{"id":3468,"date":"2023-07-31T02:42:00","date_gmt":"2023-07-31T02:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3468"},"modified":"2023-07-28T07:44:12","modified_gmt":"2023-07-28T07:44:12","slug":"a-bela-mae-e-a-mais-bela-flor-do-carmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/a-bela-mae-e-a-mais-bela-flor-do-carmo\/","title":{"rendered":"A bela M\u00e3e \u00e9 a mais bela flor do Carmo!"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1.<\/strong> O negro e o branco. E o castanho de permeio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No sil\u00eancio pr\u00e9vio \u00e0s Primeiras V\u00e9speras, j\u00e1 depois de escrito o texto do .carmo_248 percebo melhor a dura dicotomia crepuscular em que me situo. \u00c9 j\u00e1 o dia da M\u00e3e do Carmo e do Carmelo e eu, pela alegria da minha, imagino a sua, vendo os filhos e filhas reunidos \u00e0 roda da luz do seu olhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos l\u00e1bios e no cora\u00e7\u00e3o al\u00e7\u00e1vamos, ainda h\u00e1 pouco, palavras, hinos, salmos e c\u00e2nticos e sentimentos de gratid\u00e3o e de prece confiada. Solenemente. Somos uma multid\u00e3o, n\u00e3o haja d\u00favida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E que alegria podermos celebrar dia t\u00e3o grande e belo! Reconhecer e anunciar sermos filhos e filhas de quem somos \u2014 da M\u00e3e do Carmo, a Senhora e M\u00e3e do Jardim, a flor mais bela que nos fez nascer para a luz da f\u00e9, que a todos e a todas nos chama a ser luz clara e luminosa, e flores no meio da negrura deste mundo! Ora, se ela \u00e9 formosa e bela, porque Bela M\u00e3e do Belo Amor, como n\u00e3o haveremos n\u00f3s de apreciar ser seus filhos e filhas? E porque filhas e filhos dela muito queridos, que quem nos vir a ela a veja!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2.<\/strong> O negro e o branco. E o castanho de permeio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A M\u00e3e de Jesus tem no Carmo muitos nomes. (Custa-me chamar-lhes t\u00edtulos\u2026), M\u00e3e e Senhora do Carmo e do Carmelo, Nuvem Gentil, ou apenas Nuvenzinha, <em>Stella Maris<\/em> (Estrela do Mar) e, dizem-me, talvez por corruptela, mas ainda assim um nome seu: <em>Stilla Maris <\/em>(Gotinha de \u00c1gua).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E Beleza e Formosura do Carmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3.<\/strong> O negro e o branco. E o castanho de permeio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na primeira tarde do dia da sua festa deste ano de 2023 deliciei-me na contempla\u00e7\u00e3o desta perfumada invoca\u00e7\u00e3o: Beleza e Formosura do Carmo e do Carmelo. Ela \u00e9 t\u00e3o sonora e bela que me senti menino deitado de cara ao sol sobre um suave tapete de alfazema e pequeninas margaridas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que bem que cheira a M\u00e3e!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deitado naquele solarengo rega\u00e7o florido lembrei que a vetusta e s\u00e1bia tradi\u00e7\u00e3o judaica \u2013 afinal, aquela donde n\u00f3s, ocidentais, bebemos e provimos! \u2013 tinha e tem especial apre\u00e7o, ternura e encanto pelas montanhas. Pudera! A quem \u00e9 que, subindo-as, nunca lhe pareceu quase estar a tocar o c\u00e9u que, afinal, sempre nos foge? E quem \u00e9 que, alcandorando-se a um pico bem alto, e sentindo os long\u00ednquos vales l\u00e1 bem ao fundo, ainda n\u00e3o sentiu estar a entrar pelo cora\u00e7\u00e3o de Deus adentro e a aspirar o ar puro do Esp\u00edrito Divino? Eu, sim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, quem se aproxima de Deus aproxima-se da inesgot\u00e1vel fonte da beleza e da candura; e \u00e9 por essa raz\u00e3o que, tamb\u00e9m para mim, um monte \u00e9 bem mais belo que a plan\u00edcie. E se esse monte for todo ele regado por infindas fontes, regatos e arroios, ent\u00e3o o monte \u00e9 mais que monte, e o belo \u00e9 mais que belo, porque \u00e9 jardim e fresco vergel \u2013 \u00e9 carmo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Carmo \u00e9 um carmo. \u00c9 lugar de gentil e nobre beleza, n\u00e3o \u00e9 deserto. Um carmo \u00e1rido \u00e9 em si uma contradi\u00e7\u00e3o. O Carmo ou \u00e9 carmo, ou n\u00e3o pode chamar-se jardim. E se o \u00e9, \u00e9 belo e pac\u00edfico, e o oposto \u00e0 dissens\u00e3o, ao ci\u00fame, \u00e0 bulha e \u00e0 guerra. Carmo \u00e9 luz e sa\u00fade, o contr\u00e1rio de punhaladas trai\u00e7oeiras e rasg\u00f5es feitos por pauladas ou bombardeamentos de m\u00edsseis e drones.