{"id":3731,"date":"2024-03-31T03:10:00","date_gmt":"2024-03-31T03:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3731"},"modified":"2024-03-27T14:11:31","modified_gmt":"2024-03-27T14:11:31","slug":"ida-e-volta-de-yosef-de-betfage","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/ida-e-volta-de-yosef-de-betfage\/","title":{"rendered":"Ida e volta de Yosef de Betfag\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>I. IDA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Pai, quem \u00e9 aquele home que ali vai?<br>\u2013 Qual home, filho meu, de meu velho cora\u00e7\u00e3o?<br>\u2013 Aquele cujo manso burrico alomba\u2026<br>\u2013 Filho, esse homem Jesus \u00e9.<br>\u2013 O de Nazar\u00e9?<br>\u2013 Sim, esse \u00e9!<br>Homem bom e de boa palavra!<br>A mansa luz do seu olhar aben\u00e7oa os meninos,<br>os seus ditos s\u00e3o doces e divinos,<br>e suas m\u00e3os como ninhos de pardais.<br>E n\u00e3o Lhe pe\u00e7am mais,<br>que se Lho pedirem mais lhes dar\u00e1,<br>pois foi Ele que nos deu tudo quanto h\u00e1:<br>luz, \u00e1gua, grilos, montes bravios, campos sadios,<br>\u00e1guias, mares e rios, lulas e tudo o demais;<br>monstros, gelos, neves e ventos arredios,<br>as estrelas bastas como a poeira,<br>as montanhas altas como o sol, a praia e a eira,<br>o mar, o deserto e o arrebol,<br>e, depois das durezas do inverno,<br>a gentil flor da amendoeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 E \u00e9 s\u00f3 por isso, que ora O aclamam?<br>\u2013 N\u00e3o, filho, n\u00e3o tenho isso por certo,<br>que ou muito me engano, ou o povo \u00e9 incerto,<br>vol\u00favel e sem mem\u00f3ria,<br>e bem ignorante das Escrituras Sagradas,<br>e das letras da nossa hist\u00f3ria. A n\u00e3o ser assim<br>saberiam que Ele \u00e9 o Princ\u00edpio e o Fim,<br>a luz sem sombra, a ternura sem defeito,<br>a alvura sem mancha, e o amor perfeito!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Ent\u00e3o, pai, porque O aclamam e vitoriam<br>se n\u00e3o \u00e9 nem rei nem general?<br>\u2013 Rei mortal n\u00e3o \u00e9, filho meu, antes, Deus imortal;<br>e general tamb\u00e9m n\u00e3o, nem seu servi\u00e7al.<br>Mas em breve coroa lhe dar\u00e3o,<br>debruada toda ela de duro ferr\u00e3o.<br>\u00c9, como sabes, o pobre carpinteiro de Nazar\u00e9<br>cujas m\u00e3os amaciaram casqueiras de pinheiro<br>e cora\u00e7\u00f5es de rude sobreiro.<br>Com palavras e gestos por inteiro,<br>falando e rezando, esbanjou salva\u00e7\u00e3o<br>por onde passou, e a gente se humildou.<br>Suas m\u00e3os tinham calos, seus cabelos, halos.<br>Seus mansos olhos eram fogueiras ardentes,<br>tochas que alumiam a noite de qualquer lugar,<br>de qualquer cora\u00e7\u00e3o, qualquer mar.<br>Seu olhar s\u00e3o duas brancas pombas<br>que n\u00e3o distinguem os meninos,<br>o nobre filho do rico do do pobre;<br>\u00e9 manso, e perdoa sem distin\u00e7\u00e3o<br>os pecados a quem faz a renuncia\u00e7\u00e3o<br>ao mal, ao erro intencional e ao malquerer<br>de irm\u00e3 ou de irm\u00e3o de qualquer na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Que coisas me dizes, meu pai,<br>e de qu\u00e3o dif\u00edcil leitura e percep\u00e7\u00e3o elas s\u00e3o<br>ao olhar do meu cora\u00e7\u00e3o!<br>E mais, que s\u00e3o aquelas ra\u00edzes<br>que, parece, mas arrebatam ao peito?<br>\u2013 S\u00e3o espigas frescas e alecrim das nossas leiras<br>que o povo arranca e espalha pelo duro ch\u00e3o<br>manteando o caminho do Messias,<br>a fim de que as ternas patas da mansa burrinha<br>n\u00e3o arreceiem de levar Aquele que nos adv\u00e9m:<br>o Pr\u00edncipe da paz, de olhar claro e luminoso!