{"id":3963,"date":"2024-11-30T03:06:00","date_gmt":"2024-11-30T03:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3963"},"modified":"2024-11-28T15:08:53","modified_gmt":"2024-11-28T15:08:53","slug":"o-jubileu-e-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/o-jubileu-e-a-esperanca\/","title":{"rendered":"O Jubileu e a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Armindo Vaz, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A proclama\u00e7\u00e3o do Jubileu para 2025 na Igreja por parte do Papa Francisco insere-se na longa pr\u00e1tica de celebrar um ano jubilar cada 25 anos, a partir de 1475, presidido por Sisto IV mas proclamado por Paulo II em 1470. Algumas celebra\u00e7\u00f5es jubilares tiveram o intervalo de 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica de um jubileu vem da B\u00edblia. Aparece l\u00e1 como uma institui\u00e7\u00e3o que explorava a ideia do descanso associado ao s\u00e1bado, o dia sagrado da semana. Mandava que cada 50 anos, no seguimento de sete semanas (7&#215;7 = 49) de anos, se deveria fazer repousar a terra, n\u00e3o a cultivando, e restituir os campos que tivessem sido arrendados ou vendidos desde o ano jubilar anterior; todas as propriedades urbanas deveriam ser devolvidas aos seus antigos propriet\u00e1rios ou aos seus herdeiros. Os escravos deviam ser resgatados e libertados. Jubileu deriva do hebraico yobel, originariamente \u201cchifre de carneiro\u201d, pelo latim da Vulgata, iubilaeus. Porque o chifre de carneiro era usado como trombeta para anunciar e iniciar o ano jubilar (e o anual \u00abdia da expia\u00e7\u00e3o, Yom Kippur\u00bb), passou a designar tamb\u00e9m \u201cjubileu, ano jubilar\u201d. Assim se diz no texto fundamental que descreve o funcionamento do jubileu, no Lev\u00edtico, cap\u00edtulo 25,1.8-12): \u00abO Senhor disse a Mois\u00e9s no monte Sinai\u2026: Contar\u00e1s sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de modo que as sete semanas de anos somar\u00e3o quarenta e nove anos. No s\u00e9timo m\u00eas, no dia d\u00e9cimo do m\u00eas, far\u00e1s ressoar fortemente o chifre [a trombeta\/shof\u0101r]. No dia do grande Perd\u00e3o [y\u00f4m kippur] fareis ressoar o chifre [a trombeta\/shof\u0101r] em toda a vossa terra. Declarareis santo o ano cinquenta e proclamareis pelo pa\u00eds a liberta\u00e7\u00e3o para todos os seus habitantes. Ser\u00e1 para v\u00f3s um jubileu [yobel]: voltar\u00e1 cada um de v\u00f3s \u00e0 sua propriedade e cada um voltar\u00e1 \u00e0 sua fam\u00edlia. Este ano cinquenta ser\u00e1 para v\u00f3s ano jubilar [yobel shenat]: N\u00e3o semeareis, n\u00e3o colhereis do que cresce espontaneamente, nem vindimareis as vinhas que n\u00e3o foram podadas, porque \u00e9 um jubileu [yobel], que ser\u00e1 sagrado para v\u00f3s. Comereis do campo o que ele produzir\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>O jubileu era a grande oportunidade\u00a0para restabelecer o bom relacionamento com Deus, com as pessoas e com a natureza, implicando a remiss\u00e3o de d\u00edvidas. Por isso, os primeiros tradutores da B\u00edblia hebraica (para o grego, desde o s\u00e9c. III a.C.) traduziram o \u00abano do jubileu [yobel]\u00bb como \u00abano, s\u00edmbolo da liberta\u00e7\u00e3o\/perd\u00e3o\u00bb por excel\u00eancia. Era a grande liberta\u00e7\u00e3o, por motivos humanos e religiosos, um ano de liberdade, de festa, em que o povo se sentia voltar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de libertado por Deus. De facto, aparecia como institui\u00e7\u00e3o divina, palavra de Deus a Mois\u00e9s para todo o povo (Lv 25,1).<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, no evangelho de Lucas, que quer apresentar a vida de Jesus como obra de liberta\u00e7\u00e3o universal para todos os que aderissem \u00e0 sua mensagem, na p\u00e1gina admir\u00e1vel que traz o seu discurso program\u00e1tico, colocado logo no in\u00edcio do seu minist\u00e9rio p\u00fablico (Lc 4,16-30), Jesus cita o profeta Isa\u00edas: \u00abO Esp\u00edrito do Senhor\u2026 enviou-me a proclamar aos prisioneiros a liberta\u00e7\u00e3o\u2026, a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano da gra\u00e7a do Senhor\u00bb. Este \u00abano favor\u00e1vel do Senhor\u00bb refere-se ao ano do jubileu israelita. Sendo ele pr\u00f3prio a \u201cproclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d, Jesus sugere que a sua miss\u00e3o \u00e9 anunciar e comunicar o perd\u00e3o de Deus a todos os povos, que n\u00e3o s\u00f3 ao povo de Israel. Citando assim as Escrituras, aparece a abrir o sentido delas. V\u00ea na passagem de Isa\u00edas o seu pr\u00f3prio projecto de vida humana, que dava corpo ao projecto de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que puxavam um futuro melhor e libertador para o presente, os profetas de Israel eram arautos de esperan\u00e7a para o seu povo, de uma esperan\u00e7a que n\u00e3o era espera passiva, com o desejo de que algo de bom acontecesse. Era uma esperan\u00e7a activa que fazia acontecer o bem e evitava o mal moral. A resposta a essa esperan\u00e7a, a f\u00e9 b\u00edblica \u2013 no ponto culminante da sua hist\u00f3ria \u2013 viu-a no sim e no am\u00e9n de Deus concretizado na pessoa, na palavra e na obra salvadora de Jesus de Nazar\u00e9 (2Cor 1,20). Sentiu que Deus dava o Filho \u00e0 humanidade, dando assim provas de lhe ser fiel e a garantia de que a esperan\u00e7a n\u00e3o era v\u00e3. Na apari\u00e7\u00e3o de Jesus como Filho de Deus, a liberta\u00e7\u00e3o sentida como promessa no Antigo Testamento irrompeu como o hoje de Deus, fiel a si pr\u00f3prio e aos humanos. A \u00abfeliz esperan\u00e7a e a gloriosa manifesta\u00e7\u00e3o do nosso grande Deus e salvador Jesus Cristo\u00bb (Tito 2,13) mostrava o melhor conte\u00fado da esperan\u00e7a de Israel. Os crist\u00e3os celebram essa esperan\u00e7a tornada realidade muito especialmente nas festas do Natal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD A proclama\u00e7\u00e3o do Jubileu para 2025 na Igreja por parte do Papa Francisco insere-se na longa pr\u00e1tica de celebrar um ano jubilar cada 25 anos, a partir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3956,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-3963","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jubileu-2025","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3963"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3964,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3963\/revisions\/3964"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}