{"id":3466,"date":"2023-07-31T02:41:00","date_gmt":"2023-07-31T02:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3466"},"modified":"2023-07-28T07:42:48","modified_gmt":"2023-07-28T07:42:48","slug":"o-grito-de-teresinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/o-grito-de-teresinha\/","title":{"rendered":"O grito de Teresinha *"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrevo no dia 7 de junho, poucas horas ap\u00f3s o Papa ter sido internado no Hospital Gemelli,&nbsp; para uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, logo depois da Audi\u00eancia Geral desta quarta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao in\u00edcio da manh\u00e3, as rel\u00edquias de Santa Teresinha do Menino Jesus, e as de seus pais, S\u00e3o Louis e Santa Z\u00e9lia, foram trazidas para a Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, para venera\u00e7\u00e3o do Santo Padre e de muitos fi\u00e9is ali presentes. Foi ali, a seu lado, que o Papa falou; na verdade, catequizou. O texto da catequese papal \u2013 curto, como sempre \u2013 \u00e9 sobre Teresinha, mission\u00e1ria. E ali prometeu ainda, para este ano, uma carta apost\u00f3lica sobre a nossa Irm\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando aos quinze anos Teresinha trasp\u00f4s o limiar do Carmelo de Lisieux, havia dezassete \u2013 ou seja, quase ontem\u2026 \u2013 que aquele Carmelo fundara um outro, em Saig\u00e3o, hoje, Ho Chi Minh (Vietname).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Imersos que somos numa sociedade excessivamente polarizada e secularizada, de todo verdadeiramente n\u00e3o saberemos sopesar o esfor\u00e7o humano, espiritual e financeiro que supor\u00e1 a tarefa de fundar alhures um Carmelo, menos ainda em terras de miss\u00e3o, a mais de dez mil quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, tanto seja pela desloca\u00e7\u00e3o de umas dez ou doze monjas, como a correspondente bagagem que possibilite a equipagem dum mosteiro, seus servi\u00e7os e ateliers, uma igreja, sacristia\u2026; nem bem entender o empreendimento de erguer, no seio de outra cultura, uma pequena colmeia de contempla\u00e7\u00e3o!)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">F\u00e1cil \u00e9 de entender, por\u00e9m, que \u00e0 data dos primeiros passos de Teresinha no Carmelo, ali se vivia a alegria mission\u00e1ria fortalecida pela irmana\u00e7\u00e3o com o de Saig\u00e3o, quer pelo apoio econ\u00f3mico que a toda a hora urgiria, quer pela troca de ora\u00e7\u00f5es e ainda, pelo necess\u00e1rio envio de novas irm\u00e3s que substitu\u00edssem as que cansassem. Obviamente aquele era um projecto falado, discernido e rezado com muita estima e ardor pelas Carmelitas de Lisieux. N\u00e3o \u00e0 toa, Teresinha, apesar da sua sempiterna fr\u00e1gil sa\u00fade, se mostrou receptiva e enlevada por correr os riscos de partir para ali, para longe do conforto dos afetos da sua p\u00e1tria amada e da sua cultura, para um contexto social e religioso diverso e deveras adverso. N\u00e3o o haver\u00e1 de querer Deus, por\u00e9m; mas querer\u00e1 sim que, de um modo outro, se gerasse na sua vida de contemplativa, e na sua f\u00e9, um novo modelo mission\u00e1rio que, por ser t\u00e3o radical, a constitu\u00edria padroeira dos mission\u00e1rios. Tal giro copernicano na espiritualidade mission\u00e1ria de ent\u00e3o \u00e9 o que aqui, hoje, intentaremos aflorar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o restem d\u00favidas de que as suas \u00e2nsias juvenis eram as de partir com o Evangelho no cora\u00e7\u00e3o ao encontro dos pecadores, e de quantos dele eram indiferentes e distanciados, fora em Saig\u00e3o, ou Tonkim, ou noutro lugar \u2013 o importante para ela era sair!; mas tal n\u00e3o lhe foi concedido. E ao n\u00e3o s\u00ea-lo, poderia ela ter-se rebelado ou deprimido, ou baixado as m\u00e3os \u2013 porque n\u00e3o?, afinal via frustrado o fito da sua vida! \u2013 mas n\u00e3o, pronto rezou e logo discerniu. E desvelou uma imprescind\u00edvel via nova para a dimens\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja. Uma via, \u00f3bvio seja, v\u00e1lida, ainda hoje, e para n\u00f3s, talvez, ainda mais desafiante, quando hoje o Papa nos impele a sair das nossas autorreferencialidades ao encontro dos indiferentes e dos distanciados de Jesus. Que descobriu ela, pois?