{"id":3527,"date":"2023-09-30T01:56:00","date_gmt":"2023-09-30T01:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3527"},"modified":"2023-09-29T07:57:24","modified_gmt":"2023-09-29T07:57:24","slug":"teresinha-mulher-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/teresinha-mulher-mulher\/","title":{"rendered":"Teresinha, Mulher, Mulher *"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das raz\u00f5es pelas quais aos 2 do m\u00eas se escreve no DM sobre Santa Teresinha \u00e9 por ela ser reconhecida, ainda hoje, como um expoente do <em>ser mulher<\/em>. Como a autoria deste texto \u00e9 de um homem, perdoar-se-me-\u00e1 a insurg\u00eancia, j\u00e1 n\u00e3o tanto a ousadia que de tanto n\u00e3o se trata.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Santa Teresinha continua a seduzir gera\u00e7\u00f5es em p\u00f3s gera\u00e7\u00f5es. Quem n\u00e3o leu que leia a <em>Hist\u00f3ria de uma Alma<\/em>, e ver\u00e1 que se verga \u00e0 sua singeleza. Nos in\u00edcios da sua autobiografia conta ela uma pequena historieta sucedida na mais tenra inf\u00e2ncia; \u00e9 mais ou menos assim: achou Le\u00f3nia, a mais velha das irm\u00e3s, j\u00e1 ser grande demais para brincar com bonecas. Vai da\u00ed juntou tudo quanto tinha numa cesta: tesouras, fitas, bot\u00f5es, tecidos. E coroou tudo com a sua boneca. Achegou-se \u00e0s duas mais novas, Celina e Teresa, e disse algo parecido com: <em>\u00abQueridas, escolham o que quiserem!\u00bb<\/em>. Celina retirou uma linda bola de l\u00e3 que a atra\u00eda, Teresinha, a mais nova das duas, e de todas, de apenas dois anos, replicou sem cerim\u00f3nia: <em>\u00abEu escolho tudo!\u00bb<\/em>. E retirou-se com a cesta, as linhas, as agulhas, os alfinetes, a boneca e tudo o demais!<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo, tudo!, \u00e9 o lema de Teresinha enquanto menina impulsiva; s\u00ea-lo-\u00e1 enquanto jovem vibrante, e prevalecer\u00e1 enquanto mulher. Exploremos neste texto tr\u00eas breves ensinamentos que no-la mostram como mulher relevante para os dias de hoje, e que bem podem ajudar todas as mulheres:<\/p>\n\n\n\n<p>1. APRENDER A VALORIZAR-SE<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que a mulher \u00e9 pelo que \u00e9, n\u00e3o pelo que lhe imponham ser, e menos ainda por emula\u00e7\u00e3o de modelos masculinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Volvidos 150 anos parece-nos imposs\u00edvel encontrar santa (ou pessoa) mais simp\u00e1tica que Teresinha. N\u00e3o assim, por\u00e9m. Na inf\u00e2ncia era ela absolutamente terr\u00edvel, absolutamente imposs\u00edvel, absolutamente birrenta! Se algo n\u00e3o sa\u00eda ao seu jeito atirava-se ao ch\u00e3o e berrava como uma perdida; \u00e9 a m\u00e3e quem o confirma: <em>\u00abHavia momentos em que a birra era t\u00e3o forte que ela perdia a respira\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em>! Por\u00e9m, aquela <em>Ivana<\/em> terr\u00edvel que a todos do seu entorno fazia bufar, ao crescer, aprendeu a arte da empatia logo ap\u00f3s ter percebido que a vida tem contrariedades e pessoas dif\u00edceis em qualquer lugar \u2013 at\u00e9 nos conventos (portanto, ainda mais dif\u00edceis de evitar)! No mosteiro de Lisieux achou uma superiora que se deliciava em humilh\u00e1-la, mas a jovem carmelita \u2013 talvez por sempre ter sido dif\u00edcil\u2026 \u2013 rapidamente aprendeu a arte de lidar com pessoas dif\u00edceis, tratando sempre de gerar empatia com elas. Pouco a pouco, tornou-se t\u00e3o consciente do seu valor, pelo que por mais que a destratassem logo cuidava de deixar de dar import\u00e2ncia \u00e0 detra\u00e7\u00e3o. E cuidando de se autovalorizar, trabalhava conscienciosa e silenciosamente sem jamais chamar a aten\u00e7\u00e3o, e toda se empenhava na sua autoestima e em s\u00f3 honrar a Deus. Sozinha, e por sua iniciativa, conseguiu deixar de valorizar as opini\u00f5es negativas a seu respeito, e passou a viver mais alegre, t\u00e3o alegre e emp\u00e1tica com as pessoas chatas e antip\u00e1ticas que estas passaram a crer-se as mais estimadas pela jovenzinha! E n\u00e3o \u00e9 que ao cr\u00e9scimo da sua empatia, estas nem sempre lhe devolviam um acrescento de simpatia?<\/p>\n\n\n\n<p>2. VIVER FOCADA<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas antip\u00e1ticas despejam fel na pr\u00f3pria comida e s\u00e3o ferozmente negativas; explique quem souber \u2013 talvez para que ningu\u00e9m seja feliz \u00e0 sua volta. T\u00e3o negativas s\u00e3o que, se em cargos de chefia, sempre encontram nos subalternos algo <em>por onde pegar&nbsp;para lhes azedar o dia<\/em>. E encontrando-o, certas ou n\u00e3o, empenham-se t\u00e3o afincadamente nisso que logo o declaram com valor de decreto sem possibilidade de derroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Carmelo, Teresinha, sabemo-lo, elegeu quase desde a primeira hora, ser emp\u00e1tica. Emp\u00e1tica, n\u00e3o indolente, nem jamais antecipadamente