{"id":3626,"date":"2023-12-31T06:43:00","date_gmt":"2023-12-31T06:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3626"},"modified":"2023-12-22T08:44:45","modified_gmt":"2023-12-22T08:44:45","slug":"um-fogo-no-meio-da-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/um-fogo-no-meio-da-noite\/","title":{"rendered":"Um fogo no meio da noite*"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Frei Francisco Maria Bragu\u00eas, OCD<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eis-nos chegados ao m\u00eas de dezembro, ao m\u00eas em que publicaremos o \u00faltimo texto dedicado a Santa Teresinha neste ano jubilar que estamos a viver. Ao longo destes doze meses, procur\u00e1mos olhar, contemplar, refletir, aprender e aprofundar a partir desta figura \u00edmpar da hist\u00f3ria da Igreja e da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 15 de outubro, o Papa Francisco publicou uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica intitulada <em>C\u2019est la confiance<\/em>, \u00absobre a Confian\u00e7a no Amor Misericordioso de Deus\u00bb. Tamb\u00e9m o Santo Padre quis marcar este ano jubilar com um texto do seu punho, onde sintetiza a profunda e riqu\u00edssima doutrina espiritual de Santa Teresinha a partir da t\u00f3nica da confian\u00e7a. A data escolhida \u00e9 tamb\u00e9m especial. N\u00e3o se trata de um dia relativo \u00e0 pequena Teresinha, mas sim a Teresa de Jesus, ao dia em que a Igreja recorda essa grande mulher. O Papa explica: \u00abN\u00e3o quis publicar esta Exorta\u00e7\u00e3o em nenhuma dessas datas, nem no dia da sua Mem\u00f3ria, para que a mensagem se situe para l\u00e1 dessas ocorr\u00eancias e seja assumida como parte do tesouro espiritual da Igreja. A data da presente publica\u00e7\u00e3o, Mem\u00f3ria de Santa Teresa de \u00c1vila, quer apresentar Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face como fruto maduro da reforma do Carmelo e da espiritualidade da grande Santa espanhola\u00bb (<em>C\u2019est la confiance<\/em>, 4).<\/p>\n\n\n\n<p>O convite que fa\u00e7o ao leitor \u00e9, naturalmente, debru\u00e7ar-se sobre este documento que merece a nossa leitura atenta. O Santo Padre aproxima-se de Santa Teresinha do Menino Jesus e l\u00ea-a com a clave da confian\u00e7a, como o pr\u00f3prio t\u00edtulo indica. <em>C\u2019est la confiance<\/em> s\u00e3o palavras da pr\u00f3pria Teresinha, dirigidas \u00e0 Irm\u00e3 Maria do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, numa carta de 17 de setembro de 1896: \u00abS\u00f3 a confian\u00e7a e nada mais do que a confian\u00e7a deve conduzir-nos ao Amor\u00bb. A jovem carmelita francesa compreendeu que a confian\u00e7a \u00e9 o caminho que nos conduz ao amor apaixonado de Deus e ao exerc\u00edcio do amor para com os nossos irm\u00e3os: \u00abN\u00e3o h\u00e1 outra via que devamos percorrer para ser conduzidos ao Amor que tudo d\u00e1. Com a confian\u00e7a, a fonte da gra\u00e7a transborda na nossa vida, o Evangelho faz-se carne em n\u00f3s e transforma-nos em canais de miseric\u00f3rdia para os irm\u00e3os\u00bb (<em>C\u2019est la confiance<\/em>, 2).<\/p>\n\n\n\n<p>O Papa Francisco recorda nesta Exorta\u00e7\u00e3o os pontos centrais da doutrina espiritual de Santa Teresinha. Retoma o \u201cpequeno caminho\u201d da inf\u00e2ncia espiritual, j\u00e1 por n\u00f3s abordado em cr\u00f3nicas anteriores: \u00abTeresinha, por\u00e9m, prefere sublinhar o primado da a\u00e7\u00e3o divina e convidar \u00e0 plena confian\u00e7a, tendo diante dos olhos o amor de Cristo que se nos deu at\u00e9 ao fim. [\u2026] Por isso, a atitude mais adequada \u00e9 depositar a confian\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o fora de n\u00f3s mesmos, ou seja, na infinita miseric\u00f3rdia de Deus que ama sem limites e que deu tudo na Cruz de Jesus\u00bb (<em>C\u2019est la confiance<\/em>, 19-20).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta confian\u00e7a \u00e9 provocadora do abandono, simbolicamente vertido na crian\u00e7a que adormece sem medo nos bra\u00e7os do pai. Teresinha incita-nos a vivermos sob o olhar deste Deus misericordioso, totalmente abandonados e confiados no seu abra\u00e7o: \u00abA confian\u00e7a plena, que se torna abandono ao Amor, liberta-nos de c\u00e1lculos obsessivos, da preocupa\u00e7\u00e3o constante com o futuro, dos medos que tiram a paz. [\u2026] A verdade \u00e9 que, se estamos nas m\u00e3os de um Pai que nos ama sem limites, venha o que vier havemos de o ultrapassar e, duma forma ou doutra, cumprir-se-\u00e1 na nossa vida o seu projeto de amor e de plenitude\u00bb (<em>C\u2019est la confiance<\/em>, 24).<\/p>\n\n\n\n<p>Teresinha \u00e9, de facto, um <em>fogo no meio da noite<\/em>, para usar uma feliz express\u00e3o do Papa Francisco. A sua experi\u00eancia de f\u00e9 \u00e9 mestra para n\u00f3s e deve abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o para nos deixarmos iluminar por essa luz que nos vem do alto. Em tempos t\u00e3o sombrios, onde as trevas parecem abafar a luz, Teresinha surge como astro que aponta para o Sol, para Aquele que, com a sua P\u00e1scoa, venceu as trevas da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Santa Teresinha do Menino Jesus \u00e9 b\u00e1lsamo para o mundo e a sociedade de hoje: \u00abNum momento de complexidade, ela pode ajudar-nos a redescobrir a simplicidade, o primado absoluto do amor, da confian\u00e7a e do abandono, superando uma l\u00f3gica legalista e moralista que enche a vida crist\u00e3 de obriga\u00e7\u00f5es e preceitos e congela a alegria do Evangelho\u00bb (<em>C\u2019est la confiance<\/em>, 52).<\/p>\n\n\n\n<p>Teresinha continuar\u00e1 a ser uma inquieta\u00e7\u00e3o para cada um de n\u00f3s, uma chama ardente que queima os cora\u00e7\u00f5es empedernidos dos nossos contempor\u00e2neos. Com ela, sejamos <em>rosas<\/em> belas perfumadas num mundo t\u00e3o p\u00e1lido. Sejamos fogo no meio da noite, an\u00fancio prof\u00e9tico do amor misericordioso de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>* <\/sup><em>Publicado no jornal Di\u00e1rio do Minho de 3 dezembro 2023<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Francisco Maria Bragu\u00eas, OCD Eis-nos chegados ao m\u00eas de dezembro, ao m\u00eas em que publicaremos o \u00faltimo texto dedicado a Santa Teresinha neste ano jubilar que estamos a viver. 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