{"id":2361,"date":"2020-03-31T03:02:00","date_gmt":"2020-03-31T03:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=2361"},"modified":"2020-03-30T07:59:23","modified_gmt":"2020-03-30T07:59:23","slug":"atualidade-de-isabel-da-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/atualidade-de-isabel-da-trindade\/","title":{"rendered":"Atualidade de Isabel da Trindade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Jeremias Carlos Vechina, OCD<\/em> (1938-2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m o consumismo\nse est\u00e1 a apoderar da Espiritualidade. As publica\u00e7\u00f5es, livros e artigos\nsucedem-se a um ritmo dif\u00edcil de acompanhar. Congressos e semin\u00e1rios sobre\nespiritualidade est\u00e3o na ordem do dia. H\u00e1 uma incontin\u00eancia verbal doentia.\nPerante esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 hora de parar e fazer sil\u00eancio para realizarmos uma\nleitura repousada e profunda dos acontecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Torna-se\nnecess\u00e1rio um olhar contemplativo sobre os movimentos espirituais que est\u00e3o a\u00ed\nna pra\u00e7a p\u00fablica. Eis aqui o profetismo de Isabel da Trindade: a sua vida e\npalavra de mulher crente s\u00e3o uma orienta\u00e7\u00e3o clara e simples no dealbar deste\nnovo mil\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os m\u00edsticos est\u00e3o de volta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 uma\nrealidade f\u00e1cil de constatar: os m\u00edsticos est\u00e3o de volta. Mas quando falamos de\nm\u00edsticos n\u00e3o estamos a pensar em fen\u00f3menos estranhos, como podem ser os \u00eaxtases\ne levita\u00e7\u00f5es, chagas e estigmas, revela\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es. Existiram grandes\nm\u00edsticos que n\u00e3o tiveram estas coisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falar\nde fen\u00f3meno m\u00edstico, a meu modo de entender, \u00e9 falar duma profunda experi\u00eancia\nde Deus. E esta experi\u00eancia de Deus \u00e9 conatural a todo o batizado. Se a semente\nda gra\u00e7a nascida em n\u00f3s no dia do nosso batismo, pela palavra viva e eterna, se\ndesenvolver conforme o seu dinamismo interno levar\u00e1 consigo a experi\u00eancia de\nDeus. O batizado possui uma semente m\u00edstica posta por Deus no dia do seu\nbatismo. Esta gra\u00e7a inicial, com a ajuda de Deus, principalmente, e com a nossa\ncolabora\u00e7\u00e3o, abrir-nos-\u00e1 \u00e0 experi\u00eancia de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\nm\u00edstico, pessoa de experi\u00eancia de Deus, \u00e9 um irm\u00e3o entre irm\u00e3os, \u00e9 como um\nprofeta que fala de Deus e do seu mist\u00e9rio com palavras de fogo, postas por\nDeus na sua boca, como dom precioso para a Igreja e a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\ncrise do racionalismo e do pensamento d\u00e9bil suscitaram um grande apre\u00e7o pelos\nm\u00edsticos. Eles falam com palavras verdadeiras e convincentes. O seu discurso\nn\u00e3o \u00e9 fruto dum racioc\u00ednio, mas nasce da fonte da sua experi\u00eancia religiosa. O\nseu argumento sobre Deus \u00e9 que eles O encontraram e saborearam na sua vida.\nViveram com Deus como companheiro, amigo, esposo enamorado e irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Surpreendem\ne impressionam as palavras que escreve Fernando Sebasti\u00e1n Aguilar, acerca do\nfalar e dar testemunho de Deus na Igreja e no mundo. Os m\u00edsticos falam-nos de\nDeus de forma \u201cdescarada\u201d, sem respeitos humanos, abertamente, e \u00e9 disto que\nn\u00f3s precisamos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNeste momento o testemunho da Igreja\nsobre Deus resulta especialmente necess\u00e1rio e urgente j\u00e1 que nenhuma\ninstitui\u00e7\u00e3o faz brilhar a presen\u00e7a de Deus. Ningu\u00e9m fala d\u2019Ele, ningu\u00e9m O\naponta e muito poucos se interrogam