{"id":3290,"date":"2023-01-31T02:44:00","date_gmt":"2023-01-31T02:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=3290"},"modified":"2023-01-30T11:45:09","modified_gmt":"2023-01-30T11:45:09","slug":"e-nao-e-que-deus-nos-quer-felizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/e-nao-e-que-deus-nos-quer-felizes\/","title":{"rendered":"E n\u00e3o \u00e9 que Deus nos quer felizes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1.<\/strong> Quem n\u00e3o quer ser feliz? Que cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o arde, ainda que em profana sar\u00e7a, pela felicidade? S\u00f3 os tolos, porque esses n\u00e3o ardem jamais. Tudo o que fazemos na vida visa a felicidade, nossa e dos nossos; sim, se n\u00e3o puder ser a nossa, a dos nossos. A quanto trabalho nos damos para sermos felizes! A quanto trabalho para lhe dar ca\u00e7a! Quantos caminhos percorridos, quantos azinhagas e morros subidos, quantas vielas, quantas cangostas vencidas, por vezes, inutilmente palmilhadas, para tratarmos de alcan\u00e7ar a felicidade ou, quando muito, para trepar a um degrauzinho donde ela, ao longe, se vislumbre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O excerto do evangelho deste domingo IV do Tempo Comum, ciclo A, diz-nos que Deus \u00e9 feliz e nos quer participantes da sua felicidade. Melhor, diz-nos que somos para ser felizes; que Deus seja feliz \u00e9 dedu\u00e7\u00e3o minha, e n\u00e3o erro. Nem mais; e o sentido \u00e9 esse: se Ele \u00e9 feliz, por que haveria de querer-nos bisonhos e infelizes? \u00c9 \u00f3bvio que nos quer felizes, caramba! Podemos, portanto, enquanto cat\u00f3licos, almejar a felicidade? Sim, podemos! Podemos, devemos, e n\u00e3o podemos n\u00e3o querer ser, estribo eu!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem diria, pensar\u00e3o alguns; retorquem-me muitos, enfim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2.<\/strong> \u00c9 recorrente pensar-se \u2013 mais fora que dentro da Igreja, diga-se \u2013 que ser-se cat\u00f3lico \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais acertada para quem n\u00e3o quer ser feliz nesta vida. Nada mais errado, por\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade, \u00e9 que todos n\u00f3s, cat\u00f3licos ou n\u00e3o, almejamos s\u00ea-lo, porque n\u00f3s, humanos, fomos criados, para sermos felizes e j\u00e1 aqui. E n\u00e3o estamos bem enquanto n\u00e3o formos felizes. A diferen\u00e7a est\u00e1 que alguns se contentam apenas com migalhinhas. E jamais se ouviu dizer que a sede de infinito, o mesmo \u00e9 dizer, de felicidade, se apague com poeira, n\u00e3o!&nbsp; Isso, n\u00e3o! E que venha o mais pintado\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 deveras de assinalar que, por estas alturas do dia, n\u00f3s, ocidentais, vivemos, por op\u00e7\u00e3o, num mundo desligado e sem refer\u00eancia \u00e0 religi\u00e3o, numa sociedade pag\u00e3, enfim. Obviamente, isto tem as suas consequ\u00eancias; por exemplo: leva a que entre n\u00f3s, ou que a palavra Deus n\u00e3o tenha sentido, ou que Deus seja assumido como um estorvo \u00e0 felicidade. Como poder aceitar \u2013 perguntam-se \u2013 que uma vontade externa \u00e0 do indiv\u00edduo aut\u00f3nomo, condicione a sua pr\u00f3pria vontade e desejo de ser feliz e de buscar a felicidade, onde e como queira? Como assumir, enfim, sussurram, ou berram, que a subjuga\u00e7\u00e3o possa ser um degrau \u00fatil para alcan\u00e7ar a felicidade? Por certifica\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel, para n\u00e3o dizer imposs\u00edvel, n\u00e3o lhes \u00e9 \u00f3bvio nem aceit\u00e1vel que a transcend\u00eancia exista ou, na melhor das hip\u00f3teses, que a existir, ela seja alcan\u00e7\u00e1vel ou pronunci\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resta, portanto, dizem, o aqui e agora, o j\u00e1, pelo que o que mais nos conviria \u00e9 disfrutar o momento, enquanto \u00e9 tempo, pela frescura da manh\u00e3, enquanto se \u00e9 jovem, e os sentidos est\u00e3o em alta, e podem sorver todo o fresco orvalho das flores. Mas tal \u00e9 engano ledo, pois os sentidos n\u00e3o s\u00e3o tudo, n\u00e3o capturam tudo, n\u00e3o sabem tudo, n\u00e3o saboreiam tudo, que nem tudo se pode fruir no imediato, sem distanciamento, sem experi\u00eancia, sem distinguir o dur\u00e1vel e o eterno do acess\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3.<\/strong> (A prop\u00f3sito: N\u00e3o h\u00e1 muitos dias, deliciado, ouvi a arenga de um cantor com relev\u00e2ncia e transversal aceita\u00e7\u00e3o da nossa pra\u00e7a a assumir posi\u00e7\u00f5es parecidas a esta. Ao dizer-se espiritual ap\u00f4s uma cl\u00e1usula: \u00abmas n\u00e3o religioso\u00bb; porque ser-se religioso exigiria, disse, que se falasse em \u00abtranscend\u00eancia\u00bb, e a palavra, s\u00f3 de pensar diz\u00ea-la em frente ao grande p\u00fablico, dava-lhe uma not\u00f3ria e incontrol\u00e1vel urtic\u00e1ria na garganta; mas disse-a, e dizendo-a ela saiu-lhe <em>atrapalhantada<\/em> e aos bald\u00f5es, aos solavancos e aos solu\u00e7os, coisa que ele n\u00e3o \u00e9 quando canta em p\u00fablico! Est\u00f3rias\u2026)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o estamos, portanto, para transcend\u00eancias \u2013 perdoe-se-me o paradoxo! \u2013 porque nos bastam migalhas; fica dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, sem pejo e at\u00e9 com certa jact\u00e2ncia, dizem alguns que ser-se religioso \u00e9 escolher a pior parte \u2013 ser perdedor. E se quem o diz \u2013 Ted Turner \u2013 \u00e9 rico e bem-sucedido, ent\u00e3o, \u00e9 \u00f3bvio, que as suas palavras ganham ainda mais relevo e s\u00e3o mesmo ouvidas por uma imensa multid\u00e3o de potenciais empreendedores e ca\u00e7adores de migalhas. Digam-me l\u00e1, pois, quem \u00e9 que n\u00e3o quereria ser t\u00e3o rico como o Ted?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4.<\/strong> Mas, afinal, um homem, ou uma mulher, ricos e bem-sucedidos, podem ou n\u00e3o ser considerados felizes? Haver\u00e1 de tudo, penso eu. Pensemos o que quisermos, dir\u00e3o, por outro lado, os c\u00e9pticos mais altivos e impenitentes, porque o certo \u00e9 que os diamantes em si n\u00e3o trazem a felicidade, mas l\u00e1 que o seu brilho ajuda, isso ajuda! E eles querem-se com eles e rodeados deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recordo aqui, por\u00e9m, duas est\u00f3rias; uma, com l\u00e1grimas, outra, com emp\u00e1fia: <em>i)<\/em> o homem mais feliz que conheci (na verdade n\u00e3o conheci sen\u00e3o nas hist\u00f3rias de meu pai&#8230;) n\u00e3o tinha pernas nem bra\u00e7os onde colocar diamantes, e tinha o rosto desfigurado por uma explos\u00e3o em contexto de guerra no velho Ultramar. Antes e depois da trag\u00e9dia era, dizia-nos o meu pai, o homem mais simp\u00e1tico, mais prest\u00e1vel, mais acolhedor e mais inclusivo; com ele por perto reinava a alegria, ningu\u00e9m estava triste, ou abandonado numa cama do hospital ou em festa alguma; e mesmo arrastando-se ao n\u00edvel do p\u00f3 levantado por alheios p\u00e9s, era, enfim, feliz, mais feliz que um trapezista em seu trap\u00e9zio porque, conclui-a meu pai, para ser-se