{"id":3591,"date":"2023-11-30T02:23:00","date_gmt":"2023-11-30T02:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3591"},"modified":"2023-11-28T16:24:50","modified_gmt":"2023-11-28T16:24:50","slug":"pequeninos-convosco-e-diante-de-vos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/pequeninos-convosco-e-diante-de-vos\/","title":{"rendered":"Pequeninos convosco e diante de v\u00f3s"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem esgotar o tema, apresenta-se uma breve reflex\u00e3o sobre os Semin\u00e1rios. Num primeiro momento aborda-se a necessidade, e at\u00e9 urg\u00eancia, em manter esta inadi\u00e1vel institui\u00e7\u00e3o eclesial para o bem de todo o corpo da Igreja; na segunda parte fala-se de uma realidade eclesial concreta onde, afinal, ainda que pare\u00e7a o contr\u00e1rio, j\u00e1 chegou o inverno. N\u00e3o se fala aqui da renova\u00e7\u00e3o do modelo de Semin\u00e1rio \u2013 o que poder\u00e1 ser tema para uma reflex\u00e3o ulterior \u2013 mas parece-nos que, mais do que nunca, o modelo sacerdotal de que necessitam as comunidades eclesiais \u00e9 a de um servidor do Evangelho ao estilo de Jesus que sempre manifestou a sua prefer\u00eancia pelos pequeninos e os fr\u00e1geis, e sempre soube abaixar-se ao n\u00edvel do seu olhar para melhor os compreender, levantar e servir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>I<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algures ao se iniciarem os frios do outono, os cat\u00f3licos dedicamos uma semana a orar pelos Semin\u00e1rios. Ainda que os l\u00e1bios mais se nos abram nesses dias, a necessidade \u00e9 de sempre porque a Igreja n\u00e3o pode dispensar o sacerd\u00f3cio ministerial a fim de pescar pessoas, retirando-as das \u00e1guas sujas, fundas ou revoltosas. Provavelmente hoje mais que nunca \u00e9 preciso quem se atire \u00e0s frias \u00e1guas para delas resgatar quem nelas se afunda, livr\u00e1-las do perigo de se afogarem e ressuscit\u00e1-las de todas as amea\u00e7as da morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que significa esse atirar-se \u00e0s \u00e1guas frias?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Significa muitas coisas; que onde reinarem la\u00e7os de morte a\u00ed se justifica a presen\u00e7a de um nadador salvador, de um lutador pela vida, de um sacerdote. Veja-se: a sua prega\u00e7\u00e3o \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o do an\u00fancio evang\u00e9lico \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 palavra mais libertadora; a orienta\u00e7\u00e3o de comunidades a ele confiadas significa que ele sabe conduzir cada um ao lugar das \u00e1guas boas e salutares \u2013 as que dessedentam, lavam e curam; a ac\u00e7\u00e3o de acompanhamento espiritual diz que ele sabe assinalar a Estrela Polar que pode orientar os passos de cada um; apresent\u00e1-lo como administrador dos sacramentos \u00e9 diz\u00ea-lo portador e difusor dos sinais sens\u00edveis da gra\u00e7a, para que por eles Cristo actue em cada um de n\u00f3s, nos cure e nos salve; e \u00e9 animador da caridade \u2013 homem de servi\u00e7o que encoraja os irm\u00e3os, de acolhimento e de reconcilia\u00e7\u00e3o, conselheiro esclarecido e testemunha da esperan\u00e7a; aquele que lava os p\u00e9s aos outros, e sofre com os doentes e os fr\u00e1geis, os marginalizados e os que est\u00e3o ca\u00eddos \u00e0 beira do caminho. \u00c9 de si para esquecer-se de si, e de Deus para dar-se, abandonando-se, tantas vezes isolado, cansado e esquecido&#8230; mergulhado em t\u00e3o profundo stress interior que se alimenta do p\u00e3o do medo e da ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(N\u00e3o sou eu que o digo, \u00e9 um bispo&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sacerdote \u00e9 o sacerdote; cumprir os des\u00edgnios acima \u2013 que ali s\u00f3 sumariados est\u00e3o, e nem se elencaram todos!