verdadeiramente acerca d\u2019Ele. Por mais que\nDeus esteja ao nosso lado e nunca nos abandone, se ningu\u00e9m O nomeia e ningu\u00e9m O\nrecorda, pouco a pouco se ir\u00e1 afastando de n\u00f3s, ou melhor dito, n\u00f3s nos\nafastaremos d\u2019Ele, e iremos aprendendo a viver pacificamente como se n\u00e3o\nexistisse, entregues aos bens do nosso mundo e suportando como algo normal as\nang\u00fastias e as perturba\u00e7\u00f5es que nos produz esta aus\u00eancia fundamental\u201d<a href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na\nnossa Irm\u00e3 Isabel da Trindade brilha a presen\u00e7a de Deus. Se n\u00f3s nos abeiramos\ndela \u00e9 porque nos contagia a sua f\u00e9 e nos acompanha no nosso caminho para Deus\ne para o mundo. Ela n\u00e3o s\u00f3 nos situa perante Deus mas tamb\u00e9m perante as\nrealidades deste mundo. Os seus escritos ressumam experi\u00eancia simples de Deus.\nAquilo que ela viveu contagia e \u00e9 esta realidade que ela quer transmitir ao\nleitor. Isabel envolve-nos na sua mesma atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta\ntarefa exerceu-a Isabel com tantas gera\u00e7\u00f5es de Carmelitas que atrav\u00e9s de um\ns\u00e9culo se abeiraram da sua figura. A sua influ\u00eancia estendeu-se para fora do\nmundo carmelitano: religiosos, religiosas e sacerdotes sentiram a brisa do\nEsp\u00edrito quando se aproximaram dos seus escritos. \u00c9 pena que a figura de Isabel\nn\u00e3o tenha calado mais profundamente no mundo laical. A maior parte da sua vida\ntranscorreu como leiga na cidade de Dijon. De vinte e seis anos de exist\u00eancia\nvinte foram passados no mundo. At\u00e9 mesmo os seus escritos, a maior parte, est\u00e3o\ndirigidos a leigos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos\ntempos que correm em que os leigos se afirmam no campo da teologia e da\npastoral, os escritos da Irm\u00e3 Isabel podem ser um farol luminoso para descobrir\nDeus no concreto da vida e desta maneira serem uma \u201chumanidade de acr\u00e9scimo\u201d no\nmundo e na sociedade dos nossos dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nsociedade em que vivemos est\u00e1 em sintonia com outras realidades do mundo que\nn\u00e3o s\u00e3o as do Evangelho. A indiferen\u00e7a e o agnosticismo est\u00e3o presentes por\ntodas as partes, at\u00e9 mesmo no cora\u00e7\u00e3o dos crentes. A Igreja, consciente da\nsitua\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a responder com uma Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Neste contexto a Irm\u00e3\nIsabel \u00e9 palavra oportuna porque nos anuncia o encontro que teve com Deus,\nencontro este que constituiu a alegria maior da sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nsua espiritualidade \u00e9 a medicina certa para todos, mas principalmente para\naqueles que voltam \u00e0 religi\u00e3o, mas a uma religi\u00e3o, muitas vezes, sem Deus.\nChamam a aten\u00e7\u00e3o estas palavras do te\u00f3logo J. B. Metz: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDe certa maneira vivemos numa era da\nreligi\u00e3o sem Deus. Portanto, a frase chave poderia ser esta: \u00abreligi\u00e3o, sim,\nDeus n\u00e3o\u00bb, mas sem que esse \u00abn\u00e3o\u00bb se entenda categoricamente, como o entendem\nos grandes ate\u00edsmos. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 grandes ate\u00edsmos. A pol\u00e9mica sobre a\ntranscend\u00eancia parece estar j\u00e1 fora de lugar. Apagou-se definitivamente o\nrescaldo do mais al\u00e9m. Se nos anos 60 foi trasladado, polemicamente, para o\nfuturo, vemos que agora, em sentido terap\u00eautico, traslada-se para a psique.\nDesta maneira, hoje, torna-se a pronunciar o nome de Deus \u2013 distra\u00edda ou\nserenamente \u2013 nas conversas das tert\u00falias ou sobre o sof\u00e1 do psicanalista, no\ndiscurso est\u00e9tico ou de qualquer outra maneira, mas sem se referirem a Ele\nrealmente, entendendo-O como uma simples met\u00e1fora. A religi\u00e3o como nome do\nsonho duma felicidade sem sofrimentos, como feiti\u00e7o m\u00edtico da alma, como jogo\npostmoderno de missangas: sim! Mas, onde est\u00e1 o Deus de Abra\u00e3o, Isaac e Jacob,\no Deus de Jesus?