{"id":3935,"date":"2024-10-31T02:54:00","date_gmt":"2024-10-31T02:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3935"},"modified":"2024-10-29T13:56:08","modified_gmt":"2024-10-29T13:56:08","slug":"a-serena-e-agradecida-oracao-do-fradinho-do-carmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/a-serena-e-agradecida-oracao-do-fradinho-do-carmo\/","title":{"rendered":"A serena e agradecida ora\u00e7\u00e3o do Fradinho do Carmo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>Um homem em chamas ou uma vela a arder, assim foi o Fradinho do Carmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se alguma const\u00e2ncia existiu na sua vida foi a sua total fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o que, aos olhos de todos, o volveu inc\u00eandio que alumiava e aquecia. Que tanto a todos atra\u00eda. Em 1934, quanto tinha quarenta e sete anos de vida, Frei Jo\u00e3o d\u2019Ascens\u00e3o encontrou o eixo da sua vida, precisamente quando Portugal, depois de terr\u00edvel guerra fratricida, se encontrava exangue, desvalido, em mar\u00e9 vaza.<br>Registemos, portanto: foi em mar\u00e9 vaza, num dos mais terr\u00edveis afundamentos da na\u00e7\u00e3o e com a religi\u00e3o reduzida a escombros que o Fradinho se volveu p\u00e3o, alimento e p\u00e9rola para os pobres que o buscavam e se lhe confiavam, ou tamb\u00e9m aqueloutros que com ele ocasionalmente se entrecruzaram. Retenhamos, pois: ao norte do pa\u00eds, inesperada fogueira se acendeu na mar\u00e9 vaza do oitocentos portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1cil \u00e9 de identificar que a primeira fase da sua vida, at\u00e9 Maio de 1834, foi de serena prociss\u00e3o claustral; j\u00e1 a segunda, depois daquele equador, foi uma vida sem claustros, sem prociss\u00f5es, sem a nervura da vida regular, logo mais exposto a qualquer vento frio ou intemp\u00e9rie que viesse a precipitar-se sobre as ancestrais ruas de Braga. Fosse Ver\u00e3o, quando ali at\u00e9 as pedras ardem, fosse Inverno, quando o duro lajedo enregela, aquelas bimilenares ruas ofereciam-se a seu passo como terno claustro em que a sua alma sabia recolher-se e rezar.<\/p>\n\n\n\n<p>Que o seja, se o \u00e9, n\u00e3o o chamo inovador \u2013 o homem no deserto da cidade, o frade que reza na cidade, que reza a cidade \u2013 mas j\u00e1 digo que, tudo tendo-lhe sido esbulhado, menos o burel, e abandonado na solid\u00e3o das vielas e ruas escuras, ent\u00e3o ali ele soube reinventar-se e rezar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em boa verdade, nem antes nem depois, jamais as marcas da sua ora\u00e7\u00e3o foram algo parecido ou comum ao que ao tempo houvera, fosse na Lit\u00fargica das Horas ou na Eucaristia, no marianismo ou na sua devo\u00e7\u00e3o pelas Almas do Purgat\u00f3rio; mas, sim, j\u00e1 se mostrou incomum no modo delicado e intenso como se incendiou e ardeu num qualquer claustro, fosse ele rectangular ou em linha.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, houve, mas se equador n\u00e3o houvera, a sua vida seria calar e calado viveria a rezar, qual c\u00edrio de altar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, sabemo-lo, os claustros ru\u00edram depois de meados de 1834; n\u00e3o por vontade de quem os al\u00e7ara, mas por alheia vol\u00fapia. Ru\u00edram, dizemo-lo, em sentido figurado, visto que os lustrosos iluminados, quando deles trataram de expulsar as sand\u00e1lias santas, ou os entregaram \u00e0s botas cardadas, o que n\u00e3o \u00e9 de todo mau, ou os humilharam debaixo dos nobres cascos das az\u00e9molas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santo Fradinho foi um dos muitos que, ao tempo, dos claustros foram enxotados. Por\u00e9m, n\u00e3o se inquietou jamais, nem jamais se acocorou. Se antes rezava como manda a Regra de Santo Alberto de Jerusal\u00e9m, de igual depois continuou a rezar. L\u00ea-se na Regra que alumia o Carmo: \u00abpermane\u00e7a cada um na sua cela, ou perto dela, meditando dia e noite na lei do Senhor e vigiando em ora\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser que se deva dedicar a outros justificados afazeres\u00bb. O verbo que no preceituado tem for\u00e7a \u00e9 \u00abpermane\u00e7a\u00bb. Ora, se ela manda permanecer, sempre ele permaneceu em ora\u00e7\u00e3o; e permaneceu antes e permaneceu depois. Que, pois, enfim, lhe importaria n\u00e3o poder rezar no claustro, se por claustro podia tomar qualquer viela, qualquer ruela ou capela? Qualquer carreiro ou pra\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Quem mais creia sempre poder cavalgar a crista da onda, tanto mais ignora o que atr\u00e1s se indiciou: \u00e9 na mar\u00e9 baixa que tesouros se acham e da escura lama se desenterram luminosas p\u00e9rolas \u2013 de id\u00eantica massa escura, a seu tempo, emergiu o Fradinho a rezar! A rezar. Rezando sempre, baixinho, e em todo tempo, e em todo o lugar, sempre em zeloso cumprimento. No seu cora\u00e7\u00e3o e na sua mente, o mesmo em suas nuas m\u00e3os e p\u00e9s descal\u00e7os, g\u00e9meos andaram e unidos, a mesma penit\u00eancia escorreita, o mesmo piedoso sil\u00eancio, a mesma ora\u00e7\u00e3o confiada, e a raiz de toda a sua vida, a caridade. Nunca nada tanto o deliciava como a considera\u00e7\u00e3o dos \u00abmist\u00e9rios da Reden\u00e7\u00e3o\u00bb, pois nada tanto lhe avivava o cora\u00e7\u00e3o como os exerc\u00edcios pios, onde se procurava recluir e, na inversa, ao olhar do povo mais o faziam resplandecer, e mais e mais o moviam \u00e0 caridade. Quem se admirar\u00e1, portanto, que sem hesitar cumpra o preceito da Regra de rezar noite e dia, de orar sem desfalecer, de permanecer tremeluzindo diante do altar e do sacr\u00e1rio? Foi isso que viram os do seu tempo e o disc\u00edpulo assim resume: \u00abA vida de Frei Jo\u00e3o era uma cont\u00ednua ora\u00e7\u00e3o. De cont\u00ednuo elevava a Deus o seu esp\u00edrito e o seu cora\u00e7\u00e3o em toda a parte e em todo o lugar\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Homem de ora\u00e7\u00e3o era e frade eucar\u00edstico e anjo dos sacr\u00e1rios de Braga.<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Jo\u00e3o d\u2019Ascens\u00e3o celebrava piamente a Eucaristia. Quando leio, e depois repito, o adv\u00e9rbio piamente s\u00f3 me lembro de certos padres que ao celebrar missa se assemelham a amena angra, \u00e0 qual os barcos acorrem para descansar, dessedentar-se ou se recompor. Ali a voz elevam, e os bra\u00e7os e as m\u00e3os fazem pequeninas ondas que, pronto, beijam o calado dos barquitos e dos navios \u2013 assim, beijando, celebrava missa, o Santo Fradinho. E em p\u00f3s celebr\u00e1-la, dizem, assistia a uma ou mais missas. Como delicada ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, quero crer. E isto de ordin\u00e1rio, n\u00e3o apenas nos dias de egresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre que podia e o mais que podia, Frei Jo\u00e3o visitava demoradamente o Sant\u00edssimo Sacramento quando exposto \u00e0 adora\u00e7\u00e3o p\u00fablica; e sem cuidar que fosse ou tivesse de ser na sua igreja, que sua n\u00e3o era nenhuma, visitava frequentemente os sacr\u00e1rios das igrejas de Braga, onde, como adorante anjo protector, longamente restava em prolongada adora\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o se fechava aqui a sua jornada de ora\u00e7\u00e3o, porque depois seguia rezando e meditando, percorrendo, passo a passo, a Via Sacra; e, por fim, terminada esta, venerava cada uma das imagens dos altares.<\/p>\n\n\n\n<p>Carmelita Descal\u00e7o ele era, e como tal amava a ora\u00e7\u00e3o de recolhimento. Ora, quem ama protege e guarda o objecto da sua devo\u00e7\u00e3o. Dizem, por isso, os de Braga, que Frei Jo\u00e3o d\u2019Ascens\u00e3o \u00abora se encontrava neste templo, assim noutro, com todo o recolhimento\u00bb. Estar em recolhimento n\u00e3o \u00e9 nunca tanto como uma Missa, mas \u00e9 muito t\u00edpico da espiritualidade do Carmo que sabe penetrar no \u00edntimo e, a s\u00f3s, recolher-se em di\u00e1logo no mais profundo centro da alma, ali onde s\u00f3 vive Deus em sua gl\u00f3ria e a n\u00f3s se une t\u00e3o intimamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Homem de ora\u00e7\u00e3o era e frade de brevi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum lugar se diz que o Carmelita Descal\u00e7o Frei Jo\u00e3o d\u2019Ascens\u00e3o, dedicado, recitava