&#8230; \u2013 \u00e9 porque ele \u00e9 outro Cristo. E n\u00e3o o \u00e9; ou melhor, em sua fragilidade de espelho ba\u00e7o nem sempre o \u00e9. Frequentemente, o sacerdote corre tanto ou mais que os demais, que chega a n\u00e3o ter tempo para se cuidar e cultivar a si mesmo; e cai no des\u00e2nimo existencial, no cansa\u00e7o psicol\u00f3gico, no fracasso moral, na desmotiva\u00e7\u00e3o espiritual, no individualismo, na falta de ora\u00e7\u00e3o e de compromisso pastoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Do diagn\u00f3stico do mesmo bispo&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oremos e lutemos contra estes sinais que asfixiam a vida, a beleza e a sa\u00fade espiritual dos sacerdotes de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falando assim \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de falar&#8230; \u2013, parece que falamos de her\u00f3is que n\u00e3o o conseguem ser, mas deveriam s\u00ea-lo, t\u00e3o ousado \u00e9 o programa de vida; t\u00e3o ingente \u00e9 a tarefa para homens t\u00e3o pequeninos&#8230; Ali\u00e1s, ser-se bem pequenino (e aceitar s\u00ea-lo&#8230;) \u00e9, por\u00e9m, o ponto de partida para a proveitosa ac\u00e7\u00e3o do sacerdote de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fazer-se pequenino foi sempre o m\u00e9todo do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo: <em>\u00abFizemo-nos pequenos no meio de v\u00f3s\u00bb<\/em> (1Tessalonicenses, 2:7)! A grandeza do maior mission\u00e1rio crist\u00e3o foi mesmo essa: quando se apresentou para evangelizar, apresentou-se pequenino. Com mod\u00e9stia, isso o confirma ele, ao mostrar-nos como fazia quando se achegava para evangelizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, na pessoa do Ap\u00f3stolo, o grande fez-se pequenino, porque ele n\u00e3o se engrandecia como o sol, antes se humilhava como o ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Ap\u00f3stolo (e Silas) chegou a Tessal\u00f3nica, hoje, Sal\u00f3nica, actual Gr\u00e9cia, muito provavelmente no ano 50. \u00c0quela data aquela era uma cidade florescente, um importante emp\u00f3rio comercial, pol\u00edtico e cultural, centro atractivo de v\u00e1rios povos, atra\u00eddos pelas oportunidades de com\u00e9rcio, trabalho e prazer. Era uma verdadeira capital gozando de prosperidade, poder sem precedentes nem compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diversidade da popula\u00e7\u00e3o reflectia-se tamb\u00e9m no fulgor com que se vivia a religi\u00e3o: al\u00e9m dos cultos locais \u00e0s divindades do Olimpo grego (Zeus, Apolo, Ares, Afrodite, Dioniso&#8230;), a presen\u00e7a de cultos a divindades estrangeiras atestava-se tamb\u00e9m na presen\u00e7a de templos romanos a J\u00fapiter, Febo, Martes, V\u00e9nus; al\u00e9m do culto obrigat\u00f3rio ao imperador (salvador e messias), \u00e0s divindades eg\u00edpcias (Ser\u00e1pis, Os\u00edris, An\u00fabis), asi\u00e1ticas (\u00c1tis e Cibele), tamb\u00e9m o juda\u00edsmo era reconhecido como religi\u00e3o l\u00edcita. E n\u00e3o faltavam ali as novas religi\u00f5es de mist\u00e9rios vindas do Oriente, cujos pregadores circulavam pelas ruas da cidade vendendo o \u00eaxtase espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 chegada do pequenino Ap\u00f3stolo, Tessal\u00f3nica era um grande mercado religioso, num contexto verdadeiramente cosmopolita. Ali confluiam riqueza, grandeza, beleza e gl\u00f3ria, farra e prazer a jorros. Por\u00e9m, cerca de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o era escrava, vivendo \u00e0 margem da sociedade. Foi a estes que Paulo mais se dirigiu, pois tudo leva a crer que os primig\u00e9nios membros daquela comunidade crist\u00e3 eram pessoas empobrecidas e sofridas que viviam na periferia, em extrema pobreza, trabalhando noite e dia com as pr\u00f3prias m\u00e3os, alguns como carregadores no porto. Quem, pois, se admira que ansiassem por liberdade, seguran\u00e7a e vida digna: ter comida, roupa e moradia decente, possuir direito de cidadania e participar das decis\u00f5es da comunidade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paulo chegou ali, e para lhes falar da salva\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo olhou-os olhos nos olhos; pelo que se eles andavam derreados tamb\u00e9m ele se derreou \u2013 n\u00e3o lhes falou de cima, mas desde o ch\u00e3o a que andavam colados!