{"id":4060,"date":"2025-02-28T02:18:00","date_gmt":"2025-02-28T02:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=4060"},"modified":"2025-02-27T13:50:24","modified_gmt":"2025-02-27T13:50:24","slug":"de-onde-se-nos-achegam-as-bem-aventurancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/de-onde-se-nos-achegam-as-bem-aventurancas\/","title":{"rendered":"De onde se nos achegam as bem-aventuran\u00e7as?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tendo-nos Jesus bem diante do olhar, frontalmente nos confronta com o relato das bem-aventuran\u00e7as. Como disc\u00edpulos bem sabemos que aquelas palavras s\u00e3o o centro e cora\u00e7\u00e3o do seu Evangelho e l\u00edmpido espelho onde devemos mirar-nos, e voltar a mirar-nos, se necess\u00e1rio cada manh\u00e3, para avaliar a nossa peregrina\u00e7\u00e3o, aprofundarmos a norma da vida crist\u00e3 a que obedecemos e a miss\u00e3o a que n\u00e3o podemos renunciar. Se bem as recordamos haveremos de reconhecer \u2013 e n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio desdobr\u00e1-lo aqui \u2013 que n\u00e3o s\u00e3o um texto f\u00e1cil de aceitar, pelo tanto que contradizem, quer as nossas aspira\u00e7\u00f5es de grandeza, quer o modo confort\u00e1vel de vivermos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Medit\u00e1-las \u00e9, pois, ainda hoje, nada mais, nada menos, que proceder \u00e0 inteira descri\u00e7\u00e3o da ternura do cora\u00e7\u00e3o de Jesus, pois quem as sabe e, sobretudo, quem as pratica, conhece de verdade tal cora\u00e7\u00e3o. Olh\u00e1-las \u00e9, enfim, contemplar o cora\u00e7\u00e3o mais belo de todos, o amor mais terno, mais puro e santo, mais generoso e dadivoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lembrar ainda dois pormenores: <em>i)<\/em> dos quatro Evangelistas, s\u00f3 Lucas e Mateus no-las legaram, e que entre os textos ambos n\u00e3o existe total simetria; <em>ii)<\/em> e em ambos os Evangelhos elas aparecem enunciadas bem ao in\u00edcio dos referidos textos, como a recordar-nos que s\u00e3o elas e n\u00e3o outras palavras, as fundamentais para a miss\u00e3o e a peregrina\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eia, pois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ponderemos, ent\u00e3o, o que me ocupa, e \u00e9 isto: como chegaram as bem-aventuran\u00e7as \u00e0 boca de Jesus? De onde arrancou Ele este texto t\u00e3o fundamental para o caminhar da comunidade crist\u00e3 de todos os tempos? Ser\u00e3o absolutamente novas ou existir\u00e3o precedentes no Antigo Testamento?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sim, creio que, sem medo, se pode dizer que as bem-aventuran\u00e7as pronunciadas para iluminarem fulgurantemente o caminho do discipulado n\u00e3o s\u00e3o inteiramente novas. Em boa verdade, devemos assumir o Antigo Testamento como um longo caminho de quase vinte s\u00e9culos at\u00e9 \u00e0 boca de Cristo \u2013 conhecer aquele percurso, desde os Patriarcas, passando pelos Ju\u00edzes, Reis e Profetas, ajuda-nos a perceber as palavras que Ele nos deixou como mapa, guia e luz para os nossos passos e prantos, m\u00e3os, olhos, mente e cora\u00e7\u00e3o. Foram quase dois mil anos de longa e bem-aventurada depura\u00e7\u00e3o \u2013 tal \u00e9 o que sempre dever\u00edamos ter presente. E n\u00e3o erramos jamais se dissermos que o longo caminho do Antigo Testamento pode resumir-se da seguinte maneira: <em>i)<\/em> tudo o que existe vem de Deus, pois Deus, por amor, tudo chamou \u00e0 exist\u00eancia (menos o mal); <em>ii)<\/em> toda a cria\u00e7\u00e3o encontra-se sujeita \u00e0 press\u00e3o do pecado que visa destru\u00ed-la, destruindo, assim, o plano amoroso de Deus para connosco e a cria\u00e7\u00e3o; <em>iii)<\/em> Deus elegeu um homem (Abra\u00e3o) e um povo (Israel) com os quais estabeleceu uma alian\u00e7a; o proveito da Alian\u00e7a \u00e9 todo nosso, entenda-se\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assumamos, pois, desde j\u00e1, que a Alian\u00e7a proposta por Deus \u00e9 a sua mais que generosa e bela resposta ao pecado da Humanidade \u2013 se, pois, o pecado, significa o rasgar da amizade entre a Humanidade e Deus, a Alian\u00e7a \u00e9 a unilateral oferta de restaura\u00e7\u00e3o dessa amizade, como se jamais Deus se lembrasse de que ela fora (e \u00e9 constantemente) rasgada e por n\u00f3s violada e vilipendiada!