{"id":3390,"date":"2023-04-30T02:37:00","date_gmt":"2023-04-30T02:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3390"},"modified":"2023-04-28T08:39:54","modified_gmt":"2023-04-28T08:39:54","slug":"a-virgem-maria-em-oracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/a-virgem-maria-em-oracao\/","title":{"rendered":"A virgem Maria em ora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Armindo Vaz, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Maio sintoniza com Maria e com ora\u00e7\u00f5es crist\u00e3s feitas <em>a<\/em> <em>ela<\/em>, a celebr\u00e1-la e a invoc\u00e1-la. J\u00e1 desde o s\u00e9c. XVII se combinou com devo\u00e7\u00f5es, prociss\u00f5es, peregrina\u00e7\u00f5es e recita\u00e7\u00f5es do ros\u00e1rio em honra dela. Mas aqui vamos em busca da ora\u00e7\u00e3o feita <em>por<\/em> <em>ela<\/em>, para ver como rezava ela.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00e3o muitos os textos do Novo Testamento que falam da ora\u00e7\u00e3o dela. Mas, quando os evangelhos can\u00f3nicos registam o primeiro acontecimento teol\u00f3gico sobre a vida de Maria (nas cenas da anuncia\u00e7\u00e3o do anjo e da visita\u00e7\u00e3o a Isabel, que inclui o <em>magnificat<\/em>), p\u00f5em-na a rezar, a proclamar a <em>grandeza<\/em> de Deus, na conclus\u00e3o do epis\u00f3dio. Est\u00e1 no evangelho de Lucas 1,26-56. E mal come\u00e7amos a escutar o relato da anuncia\u00e7\u00e3o do anjo, acorrem \u00e0 mem\u00f3ria as imagens que a multiforme arte crist\u00e3 difundiu nos muros, quadros, telas, capelas e igrejas, pintando o enviado de Deus \u00e0 jovem que era convidada a aceitar ser m\u00e3e do filho de Deus. De facto, a cena evang\u00e9lica p\u00f5e a transcend\u00eancia, simbolizada pelo anjo, em di\u00e1logo com o mundo dos humanos e a interpel\u00e1-los: n\u00e3o parecendo ora\u00e7\u00e3o em sentido estrito, convoca a piedade para a ora\u00e7\u00e3o de louvor e contempla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o admira, pois, que nas centenas de pinturas cl\u00e1ssicas da \u00abanuncia\u00e7\u00e3o do anjo a Maria\u00bb os artistas a tenham pintado a ler as Escrituras em atitude de ora\u00e7\u00e3o meditativa. Isto n\u00e3o \u00e9 tentativa for\u00e7ada de achar o que n\u00e3o existe. Realmente, a jovem a\u00ed apresentada \u00e9 t\u00e3o sublime que s\u00f3 pode ser admirada e contemplada em atmosfera e atitude de ora\u00e7\u00e3o. O cintilante \u00edcone da \u00abanuncia\u00e7\u00e3o a Maria\u00bb n\u00e3o \u00e9 simplesmente poesia. \u00c9 contempla\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O di\u00e1logo avassalador entre os dois protagonistas do quadro, o mensageiro divino e Maria, \u00e9 a express\u00e3o pl\u00e1stica da Palavra de Deus a comunicar-se a ela, que a fez compreender que o seu filho era filho de Deus. De facto, o anjo da Palavra \u00e9 um \u00edcone da Palavra de Deus, tamb\u00e9m palavra das Escrituras hebraicas, que seria familiar a Maria e que o mensageiro divino cita em abund\u00e2ncia, fazendo-lhe pelo menos doze refer\u00eancias: a textos, temas, imagens, figuras, personagens, express\u00f5es e palavras. Assim, Maria a responder ao anjo \u00e9, na realidade, Maria a rezar com a Palavra de Deus. E esta conclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 alegoria. Dimana do teor do pr\u00f3prio texto. O an\u00fancio a Maria complementa os numerosos an\u00fancios de nascimento prodigioso no Antigo Testamento, desde o de Isaac, passando pelos de Sans\u00e3o e de Samuel, at\u00e9 ao do Emanuel. \u00c9 a mesma mensagem, do princ\u00edpio ao ponto culminante da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, que