{"id":1426,"date":"2018-04-30T02:36:37","date_gmt":"2018-04-30T02:36:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=1426"},"modified":"2018-04-29T18:40:05","modified_gmt":"2018-04-29T18:40:05","slug":"a-palavra-da-mae-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/a-palavra-da-mae-de-maio\/","title":{"rendered":"A palavra da M\u00e3e de Maio"},"content":{"rendered":"<p class=\"p2\"><em><span class=\"s2\">Armindo Vaz, OCD<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p3\">H\u00e1 uma ideia que o cat\u00f3lico portugu\u00eas n\u00e3o apaga da mem\u00f3ria: o m\u00eas de Maio cheira a flores, a Primavera, est\u00e1 esmaltado de papoilas nas encostas e de maias \u00e0 beira dos caminhos. Mas tamb\u00e9m \u00e9 de modo incontorn\u00e1vel, desde a comercializa\u00e7\u00e3o das festas, o m\u00eas em que cai \u00abo dia da m\u00e3e\u00bb, por ser o m\u00eas de Maria, M\u00e3e de Jesus e Virgem de F\u00e1tima. Fixemos ent\u00e3o o olhar na M\u00e3e e nas m\u00e3es do mundo.<\/p>\n<p class=\"p3\">Em F\u00e1tima, Maria passou <span class=\"s3\"><i>de destinat\u00e1ria da Anuncia\u00e7\u00e3o<\/i><\/span> do anjo \u2013 que lhe comunicava o nascimento de um filho que era Filho de Deus \u2013 <span class=\"s3\"><i>a anunciadora<\/i><\/span> da boa nova aos pastores da serra d\u2019Aire. Recebendo a Palavra na Anuncia\u00e7\u00e3o e dando-lhe corpo no seio ao transfigur\u00e1-la em carne (\u201ca Palavra fez-se carne e p\u00f4s a sua Morada entre n\u00f3s\u201d: Jo 1,14), <span class=\"s4\">Maria deu corpo \u00e0 Presen\u00e7a divina na ra\u00e7a humana: fez acontecer definitivamente <\/span><span class=\"s5\"><i>Deus connosco<\/i><\/span><span class=\"s4\">. <\/span>A virgem da Anuncia\u00e7\u00e3o era a virgem da escuta: um \u00edcone de Maria a dialogar com a palavra de Deus simbolizada no anjo, ela que \u201cguardava todas estas palavras, ponderando-as no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Lc 2,19). Agora, h\u00e1 cem anos em F\u00e1tima, dialogando com os pastores, ponderou o sentido dos acontecimentos para o mundo, apelando \u00e0 seriedade e \u00e0 responsabilidade nas rela\u00e7\u00f5es sociais. O an\u00fancio do anjo aos pastores de que \u201ctinha nascido um salvador, que \u00e9 o Cristo Senhor\u201d (Lc 2,8-20) foi retomado por Maria aos pastores de F\u00e1tima, tamb\u00e9m com a presen\u00e7a simb\u00f3lica do anjo. <span class=\"s4\">Ao anunciar ela pr\u00f3pria a palavra de Jesus, refrescou na mem\u00f3ria humana o evangelho que pouco se lia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s4\">Realmente, a Mestra do sil\u00eancio e da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra de Deus,<\/span> Maria de F\u00e1tima,<span class=\"s4\"> n\u00e3o veio anunciar doutrina nem moral. Veio anunciar que \u00e9 loucura matarmo-nos uns aos outros, em vez de nos amarmos uns aos outros. <\/span>Falando no sil\u00eancio do cora\u00e7\u00e3o dos pastores, a<span class=\"s6\"> palavra da M\u00e3e de Maio<\/span> gritou ao mundo, mais alto do que as \u2018distrac\u00e7\u00f5es\u2019 dos pol\u00edticos, mais alto do que as mil vozes de agress\u00f5es, viol\u00eancias, conflitos e guerras tramadas pela irresponsabilidade de governantes sem escr\u00fapulos que sufocavam a voz do Filho. Tudo isso era altamente t\u00f3xico. Maria em F\u00e1tima anunciou claro a toda a gente, pelo amplificador de crian\u00e7as, que prestassem aten\u00e7\u00e3o \u00e0 <span class=\"s3\"><i>boa not\u00edcia<\/i><\/span>. Pediu <span class=\"s3\"><i>convers\u00e3o<\/i><\/span> da mente \u00e0 palavra do Filho e \u00e0 bondade que ela proclama. Pediu <span class=\"s3\"><i>ora\u00e7\u00e3o<\/i><\/span>, como necessidade de comunicar com o c\u00e9u, como reconhecimento da urg\u00eancia de fecundar a racionalidade com <span class=\"s6\">a concep\u00e7\u00e3o transcendente de ser humano. <\/span>E pediu humanidade e amor que constru\u00edsse