\u201d<a href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o\n\u00e9 dif\u00edcil encontrar pessoas que se consideram crentes e ao mesmo tempo\nprofundamente cr\u00edticas com as institui\u00e7\u00f5es religiosas. Contudo este grupo nutre\nsimpatia pelos m\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA m\u00edstica suscita atualmente uma grande\ncuriosidade, inversamente proporcional \u00e0 alergia provocada pelas institui\u00e7\u00f5es\neclesi\u00e1sticas. Muitos julgam essas institui\u00e7\u00f5es arcaicas pela incapacidade de\nresponder \u00e0 fome espiritual que marca o fim do s\u00e9culo. O desejo visa o imediato\nde Deus. Nesta perspetiva, muitos acham que as Igrejas s\u00e3o fontes de viol\u00eancia\npor causa da sua intransig\u00eancia dogm\u00e1tica ou pr\u00e1tica, e porque n\u00e3o favorecem a\nexperi\u00eancia espiritual. Se todos concordam que as institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas\nest\u00e3o em crise, poucos explicam o interesse voltado para a m\u00edstica recusando as\nIgrejas&#8230; Deus s\u00f3 pode ser encontrado onde se vive em liberdade\u201d<a href=\"#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\nm\u00edstico coloca a experi\u00eancia do mist\u00e9rio no centro da religi\u00e3o e, por\nconseguinte, situa quem a vive na melhor disposi\u00e7\u00e3o para valorizar a vida\nreligiosa, seja qual for o lugar em que se possa encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isabel\nda Trindade leva-nos a experimentar a Deus no quotidiano da vida. \u00c9 perigoso\nfalar e encontrar Deus unicamente e exclusivamente na Igreja, ao fumo das\nvelas, como se o resto da vida n\u00e3o tivesse nada a ver com o divino. Se assim fosse\nchegar\u00edamos a considerar a Deus num espa\u00e7o muito determinado, deixando o resto\nda jornada vazia de Deus e da experi\u00eancia religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isabel\nda Trindade \u00e9 nossa contempor\u00e2nea. A nossa f\u00e9 debate-se na d\u00favida e na noite.\nMuitos crentes poder\u00e3o viver perturbados pelas d\u00favidas que os assaltam e pelas\ntrevas que deles se apoderam nos momentos mais religiosos e sagrados. Este foi\no p\u00e3o quotidiano de muitos m\u00edsticos e concretamente de Isabel. Eles\nrecordam-nos que a nossa maturidade espiritual se mede pela quantidade de\nd\u00favidas que somos capazes de suportar. Cristo crucificado e abandonado \u00e9 o\nmodelo de toda a m\u00edstica crist\u00e3, contudo, Ele sente-se nos \u00faltimos momentos da\nsua vida abandonado do Pai e dos seus. N\u2019Ele, Isabel da Trindade encontrou a\nforma mais profunda de confian\u00e7a e abandono em Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nespiritualidade de Isabel est\u00e1 imbu\u00edda dum sentimento de plenitude\nexperimentada na contempla\u00e7\u00e3o da natureza. A experi\u00eancia vive-se como\ntotalizadora no sentido de viver na presen\u00e7a da natureza como um todo e sentir\no pr\u00f3prio sujeito feito essa totalidade, totalmente integrado nela. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\ndespertador dessa consci\u00eancia pode ser qualquer sentido: a vis\u00e3o duma paisagem,\na escuta de uma m\u00fasica, etc. mas o resultado transcende o captado pelo sentido\ne pela sensa\u00e7\u00e3o que procura: \u00e9 toda a pessoa que v\u00ea, ouve e gosta; e v\u00ea, ouve e\ngosta tudo ao mesmo tempo<a href=\"#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta\nexperi\u00eancia \u00e9 totalizante no sentido, em que engloba toda a pessoa. O m\u00edstico,\nnesta rela\u00e7\u00e3o profunda com Deus, joga tudo por tudo, p\u00f5e toda a carne