alimentava a medita\u00e7\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o de Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>Se no di\u00e1logo do anjo com Maria temos a Palavra de Deus a dirigir-se a ela, essa \u00e9 uma superior forma de ora\u00e7\u00e3o: \u00e9 Maria orante \u00e0 escuta da Palavra de Deus, anulada a dist\u00e2ncia, mantida a transcend\u00eancia. Ali\u00e1s, nesta cena do an\u00fancio da concep\u00e7\u00e3o e do nascimento de Jesus est\u00e3o presentes os elementos da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3: Deus Pai actua pelo seu Esp\u00edrito no interior de Maria, gerando nela o filho Jesus, que enche a sua vida e lhe d\u00e1 o mais elevado sentido. Por sua vez, Maria, tendo respondido incondicionalmente a esse <em>eterno des\u00edgnio<\/em> de Deus e dispondo-se a realizar na sua vida o que a ela correspondia (\u201cfa\u00e7a-se em mim segundo a tua Palavra\u201d), pode ser vista como modelo de ora\u00e7\u00e3o, na medida em que a ora\u00e7\u00e3o dela confirma a fidelidade \u00e0 palavra de Deus. A sua ora\u00e7\u00e3o tinha sido eficaz. De facto, logo a seguir, indo apressadamente visitar a prima Isabel, a sua vida p\u00f4s-se a caminho em obedi\u00eancia \u00e0 palavra de Deus (Lc 1,38-39), representada pelo anjo.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutro pormenor da cena, o primeiro que Lucas conta de Maria apresenta-a como \u00abvirgem\u00bb: \u201cO anjo Gabriel foi enviado por Deus\u2026 a uma virgem\u2026; o nome da virgem era Maria\u201d (1,27). E, quando ela, ao anjo que lhe prop\u00f5e ser m\u00e3e, responde que \u00e9 virgem, \u201co anjo disse-lhe: O Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti\u2026\u201d. A linguagem figurativa e contemplativa de Lucas \u2013 que, como a de Mateus no mesmo contexto da anuncia\u00e7\u00e3o do anjo a Jos\u00e9, n\u00e3o \u00e9 de hist\u00f3ria nem de biologia, nem se pode entender \u00e0 letra \u2013 refor\u00e7a bem dois absolutos: o protagonismo absoluto do Esp\u00edrito de Deus na gera\u00e7\u00e3o <em>activa<\/em> de Jesus e a virgindade de Maria enquanto s\u00edmbolo do ser absoluto e darealidade transcendente na gera\u00e7\u00e3o <em>passiva<\/em> de Jesus. Em Maria a fecundidade vem do Esp\u00edrito de Deus (\u201co Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti\u201d). A virgindade significa que o seu filho \u00e9 de Deus: dois p\u00f3los da vida de ora\u00e7\u00e3o de Maria, o Esp\u00edrito de Deus e a virgindade dela, a transportarem para a contempla\u00e7\u00e3o de Jesus como filho de Deus e de Maria como sacr\u00e1rio do filho de Deus. De facto, a afirma\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus <em>da virgem<\/em> Maria n\u00e3o visa defender a sua castidade intocada. Quer apelar \u00e0 f\u00e9 no mist\u00e9rio de <em>Jesus<\/em> como <em>filho de Deus<\/em>, colocando-o no centro da ora\u00e7\u00e3o de Maria \u00e0 escuta: \u201cele ser\u00e1 grande, ser\u00e1 chamado filho do Alt\u00edssimo\u2026; o que \u00e9 concebido santo ser\u00e1 chamado filho de Deus\u201d. Ela percebeu o mist\u00e9rio do seu filho em di\u00e1logo com a Palavra de Deus: \u201ccomo ser\u00e1 isso?\u201d. E a Palavra de Deus remete-a para a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito: \u201co Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti\u201d. A vida humana compreende-se melhor a partir do Alto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD Maio sintoniza com Maria e com ora\u00e7\u00f5es crist\u00e3s feitas a ela, a celebr\u00e1-la e a invoc\u00e1-la. J\u00e1 desde o s\u00e9c. 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