derrotada. Tantas vezes se viu injustamente acusada; tantas vezes humilhada sem raz\u00e3o&#8230; E que fez ela? Fugir n\u00e3o fugiu, chorar n\u00e3o chorou, mas tamb\u00e9m n\u00e3o ter\u00e7ou armas nessa guerra. Se a chefia a acusava de<em> pregui\u00e7osa<\/em> ou de <em>nada saber fazer<\/em>, jamais ela pensou em contestar verbalmente a acusa\u00e7\u00e3o para se defender, pois sabia de que nada valeria; decidiu, em consequ\u00eancia, calar-se e focar-se em fazer o seu trabalho o melhor que podia e, dia a dia, melhor que no anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia apareceu um vaso quebrado no mosteiro. A superiora que era velha n\u00e3o se vergou nem o recolheu, antes logo tratou de cruzar-se com Teresinha e de a acusar de ser desleixada e de n\u00e3o ter recolhido os cacos. A jovem que culpas n\u00e3o tinha, poderia ter contestado, arrolar testemunhas de que n\u00e3o passara por l\u00e1, mas preferiu calar-se\u2026 e como n\u00e3o importava nem a sua inoc\u00eancia, nem quem tivesse partido o vaso, e n\u00e3o assumindo ningu\u00e9m a culpa, foi ela ao local e varreu-os para o lixo. Por que falar para defender-se, se mais valem as a\u00e7\u00f5es que as palavras?<\/p>\n\n\n\n<p>3. S\u00d3 VIVER DE AMOR<\/p>\n\n\n\n<p>Mestra do nosso tempo, compreendeu que nunca resulta desperdi\u00e7ar energias em v\u00e3o, e pronto compreendeu tamb\u00e9m que o caminho do amor \u00e9 o caminho certo, que o amor \u00e9 a for\u00e7a invenc\u00edvel dos sem for\u00e7as, que o amor \u00e9 tudo. Compreendeu que o campo que sempre mais urge semear e cuidar \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano porque \u00e9 ali que se tomam as decis\u00f5es que definem a vida. Compreendeu que nos abismos das fraquezas ou nos cumes da perfei\u00e7\u00e3o o mais importante \u00e9 ter um cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel a Deus, para que Deus tudo fa\u00e7a e tudo transforme em Seu amor. Compreendeu, enfim, a for\u00e7a admir\u00e1vel da troca do tudo pelo tudo: que trocar o nosso tudo (que, na verdade, \u00e9 nada) pelo tudo de Deus (que, na verdade, \u00e9 Tudo) redunda em nosso favor.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreendeu que se nem sempre \u00e9 f\u00e1cil amar os amigos e at\u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia, j\u00e1 bem \u00e1rdua e dif\u00edcil \u00e9 a ousadia de amar uma pessoa que parece n\u00e3o querer nem poder abrir-se \u00e0 mudan\u00e7a. Em certa p\u00e1gina Teresinha confia-nos a sua avers\u00e3o natural \u2013 ou seria repulsa? \u2013 por determinada freira. E que fazer nessa situa\u00e7\u00e3o? Amar. Am\u00e1-la. Teresinha escolheu am\u00e1-la, porque o amor \u00e9 uma atitude, n\u00e3o um sentimento; e nessa op\u00e7\u00e3o nasceu uma das mais belas e inesquec\u00edveis hist\u00f3rias de amor de sempre: um amor vitorioso, ainda que sem retorno, sem correspond\u00eancia; diz: <em>\u00abeu tratava de prestar-lhe todos os servi\u00e7os que podia. Quando sentia a tenta\u00e7\u00e3o de contest\u00e1-la de maneira desagrad\u00e1vel, limitava-me a dirigir-me a ela da maneira mais encantadora poss\u00edvel: com o meu sorriso\u00bb<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Definitivamente, uma pessoa dif\u00edcil s\u00f3 nos pode prejudicar se n\u00f3s o permitirmos. Ali\u00e1s, sempre h\u00e1 uma alternativa ao beco. \u00d3bvio \u00e9 que seja dif\u00edcil ou pare\u00e7a imposs\u00edvel, mas a sua escolha e o seu exemplo revelam-nos que at\u00e9 a pessoa mais antip\u00e1tica do mundo pode transformar-se. E se n\u00e3o se transformar, bondosos, para com ela, sejam os nossos olhos. E n\u00e3o \u00e9 que aos olhos de Deus, vale mais um sacrif\u00edcio que fazer milagres?<\/p>\n\n\n\n<p>E fecha-se aqui este texto por mais n\u00e3o poder alongar-se. As leitoras h\u00e3o-de perdo\u00e1-lo por mal escrito e pela sua menor assertividade. Mas antes que algu\u00e9m bondoso mo atire \u00e0 cara, o que aqui dito fica para as mulheres, vale, de igual, para os var\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>(A concluir propomos que ou\u00e7a <em>Vivre d\u2019Amor<\/em>: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=n3kFfvBoZ4M . O poema \u00e9 de Teresinha, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 desconhecida.)<\/p>\n\n\n\n<p><sup>* <\/sup><em>Publicado no jornal Di\u00e1rio do Minho de 2 setembro 2023<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD Uma das raz\u00f5es pelas quais aos 2 do m\u00eas se escreve no DM sobre Santa Teresinha \u00e9 por ela ser reconhecida, ainda hoje, como um expoente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3510,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3527","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3527"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3528,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3527\/revisions\/3528"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}