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4.<\/strong> O negro e o branco. E o castanho de permeio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Carmo \u00e9 beleza, porque jardim. De Deus. \u00c9 sinfonia de meiguice e de aromas e cheiros agrad\u00e1veis. Se \u00e9 de Deus, \u00e9 agrad\u00e1vel. \u00c9 branco, tomando aqui o branco por par\u00e1frase de pulcritude e de beleza suprema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O branco \u00e9 ela, a M\u00e3e; n\u00e3o apenas o seu manto, tamb\u00e9m o seu olhar, a sua alma e o seu cora\u00e7\u00e3o. O negro, n\u00f3s em guerra, em inimizade, em fratric\u00eddio. O castanho, n\u00f3s, os peregrinos da noite luminosa. N\u00f3s e os nossos pecados, ci\u00fames, espinhos, e pedras de arremesso e de trope\u00e7o. N\u00f3s e tudo o que tenhamos de abandonar antes de nos podermos revestir dessa beleza que dizemos ser a Senhora do Jardim, do Carmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nisto, enfim, se me fixaram, pois, os olhos naquelas Primeiras V\u00e9speras: Ela, a Branca, n\u00f3s, o Negro e o Castanho. Ela, a M\u00e3e da Paz, n\u00f3s, os fautores da divis\u00e3o, da ambi\u00e7\u00e3o e da guerra, pelo que, olhando-me a mim mesmo sob aquele Seu terno e materno olhar, dei comigo pasmando-me: se Ela \u00e9 branca e pulcra, pac\u00edfica e bela flor, como a fomos n\u00f3s revestir de castanho t\u00e3o terreno?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Volvo atr\u00e1s. O Carmo nascido no s\u00e9c. XII \u00e9 um carmo. \u00c9 um jardim de ternas plantas e delicadas flores (algumas, por\u00e9m, apenas cactos, com sabidos duros espinhos como punhais afiados \u2013 ai sim, ai se h\u00e1 espinhos neste carmo!) que aqui, ali e al\u00e9m, at\u00e9 aos dias de hoje, t\u00eam perdurado por feliz reverdecimento de cont\u00ednuas graciosas primaveras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1, como se sabe, flores eternas \u2013 a n\u00e3o ser no c\u00e9u, claro.&nbsp; As que ainda peregrinam pela terra s\u00e3o passageiras, murcham durante o ver\u00e3o, ou \u00e0 entrada do outono, pois raras s\u00e3o as que alumiam o inverno.&nbsp; A verdade \u00e9 que a lei da flor \u00e9 brotar, crescer, esplender e murchar. Aqui tamb\u00e9m, claro, porque a lei que manda, manda que se nas\u00e7a, cres\u00e7a, murche e morra, sendo que j\u00e1 no leito da morte algumas ainda continuam sendo belas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5.<\/strong> O negro e o branco. E o castanho quase escuro negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste ano de guerra ao p\u00e9 da porta, dou comigo a tremer e a pensar que, salvo as daninhas que amarfanham e sugam a terra, no Carmo at\u00e9 as plantinhas s\u00e3o belas, de uma beleza diversa. Um mist\u00e9rio que apenas bem se entrev\u00ea com o olhar da alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 por aqui flores singelas como as caladas m\u00e3es que \u00e0 mesa do altar do lar apresentam assados e pratos de sopa saborosa, e atendem os da sua casa, um a um, com o mesmo carinho, a mesma aten\u00e7\u00e3o e a mesma disponibilidade, como se cada qual fora o imperador maior do seu cora\u00e7\u00e3o; e h\u00e1 m\u00e3os terna e cuidadosamente incans\u00e1veis a servir quatro vezes ao dia, colher a colher, a refei\u00e7\u00e3o aos seus doentes acamados ou, subindo, discretamente, as escadas do pr\u00e9dio para aconchegar um velhinho solit\u00e1rio antes de ele esconder sobre as mantas o longo medo da noite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 aqui guerreiros combativos, esfor\u00e7ados, invenc\u00edveis, lutando desalmadamente pela vit\u00f3ria das suas fam\u00edlias. Nada os det\u00e9m, nada os demove ou vence: nem caras feias, nem m\u00e1s palavras, nem amigos que o n\u00e3o sejam, nem inimigos que se apresentem com cara e l\u00e3 de amigos; e