{"id":3324,"date":"2023-02-28T05:58:00","date_gmt":"2023-02-28T05:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3324"},"modified":"2023-02-27T09:54:27","modified_gmt":"2023-02-27T09:54:27","slug":"como-rezar-missa-neste-domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/como-rezar-missa-neste-domingo\/","title":{"rendered":"Como rezar Missa neste Domingo?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>I<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1.&nbsp;&nbsp; Confesso, n\u00e3o nego: por estes dias subo a custo ao altar. Subo com fome e com sede; subo por obriga\u00e7\u00e3o; subo porque prometi ao bispo que me ordenou ali subir todos os dias; subo porque sei que aquela fresca fonte de gra\u00e7a n\u00e3o pode nunca deixar de correr e derramar-se, e que por mais que se derrame nunca se esvai; subo porque o Senhor prometeu estar todos os dias connosco: todos os dias \u00e9 tamb\u00e9m nos dias maus, duros, dif\u00edceis, depressivos, de vergonha, indignidade e vilip\u00eandio; subo porque todos os dias a minha m\u00e3e, cansada ou n\u00e3o, mais feliz ou mais desanimada, me sentou ao seu colo ou me p\u00f4s \u00e0 mesa, me animou a comer, me fortaleceu, me ajudou a crescer; porque todos os dias, algures, algu\u00e9m depois de um pequenino di\u00e1logo em que me responde \u00ab\u00c1men\u00bb,&nbsp; abertas me estende as m\u00e3os famintas, tr\u00e9mulas, peregrinas, quando n\u00e3o, exangues&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>2.&nbsp;&nbsp; Digo a verdade, n\u00e3o minto. Ao longo desta semana (12-18.02.2023) que n\u00e3o quero esquecer, que n\u00e3o posso esquecer, que n\u00f3s, cat\u00f3licos, enquanto comunidade, n\u00e3o poderemos jamais esquecer, vexado, muito me custou revestir-me de alva, estola e casula, erguer as m\u00e3os e o cora\u00e7\u00e3o e rezar missa.<\/p>\n\n\n\n<p>(\u00c9 certo que a sorte me fez calhar rezar em um mosteiro, a recato; mas ainda assim&#8230; custou!)<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo desses longos dias, a cada dois matutinos passos que dava rumo ao altar, desde o fundo de mim, minha alma perguntava-me: Jo\u00e3o, como se reza, como se pode rezar depois do Relat\u00f3rio Final? Como podes tu rezar?<\/p>\n\n\n\n<p>(Na quinta-feira cruzei-me com um p\u00e1roco e expus-lhe o meu desassossego, a humilha\u00e7\u00e3o que comungamos e a mim me fere como afiado canivete, me esmurra e me perturba por causa de tanta dor, de tanto sil\u00eancio cobarde, tanto crime, tanta insensatez, tanta palavra que quer sair e n\u00e3o me sai para nomear algo que de momento me \u00e9 inomin\u00e1vel. Pergunto-lhe. Responde-me: <em>\u00abFrei, nem tempo tive para pensar nisso. Esta semana celebrei todos dias quatro missas: duas de agenda, e dois funerais em cada dia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o me pude dar ao luxo de pensar! Tive de substituir colegas, de ir \u00e0 luta num corre-corre sem parar; de ir a reuni\u00f5es para aqui, reuni\u00f5es para ali.<\/em> <em>Reuni\u00f5es com padres, reuni\u00f5es, com leigos, reuni\u00f5es com pais. Nem pensei, nem deu para pensar&#8230;\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Eu que parado estou, olho-me e verifico que ainda fiquei pior com a resposta, mais negro, mais inseguro, mais perturbado. \u00c0 mesa viro-me para o lado e aferroo os meus, pergunto-lhes o mesmo, mas eles choram como eu a viol\u00eancia, o abuso, a vergonha, o indiscrit\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>3.