no\nassador. N\u00e3o se d\u00e1 a meias. \u00c9 interessante observar as vezes que a palavra\n\u201ctudo\u201d aparece na linguagem dos m\u00edsticos para exprimir o que ele est\u00e1 a viver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta\nexperi\u00eancia \u00e9 uma realidade que vem do alto, n\u00e3o \u00e9 provocada pelo sujeito.,\nembora a isso se prepare e disponha, mas \u00e9 uma realidade de gra\u00e7a que acontece\nna pessoa e esta recebe como dom gratuito. A iniciativa \u00e9 sempre de Deus. Por\nisso S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 capaz de afirmar: \u201cse a alma procura &#8230;..\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isabel\nvive para al\u00e9m de todo o moralismo. Ela sente-se inundada por um abismo de amor\nque a acolhe com a simplicidade de uma crian\u00e7a. Ela, levada pela m\u00e3o de S\u00e3o\nJo\u00e3o e S\u00e3o Paulo, descobre que a vida do crist\u00e3o tem que estar fundamentada\nnuma invas\u00e3o de amor que nos persegue e seduz. Numa \u00e9poca em que Deus era\napresentado com frequ\u00eancia como juiz severo, ela proclama com a for\u00e7a dum\nprofeta que experimentou a realidade do amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe n\u00e3o tivesses sido por Ele&#8230; mas, j\u00e1\nvedes, n\u00e3o se pode resistir \u00e0 sua chamada. Ele cativa, prende. Uma pessoa j\u00e1\nn\u00e3o se pertence mais, \u00e9 a presa do seu amor. Pode haver desgarramento no\ncora\u00e7\u00e3o, mas na alma reina uma paz inef\u00e1vel, uma felicidade que n\u00e3o se parece \u00e0\ndeste mundo\u201d (C 171.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 t\u00e3o belo dar quando se ama, e eu amo\nmuito a este Deus que est\u00e1 cioso de me possuir toda para Si, sinto tanto amor\nsobre a minha alma. \u00c9 como um oceano em que me submerjo&nbsp; e me perco: \u00e9 a minha vis\u00e3o na terra,\nenquanto espero o face a face na luz. Ele est\u00e1 em mim, eu estou n\u2019Ele. N\u00e3o\ntenho outra coisa a fazer sen\u00e3o am\u00e1-l\u2019O, deixar-me amar sempre, atrav\u00e9s de\ntodas as coisas: acordar no Amor, mover-se no Amor, dormir no amor, a alma na\nsua Alma, o cora\u00e7\u00e3o no seu Cora\u00e7\u00e3o, os olhos nos seus olhos, para que pelo seu\ncontacto Ele me purifique e me liberte da minha mis\u00e9ria\u201d (C 177).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o\nh\u00e1 d\u00favida, que esta \u00e9 a primeira e a mais fundamental experi\u00eancia de todo o\ncrente: sentir-se acolhido por um amor maior na sua realidade de criatura. Quem\nconfia nas suas pr\u00f3prias obras, sempre se encontrar\u00e1 com a amargura da\ndebilidade e da limita\u00e7\u00e3o humana. Mas aquele que colocou o seu olhar no amor\nque Deus nos tem e que se manifestou em Jesus Cristo, construiu a sua casa\nsobre uma rocha firme. Imbu\u00edda desta perspetiva de amor, Isabel vai contemplar\na Encarna\u00e7\u00e3o, o batismo, a Eucaristia, a sua pr\u00f3pria vida&#8230; Tudo \u00e9 amor,\nmanifesta\u00e7\u00e3o de amor e uma ocasi\u00e3o para amar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\nter acreditado no amor, aparece nos seus escritos algo que \u00e9 preciso real\u00e7ar:\npermanecer no amor, at\u00e9 mesmo nos momentos de debilidade e abandono como uma\ncrian\u00e7a nos bra\u00e7os de sua m\u00e3e.&nbsp; Daqui ela\ndeduz conclus\u00f5es pr\u00e1ticas para que a vida do crist\u00e3o n\u00e3o fique paralisada por\numa vis\u00e3o pessimista. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que se experimenta profundamente a mis\u00e9ria\ne a pobreza, ent\u00e3o, a palavra prof\u00e9tica de Isabel d\u00e1-nos alento para continuar\na esperar e confiar no amor de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Originalidade de\nIsabel da Trindade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1.