{"id":3322,"date":"2023-02-28T05:50:00","date_gmt":"2023-02-28T05:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3322"},"modified":"2023-02-27T09:51:20","modified_gmt":"2023-02-27T09:51:20","slug":"uma-historia-de-uma-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/uma-historia-de-uma-alma\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria de uma alma<sup>*<\/sup>"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Frei Francisco Maria Bragu\u00eas, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O ser humano \u00e9 mist\u00e9rio. Aproximarmo-nos de uma figura maior \u00e9 sempre uma ousada ousadia. Cada pessoa tem sempre uma hist\u00f3ria para contar. E que ter\u00e1 a dizer-nos uma jovem francesa que viveu apenas 24 anos? Atrevamo-nos, pois, a acercarmo-nos \u00e0 vida de Teresa do Menino Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Francisca Teresa Martin Gu\u00e9rin nasceu em Alen\u00e7on, Fran\u00e7a, a 2 de janeiro de 1873. Foi a \u00faltima dos nove filhos de Lu\u00eds Martin e de Z\u00e9lia Guerin, canonizados no dia 18 de outubro de 2015 pelo Papa Francisco. Dos nove filhos sobreviveram cinco meninas: Maria, Paulina, Le\u00f3nia, Celina e Teresa. Todas entraram na vida religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros anos de vida de Teresinha foram muito felizes. Tal felicidade foi quebrada pela morte da m\u00e3e em 1877, v\u00edtima de um cancro, quando tinha quatro anos. A morte prematura da m\u00e3e afetou profundamente a personalidade da jovem. Apesar da ternura que recebia da sua fam\u00edlia, em especial do pai e das irm\u00e3s, a at\u00e9 ali cheia de vida tornou-se menina t\u00edmida, muito calada e tremendamente sens\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a morte de Z\u00e9lia, os Martin mudaram-se para os <em>Buissonnets,<\/em> em Lisieux. Teresinha confessar\u00e1 que nesta casa foi verdadeiramente feliz, recordando-a sempre, carinhosamente, como o <em>\u00abdoce ninho de inf\u00e2ncia\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1882, Paulina, a irm\u00e3 mais velha, que Teresinha tomara por m\u00e3e, entrou no Carmelo de Lisieux. A decis\u00e3o provocou-lhe um duro sentimento de perda. Assaltada por uma doen\u00e7a estranha, curar-se-ia, pelo sorriso de uma imagem da Virgem Maria!<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as suas muitas ternas recorda\u00e7\u00f5es est\u00e1 a do dia da sua Primeira Comunh\u00e3o. Compreende-se: no s\u00e9culo XIX, comungar n\u00e3o era como hoje. Tratava-se de uma conquista que n\u00e3o era alcan\u00e7ada por todos, devido ao moralismo escrupuloso que marcava a \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>No Natal de 1886, dois meses depois da entrada no mesmo Carmelo de Lisieux da sua irm\u00e3 Maria, Teresa recebeu a gra\u00e7a especial da sua convers\u00e3o: nessa noite, ultrapassou a hipersensibilidade que a marcava h\u00e1 tantos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia muito que a filha mais nova de Z\u00e9lia e Lu\u00eds Martin desejava entrar, tamb\u00e9m ela, no Carmelo. Ap\u00f3s receber a autoriza\u00e7\u00e3o paterna, em 1887, devido \u00e0 sua parca idade, pediu em Roma, a Le\u00e3o XIII, uma autoriza\u00e7\u00e3o especial para poder ingressar no claustro carmelita. E foi assim que, em 1888, a jovem consumou o seu desejo: entrar no Carmelo de Lisieux, onde professa com o nome religioso de Teresa do Menino Jesus. Mais tarde acrescentaria <em>\u00abe da Santa Face\u00bb<\/em>, aquando da doen\u00e7a psiqui\u00e1trica que tanto fez sofrer o seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do Carmelo, foi formadora das jovens religiosas. Al\u00e9m disso, correspondeu-se com dois mission\u00e1rios, criando uma rela\u00e7\u00e3o profunda de amizade e de acompanhamento espiritual. Teresa sentia dentro de si ardentes desejos mission\u00e1rios, e rezava muito por todos aqueles que sa\u00edam para os lugares mais in\u00f3spitos para anunciar o Evangelho. E assim, desde dentro da clausura, a jovem carmelita tornou-se uma mission\u00e1ria pela sua vida de ora\u00e7\u00e3o. Foi, por isso, declarada pela Igreja Padroeira das Miss\u00f5es juntamente com S\u00e3o Francisco Xavier.<\/p>\n\n\n\n<p>A 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos de idade, morreu v\u00edtima de tuberculose. Foi beatificada a 29 de abril de 1923 e canonizada no dia 17 de maio de 1925 pelo Papa Pio XI. A 19 de outubro de 1997 foi proclamada Doutora da Igreja por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II. A Igreja e todo o mundo recordam-na de forma especial no dia 1 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Dela conservamos v\u00e1rios escritos autobiogr\u00e1ficos, publicados e difundidos logo ap\u00f3s a sua morte com o nome <em>Hist\u00f3ria de uma Alma<\/em>. Traduzidos em variadas l\u00ednguas e espalhados por todo o mundo, os escritos da jovem carmelita francesa s\u00e3o, ainda hoje, largamente lidos e conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua grande descoberta foi a do rosto misericordioso de Deus, em contraste com o que naquele final de s\u00e9culo a Igreja apregoava: um Deus justiceiro e condenador. Em sua ora\u00e7\u00e3o, Teresa, a pequena, descobriu que Deus \u00e9 miseric\u00f3rdia, e a nossa rela\u00e7\u00e3o com Ele h\u00e1 de ser como a de pai e filho. E assim, a alegria \u2013 e n\u00e3o o medo \u2013 deve marcar a nossa vida. Mereceu, em consequ\u00eancia ser reconhecida como doutora da ci\u00eancia do amor, pela revolu\u00e7\u00e3o espiritual que prop\u00f4s \u00e0 sua \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua vida foi um louvor e um oferecimento ao amor misericordioso de Deus, por isso proponho a escuta de <em>Ma joie<\/em> de Sylvie Buisset:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=by0kr6oQ0rc.\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=by0kr6oQ0rc.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><sup>* <\/sup><em>Publicado no Di\u00e1rio do Minho de 2 fevereiro 2023<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Francisco Maria Bragu\u00eas, OCD O ser humano \u00e9 mist\u00e9rio. Aproximarmo-nos de uma figura maior \u00e9 sempre uma ousada ousadia. Cada pessoa tem sempre uma hist\u00f3ria para contar. 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