devotamente o Of\u00edcio Divino. Eu entendo que as fam\u00edlias de uma na\u00e7\u00e3o amam e honram todas a sua bandeira comum. Honram-na ou com l\u00e1grimas ou com sangue, ou com sorrisos ou com versos, ou com hinos e contin\u00eancias. Com aquele ou aqueloutro gesto, todas as fam\u00edlias se inclinam diante da bandeira da na\u00e7\u00e3o. \u00c9 isto que eu intuo quando leio que o Fradinho rezava o Of\u00edcio Divino como um mais do Carmo Descal\u00e7o; isto \u00e9, na recita\u00e7\u00e3o dos salmos manteve sempre o modo pronto, atempado, sereno e cuidado, talvez n\u00e3o t\u00e3o elevado como a \u00e1guia altiva, mas bem mais que o pardalito que ora aqui est\u00e1, ora ali, nunca nervoso como um melro, j\u00e1 t\u00e3o igual \u00e0 delicada rola quando pelos floridos prados arrulha.<\/p>\n\n\n\n<p>Rezar as Horas ao modo dos Descal\u00e7os do Carmo ser\u00e1 isso \u2013 um rezar manso como a rola. E sim, delicado e manso diante de Deus se mantinha o Fradinho, n\u00e3o uma hora, n\u00e3o duas horas, mas a di\u00e1rio essas duas benditas horas, e as outras vinte e duas que no dia cabem. N\u00e3o foi ele homem de arroubos nem de sobressaltos, n\u00e3o foi vision\u00e1rio nem agitador, antes cumpriu o que ao b\u00e1lsamo sempre se pede: car\u00edcias e ternura. Recitou os salmos com o tempero e a delicadeza do b\u00e1lsamo propiciat\u00f3rio e, depois de cumpridas as obriga\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, ficava-se como um delicado querubim diante da Arca da Alian\u00e7a. E complemente-se: para demoradamente propiciar o rosto de Deus, obviamente roubava horas ao sono e ao descanso, prolongando e estendendo a vig\u00edlia nocturna; e se disso fosse impossibilitado, levantava-se mais cedo, a fim de se dedicar a este pio exerc\u00edcio antes da comunidade alcan\u00e7ar o coro e iniciar as ora\u00e7\u00f5es matutinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Homem de ora\u00e7\u00e3o era e devotado filho da Virgem Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde tenra idade, Frei Jo\u00e3o d\u2019Ascens\u00e3o era devot\u00edssimo da Senhora do Carmo. Ainda muito jovem, do seu h\u00e1bito se revestira em sinal de total consagra\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00e3e de Deus. Ao longo da sua vida, para Ela sempre tinha sinais \u00edmpares de amor obsequioso: como ningu\u00e9m venerava o Santo Escapul\u00e1rio do Carmo, com o qual se revestia e se defendia, e devotamente o pregava e anunciava como sinal de alian\u00e7a entre M\u00e3e e seus filhos e filhas. Recitava, sempre que podia, o Of\u00edcio Parvo ou as Horas Marianas, cuja originalidade se encontra no relevo dado \u00e0 pessoa da Virgem, sem nunca, por\u00e9m, a apresentar isolada do mist\u00e9rio de Cristo e do plano de Deus para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade. E para Ela reservava muitos outros pios exerc\u00edcios, como fosse a de saud\u00e1-la com a Ave Maria sempre que, n\u00e3o se encontrando impedido, ouvia o rel\u00f3gio a dar horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui n\u00e3o podemos ignorar que o nome Carmo\u00a0\u2013 o seu amado Carmo \u2013 significa jardim. E tamb\u00e9m n\u00e3o ignoramos as aspira\u00e7\u00f5es do Fradinho em manter-se merecedor de ser filho dilecto e fiel servo da Virgem do Carmo. Em seus gestos ou palavras a ningu\u00e9m jamais feria ou magoava; e esse ningu\u00e9m \u00e9 mesmo ningu\u00e9m, nem mesmo aqueles bichinhos que causam repugn\u00e2ncia. Assistido pela gra\u00e7a e n\u00e3o sem esfor\u00e7o da sua parte, era com certeza uma alma c\u00e2ndida, um vergel de margaridas e l\u00edrios brancos que ele conservava terno e incandescente ao mesmo tempo, que o seu cora\u00e7\u00e3o de uma s\u00f3 mulher era: da Senhora e Formosura do Carmo.<br>Homem de ora\u00e7\u00e3o era e pai das Almas do Purgat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre altar e o sacr\u00e1rio, entre o trono da Senhora do Carmo e os claustros \u2013 sejam os conventuais, sejam as ruas e as vielas \u2013 eis toda a geografia orante do Santo Fradinho. A rezar Missa ou silencioso diante do tabern\u00e1culo, contemplando as vias sacras e as imagens sagradas em seus altares, rezando a Nossa Senhora e contemplando a sua imagem, ou percorrendo os claustros em fervorosa ora\u00e7\u00e3o, assim o viram, contemplaram e admiraram os portugueses pelo pa\u00eds abaixo, mormente os bracarenses em sua urbe.