&nbsp;&nbsp; Temos o seu carisma particular de s\u00e3 interioridade e\naten\u00e7\u00e3o amorosa a Deus, carisma complexo, que encerra muitos aspetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nalta estima que ela tem de Deus leva-a a n\u00e3o s\u00f3 construir uma hierarquia de\nvalores que culmina em Deus, primeiro valor, mas tamb\u00e9m a impele a deixar tudo,\nenquanto \u00e9 poss\u00edvel, para dar-se a uma exist\u00eancia de adora\u00e7\u00e3o gratuita. A vida\ncontemplativa, vivida com intensidade e f\u00e9, remete \u00e0 realidade de Deus. A\nautenticidade do amor de Isabel refor\u00e7a a credibilidade de quanto precede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\ngeneroso recolhimento de Isabel impressiona pela sua qualidade, at\u00e9 no Carmelo,\nonde a procura de Deus (que \u00e9 ao mesmo tempo ora\u00e7\u00e3o eclesial) est\u00e1 recomendada\ncom tanta insist\u00eancia por Santa Teresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Teoricamente\nn\u00f3s podemos perguntar: o que \u00e9 que pertence a uma natureza muito dotada para a\ncontempla\u00e7\u00e3o e a admira\u00e7\u00e3o e a gra\u00e7a de Deus que faz com que ela O escolha a\nEle antes que as express\u00f5es ego\u00edstas do eu?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na\nrealidade todos estes componentes fundem-se harmonicamente na vida desta jovem.\nIsabel \u00e9 a fidelidade a um carisma desenvolvido atrav\u00e9s de todos os dons da sua\nnatureza e da gra\u00e7a. Por isso \u00e9 profeta, mas convertida em Santa \u00e9 fiel ao\nEvangelho at\u00e9 \u00e0s fibras mais finas da exist\u00eancia concreta, mediante o\ndesenvolvimento de um dom existente em cada um de n\u00f3s que \u00e9 o amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estamos\nconvencidos que Isabel ainda apresenta outro aspeto prof\u00e9tico na do\u00e7ura e\nsuavidade com que vive este surpreendente recolhimento. Nela n\u00e3o existe nenhuma\naspereza, dureza, crispa\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser nalguns breves per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o,\nporque tamb\u00e9m ela teve de lutar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1\nno seu sil\u00eancio uma liberdade que j\u00e1 tinha adquirido quando vivia no mundo. O\npr\u00f3ximo n\u00e3o se sente rejeitado, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 atra\u00eddo para o Mist\u00e9rio.\nDescobre-se nela uma excecional alian\u00e7a entre m\u00edstica e humanismo, aten\u00e7\u00e3o a\nDeus e sentido profundo da amizade, cujo exemplo mais claro \u00e9 a maneira de\ncomportar-se com a sua Prioresa, Madre Germana de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certamente\nIsabel aprendeu na escola de Jesus, talvez, sobretudo, nas visitas do Mestre a\nBet\u00e2nia, algo que ela gostava de contemplar com particular amor. Isabel\nvislumbrou no cora\u00e7\u00e3o de Deus: \u201cno c\u00e9u, a unidade\u201d, disse pouco antes da sua\nmorte (R 254). Se as testemunhas repetem em coro o ep\u00edteto \u201crecolhida\u201d, juntam\na ele outros adjetivos: simples, alegre, am\u00e1vel, servi\u00e7al. Para compreender a\nfundo este profeta da presen\u00e7a de Deus, n\u00e3o podemos separar os seus escritos,\nonde inculca a proximidade de Deus, da sua vida fraterna de cada dia. Escritos,\npalavras, a\u00e7\u00f5es formam um todo na sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como\ncontemplativa, o seu papel n\u00e3o \u00e9 o de falar, trabalhar, aparecer ao exterior. A\nsua tarefa \u00e9 a de \u201cestar junto \u00e0 fonte\u201d: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201ch\u00e1 duas palavras que para mim resumem\ntoda a santidade, todo o apostolado: Uni\u00e3o, Amor\u201d (C 191). