{"id":2045,"date":"2019-02-28T09:12:23","date_gmt":"2019-02-28T09:12:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=2045"},"modified":"2019-02-28T09:12:27","modified_gmt":"2019-02-28T09:12:27","slug":"palavra-pai-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/palavra-pai-familia\/","title":{"rendered":"Palavra, pai, fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Armindo Vaz, OCD<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando para a vida\ndas fam\u00edlias que conhecemos e porventura para a nossa fam\u00edlia, o panorama n\u00e3o \u00e9\npropriamente deslumbrante. At\u00e9 ouvimos falar de fam\u00edlias a desmoronarem-se ou a\ndesfazerem-se, fam\u00edlias desfeitas ou desestruturadas, onde os que pagam a\nfactura dos desatinos cometidos s\u00e3o os mais fr\u00e1geis, as crian\u00e7as, os idosos, os\ndoentes. Os filhos ficam baralhados, convivendo eventualmente com a m\u00e3e e n\u00e3o\nsabendo se passar\u00e3o o fim de semana com o pai. O santu\u00e1rio da vida, a primeira\nestrutura de acolhimento, que deveria oferecer o aconchego prop\u00edcio para a\npartilha dos afectos, para o amadurecimento dos sentimentos, para dar e receber\namor e para a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa, est\u00e1 a falhar rotundamente nessa miss\u00e3o sagrada.\nFam\u00edlias que tinham come\u00e7ado num casal enamorado, cheio de entusiasmo e doa\u00e7\u00e3o\nm\u00fatua, dissolveram-se porque os pais, rom\u00e2nticos no <strong>dia de S. Valentim<\/strong>, perderam o f\u00f4lego logo na primeira curva, antes de\nchegarem ao <strong>dia\ndo pai<\/strong>, estrelando-se contra o primeiro\ndesafio \u00e0 generosidade, \u00e0 criatividade e \u00e0 capacidade de compreens\u00e3o m\u00fatua: nem\num nem o outro teve magnanimidade para pensar que o caminho a dois teria muitas\nrectas e que todas as estradas t\u00eam curvas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra b\u00edblica\nprojecta luz a jorros nesse caminho da fam\u00edlia humana. S. Paulo,\nrealisticamente consciente de que as pessoas em fam\u00edlia sempre encontram ou\ninventam, na iman\u00eancia da vida, raz\u00f5es para se desentenderem, confrontarem,\nofenderem, injusti\u00e7arem, f\u00e1-las subir para a transcend\u00eancia, por meio da ora\u00e7\u00e3o\nass\u00eddua e da leitura regular da palavra de Deus: \u201cA palavra de Cristo permane\u00e7a\nem v\u00f3s em toda a sua riqueza\u2026 Com agradecimento cantai louvores a Deus nos\nvossos cora\u00e7\u00f5es com salmos, hinos e c\u00e2nticos inspirados. E tudo quanto\nfizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em honra do Senhor Jesus, dando\ngra\u00e7as por Ele a Deus Pai\u201d. A\u00ed, na transcend\u00eancia, sentindo Deus como Pai\ncomum, j\u00e1 n\u00e3o encontrariam raz\u00f5es para se digladiarem. Paulo mantinha-as\nelevadas, apelando \u00e0 viv\u00eancia das virtudes humanas: \u201c<em>Revesti<\/em>-vos de\nsentimentos de miseric\u00f3rdia, benignidade, humildade, mansid\u00e3o, toler\u00e2ncia,\nlevando-vos ao colo uns aos outros e perdoando-vos mutuamente se algu\u00e9m tem\nraz\u00e3o de queixa contra outro. Como o Senhor vos perdoou, perdoai tamb\u00e9m v\u00f3s.\nPor cima de tudo isto, por\u00e9m, cingi-vos com o amor m\u00fatuo, que \u00e9 o <em>cinto<\/em>\nperfeito\u201d. Nesta exorta\u00e7\u00e3o em que o campo sem\u00e2ntico \u00e9 o de <em>virtudes<\/em> como\npe\u00e7as de <em>vestu\u00e1rio<\/em> que podem ornar o crist\u00e3o, o que aparece como toque\nfinal do vestido \u00e9 o amor, o <em>cinto<\/em> da perfei\u00e7\u00e3o que ata as virtudes umas\ncom as outras, coroando-as de beleza. Nas rela\u00e7\u00f5es familiares, \u201ca paz de Cristo\ntenha a \u00faltima palavra nos vossos cora\u00e7\u00f5es, para a qual fostes chamados, a