<\/p>\n\n\n\n<p>Duma geografia f\u00edsica aqui se trata, mas mais, sobretudo, a devocional e espiritual. Entre as devo\u00e7\u00f5es a que diariamente se entregava, a uma em especial se devotava: \u00aba de orar pelas almas do purgat\u00f3rio, visitar os sepulcros dos claustros, e sobre eles esparzir \u00e1gua benta recitando salmos e responsos\u00bb. Isso notou aquele disc\u00edpulo que escreveu um rascunho sobre a sua fisionomia espiritual, que nunca inteiramente foi dada \u00e0 luz. E notou-o ele e os muitos que em Braga viram que: \u00abn\u00e3o s\u00f3 neste tempo [de Braga], mas em todo o tempo da sua vida foi extremosa a sua caridade para com as almas defuntas\u00bb \u2013 eis o amor que delicadamente sempre arrepanhou o cora\u00e7\u00e3o do Fradinho Santo. Pelas \u00abalmas justas que est\u00e3o em penas\u00bb rezou, sofreu e entregou todas for\u00e7as da sua pr\u00f3pria alma, todo o sangue das suas veias, toda a tens\u00e3o de seus nervos. Sentia por elas uma t\u00e3o extremada dedica\u00e7\u00e3o que por elas entregava todas as indulg\u00eancias \u00abaplicando quantas podia para que estas almas fossem aliviadas e levadas a gozar da felicidade eterna\u00bb. Eis, pois, a raz\u00e3o por que nos seus dias de Braga, e j\u00e1 desde antes, a sua \u00abcaridade compassiva\u00bb em favor das \u00abalmas defuntas\u00bb se revelava notavelmente not\u00e1vel. Essa foi, assim creio, a grande obra de Frei Jo\u00e3o: rezar intensamente pelos mortos e beneficiar da sua solidariedade. Sim, rezar, rezar sempre, rezar e beneficiar do bem que fazia e animava a fazer \u00e0s almas do Purgat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos seus dias de Carmelita Descal\u00e7o exposto \u00e0 intemp\u00e9rie, sobretudo os de Braga, que \u00e9 donde as not\u00edcias mais bastas s\u00e3o, deve acrescer-se um sublinhado a esta piedosa devo\u00e7\u00e3o pelas Almas, pois se diz que se obrigava a si mesmo a \u00abpassar grande parte das noites nos claustros e nas igrejas orando sobre as sepulturas, privando-se assim do sono e do descanso para dar al\u00edvio a quem tanto dele necessitava\u00bb. Esta \u00e9 provavelmente a marca mais vincada da alma orante do Fradinho: o apre\u00e7o pela ora\u00e7\u00e3o em favor das Almas n\u00e3o inteiramente purificadas. Aquela sua t\u00e3o gentil dedica\u00e7\u00e3o expressava-se numa intensa e delicada solenidade: por elas recitava salmos e responsos e abundantemente aspergia as sepulturas de \u00e1gua benta; este tern\u00e1rio: salmos, responsos e \u00e1gua benta eram rezados e celebrados t\u00e3o demoradamente que Frei Jo\u00e3o mais parecia querer \u00absepultar-se em vida nas mesmas sepulturas\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>A demora \u00e9 a sua genu\u00edna marca d\u2019\u00e1gua, porque a sua caridade para com as Almas era sem pressas, era caridade em andamento lento, feita cuidadosa e prolongada ora\u00e7\u00e3o. Mais: a comunh\u00e3o do humilde e piedoso Descal\u00e7o com os defuntos era t\u00e3o profunda, como se quisesse sepultar-se com eles para os abra\u00e7ar, para com eles rezar de m\u00e3o dada, a fim de com eles mais brevemente gozar das eternas consola\u00e7\u00f5es. Sim, os seus p\u00e9s descal\u00e7os afagaram as h\u00famidas e frias lajes dos claustros do Carmo de Braga t\u00e3o demoradamente, como quem as acaricia e lhes faz complac\u00eancias. Tal ideia n\u00e3o \u00e9 l\u00fagubre, pois encerra uma t\u00e3o alta carga afectiva e carinhosa que, entrevendo n\u00f3s por entre os v\u00e9us do tempo, um fradinho caminhando e rezando pausado, sereno e calmo \u00e0 volta do claustro, ainda hoje tal imagem nos conforta e serena a alma. E nos recolhe em ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora\u00e7\u00e3o ele era.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD Um homem em chamas ou uma vela a arder, assim foi o Fradinho do Carmo. 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