&nbsp;&nbsp; E \u00e9 assim que acabo sentando frente a esta alva folha de papel. \u00c9 assim que celebro dia em p\u00f3s dia, uma missa, t\u00e3o s\u00f3 uma, uma missa de repara\u00e7\u00e3o e de justi\u00e7a, e de confian\u00e7a no perd\u00e3o e na miseric\u00f3rdia, apesar de tamb\u00e9m Deus ter sido violado em cada menino, em cada menina! No corpo e na alma de cada menino e cada menina! Meu Deus\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, houve crian\u00e7as violadas, n\u00e3o nego, n\u00e3o podemos negar, n\u00e3o queremos ignorar. Tinham nomes, vidas a florir, pais e av\u00f3s que confiavam, irm\u00e3os e amigos. N\u00e3o, n\u00e3o podemos negar, n\u00e3o podemos esquecer. N\u00e3o podemos negar. N\u00e3o podemos esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos negar a trag\u00e9dia, o ultraje! As l\u00e1grimas, a noite! O medo, o terror, a depress\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Que horror, que sufoco! Tanto sofrimento imerecido, tanto futuro truncado, tanta consci\u00eancia humilhada, tanto sem-sentido! Tanto&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei que diga, n\u00e3o sei bem o que digo. Olho para um lado, olho para outro, olho para dentro de mim, olho em redor, hesito buscar uma balan\u00e7a que sopese palavras como: \u00abconfian\u00e7a\u00bb, \u00abalegria\u00bb, \u00abmeninice\u00bb, \u00abamor\u00bb, \u00abternura\u00bb, \u00abamigo\u00bb, \u00abcrescer\u00bb,&nbsp; \u00abvida\u00bb, \u00abJesus\u00bb, \u00abcatequese\u00bb, \u00abMissa\u00bb&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>4.&nbsp;&nbsp; \u00c9 \u00f3bvio que rezo pelas v\u00edtimas, pelos meninos, pelas meninas, pelas fam\u00edlias, por mim que sou v\u00edtima, por n\u00f3s todos que somos v\u00edtimas, pelos abusadores que o s\u00e3o tamb\u00e9m \u2013 ok, aceito que discordem&#8230; \u2013 pela Igreja Cat\u00f3lica, por Francisco, pelas fam\u00edlias, pela sociedade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>(Estou com falta de f\u00e9, Senhor!) Rezo e n\u00e3o sei se nisto Deus me ouve, se me compreende, se me acha digno de eu Lhe rezar \u2013 mas tens de ouvir-me, meu Deus, tens de ouvir-me, rezo-Lhe, pe\u00e7o-Lhe, imploro-Lhe. Sen\u00e3o, que vai ser de n\u00f3s? Que vai ser de n\u00f3s, e como iremos erguer-nos? \u2013; e o que \u00e9 pior: como se diz \u00e0s v\u00edtimas (e n\u00e3o, n\u00e3o penso agora em mim&#8230;) que Deus as ouve e as atende, as acolhe e abra\u00e7a, quando foram, precisamente, os Seus mais lustrosos servos, os sacerdotes, que mais indignos delas e dEle se mostraram?<\/p>\n\n\n\n<p>5.&nbsp;&nbsp; \u00c9 \u00f3bvio que este texto n\u00e3o fala de mim, mas da perplexidade de toda a comunidade cat\u00f3lica que se viu enxovalhada, humilhada pela viol\u00eancia e pela indignidade de alguns dos seus cl\u00e9rigos, e agora se v\u00ea sob o estr\u00e9pito escarninho dos seus inimigos \u2013 e n\u00e3o digo ou nego que n\u00e3o tenham raz\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>6. Como fazer? Como levantar-nos? Para onde erguer o olhar? Onde pousar a cabe\u00e7a, onde sossegar o cora\u00e7\u00e3o? Meu Deus\u2026 por onde andais?