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a origem, sempre Deus anseia por um permanente v\u00ednculo de amor que demostre, substantivamente, a amizade que dizemos ter-lhe e que, inegavelmente, por iniciativa sua Ele nos devota. Porque tal como existe um la\u00e7o entre a m\u00e3e que amamenta, e o filho que dela depende, assim jamais Deus nos esquece mesmo quando lhe fugimos e Dele nos escondemos \u2013 como se ous\u00e1ramos sonhar que Dele nos poder\u00edamos esconder no fundo do mar ou para l\u00e1 da cortina do p\u00f3 das estrelas! Afinal, essa \u00e9 a verdade, depois de tanta e t\u00e3o repetidas alian\u00e7as, estabelecidas connosco por Deus-Pai-e-M\u00e3e nosso, o Antigo Testamento n\u00e3o conseguiu jamais manter firme essa uni\u00e3o, n\u00e3o conseguiu ser inteiro amigo de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, calcorrear a p\u00e9 os velhos barrancos do Antigo Testamento \u00e9 como percorrer uma hist\u00f3ria de amor infiel entre Israel (o eleito entre todos os povos, para ser o povo amado) de Deus. N\u00e3o raras vezes, ali\u00e1s, Deus compara o seu amado povo a uma esposa que o n\u00e3o \u00e9 em verdade, por ser, repetidamente, infiel a seu marido; pelo que chora Deus, como um pastorinho t\u00e3o desditado qu\u00e3o por n\u00f3s apaixonado, por se ver desamado e malquerido, enjeitado e trocado por mirrados desamores infi\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, ao longo de t\u00e3o longa hist\u00f3ria marcada pela escolha de Deus e pela Alian\u00e7a que nos oferece, Israel foi quase sempre um povo ingrato, casmurro e rebelde, porque contra todas as juras de amor, jamais amou a Alian\u00e7a; jamais confiou e se deixou cair nos bra\u00e7os de Deus. Enfim, o Antigo Testamento \u00e9 essa hist\u00f3ria de frequente ressesso n\u00e3o e da perman\u00eancia do nim de mau gosto, mui raramente de um firme e claro sim a Deus; e quando sim, sempre este foi t\u00e3o duradoiro como o matutino orvalho de ver\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de quase vinte alquebrados s\u00e9culos, isto \u00e9, de repetidos e consabidos n\u00e3os e de negros ultrajes \u00e0 Alian\u00e7a (a que se sucediam as duras repreens\u00f5es e castigos de Deus), surgiu, por fim, do seio doce dum <em>restinho pequenino<\/em> e santo, uma gentil menina capaz de amar a Deus por cima de tudo, e de corresponder sim com sim, ao Seu amor irrenunci\u00e1vel \u2013 sim, era menina e o seu rosto sorria, como sorri um raio de sol em negros dias penumbrosos. Chamava-se Maria. Era menina terna e gentil como as ma\u00e7\u00e3s e as pombas brancas, e a sua vida s\u00f3 queria corresponder aos la\u00e7os da amorosa Alian\u00e7a do enamorado Deus. Enfim, o que jamais haviam conseguido homens prudentes, de bra\u00e7o valente e valoroso como o dos Patriarcas e Ju\u00edzes, dos Reis e Profetas \u2013 quer dizer, o que jamais inteiramente havia alcan\u00e7ado algum dos sucessivos valentes representantes que Deus dera a seu povo amado para o guiar pela Alian\u00e7a \u2013 conseguiu-o, sim, por fim, uma desconhecida donzela de Deus eleita. Escolhida ou eleita ela foi, como antes outros muitos o haviam sido. Sim, Deus reparara na humilde e jovenz\u00edssima donzela, pertencente aquele perseverante <em>restinho humilde e sem voz<\/em> \u2013 e, sim, se ela quisesse, finalmente, Deus seria inteiramente amado por cora\u00e7\u00e3o humano; e s\u00ea-lo-ia, n\u00e3o por valente guerreiro ou samurai, mas por donzela sem sobrenome nem t\u00edtulos, sem pergaminhos nem <em>curriculum vitae<\/em>!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">7. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eis que depois duma longa hist\u00f3ria de grandezas e humilha\u00e7\u00f5es, de inenarr\u00e1veis desobedi\u00eancias e desafios a Deus, restava, enfim, esse <em>restinho <\/em>pobre e humilde, humilhado e sem voz, mas capacitado para entender a linguagem de Deus. N\u00e3o tinha voz capaz de congregar um povo, \u00e9 certo; n\u00e3o era da casta dos sacerdotes nem da dos generais, mas possu\u00eda aquela voz interior, aquele puro fiozinho de mel dourado a que se chama consci\u00eancia limpa que, diante dos infernos ou dos poderosos tronos, sempre afirma um punhado de certezas: <em>i)<\/em> n\u00e3o se pode jamais idolatrar a cria\u00e7\u00e3o; <em>ii)<\/em> n\u00e3o se pode jamais virar as costas ao Criador; <em>iii)<\/em> ningu\u00e9m pode jamais sustentar-se nem vangloriar-se nas suas riquezas; <em>iv)<\/em> n\u00e3o se pode jamais viver t\u00e3o agarrado ao presente e de costas ao futuro e ao ju\u00edzo sobre tal andar!