{"id":3635,"date":"2023-12-31T06:52:00","date_gmt":"2023-12-31T06:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3635"},"modified":"2023-12-22T08:53:22","modified_gmt":"2023-12-22T08:53:22","slug":"natal-e-trindade-divina-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/natal-e-trindade-divina-ii\/","title":{"rendered":"Natal e Trindade divina \u2013 II"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Armindo Vaz, OCD<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como v\u00edamos celebrando o Natal de Jesus, por muitas outras raz\u00f5es que procuremos para a encarna\u00e7\u00e3o de Deus nele, na B\u00edblia s\u00f3 o seu amor nos sai ao caminho: fez-se homem em Jesus por amor. A Teologia \u00e9 que descobriu outra raz\u00e3o no suposto pecado de Ad\u00e3o, inexistente (para compreender essa inexist\u00eancia, remetemos para o livro <em>Cria\u00e7\u00e3o divina sem pecado humano<\/em>, Paulinas Editora 2023). \u00c9 mesmo significativo \u2013 interessante para os carmelitas \u2013 constatar que na longa romanza em que S. Jo\u00e3o da Cruz canta a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o desde \u201co princ\u00edpio\u201d at\u00e9 ao nascimento de Jesus, a encarna\u00e7\u00e3o est\u00e1 pedida e prevista no \u00e2mbito da cria\u00e7\u00e3o; sente-se e acontece no desenvolvimento da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e como ponto culminante dela. Para suposta estranheza dos te\u00f3logos contempor\u00e2neos, o te\u00f3logo m\u00edstico carmelita n\u00e3o diz que a encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus em Jesus foi causada por um pecado do homem. Nem sequer fala de pecado. De que fala ent\u00e3o? Em linha com S. Paulo, fala de amor a v\u00e1rios n\u00edveis, de amor a Tr\u00eas, amor que \u201cno princ\u00edpio\u201d concebe o plano de salva\u00e7\u00e3o e amor que o executa: \u201cNo princ\u00edpio morava o Verbo, \/ e o Verbo em Deus vivia\u2026 \/ Assim a gl\u00f3ria do Filho \/ \u00c9 a que no Pai havia\u2026 \/ Como o amado no amante \/ Um no outro residia, \/ E aquele amor que os une \/ No mesmo coincidia\u2026 \/ Tr\u00eas pessoas e um amado \/ Entre todos tr\u00eas havia; \/ Um amor em todas elas \/ Um s\u00f3 amante os fazia: \/ O amante \u00e9 o amado \/ Em que cada qual vivia\u2026 \/ Pois o amor, quanto mais uno, \/ Tanto mais amor fazia. \/ Em aquele amor imenso \/ Que de ambos procedia \/ Palavras de grande gozo \/ O Pai ao Filho dizia: \/ \u00abUma esposa que te ame [Humanidade], \/ Meu Filho, dar-te queria, \/ Que por teu amor mere\u00e7a \/ Ter a nossa companhia\u00bb \/ \u00abMuito te agrade\u00e7o, Pai, \/ \u2013 O Filho lhe respondia \u2013 \/ \u00c0 esposa que me deres \/ A minha luz eu daria\u2026\u00bb \/ \u00abFa\u00e7a-se, pois, disse o Pai, \/ Teu amor o merecia\u00bb. \/ E neste dito que disse \/ o mundo criado havia\u201d. E, depois de longa espera da encarna\u00e7\u00e3o do Filho [no fim da romanza], o Pai\u2026 \u201cchamou ent\u00e3o um arcanjo \/ Que Gabriel se dizia \/ E enviou-o a uma donzela \/ Que se chamava Maria\u2026, \/ Na qual a Suma Trindade \/ De carne o Verbo vestia. \/ E, embora de tr\u00eas a obra, \/ Somente num se fazia; \/ Ficou o Verbo encarnado \/ Em o ventre de Maria. \/ E o que tinha apenas Pai, \/ Tamb\u00e9m j\u00e1 M\u00e3e possu\u00eda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como se v\u00ea, Deus trino n\u00e3o \u00e9 um dogma est\u00e1tico, nem um deus abstracto. \u00c9 Deus em ac\u00e7\u00e3o e em movimento de amor na hist\u00f3ria humana. J\u00e1 o Antigo Testamento, a B\u00edblia hebraica, diz que caminhava no meio do povo e perdoava o seu pecado hist\u00f3rico; era \u00abDeus para n\u00f3s\u00bb. No Novo Testamento conjuga-se em tr\u00eas Pessoas, um Deus cujo ser \u00e9 amar; e no momento em que deixasse de amar deixaria de ser. E o seu amar, chegado at\u00e9 n\u00f3s em Jesus, \u00e9 salva\u00e7\u00e3o. O seu amor \u00e9 que nos salva: \u201cDeus n\u00e3o mandou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele; quem cr\u00ea nele n\u00e3o \u00e9 condenado\u201d (Jo 3,17-18).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E agora podemos arredondar esta reflex\u00e3o. Costumamos dizer \u2013 tamb\u00e9m porque o Novo Testamento o diz \u2013 que Jesus, enviado do Pai, nos veio libertar e nos liberta do nosso pecado pessoal pelo Esp\u00edrito Santo: \u201co amor de Deus foi derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u201d (Rm 5,5). Mas este acto de f\u00e9 poderia entender-se assim: Jesus salvou-nos pelo amor, pelo seu amor, que era amor de Deus; e tanto amor perdoou e cancelou os pecados: \u201cEle\/Deus mesmo nos amou enviando o seu Filho como v\u00edtima de perd\u00e3o dos nossos pecados\u201d (1Jo 4,10), como se o perd\u00e3o dos pecados fosse uma concretiza\u00e7\u00e3o do amor que salva. De facto S. Agostinho remata a este prop\u00f3sito: \u201cOnde h\u00e1 amor n\u00e3o \u00e9 preciso o perd\u00e3o, porque quando amas, amas e basta\u201d. Deus salva com o seu Amor. O amor \u00e9 o poder mais forte que existe em Deus: \u00e9 no amor que Ele \u00e9 omnipotente. E tanto amor anula o pecado, como o fogo purifica as impurezas do madeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sublime realidade! De gra\u00e7a! Gra\u00e7as a Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito! E n\u00f3s, que temos de fazer? Um acto de f\u00e9 e de ades\u00e3o a Jesus: \u201cTanto amou o mundo que lhe deu o seu Filho unig\u00e9nito, para que todo <em>aquele que cr\u00ea nele<\/em> n\u00e3o pere\u00e7a mas <em>tenha a vida definitiva<\/em>\u201d. N\u00f3s s\u00f3 conhecemos bem o excesso do amor de Deus para connosco quando o acolhemos e vivemos \u00e0 medida e ao estilo do evangelho de Jesus. Foi esse conhecimento que o evangelho deu \u00e0 vida dos santos. A f\u00e9 em Jesus j\u00e1 \u00e9 experi\u00eancia de vida, enquanto abertura ao Amor, ao Esp\u00edrito de Deus Pai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD Como v\u00edamos celebrando o Natal de Jesus, por muitas outras raz\u00f5es que procuremos para a encarna\u00e7\u00e3o de Deus nele, na B\u00edblia s\u00f3 o seu amor nos sai [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3636,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3635"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3637,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3635\/revisions\/3637"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3636"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}