feliz n\u00e3o s\u00e3o precisas asas e voar, nem pernas, nem bra\u00e7os, nem uma cara linda, mas dar-se como uma fonte&#8230;; <em>ii)<\/em> Cecil Rhodes (1853-1902) era cidad\u00e3o ingl\u00eas e fez fortuna invej\u00e1vel e \u00eaxito verdadeiramente assinal\u00e1vel, tamb\u00e9m como pol\u00edtico, na \u00c1frica do Sul. Certo dia um jornalista felicitou-o por ser exitoso e feliz, ao que ele, com certo humor <em>very british<\/em>, logo contestou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Feliz, eu? N\u00e3o, eu n\u00e3o sou feliz! Claro que n\u00e3o sou! Passei a vida preocupado em acumular fortuna, e agora tenho de a gastar, como se v\u00ea! Metade com os m\u00e9dicos, a ver se evito ir para a sepultura! E a outra metade, gasto-a com advogados, tentando evitar cair na pris\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miremos bem para quem iremos, concluo eu c\u00e1 para mim; a felicidade n\u00e3o \u00e9, de todo, imediatamente alcan\u00e7\u00e1vel ou, mais precisamente, n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel aqui, neste mundo de migalhas, p\u00f3 e palitos, mas mais longe, mais longe, bem mais longe daqui! E, no dinheiro, nas <em>bitcoins<\/em> ou no brilho do ouro \u00e9 que, de todo, ela n\u00e3o \u00e9 encontr\u00e1vel!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5.<\/strong> Onde, ent\u00e3o, acharemos, a felicidade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>6.<\/strong> Para mim \u00e9 \u00f3bvio que n\u00e3o podemos jamais sair do terreiro da religi\u00e3o e das proximidades da porta do templo, daquilo que nos liga \u2013 como indiv\u00edduos e como comunidades \u2013 ao eterno. Quem, por si ou por outrem, cortar, ou aceitar que lhe cortem o cord\u00e3o umbilical que o liga ao transcendente, est\u00e1 a amputar em si a melhor parte de si, a fonte, o termo ou meta final donde vimos e para onde tendemos, e que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa \u00e2nsia de caminhar, porque \u00e9 de l\u00e1 que vimos e \u00e9 de l\u00e1 que nos vem o apelo para l\u00e1 regressarmos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somos como um ribeirinho por entre pedras e limos: \u00e9 o mar que buscamos! \u00c9 ao mar que vamos, mesmo que o n\u00e3o saibamos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trocar o eterno pelo ef\u00e9mero \u00e9 trocar um forno de p\u00e3o fresco por migalhas de bolor \u2013 intrag\u00e1veis, como se sabe, e que s\u00f3 aumentam a azia e a fome!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 certo que, a cada dia que passa, as religi\u00f5es \u2013 e n\u00e3o, n\u00e3o apenas o Catolicismo&#8230; \u2013 perdem espa\u00e7o p\u00fablico e aderentes; sinal de que, enfim, como ignorar, apesar de tudo, que as migalhas s\u00e3o deveras mais apetitosas e apelativas que o p\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>7. <\/strong>Mas como viver, se n\u00e3o seguindo e prosseguindo em frente, dia a dia, incans\u00e1vel e sem voltar atr\u00e1s, na busca da felicidade? Eis, por isso, sem pelos nem agravos, a proposta de Jesus: felizes&#8230; Os pobres, os humildes, os mansos, os famintos, os limpos de cora\u00e7\u00e3o, os construtores da paz&#8230; Felizes\u2026 Felizes os que da fonte v\u00eam e para a fonte v\u00e3o; como o riberinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felizes, quem?!, j\u00e1 estou a ouvir vozes de esc\u00e2ndalo! Claro, como podem ser felizes aqueles a quem os escandalizados se habituaram a considerar os de baixo, os malditos, os infelizes, os dependentes ou manipulados pela Igreja? Como