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era, de facto, um <em>resto bem pequenino<\/em>, que ningu\u00e9m lobrigava nem via, e se via, n\u00e3o valorizava; mas era um <em>restinho<\/em> que sabia ouvir a voz de Deus por entre os ru\u00eddos que o sucesso produz, e sabia co-responder-Lhe, como a seu tempo disse a Menina:&nbsp; \u2013 Aqui estou, porque para mais n\u00e3o estou. Que s\u00f3 existo porque existes Tu e para o que Tu precisares de mim!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>\u00abFa\u00e7a-se em mim&#8230;\u00bb<\/em> \u00e9, pois, uma frase verdadeira, t\u00edpica de gente atenta e n\u00e3o distra\u00edda; dispon\u00edvel, franca e capaz de responder nada mais que a Deus. N\u00e3o de quem se habituou a fugir, para de seu divino rosto se esconder; mas de quem aguenta diante Dele, para Lhe agradar, porque nele confia, amando-O acima de tudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse recanto de ternura, ora\u00e7\u00e3o, desvelo e respeito por Deus, onde mais a M\u00e3e brilhava e esplendia, que cresceu e aprendeu Jesus. Foi nesse austero ali, remendado e aquecido pelas chamas duma lareira pequenina, que Ele medrou, sentado num mocho e de malga de caldo ou leite meio vazia nas m\u00e3os. Cresceu tisnado ao sol e a cirandar entre a cozinha de terra batida e as fitas esvoa\u00e7antes pelo ch\u00e3o da oficina de Jos\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quantas vezes n\u00e3o viu Ele a m\u00e3e descal\u00e7a e aflita, de avental passageado, sem ter no bolso do lado direito uma c\u00f4dea de p\u00e3o negro para Lhe dar! Quantas vezes n\u00e3o viu Ele as magras m\u00e3os da M\u00e3e limpando as escadas dos ricos e depois ser despedida com a paga de m\u00e1s palavras. Sim, Ele sabia pertencer \u00e0 margem onde restam os pobres que medram \u00e0 fome, que n\u00e3o t\u00eam direitos, nem trabalho, nem sal\u00e1rio, nem f\u00e9rias, nem reforma \u2013 e que ainda assim, sabem que o nome de Deus \u00e9 Pai, e n\u00e3o apenas dos pobres. Sim, Ele cresceu vendo a casta sacerdotal dizer-se aben\u00e7oada e s\u00f3 aben\u00e7oando a lauta mesa dos ricos \u2013 e como haveriam eles de aben\u00e7oar a sempre vazia dos pobres? Sim, Ele conhecia como ningu\u00e9m a dor das m\u00e3es sem direito \u00e0s migalhas das mesas fartas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus sabia pertencer \u00e0 franja fiel desses pobres, cuja f\u00e9 se sustentava na esperan\u00e7a que tudo v\u00ea, e tudo recompensa, tanto a maldade dos muitos maus, como a bondado dos poucos bons. E sabia bem o valor do p\u00e3o duro repartido por m\u00e3os s\u00f4fregas, e que Deus lhes era fiel, como o sol ao caminho. Sabia que os pobres n\u00e3o se podiam fiar dos ricos, e que os ricos apenas se fiavam de si, sem precisarem de mais algu\u00e9m, nem de Deus. E em quem, pois, haveriam de esperar os pobres, sen\u00e3o em Deus? Em quem se fiariam?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E Maria esperava em Deus, s\u00f3 em Deus esperava Maria, a filha do <em>restinho de Israel<\/em>. E Jos\u00e9 esperava em Deus, s\u00f3 em Deus esperava Jos\u00e9, o filho do <em>restinho de Israel<\/em>. E com os filhos pobres do <em>restinho de Israel<\/em> aprendeu Jesus a esperar em Deus, e s\u00f3 em Deus esperava Jesus, o pobre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que me pergunto \u00e9: a quem mais sen\u00e3o aos pobres, aos perseguidos e injusti\u00e7ados, e aos que choram a barriga vazia, pode Jesus proclamar felizes e bem-aventurados? Aos ricos fraudulentos, e aos refastelados nos canap\u00e9s do poder n\u00e3o, certamente. Afinal tudo passa, o ouro e o brilho do poder, e s\u00f3 Deus em sua fidelidade \u00e9 que n\u00e3o muda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como, pois, poderia Jesus bem-aventurar os ricos, sem que a l\u00edngua se lhe colasse para sempre ao paladar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, as bem-aventuran\u00e7as resumem um lan\u00e7o de amor que lentamente se aninhou no cora\u00e7\u00e3o dos pobres, e no de Maria, e dele verteu para Jesus e o cora\u00e7\u00e3o pobre dos irm\u00e3os de Jesus, para que dissessem ao mundo que a felicidade \u00e9 reconhecer que s\u00f3 Deus \u00e9 o primeiro em tudo, e por inteiro se d\u00e1 a quem, vazio, est\u00e1 dispon\u00edvel para O receber!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tendo-nos Jesus bem diante do olhar, frontalmente nos confronta com o relato das bem-aventuran\u00e7as. 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