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aupando for\u00e7as no lugar da sua reconhecida fragilidadade, Teresinha reconheceu que o combate da sua vida de consagrada n\u00e3o estava destinado <em>\u00aba ser travado no campo da batalha\u00bb<\/em> \u2013 em terrenos de primeiro an\u00fancio do Evangelho \u2013 por n\u00e3o ter for\u00e7as, sequer, para ali chegar, e nem outras lhe restassem para tal combate, por t\u00e3o s\u00f3 dispor de uma arma: o amor. E vendo, n\u00e3o sem surpresa que ali, na miss\u00e3o <em>ad gentes<\/em>, mas tamb\u00e9m na rectaguarda, <em>\u00abos amigos de Jesus s\u00e3o raros\u00bb<\/em>, corajosa, se decidiu a ser Sua amiga valorosa, elegendo modo novo de o ser, actuar e rezar. Mais: tendo reparado nisso, agiu em consequ\u00eancia, e decidiu-se, irrenunciavelmente, a fazer sacrif\u00edcios, a entregar a t\u00e3o maus amigos a sua amizade, e a por eles rezar mais e mais; seja pelos pecadores, os distanciados e indiferentes, mas especialmente, pelos sacerdotes, tratando de salvar suas almas, na certeza de que se a sua devotada entrega e a sua ora\u00e7\u00e3o fiel os fortaleceria, indirectamente colaborava na salva\u00e7\u00e3o de hostes imensas a quem eles, diariamente, se dedicam e entregam. Tendo, \u00e9 um facto, convivido durante um m\u00eas, em finais de 1887 (aos 14 anos), com muitos dos da sua diocese, durante uma peregrina\u00e7\u00e3o a Roma, pronto concluiu que, afinal, eles n\u00e3o eram t\u00e3o santos como sempre crera, e como a ingente tarefa mission\u00e1ria sempre urge e aconselha. Ora pois se, em primeiro lugar, estes o n\u00e3o eram, urgiria que o fossem, para o qual deveriam contar n\u00e3o apenas com for\u00e7as pr\u00f3prias, mas tamb\u00e9m com muitas de alheios, nomeadamente, as suas, e as de todas as Carmelitas Descal\u00e7as. Por isso, aquando da sua madrugadora entrada no Carmelo, assumida tinha ela j\u00e1 uma coisa: iria oferecer-se e <em>\u00abrezar pelos sacerdotes\u00bb<\/em>, como depois dali escreveria a sua irm\u00e3 Celina que restara em casa junto do adorado pai. Tal seria o seu grito pelos que na terra porta-estandartes s\u00e3o do c\u00e9u!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu alerta ter\u00e1 de continuar a replicar-se, hoje, mais e mais; por isso, assim n\u00f3s; se por uma ou outra raz\u00e3o, aos cat\u00f3licos de hoje, nos n\u00e3o \u00e9 concedido lavrar batalha em campo aberto, anunciando Jesus, apaixonadamente, nos long\u00ednquos lugares de primeiro an\u00fancio \u2013 dificuldades que, parece-nos, provavelmente, ficam hoje abaixo das de levar o Evangelho pelas autoestradas da indiferen\u00e7a t\u00edpica da seculariza\u00e7\u00e3o! \u2013 caber-nos-\u00e1, ent\u00e3o, por gra\u00e7a de Deus, sermos como ela areiazinhas santas abrasadas no amor de Deus, capazes de incendiar o mundo com o nosso zelo apost\u00f3lico. E como sempre recorda Francisco, tal nunca pode ser feito por esfor\u00e7ado proselitismo ou imposi\u00e7\u00e3o, mas por caloroso testemunho, pela ora\u00e7\u00e3o e intercess\u00e3o densas e intensas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus e o seu Evangelho n\u00e3o se imp\u00f5em, \u00e9 um facto; simplesmente passam de cora\u00e7\u00e3o cora\u00e7\u00e3o \u2013 a express\u00e3o \u00e9 de Francisco \u2013, n\u00e3o por as testemunhas termos raz\u00e3o ou sermos mais fortes, mas por sermos areiazinhas que amam intensamente Jesus at\u00e9 ao escald\u00e3o, e assim, pela via do amor, para Ele atra\u00edmos mais e mais os demais. Na perspectiva de Teresinha, e de Francisco, \u00e9 nas nossas debilidades que se erguem as for\u00e7as, se animados pelo amor. Mesmo sendo areiazinhas, s\u00f3 os que amam, e se sabem amados, podem ser escolhidos para portadores de Jesus, porque s\u00f3 o amor \u00e9 ilimitado e eterno, e actua eternamente, mesmo para al\u00e9m do fim das nossas for\u00e7as, incluindo <em>post mortem<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compreenderemos este grito do cora\u00e7\u00e3o de Teresinha?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A concluir, propomos que o leitor ou\u00e7a a can\u00e7\u00e3o <em>Vocaci\u00f3n al Amor<\/em> interpretada pelo grupo J\u00e9sed: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=If8lkwSQNUQ.<sup><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>* <\/sup><em>Publicado no jornal Di\u00e1rio do Minho de 2 julho 2023<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD Escrevo no dia 7 de junho, poucas horas ap\u00f3s o Papa ter sido internado no Hospital Gemelli,&nbsp; para uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, logo depois da Audi\u00eancia Geral [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3462,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3466"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3467,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466\/revisions\/3467"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}