podem ser nomeados como felizes os que sentem na carne pr\u00f3pria a dor e a priva\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o o bafo do \u00eaxito e da gl\u00f3ria deste mundo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus \u00e9 realmente surpreendente nas suas propostas: ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que nos quer felizes sem lutarmos pela felicidade sem mais, mas t\u00e3o s\u00f3, esfor\u00e7ando-nos por sermos m\u00e3os e cora\u00e7\u00e3o para os outros; m\u00e3os abertas e cora\u00e7\u00e3o rasgado; m\u00e3os que se abrem e se d\u00e3o em forma de car\u00edcia e de b\u00ean\u00e7\u00e3o, e cora\u00e7\u00e3o que chora ou ri ao lado dos que choram ou riem?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade, aqui o confesso, \u00e9 que eu n\u00e3o sei que seja a felicidade. N\u00e3o sei, pois tamb\u00e9m eu, pobre de mim, vivo de migalhas, embora, reconhe\u00e7o, algumas de luz. E tamb\u00e9m eu sempre olho com espanto, e \u00e0s vezes com esc\u00e2ndalo, para o programa de Jesus, todo ele, de princ\u00edpio ao fim, t\u00e3o contracorrente, t\u00e3o inesperado, t\u00e3o inabitual. Por isso, humildemente, me confesso: de felicidade s\u00f3 levo migalhas numa saquinha, e nem sempre das melhores. Mas tamb\u00e9m digo: em cinquenta anos j\u00e1 vi e abracei homens e mulheres felizes, isso vi. Isso j\u00e1 vi e abracei, garanto. E sabem a refresco esses abra\u00e7os, garanto!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, eu j\u00e1 vi gente feliz e com l\u00e1grimas; feliz, apesar de doen\u00e7as; feliz, apesar das dificuldades econ\u00f3micas; feliz, e com uma lan\u00e7a cravada no peito; feliz e com \u00falceras; com l\u00e1grimas, e com esperan\u00e7a nos olhos; sim, com l\u00e1grimas, e feliz. Eu j\u00e1 vi gente feliz apesar de tudo! Gente sem nada de seu, sem nada ter para dar, nem a Deus, se n\u00e3o o \u00faltimo suspiro. Eu tenho visto gente feliz porque Deus \u00e9 a sua fonte, e n\u00e3o querem outra; que tamb\u00e9m outra n\u00e3o existe!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E sei que Ele nos quer felizes e a todos nos chama a s\u00ea-lo. E \u00e9 uma felicidade estar a caminho; apenas isso. Que \u00e9 a caminho que Ele nos quer, acreditem!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E enquanto vou a caminho, n\u00e3o ignoro que o mal exista. Existe. Existe, morde e estra\u00e7alha. Existe, e Deus n\u00e3o o quer nem o ama, mas ama os perdedores, os feridos e os derreados. Esses, Ele ama, porque prefere amar mais os que menos pintam, os que n\u00e3o ferem nem magoam, e os que emprestam a m\u00e3o ao ca\u00eddo, o bra\u00e7o ao cansado e o ombro a quem chora. Por isso, se por um lado, uns se contentam apenas com migalhas, e s\u00e3o felizes, Deus, pelo seu, quer-nos felizes e alegres por, simplesmente, sermos Dele e para Ele. E n\u00f3s O queremos, mesmo quando feridos e destro\u00e7ados. Pode parecer estranho tal caminho, mas l\u00e1 porque seja estranho n\u00e3o quer dizer que este n\u00e3o seja o caminho: ser Dele, ser para Ele, tender para Ele porque, venha o que vier, aconte\u00e7a o que acontecer, quer a terra se abale ou o mar se afunde, nascemos para que se cumpra o que tem de cumprir-se: sermos felizes. Em casa do Pai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Jo\u00e3o Costa, OCD 1. Quem n\u00e3o quer ser feliz? Que cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o arde, ainda que em profana sar\u00e7a, pela felicidade? S\u00f3 os tolos, porque esses n\u00e3o ardem jamais. 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