{"id":4156,"date":"2025-04-30T08:28:20","date_gmt":"2025-04-30T08:28:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4156"},"modified":"2025-04-30T08:28:23","modified_gmt":"2025-04-30T08:28:23","slug":"a-chama-que-nao-se-apaga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/a-chama-que-nao-se-apaga\/","title":{"rendered":"A chama que n\u00e3o se apaga"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressuscitou o Senhor!<\/p>\n\n\n\n<p>Prometeu e cumpriu, mesmo se ningu\u00e9m O esperava. Veio da escurid\u00e3o das regi\u00f5es mortais, onde, morto, O deixaram, para trazer luz \u00e0 escura noite onde os amigos cambaleavam assustados. Afinal, Ele \u00e9 a luz primeira e eterna, a que promete e cumpre. Veio, pois, porque \u00e9 promessa de vir e veio e vem. E vir\u00e1 sempre at\u00e9 ao fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sem esperarmos, sem querermos nem podermos, \u00e9 P\u00e1scoa \u2013 e tal n\u00e3o depende de n\u00f3s. \u00c9 \u00f3bvio. Levantou-se do sono do t\u00famulo e esplendeu belo e vivente no meio de n\u00f3s. O Vencedor \u00e9 o Senhor. Ele \u00e9 senhor da vit\u00f3ria e servidor dum povo assustado de morte, porque quer fazer de cada um de n\u00f3s um vencedor. Cruelmente degolado e morto foi o Cordeiro; mas ressuscitou Le\u00e3o, cujo rugido atemoriza e afasta os inimigos da luz. Agora n\u00e3o mais l\u00e1grimas, n\u00e3o mais dor, n\u00e3o mais d\u00favidas entre n\u00f3s. Assim como o sol invenc\u00edvel brilha, mesmo de Inverno por sobre as nuvens, assim a luz da ressurrei\u00e7\u00e3o impera sobre a dura lei da morte! \u00c9 Nele que vencemos, e mesmo que tenhamos iniciado em cinzas, terminamos em fogo!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>Conta o livro do \u00caxodo que durante o tempo da longa <em>peregrina\u00e7\u00e3o pelo deserto<\/em>, desde a escravid\u00e3o do Egipto at\u00e9 \u00e0 terra da promessa, onde se come o p\u00e3o da liberdade e da fraternidade, o Libertador sempre esteve com o Seu povo. Durante aquela <em>passagem <\/em>para as eiras e as mesas da liberdade, a fim de demonstrar a Sua presen\u00e7a, o Senhor servia-se duma coluna de fogo e duma coluna de nuvem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a coluna de Deus avan\u00e7ava, o povo recolhia o acampamento e seguia-O sem desanimar; mas se a coluna parava, o povo parava e montava, novamente, pacientemente, o acampamento. E se era noite e era para caminhar, a presen\u00e7a de Deus era luminosa e encorajadora, e o povo caminhava \u00e0 Sua luz. Mas se era de dia e era necess\u00e1rio caminhar \u00e0 luz do dia, ent\u00e3o a coluna era penumbrosa e consoladora como nuvem que protege do sol abrasador.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora noite, fora dia, sempre o Senhor estava com o Seu povo, para o animar e o proteger, para o guiar e consolar. E sinal dessa Presen\u00e7a era a bendita coluna de fogo ou a nuvem do Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 certa, jamais o povo duvidava da presen\u00e7a de Deus junto de si porque, grandes e pequenos, homens e mulheres, jovens, donzelas e velhinhos <em>viam <\/em>a Presen\u00e7a no meio deles em todos os momentos das suas vidas \u2013 Deus era, afinal, o centro da vida do acampamento, a luz e a vida do Seu povo!