{"id":3901,"date":"2024-09-30T02:27:00","date_gmt":"2024-09-30T02:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3901"},"modified":"2024-09-27T13:30:05","modified_gmt":"2024-09-27T13:30:05","slug":"tres-perguntas-e-mais-uma-estorias-da-historia-do-menino-jesus-de-praga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/tres-perguntas-e-mais-uma-estorias-da-historia-do-menino-jesus-de-praga\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas e\u2026 mais uma: Est\u00f3rias da Hist\u00f3ria do Menino Jesus de Praga"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. \u00c9 historiador?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seria uma honra s\u00ea-lo, mas n\u00e3o sou. E de igual modo honrado ficaria se, ao menos, fosse um pequeno aprendiz. Mas nem isso sou. Mas porque pergunta, \u00e9 por causa do livro cujo t\u00edtulo \u00e9 Est\u00f3rias da hist\u00f3ria do Menino Jesus de Praga?<br>Bem, se \u00e9 por isso, entendo a pergunta. Sim, entendo-a muito bem, pois h\u00e1 ali um fundo hist\u00f3rico, sim! Mas repare: N\u00e3o ser\u00e1 por pormos o termo hist\u00f3ria na capa de um livrinho que possamos ser tomado por historiador! Ali\u00e1s, o acento do t\u00edtulo est\u00e1 mais nas Est\u00f3rias, que na hist\u00f3ria. Ali apenas foi meu cuidado contar est\u00f3rias, jamais fazer hist\u00f3ria, neste caso da devo\u00e7\u00e3o da nossa Ordem ao Divino Menino Jesus de Praga!<br>Outros por a\u00ed haver\u00e1 cuja responsabilidade seja fazer hist\u00f3ria, mas n\u00e3o a mim. Como me compete, eu olho com muito respeito para os oficiais dessa arte e comovo-me muito com eles: queimam as pestanas\u00a0por anos a fio (e se n\u00e3o fosse quase uma heresia, diria que parecem velas a arder diante do trono do Alt\u00edssimo, tal a est\u00e2ncia e a perman\u00eancia diante do objecto do seu estudo!), percorrem milhares de quil\u00f3metros para visitar arquivos esquecidos, e perdem (ou ganham?!) anos a classificar, e tamb\u00e9m a ler latin\u00f3rio e a confrontar fontes com a inten\u00e7\u00e3o de esclarecer uma decis\u00e3o ou um singelo dia que mudou o curso de uma comunidade ou na\u00e7\u00e3o! Nem sabe como eu aprecio isso, mas n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed que me movo, pois me falham as compet\u00eancias!<br>Desculpe a divaga\u00e7\u00e3o, mas eu sou assim. Ali\u00e1s, a hist\u00f3ria do Menino Jesus de Praga j\u00e1 est\u00e1 contada e n\u00e3o pode mudar-se \u2013 O P. Alpoim diz isso no Pref\u00e1cio do livro e acerta em cheio. Ele percebeu bem que eu nem mudo nada da hist\u00f3ria, nem descobri ou acrescento factos novos; eu apenas reconto os factos j\u00e1 conhecidos e, em Portugal, s\u00e3o divulgados desde a lonjura dos tempos pelo P. Isidoro Maguna.<br>Outrossim quis, com este livrinho, falar daquela t\u00e3o terna devo\u00e7\u00e3o \u2013 talvez a mais terna do nosso cora\u00e7\u00e3o cat\u00f3lico! \u2013 ao Menino Jesus que, para n\u00f3s, carmelitas descal\u00e7os, leva o honroso t\u00edtulo de Praga (e de Avessadas, j\u00e1 agora!).<br>Seja, portanto, eu n\u00e3o fa\u00e7o hist\u00f3ria, n\u00e3o estou capacitado para isso, apenas conto est\u00f3rias, e fa\u00e7o-o com a certeza de que estas ajudam a iluminar aquela. Para mim a hist\u00f3ria volve-se mais rica e veraz se se lhe acresce essas narrativas, mesmo as mais min\u00fasculas, cujo efeito \u00e9 o dos gr\u00e3os de pimenta na comida! O que, pois, se pode ler no tal livrinho, s\u00e3o contos ou narra\u00e7\u00f5es que foram sucedendo, sobretudo em Praga, mas tamb\u00e9m por c\u00e1, ao longo do rio da hist\u00f3ria da devo\u00e7\u00e3o.