fim\nde formar um s\u00f3 corpo. Sede tamb\u00e9m agradecidos\u201d (Cl 3,12-17). De facto, a fam\u00edlia\n\u00e9 o \u2018lugar\u2019 privilegiado em que as pessoas est\u00e3o em estado de constante doa\u00e7\u00e3o\numas \u00e0s outras, de gra\u00e7a. Onde h\u00e1 dom gratuito h\u00e1 amor. E onde h\u00e1 amor reina a\npaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sabedoria b\u00edblica\ncarrega com tintas fortes os valores humanos que constroem a grandeza da\nfam\u00edlia. O s\u00e1bio Ben Sir\u00e1, estudioso da Palavra das Escrituras, nas rela\u00e7\u00f5es\ncom o pai p\u00f5e o filho a pensar no <em>hoje<\/em> e no <em>amanh\u00e3<\/em>: \u201cQuem honra o\npai encontrar\u00e1 alegria nos pr\u00f3prios filhos\u2026 Quem honra o pai gozar\u00e1 de longa\nvida\u2026 Filho, honra teu pai com palavras e ac\u00e7\u00f5es, para que des\u00e7a sobre ti a sua\nb\u00ean\u00e7\u00e3o\u2026 A gl\u00f3ria de um homem vem da honra de seu pai\u2026 Filho, ampara o teu pai\nna velhice; n\u00e3o o desgostes durante a sua vida\u2026 N\u00e3o o desprezes estando tu\ncheio de vigor\u201d (3,5-13).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eis a\u00ed a proposta de\num presente original para o <strong>dia do pai<\/strong>,\nfeito de \u00abpalavra de honra\u00bb! De facto, ser pai nasce de um acto de dar: dar o\nmelhor de si pr\u00f3prio, a vida. Mesmo que manifeste alguma incompet\u00eancia em\nexercer a fun\u00e7\u00e3o de pai, o filho n\u00e3o pode devolver-lhe a incompet\u00eancia\nrecusando-lhe a gratid\u00e3o pelo dom fundador da sua exist\u00eancia: a voz do sangue\ndeve gritar mais alto do que a voz da raz\u00e3o. Para o s\u00e1bio b\u00edblico, o pai tem de\nser honrado porque <em>deu<\/em> e porque <em>\u00e9<\/em>, mais do que por aquilo que <em>faz<\/em>.\nDemitir-se do <em>devido<\/em> amor ao pai \u00e9 o \u00faltimo acto da trag\u00e9dia dos\nn\u00e1ufragos de si pr\u00f3prios. A t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o \u00e9 chamar pelo <strong><em>Pai<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num pa\u00eds oriental era\n(mau) h\u00e1bito que o pai velhinho que j\u00e1 n\u00e3o podia trabalhar fosse levado pelo\nfilho para a montanha, para l\u00e1 morrer abandonado. Chegou a altura de um filho o\nfazer ao pai. Uma vez na montanha, deitou-o no ch\u00e3o e deu-lhe uma manta para\nque se abrigasse do frio at\u00e9 \u00e0 morte. E come\u00e7ou a despedir-se. A intemp\u00e9rie, os\nanimais selvagens e as aves de rapina fariam o resto. Mas a\u00ed ocorreu a surpresa.\n\u2013 \u00abFilho, leva a metade da manta contigo e guarda-a para quando o teu filho te\ntrouxer para este mesmo lugar\u00bb. O filho captou imediatamente a mensagem.\nBanhado em l\u00e1grimas, pegou no pai ao colo e trouxe-o de volta para casa, aonde\npertencia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje h\u00e1 filhos que\nlevam os pais para v\u00e1rias \u2018montanhas\u2019, com outros nomes. Mas a sabedoria\npopular \u00e9 pungente com o prov\u00e9rbio secular: \u00abFilho \u00e9s, pai ser\u00e1s: como fizeres\nassim achar\u00e1s\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD Olhando para a vida das fam\u00edlias que conhecemos e porventura para a nossa fam\u00edlia, o panorama n\u00e3o \u00e9 propriamente deslumbrante. At\u00e9 ouvimos falar de fam\u00edlias a desmoronarem-se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2042,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2045","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2045"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2045\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2046,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2045\/revisions\/2046"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}