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como qu\u00e3o bela \u00e9 a noite de P\u00e1scoa! L\u00e1 fora \u00e9 noite; c\u00e1 dentro, luz! A esperan\u00e7a cumpre-se na noite vencida pela Coluna de Fogo que, passando passa pelo nosso meio, e rasga as escurid\u00f5es do universo, iluminando por inteiro cada carquilha dos nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ontem \u00e0 noite nos iluminou o C\u00edrio Pascal! Estando todos reunidos em assembleia, <em>pre\u2011sentimos e vimos<\/em> em nosso duro escuro e doloroso hoje a Presen\u00e7a luminosa do nosso Deus bem presente no meio de n\u00f3s \u2013 n\u00e3o, Ele n\u00e3o nos deixa, n\u00e3o nos deixou, nem deixar\u00e1 jamais s\u00f3s em nossas duras l\u00e1grimas e escuras depress\u00f5es. Estando, pois, reunidos todos em vig\u00edlia pascal, no in\u00edcio de t\u00e3o feliz celebra\u00e7\u00e3o o celebrante bendizeu o Fogo Novo e logo a Coluna de Fogo esplandeceu diante do olhar dos nossos cora\u00e7\u00f5es e depois, indom\u00e1vel e invenc\u00edvel, <em>passou por entre n\u00f3s<\/em> para nos aquecer, nos purificar e guiar a cada um e a cada uma, e a todos n\u00f3s, at\u00e9 aos serenos alvores da ressurrei\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Daquele Fogo Novo que <em>passou pelo meio de n\u00f3s<\/em> soltaram-se aqui e ali pequenas chamas que incendiaram, um em p\u00f3s outro, os nossos pequenos c\u00edrios de irm\u00e3os e irm\u00e3s, que \u00e9 como quem diz, todos ali reacendemos e reaquecemos cada uma das nossas vidas naquela Chama Ardente que jamais morre, jamais murcha, que nem mesmo \u00e9 vencida pelo mais terr\u00edvel mal, a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que esperados, sempre muito nos surpreendem os ritos palpitantes da vig\u00edlia pascal, sobretudo aquele <em>passar invicto <\/em>do C\u00edrio Pascal pelo meio do seu povo \u00e0s escuras. Sim, aquele <em>singelo passar <\/em>ventalha chamas e ateia inc\u00eandios nos olhos e cora\u00e7\u00f5es por onde passa! O rito \u00e9, pois, algo digno de se ver: aceso o fogo, logo as chamas se ateiam aqui e ali, e al\u00e9m, e mais al\u00e9m e ao derredor de n\u00f3s, em todos os lugares; e v\u00e3o-se partindo e repartindo por igual, em todos os cora\u00e7\u00f5es, porque o segredo \u00e9 mesmo esse: o Fogo Novo s\u00f3 \u00e9 verdadeiro se se der, repartindo-se, a fim de que ningu\u00e9m morra com fome de luz, ningu\u00e9m com fome de calor, ningu\u00e9m com fome de fraternidade. Sim, sim, na noite de P\u00e1scoa repartimos entre todos o ind\u00f3mito Fogo Pascal como quem parte e reparte saborosas migalhas de p\u00e3o. Sim, sim, repartimos, repartamos sempre o fogo todo para que ningu\u00e9m fique na sombra, ningu\u00e9m no medo, ningu\u00e9m ao abandono, ningu\u00e9m ao frio, ningu\u00e9m no n\u00e3o, ningu\u00e9m na d\u00favida, ningu\u00e9m na trai\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m na desilus\u00e3o; para que ningu\u00e9m perca o caminho, ningu\u00e9m fique para tr\u00e1s, ningu\u00e9m se canse de caminhar. A ningu\u00e9m faltem nunca brasas para cozer p\u00e3o! Sim, sim, repartimos, repartamos luz como quem \u00e0 mesa reparte p\u00e3o de l\u00f3 entre amigos, entre irm\u00e3os, porque nas durezas e agruras todos precisamos de algo doce, todos precisamos do fogo da alegria uns dos outros; e que jamais algu\u00e9m fique soprando a chama de algu\u00e9m; ningu\u00e9m brilhe menos, ningu\u00e9m mais, todos igual!<\/p>\n\n\n\n<p>Todos brilhando e ardendo sem queimar, sem consumir-se!<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem \u00e9ramos muitos os reunidos; todos incendiados em combust\u00e3o, todos juntos; juntos e reunidos em fogueira para nos atearmos fogo uns aos outros; como fogo em palheiro, todos apegando e reacendendo a f\u00e9 aos demais \u2013 ningu\u00e9m separado de ningu\u00e9m, para que jamais vento algum se permeasse entre n\u00f3s e apagasse a vela mais vacilante, o pavio mais sem esperan\u00e7a de reacendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>De fogo aceso nas m\u00e3os erguidas, juntos caminh\u00e1mos ontem \u00e0 noite em honra de Cristo, o Ressuscitado de cora\u00e7\u00e3o ardente, pois \u00e9 Ele quem em cada manh\u00e3 acende em n\u00f3s o Fogo Novo e nos incendeia com o Chama do Seu amor e, uma e outra vez, nos envia