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rezemos, pois, pelos nossos seminaristas. Oxal\u00e1 tenham um futuro brilhante. E oxal\u00e1 saibam sempre ajoelhar-se, quer diante do Sant\u00edssimo Sacramento, quer junto \u00e0 cama dos doentes, na choupana dos pobres e nos pal\u00e1cios dos ricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos de padres grandes como o sal dilu\u00eddo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>II<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1563 a Igreja Universal decidiu-se pela instaura\u00e7\u00e3o dos Semin\u00e1rios. Assumido o desafio, o primeiro semin\u00e1rio da arquidiocese de Braga \u2013 o de S\u00e3o Pedro; ficava no Campo da Vinha \u2013 recebeu os primeiros alunos em 1572. Os anos e os s\u00e9culos foram passando, os edif\u00edcios foram-se mudando ou renovando; o Semin\u00e1rio, por\u00e9m, nunca saiu de moda, \u00e9 sempre necess\u00e1rio. Nunca \u00e9 s\u00f3 dos seminaristas ou s\u00f3 dos formadores, ou s\u00f3 dos bispos e dos seus conselheiros \u2013 \u00e9 de todos e para todos. \u00c9 prova da permanente solicitude do cora\u00e7\u00e3o de Deus para com o Seu povo. O Semin\u00e1rio Faz Sentido, mas para quem? \u00c9 que os jovens parecem n\u00e3o conhec\u00ea-lo, e se conhecem, n\u00e3o entend\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aterremos um pouco mais, porque a realidade \u00e9 o ch\u00e3o de que n\u00e3o podemos dispensar-nos. Veja-se:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>i)<\/em> Celebrei o Dia dos Semin\u00e1rios numa diocese que se posicionou entre as primeiras do mundo a instituir o seu Semin\u00e1rio \u2013 n\u00e3o \u00e9 coisa de somenos! Ora, se na Igreja, h\u00e1 pouco mais de 450 anos tamb\u00e9m soubemos enfrentar desafios e rasgar avenidas, hoje n\u00e3o o saberemos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>ii)<\/em> Os Semin\u00e1rios n\u00e3o passaram de moda, n\u00e3o deixaram de ser indispens\u00e1veis. Ali\u00e1s, hoje, ainda precisamos mais deles. Ouvi dizer que, durante s\u00e9culos, os Semin\u00e1rios foram verdadeiras mini-cidades. J\u00e1 n\u00e3o hoje; hoje caber\u00e1 quase tudo num pequeno pr\u00e9dio! Na verdade, em pouco tempo, passamos de um ex\u00e9rcito para uma pequena trupe, de ser uma f\u00e1brica de p\u00e3o para um fermento minguado. Ent\u00e3o, e vamos assustar-nos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>iii)<\/em> Li um texto do Pe. Joaquim F\u00e9lix, de Braga, que me fez pensar. Li que das 20 dioceses portuguesas, s\u00f3 16 enviam seminaristas para a Faculdade de Teologia da UCP; e que, neste ano de 2023, destas 16 s\u00f3 oito inscreveram seminaristas no primeiro ano; as outras oito, n\u00e3o inscreveram algum. A saber:&nbsp; Braga inscreveu 2; Bragan\u00e7a1; Coimbra 1; Guarda 2; Lamego 2; Lisboa 2; Porto 4; Viana 1. Anote bem: em 2023, em todo o Portugal, as nossas dioceses s\u00f3 conseguiram inscrever treze seminaristas no primeiro ano de forma\u00e7\u00e3o! (E todos os Institutos Religiosos, tr\u00eas!)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As outras oito dioceses est\u00e3o sem algum aluno no primeiro ano de forma\u00e7\u00e3o; s\u00e3o elas: Aveiro, Leiria, Madeira, Portalegre, Santar\u00e9m, Set\u00fabal, Vila Real e Viseu!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>iv)<\/em> \u00c9 ainda de registar serem v\u00e1rias as dioceses portuguesas que s\u00f3 t\u00eam um seminarista a frequentar o (longo) percurso de forma\u00e7\u00e3o! E \u00e9 muito de esperar que esse persevere, de t\u00e3o necess\u00e1rio ele \u00e9!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>v)<\/em> Ora, ainda o ano n\u00e3o acabou e, s\u00f3 na diocese de Braga, j\u00e1 morreram onze guerreiros, digo, sacerdotes! Repare-se: em todo o Portugal entraram apenas 13 seminaristas \u2013 que demorar\u00e3o quase dez anos a formar-se!