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora\nIsabel sinta menos necessidade de reafirmar a utilidade apost\u00f3lica da sua vida\nque a irm\u00e3 Teresa de Lisieux \u2013 esp\u00edrito mais inquieto, temperamento mais\nconquistador \u2013 tamb\u00e9m ela \u00e9 consciente que se encontra \u201cno grande campo da\nIgreja\u201d (C 191). Fazendo profiss\u00e3o de vida contemplativa, ela continua a ser\naquela que, nos tempos do seu <em>Di\u00e1rio<\/em> de juventude, se consumia pelas\n\u201calmas\u201d e orava com tanto ardor pela convers\u00e3o de M. Chapuis como Teresa por\nPranzini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Isabel est\u00e1 convencida que uma filha de Santa\nTeresa de Jesus <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cdeve ser apost\u00f3lica: todas as suas\nora\u00e7\u00f5es, todos os seus sacrif\u00edcios tendem a isto\u201d (C 136).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isabel\nmoribunda, enunciar\u00e1 os dois fins da sua vida(\u201cGl\u00f3ria de Deus\u201d e \u201cIgreja\u201d) num\nmesmo impulso do cora\u00e7\u00e3o: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOh Amor! (&#8230;). Esgota toda a minha\nsubst\u00e2ncia na tua glorifica\u00e7\u00e3o; que se destile gota a gota pela tua Igreja\u201d (R\n256-257).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.&nbsp;&nbsp; Isabel\nultrapassa tamb\u00e9m a espiritualidade do seu tempo <em>ao aproximar-se com tanto\nentusiasmo como amorosamente da Trindade<\/em>. Isabel \u00e9 deslumbrada por Deus,\nque, por elevado e imenso que seja, n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1rio na sua grandeza, mas\nComunh\u00e3o de Amor, Tr\u00eas numa uni\u00e3o que ultrapassa toda a intelig\u00eancia, criando o\nhomem e convidando-o a viver e a atuar n\u2019Ele, o Amor. Para ela a santidade de\nDeus deslumbra com um amor infinito. Aproximar-se d\u2019Ele \u00e9 libertar-se do mal\nque h\u00e1 em n\u00f3s, incendiando-se no fogo do Esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nsua tarefa n\u00e3o consistir\u00e1 em raciocinar teologicamente sobre o mist\u00e9rio da vida\nintratrinit\u00e1ria. A sua voca\u00e7\u00e3o consistir\u00e1 na a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelo amor dos\n\u201cTr\u00eas\u201d, a admira\u00e7\u00e3o da sua beleza, o dom irrevog\u00e1vel de si \u00e0 menor manifesta\u00e7\u00e3o\ndo seu desejo. Aquilo que Isabel tem que valorizar \u00e9, antes de mais nada, a\nmiseric\u00f3rdia da Trindade, a sua \u201cfilantropia\u201d, como diz S\u00e3o Paulo (Tt 3, 4), \u201co\nseu amor pelos homens\u201d. Isabel gosta de falar de Deus \u201ctodo Amor\u201d, inclinado\nsem cessar sobre a obra das suas m\u00e3os, Ele que jamais nos abandona: habita em\nn\u00f3s, quer que o amemos, quer dar-nos a vida \u2013 para sempre \u2013, quer\ntransformar-nos n\u2019Ele, deificar-nos. \u00c9 o c\u00e9u, \u201cque o Esp\u00edrito cria em ti\u201d,\nexclama! (C 239).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com\nos olhos do cora\u00e7\u00e3o, Isabel segue o duplo movimento descendente e ascendente da\ndin\u00e2mica do amor de Deus ao homem. O Pai envia o seu Filho para viver entre\nn\u00f3s. Jesus perpetua a sua obra, a sua presen\u00e7a, o seu amor humano na Igreja,\nparticularmente por meio da Eucaristia. O Pai e o Filho enviam-nos o Esp\u00edrito,\nhabilitando-nos deste modo para que a vida de Jesus se manifeste na nossa vida\ne irradie nos outros atrav\u00e9s de cada um de n\u00f3s. Se vivem em n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para\nnos fazer felizes na f\u00e9 do seu amor e na sua proximidade, mas, sobretudo, para\nque pacientemente e em livre colabora\u00e7\u00e3o, a nossa exist\u00eancia se transfigure\nnuma vida \u201cesquecida e livre de si mesma\u201d, como a de Maria (EU 40), e para bem\ndos demais. Ent\u00e3o o Esp\u00edrito cantar\u00e1 nos nossos cora\u00e7\u00f5es cada vez mais\nintensamente \u201co louvor\u201d do Deus Amor (Ef 1, 12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na\nsua rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria, Isabel \u00e9 sempre cristoc\u00eantrica. Desde a sua inf\u00e2ncia\nesteve profundamente tocada pelo dom total que Jesus nos manifesta na cruz e na\neucaristia. A sua ora\u00e7\u00e3o como carmelita ser\u00e1, sobretudo, escutar o \u201cMestre\u201d. E\nno entardecer da sua vida, a m\u00edstica Isabel pronunciar\u00e1 esta palavra\nemocionada, enquanto aperta o crucifixo da sua profiss\u00e3o contra o seu peito:\n\u201cam\u00e1mo-nos tanto\u201d (R 246). A transforma\u00e7\u00e3o em Deus far-se-\u00e1 pela conforma\u00e7\u00e3o ao\ncrucificado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.