mundo fora a incendiar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o esque\u00e7amos jamais: na <em>Noite do Aleluia<\/em> reacende-se em n\u00f3s e no meio de n\u00f3s a Chama do Amor, a Coluna de Fogo do nosso Deus! Porque n\u00e3o nos quer jamais s\u00f3s, Ele nos queimou e incendiou; e foi assim que no nosso cora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a arder esse Fogo que, se n\u00e3o conseguimos guardar, tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiremos esconder: ali\u00e1s, se O guard\u00e1ssemos s\u00f3 para n\u00f3s, prontamente, Ele se mirraria e apagaria, e caindo-nos das m\u00e3os, perder-se-ia em humilhante derrota.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, crist\u00e3os, somos homens e mulheres de Fogo! Somos para arder, somos para incandescer! Somos para alumiar, somos para incendiar, dando luz e calor a quem ao lado esteja! N\u00e3o reservemos o Fogo entre cinza com medo de O perdermos! N\u00e3o o guardes jamais s\u00f3 para ti, com pena ou com medo de que a tua vela se gaste, desgaste e logo O percas! Que sim, se O guardares s\u00f3 para ti, perde-l\u2019O-\u00e1s! Pega-o em tuas altas m\u00e3os e apega-O sem medo aos cora\u00e7\u00f5es doridos e feridos, aos frios, mornos e vacilantes!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3 tu, irm\u00e3 e irm\u00e3o, que nesta P\u00e1scoa te acendeste e te incendiaste com o Fogo Sagrado, ateia tamb\u00e9m tu o Fogo Novo a quem peregrina a teu lado, a quem vive no andar de cima, na primeira casa do bairro ou na \u00faltima palhota! Se \u00e9 teu filho, diz-lhe: \u2013 <em>Filho trago-te o Fogo do Ressuscitado! Arde, meu Filho! Arde, aquece e alumia por onde teus passos te levarem e as tuas asas voarem! <\/em>E o mesmo se \u00e9 teu marido ou esposa, companheiro ou sobrinho, pai, m\u00e3e ou vizinho, amigo, amiga, ou peregrino circunstancial. Intima-os um a um para que vivam ardendo e incendiando outro algu\u00e9m! Que ningu\u00e9m arda s\u00f3, que se s\u00f3, apaga-se; que ningu\u00e9m se queime s\u00f3, porque nenhum s\u00f3 alumia a imensa e desesperan\u00e7ada noite do mundo. Afinal, o Ressuscitado passa por entre n\u00f3s todos, para que no meio de todos n\u00f3s se acabem os recantos escuros, todos os gelos, todas as d\u00favidas. N\u00e3o; Ele n\u00e3o veio incendiar apenas a Pedro, mas a Pedro e a seus irm\u00e3os. E Pedro s\u00f3 \u00e9 feliz quando todos, todos, todos juntos estivermos acesos e ardentes!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5.<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; NOTA BREVE: Este texto foi escrito no Dia de P\u00e1scoa, o domingo da luminosa ressurrei\u00e7\u00e3o. Na segunda-feira depois da missa, isto \u00e9, ainda em Dia de P\u00e1scoa, chegou-me a not\u00edcia da <em>passagem<\/em> de Francisco. Ca\u00eddo um ap\u00f3stolo fiel, outro se erguer\u00e1 como pastor bom para cada um e todos n\u00f3s. Na ter\u00e7a-feira li nas redes o seu testamento espiritual; \u00e9 este o seu come\u00e7o: <em>\u00abEm nome da Sant\u00edssima Trindade. Amen. Sentindo que se aproxima o ocaso da minha vida terrena, e com viva esperan\u00e7a na Vida Eterna, desejo exprimir a minha vontade testament\u00e1ria apenas no que respeita ao lugar da minha sepultura\u2026\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com viva esperan\u00e7a na vida eterna<\/em> tamb\u00e9m eu sei e sinto que a sua chama n\u00e3o se apagou nem jamais se apagar\u00e1. Esplender\u00e1 sempre \u2013 Deus lho concedeu e ele o mereceu para proveito dos que o seguimos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Santo Subito<\/em>, pois!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressuscitou o Senhor! Prometeu e cumpriu, mesmo se ningu\u00e9m O esperava. 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