<\/p>\n\n\n\n<p>Na ora\u00e7\u00e3o para meus adentros, pe\u00e7o l\u00e1grimas, oro por l\u00e1grimas; das que molhem e reguem por fora, que as de sangue jorram-me pelo esfacelado do lado de dentro. Lave-se-nos a alma, oro, com \u00e1gua e com sangue, sangue do nosso, \u00e1gua dos nossos olhos. E n\u00e3o bastar\u00e1. N\u00e3o bastar\u00e1. N\u00e3o bastar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>7. Ouvi dizer que alhures querem erguer um monumento \u00e0s v\u00edtimas, um monumento que perpetue a nossa vergonha. N\u00e3o sei se \u00e9 verdade, se li bem; se sim, at\u00e9 me parece que possa fazer sentido. Ser\u00e1 mais um para apodrecer, \u00e9 certo, mas enquanto de todo n\u00e3o caia, n\u00e3o serei eu a lamentar um dedo que se nos aponte e nos denuncie a abomina\u00e7\u00e3o de que somos autores e respons\u00e1veis, e continuamente nos recorde os crimes e os vexames por n\u00f3s semeados. N\u00e3o, n\u00e3o o lamentarei jamais&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho, por\u00e9m, por mais certo, que o reconhecimento de tanto sofrimento injusta e criminosamente provocado tem de dar-se; disso n\u00e3o duvido. Ou ningu\u00e9m se curar\u00e1. O que n\u00e3o sei \u00e9 quais possam ser os tempos e os movimentos, mas l\u00e1 que tem de dar-se, isso tem. N\u00e3o duvido que a comunidade tem de confrontar-se com tal imerecida e in\u00edqua montanha que alguns, injusta e <em>sisificamente<\/em> carregam desde a mais tenra inf\u00e2ncia; tal como n\u00e3o duvido que em algum lugar tem de abrir-se uma porta que possa dar para um canal de gra\u00e7a e de perd\u00e3o, para a serenidade de uma eira onde v\u00edtimas e agressores possam encontrar-se, e mirar-se olhos nos olhos, a fim de que elas possam falar e eles ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p>E se as exauridas v\u00edtimas puderem perdoar, tanto melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>8. Na pr\u00f3xima quarta-feira iniciaremos a Quaresma. Nesta hora em que a iniquidade se multiplica e medra em terreiro que deveria ser jardim e para\u00edso, ajoelho-me, prostro-me e humilho-me tamb\u00e9m eu porque o amor parece ter esfriado; e oro em prece confusa e sem palavras, para que jamais ele esmae\u00e7a ou se apague do cora\u00e7\u00e3o de Deus; e para que nos queime e nos purifique, e nos d\u00ea novas ocasi\u00f5es para recome\u00e7armos a amar como conv\u00e9m. A servir como conv\u00e9m. A ouvir como conv\u00e9m. A sarar como conv\u00e9m. A cuidar como conv\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, sem pejo nem medo, quarta-feira tamb\u00e9m eu enfarruscarei a cabe\u00e7a de cinza, sinalizarei o opr\u00f3brio em plena igreja, comerei p\u00e3o de cinza e beberei do c\u00e1lice de l\u00e1grimas; que outro caminho para j\u00e1 n\u00e3o vejo. N\u00e3o vejo, porque as feridas de tantas v\u00edtimas dos abusos de sacerdotes me ferem, nos ferem a todos, e por isso, por agora, s\u00f3 alcan\u00e7o chorar a tristeza e a dor do meu povo ferido.<\/p>\n\n\n\n<p>9. \u00a0 <em>Abaixa-nos e abate-nos, Senhor,<\/em><br><em>e faz-nos entrar na Quaresma pelo p\u00f3rtico da cinza,<\/em><br><em>e seguir o caminho da penit\u00eancia e da ora\u00e7\u00e3o.<\/em><br><em>Como eu gostaria, Senhor, de saber pedir-te<\/em><br><em>o b\u00e1lsamo que unge e cura<\/em><br><em>as feridas do corpo e da alma<\/em><br><em>do teu povo&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>II<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>10. Vemos, ouvimos e lemos; e n\u00e3o podemos ignorar.