&nbsp;&nbsp; Isabel \u00e0 sua maneira, foi tamb\u00e9m uma pioneira na\nredescoberta da <em>Sagrada Escritura como carta de vida crist\u00e3<\/em>. N\u00f3s, hoje,\ntemos certa dificuldade em compreender qu\u00e3o diferente era a situa\u00e7\u00e3o a\nprinc\u00edpios do s\u00e9culo XX, no que diz respeito ao uso da Sagrada Escritura. Ent\u00e3o\na B\u00edblia era muito menos conhecida e lida pelos cat\u00f3licos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\nP. Conrad Meester (\u2020 2019) conta que ouvia dizer com muita frequ\u00eancia aos\nsacerdotes: \u201cera muito pouco o que receb\u00edamos, noutro tempo, no nosso curso de\nSagrada Escritura&#8230; Foi Isabel que me abriu as portas de S. Paulo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9\nevidente que S. Paulo n\u00e3o era desconhecido. Mas o Esp\u00edrito desenvolveu no\ncora\u00e7\u00e3o de Isabel, pouco culta, neste campo, um carisma particular para\ncompreender desde dentro, gostar, viver os admir\u00e1veis des\u00edgnios do amor divino\nque Paulo e Jo\u00e3o desvelaram ante os seus maravilhosos olhos. Sem ter lido\nlivros de exegese, pobres e raros no seu tempo, penetrou nos textos por\nsimpatia interior e traduziu-os na vida. Fundamentou a sua contempla\u00e7\u00e3o e a sua\ndoutrina na palavra revelada, vivificada pelo contacto com o Verbo de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9\nisto que d\u00e1 aos seus escritos vigor e vida, profundidade e horizonte. Com toda\na simplicidade e clareza, os seus escritos inscrevem-se nas perspetivas\nfundamentais do cristianismo. Se tiv\u00e9ssemos de qualificar a sua pessoa e\nm\u00edstica com uma s\u00f3 palavra, dir\u00edamos que Isabel \u00e9 essencialmente \u201ccrist\u00e3\u201d.\nSitua-se, como diz Von Balthasar, na objetividade da mensagem e na\nuniversalidade do mist\u00e9rio de Cristo. Isto n\u00e3o quer dizer que Isabel se\npronuncie sobre todos os aspetos do cristianismo. N\u00e3o era esta a sua\nfinalidade. Toda a sua obra \u00e9 um facho de luz, que salta espont\u00e2neo por ocasi\u00e3o\nde circunst\u00e2ncias concretas. Deixa falar o seu cora\u00e7\u00e3o sobre aquilo que lhe\nparece o mais belo na exist\u00eancia: a loucura por Cristo e a resposta ao amor que\nDeus nos manifesta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isabel\nnunca intentou fazer uma s\u00edntese, embora tivesse uma profunda intui\u00e7\u00e3o do\nessencial. Por isso, para entendermos a sua mensagem temos que ter em conta a\nvida dela. A sua mensagem \u00e9 insepar\u00e1vel do conhecimento da sua vida. Os seus\nescritos nunca teriam tido esta for\u00e7a, este acento de autenticidade, esta\nresson\u00e2ncia, se n\u00e3o fosse pelo clima \u201cvital\u201d que emana deles. O testemunho por\nexcel\u00eancia de Isabel da Trindade \u00e9 a sua forma de viver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.