<br>Resumindo a minha resposta: n\u00e3o sou historiador; dou-me por satisfeito se sou narrador de est\u00f3rias ou contos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. E o que \u00e9 o cartap\u00e1cio que diz ter achado num alfarrabista em Amesterd\u00e3o? Ele existe mesmo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existe, sim. Mas n\u00e3o est\u00e1 escrito em latim, nem \u00e9 velho. \u00c9 bastante recente, ali\u00e1s. Conto-te com gosto como tudo aconteceu: um dia fui a Praga ajoelhar-me aos p\u00e9s do Divino Menino Jesus. Isso passou-se h\u00e1 n\u00e3o muito tempo; n\u00e3o lembro o ano, mas foi no s\u00e9culo passado. Eu ia acompanhado de muitos peregrinos. De l\u00e1 uns trouxeram imagens, eu, pagelas e um livro em espanhol \u2013 \u00e9 o meu cartap\u00e1cio que me assessoreou e me inspirou a contar as benditas est\u00f3rias\u2026 Claro que n\u00e3o est\u00e3o todas no cartap\u00e1cio, mas que foi uma inspira\u00e7\u00e3o, isso foi, n\u00e3o o nego, nem isso diminui estas est\u00f3rias. E tamb\u00e9m serviu de certifica\u00e7\u00e3o nas datas e nos pormenores mais hist\u00f3ricos, o que \u00e9 muito, muito bom.<br>Como estou longe da minha biblioteca \u2013 estou de f\u00e9rias \u2013 n\u00e3o recordo bem o t\u00edtulo que leva na capa, nem lembro o nome do autor que, creio, \u00e9 de um dos nossos frades duma Prov\u00edncia italiana. Portanto, o cartap\u00e1cio existe, sim.<br>Quero, ademais, referir-me ao contexto em nasce este livro das Est\u00f3rias.<br>Antes de chegar ao formato livro, estes textos apareceram, ao longo de anos, no Mensageiro do Menino Jesus de Praga, o boletim do Santu\u00e1rio do Reizinho, em Avessadas. Portanto, foram lidos e, ainda que indirectamente, aprovados e validados pelos leitores e devotos. Sei ali\u00e1s, de alguns que esperavam pelo Mensageiro para ler a est\u00f3ria do m\u00eas, e s\u00f3 depois liam o resto. Acontece, mas nem sempre!<br>O que quero dizer \u00e9 que n\u00e3o pensei jamais escrever uma hist\u00f3ria, menos ainda em formato livro, mas t\u00e3o-s\u00f3 ir falando, passo por passo, das est\u00f3rias da hist\u00f3ria do Menino Jesus de Praga. Foi nesse contexto que me lembrei de falar do cartap\u00e1cio, porque eu precisava de dizer ao leitor: olha, eu n\u00e3o sei tudo da hist\u00f3ria da devo\u00e7\u00e3o, eu tive de ir consultar e ler, tive de me informar, e li, e informei-me, e s\u00f3 depois \u00e9 que falei, e foi assim que, por meses a fio, fui mantendo os leitores agarrados \u00e0 hist\u00f3ria do Menino Jesus de Praga. Ali\u00e1s, tal nem \u00e9 dif\u00edcil, pois os devotos do Reizinho gostam de ler, sei isso muito bem. Entenda-se: eu queria conferir alguma credibilidade \u00e0s est\u00f3rias\u00a0que que queria contar. E acho que consegui. Ali\u00e1s, se alguma data ou algum pormenor estiver menos bem contado, eu me penitencio e prometo corrigi-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>3. <strong>Se a sua inten\u00e7\u00e3o era contar, ou recontar a hist\u00f3ria da devo\u00e7\u00e3o ao Divino Menino Jesus de Praga, porque acrescentou \u00e0 hist\u00f3ria da devo\u00e7\u00e3o, por assim dizer, uma segunda parte intitulada O que ainda havia para saber?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Basicamente porque urgia fixar a hist\u00f3ria recente da devo\u00e7\u00e3o em Portugal. J\u00e1 agora, diga-se, a devo\u00e7\u00e3o ao Menino Jesus de Praga chegou rapidamente a Portugal. Chegou mais cedo a Portugal, e daqui ao Brasil, \u00e0s \u00cdndias\u2026, do que chegou a outros pa\u00edses europeus mais pr\u00f3speros! Existem, desde muito cedo, em Portugal, altares em muitas igrejas que lhe s\u00e3o dedicados! Hoje, pouca gente liga a devo\u00e7\u00e3o aos carmelitas descal\u00e7os, mas sim, ela \u00e9 nossa, ela \u00e9 aprendida do amor de nossos pais Santa Teresa e S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz a Jesus, pois Jesus Cristo \u00e9 o nosso centro, o \u00fanico Salvador. E \u00e9 j\u00e1 Salvador desde os dias da sua Encarna\u00e7\u00e3o!<br>Que maravilha poder meditar nisso\u2026<br>Ora, como \u00e9 sabido em finais de outubro de 1961, em Avessadas, Marco de Canaveses, n\u00f3s, carmelitas descal\u00e7os, constru\u00edmos o Noviciado da Ordem \u2013 o primeiro em s\u00e9culos! \u2013 e a ele adossado, o Santu\u00e1rio do Menino Jesus de Praga! Foi um feito enorme, incomensur\u00e1vel! Mais e mais, porque foi constru\u00eddo em pouco mais de um ano!