<\/p>\n\n\n\n<p>11. O que a seguir contarei n\u00e3o elide da nossa face e dos nossos cora\u00e7\u00f5es cat\u00f3licos, e menos ainda dos dos agressores que temos entre n\u00f3s, o negrume e a vergonha, e o dever de ouvir \u2013 e se poss\u00edvel cara a cara! \u2013, e o da prem\u00eancia em pedir perd\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta emerg\u00eancia em contar o que a seguir contarei deve-se apenas ao facto de ter acontecido na semana da ignom\u00ednia cat\u00f3lica em Portugal, que a todos nos toca, ao menos em tang\u00eancia. O que conto nada elide, mas faz pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que, por me falharem alguns termos, n\u00e3o saberei contar bem o sucedido numa turna do Oitavo Ano. Ainda assim, conto-o.<\/p>\n\n\n\n<p>Julgo saber que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o promove \u2013 n\u00e3o saberei dizer desde quando, e quer-me parecer que de escola para escola o projeto muda de nome\u2026 \u2013 um projecto de educa\u00e7\u00e3o para os valores; sei que antes tal sucedia nas aulas de Religi\u00e3o e Moral; hoje, por\u00e9m, mantendo-se estas, acresceu-se aquela proposta que toca tamb\u00e9m os alunos que nada querem com as aulas de EMRC.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois, que<em> passou-se<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p>Ora sucedeu que numa escola, uma educadora social a quem os alunos de 12,13,14 e 15 anos chamam \u2018St\u00f4ra e, mesmo em dia de greve, aguardam juntinhos e a p\u00e9 firme que ela chegue para mais uma sess\u00e3o, lhes prop\u00f4s no encontro do dia 16 de fevereiro, quinta-feira, a seguinte din\u00e2mica: a turma dividia-se em dois sub-grupos, e cada grupo escolhia um observador que registava as reflex\u00f5es que sucederiam no interior do seu pr\u00f3prio grupo. A reflex\u00e3o formalmente proposta foi: imaginai que, de repente, cada um de v\u00f3s teria de fugir para um ref\u00fagio nuclear. Ora como no ref\u00fagio s\u00f3 cabem sete pessoas, de entre os doze tipos de pessoas que a seguir se elencam, dizei as seis que levar\u00edeis convosco e justificai.<\/p>\n\n\n\n<p>(O universo de pessoas donde escolher as seis a entrar no ref\u00fagio, era: um poeta fan\u00e1tico; um f\u00edsico de 28 anos que s\u00f3 aceita entrar se levar uma arma; uma prostituta; uma universit\u00e1ria de 18 anos celibat\u00e1ria; um sacerdote; um violinista; uma menina de 12 anos de baixo QI; um toxicodependente; um advogado com HIV; a mulher do advogado; um jornalista homicida; um homossexual; um intelectual epil\u00e9tico.)<\/p>\n\n\n\n<p>Proposto o desafio, aqueles adolescentes atiraram-se com unhas e dentes ao debate durante uma hora. N\u00e3o interessar\u00e1 aqui o resultado global, t\u00e3o s\u00f3 que as pessoas doentes n\u00e3o foram consideradas eleg\u00edveis para o ref\u00fagio por, eventualmente, virem a dar muito trabalho, e por se temer que a mais que prov\u00e1vel escassez de medica\u00e7\u00e3o viesse a limitar as possibilidades de sucesso daquela clausura. Entre os eleitos, por\u00e9m, encontrava-se o sacerdote. Se, por\u00e9m, a raz\u00e3o da sua elei\u00e7\u00e3o por ambos os grupos \u00e9 meramente utilit\u00e1ria, o facto \u00e9 que a sua presen\u00e7a \u00e9 desejada; as justifica\u00e7\u00f5es dadas foram as seguintes: <em>i)<\/em> a presen\u00e7a do sacerdote pode tranquilizar e trazer a paz ao grupo; <em>ii)<\/em> Consideramos que quem melhor \u00e9 capaz de transformar as dificuldades em oportunidades \u00e9 o sacerdote.