a paz e a fraternidade universal. <span class=\"s6\">A mensagem da Senhora de F\u00e1tima, traduzida na linguagem simples dos pastores, sugeria em grande aos poderosos <\/span>que o seu pensamento e ac\u00e7\u00e3o deveriam centrar-se no bem e na protec\u00e7\u00e3o integrais do ser humano<span class=\"s6\">, na sua dignidade absoluta, intoc\u00e1vel, inegoci\u00e1vel \u2013 em vez de se centrarem nos pr\u00f3prios interesses, que, para se concretizarem, n\u00e3o olhavam ao n\u00famero de v\u00edtimas a causar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\">A palavra da M\u00e3e n\u00e3o era anunciada entre os humanos pela primeira vez em F\u00e1tima. Porque <span class=\"s6\">assenta numa ideia superior de ser humano, da sua voca\u00e7\u00e3o e das raz\u00f5es por que vive, a sua voz j\u00e1 tinha ecoado nos c\u00e9us de outras terras. <\/span>\u00c9 como se a M\u00e3e n\u00e3o pudesse tolerar mais o desencanto de os filhos n\u00e3o terem percebido a significa\u00e7\u00e3o da Palavra feita carne no \u00abFilho primog\u00e9nito\u00bb e de n\u00e3o terem assumido a responsabilidade de traduzir a palavra em linha com a ac\u00e7\u00e3o do Filho. Que fizeram os filhos do dom do Pai ao mundo? \u201cTanto amou Deus o mundo que lhe deu o seu Filho unig\u00e9nito\u201d (Jo 3,16). Que fizeram da<span class=\"s6\"> sabedoria do Filho em fazer as op\u00e7\u00f5es certas, sempre a favor do ser humano? <\/span>Que fizeram<span class=\"s6\"> do compromisso do Filho com a vida humana, ele que a dignificou tanto ao ponto de \u201cdar a sua vida voluntariamente\u201d pelos irm\u00e3os (Jo 10,1-18)?<\/span> Que fizeram<span class=\"s6\"> do dom da liberdade, sujeitando-se e sujeitando outros a toda a esp\u00e9cie de escravid\u00e3o?<\/span> Que fizeram da preciosa d\u00e1diva da paz (\u201cdeixo-vos a paz, dou-vos a minha paz\u201d: Jo 14,27), guerreando-se de forma obscena por interesses injustific\u00e1veis? A m\u00e3e tornou-se presente para refrescar a mem\u00f3ria da palavra do Filho: \u201cSe permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em v\u00f3s, pedi o que quiserdes e haveis de consegui-lo\u201d (Jo 15,7).<\/p>\n<p class=\"p3\">O amor de m\u00e3e da Virgem de F\u00e1tima e o amor das m\u00e3es pelos seus filhos \u00e9 o mesmo e \u00e9 feito do mesmo tecido: \u00e9 a imola\u00e7\u00e3o por eles at\u00e9 ao extremo sem esperar troco e \u00e9 <span class=\"s4\">a dor de n\u00e3o poder sofrer em vez deles<\/span>. Por isso S. Teresa de Lisieux pensava que Maria \u201c\u00e9 mais m\u00e3e do que rainha\u201d. A Senhora da luz aparecia assim como preciosa guia da esperan\u00e7a humana.<\/p>\n<p class=\"p3\">Se depois de Maio deflagrarem inc\u00eandios florestais \u2013 mas porqu\u00ea? \u2013 se vierem estonar as maias e os malmequeres da Primavera, ser\u00e1 como se jovens virgens morressem sem justifica\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o como poder\u00e3o considerar-se humanos e continuar a viver os respons\u00e1veis por essa monstruosidade inqualific\u00e1vel? Que amor das v\u00edtimas poderia suportar ou perdoar tal agress\u00e3o?<span class=\"s4\"> Para que serve, \u00f3 M\u00e3e, tudo o que n\u00e3o seja amor, se s\u00f3 o amor pode abrir caminhos de felicidade imorredoura?<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD H\u00e1 uma ideia que o cat\u00f3lico portugu\u00eas n\u00e3o apaga da mem\u00f3ria: o m\u00eas de Maio cheira a flores, a Primavera, est\u00e1 esmaltado de papoilas nas encostas e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1427,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1426"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1426\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1428,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1426\/revisions\/1428"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1427"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}