{"id":3441,"date":"2023-06-30T02:42:00","date_gmt":"2023-06-30T02:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3441"},"modified":"2023-06-28T07:42:56","modified_gmt":"2023-06-28T07:42:56","slug":"so-tenho-o-dia-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/so-tenho-o-dia-de-hoje\/","title":{"rendered":"S\u00f3 tenho o dia de hoje!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Frei Francisco Maria Bragu\u00eas, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes, ao longo do dia, nos queixamos da falta de tempo? Quantas vezes nos lamentamos de que o dia correu e se esvaiu como areia entre os dedos da nossa m\u00e3o?<br>Somos j\u00e1 conscientes de que vivemos num ritmo fren\u00e9tico. Tem de ser tudo feito \u201cpara ontem\u201d. N\u00e3o podemos parar, repousar, serenar\u2026 A pulsa\u00e7\u00e3o da contemporaneidade obriga-nos a transpirar os minutos e os segundos do nosso existir em prol de tantas coisas que, afinal, n\u00e3o s\u00e3o importantes.<br>Atualmente parece que fazermos uma pausa, tirarmos um tempo para n\u00f3s \u2013 e para Ele \u2013 \u00e9 um luxo. Ou melhor, at\u00e9 \u00e9 um pecado! J\u00e1 n\u00e3o trabalhamos para viver, vivemos para trabalhar; a sociedade encarrega-se de nos entreter com a futilidade de tantos circos vazios e ocos para que cada minuto esteja ocupado em frivolidades. Os telem\u00f3veis e as redes sociais encarregam-se de nos hipnotizar, privando-nos de momentos de encontro uns com os outros, de reflex\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o ou ora\u00e7\u00e3o. Facilmente somos envolvidos em tramas que nos privam de estarmos com aten\u00e7\u00e3o ao interior, como recomendava S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz.<br>O leitor poder\u00e1 perguntar-se: \u201cE que interessa tudo isto para esta tribuna dedicada a Santa Teresinha?\u201d E eu respondo: \u201cInteressa. E muito!\u201d<br>Teresa de Lisieux foi uma carmelita descal\u00e7a, ou seja, uma monja de clausura. \u00c9 verdade que alguns j\u00e1 consideram estas mulheres como esp\u00e9cie em vias de extin\u00e7\u00e3o. Mas, gra\u00e7as a Deus, ainda temos entre n\u00f3s testemunhos vivos de mulheres que optam por este estilo de vida radical. A arquidiocese de Braga n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o; ali\u00e1s, \u00e9 um exemplo privilegiado!<br>Como carmelita, a vida de Teresinha era marcada pelo sil\u00eancio, pela contempla\u00e7\u00e3o e pela vida fraterna com as suas irm\u00e3s. Um ritmo de vida totalmente distinto do nosso. Aten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o caiamos no erro de acharmos que estas mulheres passam o dia sem fazer nada. O seu dia \u00e9 bem preenchido, n\u00e3o sobrem d\u00favidas.<br>Pode parecer-nos, contudo, que Teresinha teria tempo para tudo e mais alguma coisa. Que viveria despreocupada e sem pressas. N\u00e3o, n\u00e3o foi bem assim. J\u00e1 fomos vendo, nos textos anteriores, que esta jovem francesa era en\u00e9rgica e ativa!<br>Se, como dizia acima, algumas pessoas querem tudo \u201cpara ontem\u201d, a Teresinha bastava-lhe o dia de hoje. Afinal, era consciente de que a nossa vida, de facto, nos escapa da m\u00e3o como gr\u00e3ozinhos de areia; \u00e9 um sopro, uma sombra que passa, como reza o salmista. No seu Canto de Hoje, escrito em 1894, confessa: \u00abA minha vida \u00e9 um s\u00f3 instante, uma hora passageira \/ A minha vida \u00e9 um s\u00f3 dia que me escapa e me foge\u00bb.<br>Uma das qualidades que mais aprecio em Teresa do Menino Jesus \u00e9 o seu realismo e transpar\u00eancia. Teresinha \u00e9 consciente da fugacidade da nossa vida; de que, nesta terra, n\u00e3o somos eternos. Por isso, para qu\u00ea ocuparmo-nos e preocuparmo-nos com o ontem e com o amanh\u00e3? Tantos projetos que lan\u00e7amos, sonhos e desejos que nos ocupam e que, tantas vezes, nos desviam de vivermos o dia de hoje com intensidade. Para n\u00e3o falar das tantas vezes em que estamos aprisionados ao passado\u2026<br>Se s\u00f3 temos o dia de hoje, o tempo \u00e9 curto e escapa-nos. Assim, em que \u00e9 o devemos ocupar? Com quem? Deixemos falar Teresinha: \u00abTu sabes, \u00f3 meu Deus, para amar-Te na terra \/ S\u00f3 tenho o dia de hoje!\u00bb.<br>A urg\u00eancia de amarmos Jesus! Amarmos a Deus que deseja ser amado! A \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o de Teresinha! N\u00e3o adiemos esta decis\u00e3o. Amemos, hoje! Que importa o futuro sombrio ou tudo o que passou? S\u00f3 temos o dia de hoje!<br>N\u00e3o desperdicemos este presente que Deus todos os dias nos oferece. A nossa vida \u00e9 como uma ampulheta \u2013 objeto que Teresinha tanto estimava \u2013 que todos os dias viramos. O que temos \u00e9 esse tempo, nada mais. Acolh\u00ea-lo como uma gra\u00e7a das m\u00e3os do Pai \u00e9 o segredo da felicidade. Amemos, confiemos, acreditemos, lancemo-nos nos bra\u00e7os do Pai como crian\u00e7as que se sabem amadas s\u00f3 por hoje. Afinal, a vida \u00e9 t\u00e3o simples. Aproximemo-nos \u2013 hoje \u2013 desse divino Cora\u00e7\u00e3o, refugiemo-nos nessa fonte de amor: \u00abAh! D\u00e1-me, Jesus, um lugar nesse Cora\u00e7\u00e3o \/ Somente por hoje\u00bb.<br>Fa\u00e7amos deste c\u00e2ntico de Teresinha o nosso hino de amor a Deus e aos irm\u00e3os. Para amar s\u00f3 temos o dia de hoje. Cantemos, pois, o seu Canto de Hoje [Mon chant d&#8217;aujourd&#8217;hui] com a melodia de J. de la Charie: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hi-I-CdE0VM.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Publicado no jornal Di\u00e1rio do Minho de 2 junho 2023<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Francisco Maria Bragu\u00eas, OCD Quantas vezes, ao longo do dia, nos queixamos da falta de tempo? 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