<br>\u00c9 verdade que muitas coisas est\u00e3o escritas na Cr\u00f3nica do Noviciado e, depois, na da comunidade do Santu\u00e1rio. Mas como \u00e9 sabido, o cronista n\u00e3o v\u00ea tudo, n\u00e3o sabe tudo, nem escreve tudo o que sabe. Sim, h\u00e1 naquelas Cr\u00f3nicas coisas interessantes, que aparecem nestas Est\u00f3rias, mas al\u00e9m disso, existia muito mais que eu ouvia contar aos frades mais velhos, e eram preciso fixar o que eles nos contavam a n\u00f3s, mais novos, nos recreios dos nossos trabalhos e estudos. N\u00e3o se podia perder, n\u00e3o \u00e9? Sempre s\u00e3o est\u00f3rias em primeira m\u00e3o!<br>\u00c9 bom lembrar que na tarde do dia da b\u00ean\u00e7\u00e3o do Santu\u00e1rio, tomaram h\u00e1bito um bom punhado de novi\u00e7os e professaram quase outros tantos! Isto \u00e9, desde o primeiro dia o Santu\u00e1rio foi habitado por uma boa turma de santos, alguns deles jovens rebeldes, \u00e9 certo, mas todos muito piedosos e dedicados a honrar a Senhora do Carmo e o seu divino Filho! Ora, eu entendi que era chegada a hora de falar das coisas que ouvi, por exemplo ao P. Manuel de Jesus Brito, que foi meu mestre de Noviciado, ao P. Jos\u00e9 Carlos Vechina, arquivista da Ordem, ao P. Manuel Dias, e ao P. Alpoim Portugal que n\u00e3o \u00e9 desses dias, mas \u00e9 um grande ap\u00f3stolo do Reizinho. E a outros muitos\u2026 Urgia escrever a gl\u00f3ria dos dias primeiros do Santu\u00e1rio, e este era o tempo, antes que desaparecessem todas as testemunhas. Foi t\u00e3o-s\u00f3 nisso que eu reparei\u2026<br>Entendi claramente que essas est\u00f3rias n\u00e3o se podiam perder, e fiz tudo para que n\u00e3o se perdessem\u2026 Porventura, j\u00e1 algu\u00e9m reparou que, fora hoje, e n\u00e3o se construiria o Santu\u00e1rio do Reizinho? Naquele tempo fazia sentido constru\u00ed-lo, como tamb\u00e9m hoje faria, ali\u00e1s; mas hoje falham as for\u00e7as que antes sobravam, sobravam as voca\u00e7\u00f5es, as ajudas, o empenho e o engenho \u2013 e era por a\u00ed que ia a compostura da gl\u00f3ria que s\u00f3 a Deus cabe e \u00e9 devida. J\u00e1 hoje, esse caminho \u00e9 outro.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><\/ol>\n\n\n\n<p><strong>e\u2026 4. Uma \u00faltima pergunta: ficou alguma coisa por contar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quero crer que o essencial sobre aqueles gloriosos dias primeiros do Santu\u00e1rio do Menino Jesus de Avessadas estar\u00e1 dito, o que para mim \u00e9 um grande gozo. Mas \u00e9 sempre poss\u00edvel surgirem p\u00e9rolas novas. Nisso tamb\u00e9m creio.<br>Uma coisa, por\u00e9m, quero deixar aqui dita: eu n\u00e3o interroguei as testemunhas, n\u00e3o fui a elas com um formul\u00e1rio e um gravador. Ali\u00e1s, quando fui com intencionalidade, eles calaram-se. Por isso, o que registei foi tudo aquilo que ao longo de anos fui ouvindo e voltando a ouvir. E ouvi-o \u00e0 mesa, durante as refei\u00e7\u00f5es, tal como o ouvi nos recreios, nos corredores, sempre com a informalidade de quem vive junto, ri junto, reza junto e agradece junto! Nunca ningu\u00e9m me pediu ou mandou: escreve isto! Foi ao contr\u00e1rio: por t\u00ea-lo ouvido tantas vezes, achei que deveria gravar-se a letras de fogo. E assim procedi. E n\u00e3o \u00e9 por ter sido assim que tem menos valor, bem pelo contr\u00e1rio, acho eu. At\u00e9 tem mais valor, parece-me.<br>E tamb\u00e9m deixo dito que as testemunhas n\u00e3o s\u00e3o todas iguais, e se umas confirmam o dito por outros, o que confere muito conforto, outras n\u00e3o falam muito, n\u00e3o s\u00e3o dadas ao muito falar, e \u00e9 dessas que eu ainda espero p\u00e9rolas\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. \u00c9 historiador? Seria uma honra s\u00ea-lo, mas n\u00e3o sou. E de igual modo honrado ficaria se, ao menos, fosse um pequeno aprendiz. Mas nem isso sou. 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