3o\u2026)<\/p>\n\n\n\n<p>A M\u00e3e protege-nos, sim; mas, sobretudo, acorda-nos e desperta-nos para os perigos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que, por\u00e9m, jamais consigo imaginar \u00e9 que quem usa o Escapul\u00e1rio fa\u00e7a o mal, chame-se ele falcatruas ou chame bem ao mal, desdenhe ou espezinhe algu\u00e9m, como se isso o engrandecesse como ser humano, nem da\u00ed decorressem consequ\u00eancias. O Escapul\u00e1rio Castanho \u00e9 uma branca, uma aspira\u00e7\u00e3o a nunca enfileirar pela bandeira do mal! Ao contr\u00e1rio, convida-nos a fazer sempre o bem, ou pelo menos todo o bem que pudermos. Essa \u00e9 toda a for\u00e7a e protec\u00e7\u00e3o que dele nos vem. E \u00e9 assim que eu me sinto bem usando-o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, se protege, e protege, o Escapul\u00e1rio, tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser assumido como amuleto ou esconjuro contra for\u00e7as do mal, pe\u00e7onhas, males de inveja, energias negativas mais o tera-pelot\u00e3o de negatividades que alguns fazem crer que a di\u00e1rio nos atormentam; o que te pe\u00e7o, leitor, leitora, se acaso aqui te achegaste \u00e9 que confiras o in\u00edcio desta resposta; e que tomes tamb\u00e9m por certeza que o Escapul\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 licen\u00e7a para pecar ou salvo-conduto para fazer maldades ou praticar injusti\u00e7as. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Concluo, que j\u00e1 \u00e9 hora: quando olho para Jesus vejo o ser humano mais puro (por ser tamb\u00e9m divino), de m\u00e3o mais terna e doce e, ao mesmo tempo, o ser mais fr\u00e1gil e vulner\u00e1vel, porque \u00e9 amor e s\u00f3 amor, e porque, amando-nos, jamais se desviou ou evitou algo, jamais deixou de enfrentar, muitas vezes silenciosamente, de p\u00e9, ou de joelhos, na ora\u00e7\u00e3o, toda a maldade \u2013 tal \u00e9 a \u00fanica tarefa do amor. E todo o amor \u00e9 vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de qualquer dor Jesus sempre estremece, n\u00e3o desvia jamais o olhar, traz esperan\u00e7a para o futuro. Por outro lado, todo o di\u00e1logo silencioso do Escapul\u00e1rio e o seu sereno repousar sobre o peito de quem o usa \u00e9 igualmente toque vulner\u00e1vel, como o amor do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus \u2013 toda essa vulnerabilidade do sinal de elei\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora do Carmo \u00e9, pois, tamb\u00e9m toda a sua for\u00e7a protectora.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazer todo o bem que pudermos, nunca fazer o mal e dele defendermos todos quantos pudermos, ainda que pobres e fracos, esse \u00e9 o todo o poder que o Escapul\u00e1rio inspira e se l\u00ea nos testemunhos biogr\u00e1ficos destes irm\u00e3os e irm\u00e3s que se revestiram do Escapul\u00e1rio e se publicam neste livro <em>Vestidos de C\u00e9u<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado pelas perguntas esclarecedoras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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