{"id":3593,"date":"2023-11-30T02:25:00","date_gmt":"2023-11-30T02:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3593"},"modified":"2023-12-22T08:53:47","modified_gmt":"2023-12-22T08:53:47","slug":"natal-e-trindade-divina-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/natal-e-trindade-divina-i\/","title":{"rendered":"Natal e Trindade divina \u2013 I"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Armindo Vaz, OCD<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTanto <em>amou<\/em> Deus o mundo que lhe <em>deu<\/em> o seu filho unig\u00e9nito\u201d (Jo 3,16).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma verdade central da f\u00e9 crist\u00e3 celebrada na liturgia do Natal. Perante o dom do seu Filho na encarna\u00e7\u00e3o, perguntavam acaloradamente os te\u00f3logos na Idade M\u00e9dia: porqu\u00ea Deus se fez homem no Filho?&nbsp;A controv\u00e9rsia (mais viva entre dominicanos e franciscanos) teve como resposta cl\u00e1ssica: Deus fez-se homem em Jesus para nos redimir do pecado original\u2026 As perguntas sobre Deus s\u00e3o saud\u00e1veis: tornam viva a f\u00e9, que, se n\u00e3o for uma f\u00e9 pensada, \u00e9 uma f\u00e9 d\u00e9bil. Mas h\u00e1 perguntas sobre Deus que podem ser estragadas pelas respostas. Esta era uma das respostas que estragava a leg\u00edtima pergunta posta a partir da afirma\u00e7\u00e3o lapidar do evangelho. Porqu\u00ea Deus nos deu o seu Filho? A resposta correcta est\u00e1 na afirma\u00e7\u00e3o: Porque \u201ctanto amou Deus o mundo\u201d\u2026 Foi nessa linha que o franciscano escoc\u00eas Duns Scoto aprofundou a resposta, dizendo que o motivo fundamental da encarna\u00e7\u00e3o foi o amor de Deus para connosco. Ali\u00e1s, teria bastado completar a afirma\u00e7\u00e3o do evangelho de Jo\u00e3o com a espiritualidade de S. Paulo nos hinos cristol\u00f3gicos das cartas aos Colossenses e aos Ef\u00e9sios, sobre o primado de Cristo Jesus no plano da salva\u00e7\u00e3o dos humanos por parte de Deus: a\u00ed Jesus Cristo \u00e9 visto por Paulo como o primeiro pensado e o primeiro amado por Deus, o \u201cPrimog\u00e9nito de toda a cria\u00e7\u00e3o, porque nele foram criadas todas as coisas\u2026, tudo foi criado por ele [enquanto Palavra de Deus] e para ele\u201d (Cl 1,15-16). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Paulo, a encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus em Jesus, completada na sua ressurrei\u00e7\u00e3o, estava prevista desde sempre, independentemente do comportamento do ser humano; foi a coroa da cria\u00e7\u00e3o, que suscitava uma cria\u00e7\u00e3o nova: \u201cBendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nele nos aben\u00e7oou\u2026 e escolheu antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo para sermos santos e imaculados na sua presen\u00e7a, no amor, escolhendo-nos de antem\u00e3o para sermos seus filhos por adop\u00e7\u00e3o, por meio de Jesus Cristo\u2026; nele fostes selados com o Esp\u00edrito Santo prometido\u201d (Ef 1,3-14: aqui est\u00e1 a Trindade em ac\u00e7\u00e3o no projecto eterno de salva\u00e7\u00e3o divina). Paulo n\u00e3o diz que a encarna\u00e7\u00e3o foi desencadeada por um pecado mas pelo amor de Deus, aos humanos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi uma correc\u00e7\u00e3o do rumo, um recurso de emerg\u00eancia para reparar uma avaria do ser humano acidentado por um suposto pecado de Ad\u00e3o no princ\u00edpio da hist\u00f3ria humana, pecado que em nenhum texto das Escrituras se diz ter acontecido. Se tivesse sido reac\u00e7\u00e3o ou resposta ao suposto pecado de Ad\u00e3o, ent\u00e3o o plano divino de salva\u00e7\u00e3o que inclu\u00eda a encarna\u00e7\u00e3o teria sido condicionado, activado pelo pecado humano, em vez de querido por iniciativa divina e por puro amor gratuito desde sempre, para em Jesus mostrar ao ser humano quem \u00e9 Deus e o que Deus quer do ser humano. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Jesus, em quem encarnou o Filho, fomos feitos \u201cfilhos no Filho\u201d. Ele era a manifesta\u00e7\u00e3o suprema do amor de Deus pelo homem. E essa manifesta\u00e7\u00e3o era necess\u00e1ria, independentemente de um pecado humano historicamente cometido. Em Jesus, o amor de Deus tomou forma humana, p\u00f4s no tempo um g\u00e9rmen de eternidade, pelo que, a partir da\u00ed, a meta de cada ser humano se pode colocar para al\u00e9m do tempo. Jesus era\/\u00e9 o amor de Deus em forma humana, para poder amar e ser amado dentro da nossa hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parafraseando o pr\u00f3logo do evangelho de Jo\u00e3o, podemos dizer: no princ\u00edpio era o Amor e \u201co Amor fez-se carne\u201d e habitou em n\u00f3s. Paulo cunha uma express\u00e3o \u00e0 medida, para esta nova modalidade do amor de Deus: aos Romanos exalta \u201co amor de Deus que \u00e9\/est\u00e1 em Cristo Jesus\u201d (8,39). Afirma\u00e7\u00e3o densa! Como se dissesse: o Amor estava em Deus; mas p\u00f4de e pode ser visto, sentido, tocado, provado em Jesus! S\u00f3 na\/pela experi\u00eancia do amor de Deus podemos acreditar bem n\u2019Ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/natal-e-trindade-divina-ii\/\"> [continuar\u00e1]<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD \u201cTanto amou Deus o mundo que lhe deu o seu filho unig\u00e9nito\u201d (Jo 3,16). \u00c9 uma verdade central da f\u00e9 crist\u00e3 celebrada na liturgia do Natal. Perante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3594,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3593"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3638,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3593\/revisions\/3638"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}