&nbsp;&nbsp; Isabel, freira carmelita at\u00e9 \u00e0 medula, por utilizar\numa express\u00e3o comum, tem tamb\u00e9m, paradoxalmente, uma palavra a dizer sobre a\nespiritualidade laical, tarefa que ter\u00e1 que prosseguir, hoje, mais do que\nnunca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confessando\na sorte de ser Carmelita, Isabel sobrepassa as formas exteriores e fixa-se\nnaquilo que \u00e9 a riqueza comum de todo o crist\u00e3o, j\u00e1 seja no convento, j\u00e1 seja\nna constante atividade de quem vive em pleno mundo: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; o\ndesejo que Deus tem de dar-se,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; o\nnosso batismo,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; a\nEucaristia,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; o\nnosso destino para al\u00e9m da morte,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; a\npresen\u00e7a universal de Deus,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; a\nrealidade dos \u201ctr\u00eas\u201d,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; a\nalegria de sermos filhos queridos e amados de Deus amor,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp; e\nesta alegria que nos impele a dar-nos aos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daqui\npodemos concluir que a sua mensagem tem um alcance universal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m\ndisto, n\u00e3o esque\u00e7amos que muitos dos seus escritos est\u00e3o dirigidos a leigos.\nEntre os 59 destinat\u00e1rios dos mesmos, contam-se seis sacerdotes ou seminaristas\ne 13 religiosas contra 40 leigos (31 nas suas cartas escritas desde o Carmelo).\nDirige-se a uma vi\u00fava, a m\u00e3es de fam\u00edlia, a um jovem amigo, ao seu doutor, a suas\namigas &#8230; E todos compreendiam perfeitamente o que Isabel lhes queria dizer.\nAs diferen\u00e7as s\u00e3o simplesmente exteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o\nesque\u00e7amos tamb\u00e9m \u2013 \u00e9 importante referi-lo \u2013 que Isabel viveu como jovem leiga\no que mais tarde escreve como Carmelita. Antes de entrar no Carmelo, simples\njovem, viajando, em grupo, em casa, ao piano, vivia j\u00e1 \u201cno interior\u201d. Sentia-se\nconduzida e atra\u00edda pela presen\u00e7a de Deus e correspondia a ela com uma\ngenerosidade sem limites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma\nparte consider\u00e1vel dos seus escritos data precisamente deste per\u00edodo da sua\njuventude. Eles revelam-nos uma jovem santa no mundo, atenta aos outros e que\nvive j\u00e1 a sua \u201cpaix\u00e3o por Deus\u201d (C 136) no pequeno \u201cquarto\u201d do seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como\nTeresa do Menino Jesus, e em parte influenciada por ela, Isabel descarta uma\ncerta conce\u00e7\u00e3o ex\u00f3tica da \u201csantidade\u201d e repete-nos que para viver o Evangelho a\nfundo n\u00e3o se requerem condi\u00e7\u00f5es especiais e manifesta\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando\nno umbral do Carmelo, lhe perguntam: \u201cQual lhe parece ser o ideal da\nsantidade\u201d, ela responde: \u201cviver de amor\u201d. E qual \u201co meio mais r\u00e1pido para\nchegar a Ela?\u201d. \u201cFazer-se pequenina, entregar-se para sempre\u201d (NI 12).<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <\/sup>FERNANDO SEBASTI\u00c1N AGUILAR, <em>Hablar de Dios en la Iglesia del\nfuturo<\/em>, em \u201cLa Iglesia en Espa\u00f1a 1950-2000\u201d, PPC, Madrid, 1999, 253.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/sup>Citado por T. CATAL\u00c1, <em>Oraci\u00f3n y experiencia de Dios hoy.\nAspetos cristol\u00f3gicos y socioculturales<\/em>, em \u201cSal Terrae\u201d 86\/11 (1998) 870.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/sup><sup> <\/sup><em>Concilium<\/em>,\n254\/1994\/4.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><sup>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  <\/sup>Cf. MARTIN VELASCO, <em>El fen\u00f3meno m\u00edstico<\/em>, p. 322.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jeremias Carlos Vechina, OCD (1938-2016) Tamb\u00e9m o consumismo se est\u00e1 a apoderar da Espiritualidade. As publica\u00e7\u00f5es, livros e artigos sucedem-se a um ritmo dif\u00edcil de acompanhar. 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