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 E as palmas que eles agitam?<br>\u2013 S\u00e3o v\u00edtores, meu filho, s\u00e3o v\u00edtores de vit\u00f3ria<br>e de paz, e hossanas de gl\u00f3ria<br>em honra de Messias t\u00e3o esperado,<br>de rei t\u00e3o realmente desejado,<br>pois \u00e9 Ele quem traz a paz \u00e0 na\u00e7\u00e3o,<br>o \u00fanico que n\u00e3o ousa quebrar a cana fendida<br>nem apagar a fumegante torcida.<br>V\u00ea: consigo, Ele carrega a plenitude da luz,<br>da esperan\u00e7a, da justi\u00e7a e das leis<br>e nos segue como pastor e manso cordeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 E, afinal, que triunfo t\u00e3o estranho \u00e9 este, pai?<br>\u2013 Esta prociss\u00e3o que ora v\u00eas<br>\u00e9 a de quem caminha para o sacrif\u00edcio e a morte,<br>que o povo n\u00e3o lhe reserva melhor sorte.<br>Sabe, as palmas erguem-se aos reis,<br>mas estas n\u00e3o lhe s\u00e3o fi\u00e9is.<br>E O que agora monta o doce jumentinho,<br>cair\u00e1 dentro de dias sob o peso do madeiro.<br>Agora, por\u00e9m, meu filho menino, tu, segue-O,<br>que a ti a Ele te entrego!<br>Leva este ramalhete na m\u00e3o,<br>esta pequena palma da f\u00e9, o mirto da ora\u00e7\u00e3o<br>e as folhas do salgueiro,<br>porque em breve tamb\u00e9m tu te emudecer\u00e1s.<br>Canta-lhe, agora, ao dorido cora\u00e7\u00e3o como tur\u00edbulo feliz.<br>Brande, alegre e jubiloso, o ar no seu torno,<br>mas no fim n\u00e3o te esque\u00e7as e traze-mo<br>para que ele sempre me fale da sua humildade,<br>fidelidade e mansid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>   <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>II. Volta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Pai! Pai! Meu pai!\u2026<br>\u2013 Meu filho, Yosef! Meu filho!<br>Meu filho pequenino, meu doce Abel,<br>que h\u00e1 uma semana te cuido perdido!<br>Jahv\u00e9 \u2013 louvado seja Ele \u2013 te resguardou!<br>Meu filho, que para sempre perdido te julguei!<br>Teus irm\u00e3os te rebuscam p\u2019la Cidade do Messias!<br>E se acaso n\u00e3o regressam<br>\u00e9 porque por l\u00e1 n\u00e3o te encontram!<br>Onde te meteste tu, meu filho?<br>Que te sucedeu, meu querido menino?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Pai, abre-me teus bra\u00e7os santos,<br>abre-me teus bra\u00e7os, e abra\u00e7a-me, pai,<br>por favor, pois sem ti me senti t\u00e3o perdido!<br>E quem ao caminho deles me achegou<br>foi este manso burriquinho<br>que tem n\u00e3o sei qu\u00ea de divino,<br>pois em todo o tempo me amparou!<br>\u2013 Ai, filho, esse burrico que trazes e te trouxe<br>\u00e9 de nosso primo Eli\u00e9zer!<br>Vamos, descansa, liberta o animal no nosso beiral<br>que, pronto, ao dono, o haveremos de devolver.<br>\u2013 N\u00e3o, pai, deixa-me ficar com ele!<br>Somos co-irm\u00e3os,<br>que este foi o burrinho do Salvador!<br>\u2013 Vamos, descansa, filho!<br>Vai agora pra dentro consolar tua m\u00e3e, Lia,<br>que noite e dia chora e nada come,<br>por te julgar para sempre perdido!<br>Prestes Jahv\u00e9 nos devolver\u00e1 teus irm\u00e3os,<br>ou assim teu velho pai espera e cr\u00ea,<br>que a nenhum de v\u00f3s quero perder!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Sim, sim, minha m\u00e3e, pronto, irei consolar,<br>mas agora, junto de ti, meu pai, quero ficar.<br>\u2013 Queres ent\u00e3o, em meus bra\u00e7os adormecer?