<\/p>\n\n\n\n<p>12. Que esta semana fica na hist\u00f3ria, fica. E o opr\u00f3brio que ela revelou ter\u00e1 de servir-nos para o nosso (v)exame de consci\u00eancia; para a auto-acusa\u00e7\u00e3o dos nossos pecados e crimes; e, parece-me tamb\u00e9m \u00f3bvio, que as linhas com que o futuro da nossa comunidade h\u00e1-de coser-se t\u00eam de ser tamb\u00e9m estas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o dias negros sobre os quais brilha um sol de noite escura. Doa o que nos doer \u00e9 de noite e \u00e9 na noite que temos de abrir os olhos e lavar a alma. N\u00e3o sei que luz brilhe ou alumie a dura noite que sobre n\u00f3s caiu e, por mim falo, nem sei se vejo ou se miro esperan\u00e7a, escolhos ou nevoeiros. Sinto o peso do gume negro da noite sobre o meu peito e n\u00e3o me bastam as hist\u00f3rias do Oitavo Ano. Ainda assim registo que alguns dos nossos meninos consideram que <em>\u00aba presen\u00e7a do sacerdote pode tranquilizar e trazer a paz\u00bb<\/em>. No contexto em que vivemos, tal n\u00e3o \u00e9 tudo, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pouco. Por\u00e9m, o que eu, desassossegada sentinela, mais imploro, \u00e9 pelo an\u00fancio do dia novo que o canto dos passarinhos anuncia; ah, e que venha a Luz, que venha a Luz e que de n\u00f3s expulse as trevas.<\/p>\n\n\n\n<p>13. Um \u00faltimo registo que, sinceramente, n\u00e3o sei se se passou naquela turma e naquela mesma sess\u00e3o; mas passou-se no mesmo contexto das sess\u00f5es para os valores. Um rapaz de quatorze anos assumiu-se cat\u00f3lico e fez-se chacota. Perante a tro\u00e7a dos pares, n\u00e3o se intimidou e declarou:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2014 Porque se riem de mim? Por eu ser cat\u00f3lico? Eu sou cat\u00f3lico, rezo em casa com a minha fam\u00edlia e vou \u00e0 par\u00f3quia ao domingo. Vou ao grupo de jovens, rezo sozinho e com os meus amigos cat\u00f3licos. Eu n\u00e3o tenho vergonha de ser cat\u00f3lico!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(E a turma ria-se, mas j\u00e1 n\u00e3o toda. E ele continuou:)<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o vos levo a mal o vosso gozo. N\u00e3o, nada. S\u00f3 h\u00e1 uma coisa que eu n\u00e3o percebo: porque vos incomoda que eu seja cat\u00f3lico? \u00c9 que a mim n\u00e3o incomoda nada que algum de v\u00f3s seja hindu, judeu, mu\u00e7ulmano ou ateu, porque v\u00f3s sois meus amigos. N\u00e3o me importa se rezais ou n\u00e3o; ou se rezais a este ou aquele deus. N\u00e3o me preocupa como sois, eu s\u00f3 quero amigos que possam respeitar-me tal como sou: um cat\u00f3lico fiel ao Papa, e que reza!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>14. \u00c9 tamb\u00e9m pelos valentes Tarc\u00edsios de hoje que eu choro e me minguo. Eles n\u00e3o merecem que o trapo do opr\u00f3brio da noite caia sobre o seu rosto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD I 1.&nbsp;&nbsp; Confesso, n\u00e3o nego: por estes dias subo a custo ao altar. 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