h\u00e1 discretos porteiros que abrem portas para a serenidade e a bem-aventuran\u00e7a, para a ternura, o aconchego e um ajardinado remanso com repuxos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como velas no meio do breu, h\u00e1 monjas valentes diante do sil\u00eancio de Deus ou da Sua presen\u00e7a fr\u00e1gil; h\u00e1 irm\u00e3os e sacerdotes do tamanho da chama da vela do baptismo: pequeninos, discretos, alumiando at\u00e9 o sol; e h\u00e1 seculares por d\u00e9cadas a fio \u00e0 beira da cama de doentes, \u00e0 beira de ber\u00e7os e junto \u00e0s carteiras dos alunos; conduzindo autocarros e orientando o tr\u00e2nsito; salvando doentes que voam em ambul\u00e2ncias a chorar e outros que navegam em alto mar, descendo at\u00e9 aos abismos; h\u00e1 padeiros, investigadores e pol\u00edcias, cientistas e empreendedores, lavradores e artistas do teatro e do sonho; e h\u00e1 meninos e meninas, h\u00e1 futuro, promessa, dom e gra\u00e7a de que o mundo pula e avan\u00e7a se o sonharmos com cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>6.<\/strong> Pode n\u00e3o ser claro o que aqui deixo dito, e temo que tal bem possa suceder \u2013 por culpa minha, claro \u2013, mas o Carmo \u00e9 belo e belo \u00e9 o Carmelo; e \u00e9 isto que agora quero diz\u00ea-lo com o olhar, a alma, o cora\u00e7\u00e3o e a voz.&nbsp; E a mais bela flor do jardim \u00e9 a M\u00e3e do Sim, a mulher nova que \u00abencontrou gra\u00e7a diante de Deus\u00bb, ela, a \u00abcheia de gra\u00e7a\u00bb; ela, o Sim, que s\u00f3 o Sim para sempre \u00e9 belo, o Sim sempre Sim; ela, o Sim inquebrant\u00e1vel, invenc\u00edvel, inteiro, pleno, total, confiado no Deus que fez o jardim e o Sim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>7.<\/strong> Nestes dias da Senhora do Carmo, o nosso Padre Geral, Frei Miguel Maria M\u00e1rquez, quis peregrinar \u00e0 Ucr\u00e2nia, esse pa\u00eds imenso e belo, esse celeiro generoso e frondoso cedro. No momento em que escrevo esse bendito anjo mensageiro, est\u00e1 de joelhos a rezar pela paz no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora do Carmo de Berdiechev, a padroeira da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando o mundo jaz destro\u00e7ado e enfermo, ferido e rasgado no cora\u00e7\u00e3o, nas pernas e na cabe\u00e7a por mais uma guerra, \u00f3bvio \u00e9 que chegou a hora de rezarmos. Com ele ajoelhemos tamb\u00e9m n\u00f3s e beijemos o Escapul\u00e1rio e as m\u00e3os da M\u00e3e do Pr\u00edncipe da Paz, e, juntos, imploremos com o P. Miguel Maria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">8. <em>M\u00e3e de Deus de Berdiechev,<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Santa Maria do Monte Carmelo,<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nossa Senhora e Irm\u00e3, e Rainha da paz:<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 num s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e numa s\u00f3 alma<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 vos oferecemos a homenagem da nossa gratid\u00e3o<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 nesta hora de dificuldade e de esperan\u00e7a,<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 de sofrimento e de confian\u00e7a.<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis-nos aqui com o grito<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e a s\u00faplica dos teus filhos e filhas<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que sofrem o sem-sentido da guerra<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e de tantas formas de escravid\u00e3o e dor<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que ferem a dignidade do ser humano.<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hoje nos abrigamos<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 e abrigamos todo o povo da Ucr\u00e2nia<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 sob o teu manto para que sejas plenamente M\u00e3e,<\/em><br><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00f3 m\u00e3e!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.carmo 248 de 16 julho de 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD 1. 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