&#8230; \u2013 e, s\u00f3 na de Braga, j\u00e1 morreram onze sacerdotes!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>vi)<\/em> \u00c9 verdade que a cidade de Braga n\u00e3o tem falha de sacerdotes \u2013 mal seria, pensa-se! Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, muito perto de n\u00f3s, na margem do lado de l\u00e1 do C\u00e1vado \u2013 a escassos seis ou sete quil\u00f3metros daqui&#8230; \u2013 h\u00e1 j\u00e1 bastos anos que cada um daqueles p\u00e1rocos cura seis e sete par\u00f3quias!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>vii)<\/em> Numa outra diocese, visitei uma velhinha de 83 anos. Disse-me: \u2013 <em>\u00abChegou uma carta do Senhor Abade, mas n\u00e3o consegui entend\u00ea-la. Voc\u00ea que \u00e9 dos dele, explica-ma?\u00bb<\/em>. O p\u00e1roco \u00e9 novo, menos de 30 anos, rec\u00e9m-chegado a um grupo de par\u00f3quias que, nos \u00faltimos 60 ou 70 anos teve, sucessivamente, tr\u00eas p\u00e1rocos, todos falecidos bem entrados nos oitentas e picos&#8230;&nbsp; (uns incans\u00e1veis guerreiros, garanto eu!) Ora, acontece que a solicitude do bispo diocesano lhes enviou um p\u00e1roco jovem e activo, que v\u00ea e sente a Igreja de outra maneira. \u00c9 certo que \u00e9 pastor como os antecessores; mas o que mais seria de espantar \u00e9 que, nas pr\u00e1ticas, fosse como eles&#8230; Por agora, l\u00e1 vai ajuntando for\u00e7as, tocando o rebanhinho, e fazendo as mudan\u00e7as que pode, e mais pronto que tudo apresentou-se ao escasso rebanho depois de recensear as fam\u00edlias. E, na sequ\u00eancia endere\u00e7ou-lhes \u2013 mesmo \u00e0s que n\u00e3o entram pela porta da igreja&#8230; \u2013 uma carta pedindo-lhes os direitos paroquiais que lhe s\u00e3o devidos. E \u00e9 que s\u00e3o! Por\u00e9m, a exclama\u00e7\u00e3o daquela velhinha que at\u00e9 \u00e9 santa, foi: <em>\u00abL\u00e1 pedir pediu ele! Para escrever cartas teve tempo! Mas para me vir visitar, confessar e trazer Nosso Senhor, isso \u00e9 que n\u00e3o!&#8230;\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Como sou padre, e o interpelado era eu, saibam que dei raz\u00e3o a ambos!)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A meio daquela semana escutei uma bela homilia de D. Jos\u00e9 Cordeiro, onde referiu que numa recente visita pastoral fora interpelado por uma menina com quem, prontamente, dialogou. Quando ela percebeu que bispo \u00e9 quem manda nos padres, e que os padres <em>\u00abfazem ou d\u00e3o missa\u00bb<\/em>, ela fez um <em>\u00abAhhhh!!!\u00bb<\/em> t\u00e3o grande e expansivo que o bispo quase se assustou! E a\u00ed, terno, interrogou-a ele:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 E tu andas na catequese? Vais \u00e0 Missa com os teus amigos?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 N\u00e3o! Nem m\u2019apetece! Nem sei o qu\u2019isso \u00e9!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo o Senhor Bispo, sol\u00edcito, mas talvez com alguma dificuldade com a linguagem mais assertiva que o caso exigia, tratou de se lhe explicar. E a mi\u00fada ouviu-o para, seca, logo rematar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Isso n\u00e3o deve ser l\u00e1 grande coisa! N\u00e3o estou mesmo a ver para que sirva! Se servisse para a minha felicidade os meus pais j\u00e1 me teriam levado \u00e0 Missa, como me levam ao Drag\u00e3o, aos concertos da B\u00e1rbara Tinoco e da B\u00e1rbara Bandeira; \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o dos canitos, \u00e0s festas, e a tudo que d\u00ea para fazer tik-toks.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olha que d\u00e1 que pensar: para que (nos) servir\u00e1 uma missa? E, afinal, para que s\u00e3o precisos os seminaristas para tanto tempo e tantas energias se perder com eles?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD Sem esgotar o tema, apresenta-se uma breve reflex\u00e3o sobre os Semin\u00e1rios. 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