<br>\u2013 N\u00e3o, meu pai, n\u00e3o quero, que grande j\u00e1 eu sou!<br>Teu filho, sim, eu sou, mas n\u00e3o mais menino!<br>\u00c9 que eu vi o que nenhum home deveria ver:<br>a morte de seu Mestre, seu Deus e Salvador!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Conta-me, pois, meu filho querido,<br>o que visto tu? Porque te n\u00e3o adormece a alma?<br>\u2013 Vi a Deus com meus olhos<br>montando um burrico de paz, vi-O caminhando<br>e tomando por disc\u00edpulo um rapaz!<br>Vi-O chorando ao ver a Cidade Santa<br>que O n\u00e3o soube merecer!<br>\u2013 Ai, meu filho, estou a ver!<br>Definitivamente tu \u00e9s um eleito do Alt\u00edssimo,<br>a quem foi dado ver o que nenhum s\u00e9culo viu!<br>\u2013 Seja, meu querido pai!<br>Eu vi o Mestre a ensinar as multid\u00f5es;<br>vi o Profeta a expulsar os vendilh\u00f5es!<br>Vi o Messias, sozinho, a rezar no Monte<br>e a purificar o Templo com o Seu exemplo!<br>Vi-o quase ca\u00e7ado em ciladas e discuss\u00f5es,<br>e vi nossos chefes calados e perturbados<br>sem conseguir responder \u00e0s suas raz\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Tudo isso viste, meu filho?<br>\u2013 Tudo isso vi, meu pai!<br>\u2013 E como tanta certeza tens?<br>\u2013 Tudo vi claramente visto!<br>Vi, perto da Hora, que Ele me tomou pela m\u00e3o<br>e me disse: \u00abA ti, Yosef, te entrego este burrico<br>forte, meigo, manso e esperto,<br>que recolheu as palmas que eram para mim!<br>Toma-o, \u00e9 teu, e a seu tempo te devolver\u00e1<br>a teu pai, Asher de Bet\u00e2nia!<br>E a ti mais te digo: Eu te constituo testigo<br>destes duros dias de contradi\u00e7\u00e3o:<br>viste a figueira que secou?<br>Viste este povo que n\u00e3o se calou?<br>N\u00e3o te cales tu tamb\u00e9m jamais,<br>e dize por aqui e por al\u00e9m o mais<br>que o Messias disse e fez!<br>Eis que, muitos esperaram ouvir e n\u00e3o ouviram,<br>esperam ver e n\u00e3o viram, nem bem nem mal!<br>Guarda-o para ti, que a seu tempo o dir\u00e1s!\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Filho meu, e que mais te disse o Messias?<br>\u2013 Que no 13 de Nisan seguisse o homem da bilha<br>at\u00e9 a sala de cima, onde a p\u00e1scoa comeria<br>e o \u00faltimo vinho na terra Ele beberia!<br>No dia concertado, diligente, eu o segui,<br>e do cordeiro e ervas amargas comi.<br>Vi ainda Judas com a m\u00e3o no seu prato,<br>e logo para a sombra, r\u00e1pido sair o vi,<br>para o doce Mestre trair.<br>E mais n\u00e3o entendi, pois adormeci,<br>e por ali me aconchegou a Venturosa.<br>E quando inda o Fanfarr\u00e3o n\u00e3o cria no perd\u00e3o,<br>incans\u00e1vel, de novo vi depois a Chorosa,<br>a Lacrimosa, prestimosa a todos consolando,<br>como fonte santa do bem t\u00e3o esperan\u00e7ado!<br>E feliz vi o dia primeiro, o da Ressurrei\u00e7\u00e3o,<br>o da nova gera\u00e7\u00e3o, o da inteira cria\u00e7\u00e3o,<br>inundar todo o ar de luz, de paz e de b\u00ean\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD I. IDA \u2013 Pai, quem \u00e9 aquele home que ali vai?\u2013 Qual home, filho meu, de meu velho cora\u00e7\u00e3o?\u2013 Aquele cujo manso burrico alomba\u2026\u2013 Filho, esse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3721,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3731","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cursos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3732,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3731\/revisions\/3732"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}