{"id":1088,"date":"2017-12-31T02:00:35","date_gmt":"2017-12-31T02:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/?p=1088"},"modified":"2017-12-22T15:26:27","modified_gmt":"2017-12-22T15:26:27","slug":"a-palavra-dos-magos-procura-e-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/a-palavra-dos-magos-procura-e-encontro\/","title":{"rendered":"A palavra dos magos: procura e encontro"},"content":{"rendered":"<p><em>Armindo Vaz, OCD<\/em><\/p>\n<p>As tradi\u00e7\u00f5es populares influenciadas pelo cristianismo deram import\u00e2ncia aos \u00ab<em>reis magos<\/em>\u00bb. V\u00e1rios pa\u00edses celebram-nos com feriado pomposo na festa da Epifania. E se na literatura b\u00edblica can\u00f3nica s\u00f3 o evangelho de Mateus (2,1-12) faz deles personagens de uma hist\u00f3ria \u00e0 procura de Jesus, a literatura ap\u00f3crifa crist\u00e3 gastou muitas palavras \u00e0 volta deles. Transformou-os em <em>reis<\/em> por influ\u00eancia da palavra b\u00edblica ou para justificar o reinado dos monarcas crist\u00e3os. Na tradi\u00e7\u00e3o ocidental prevaleceu o n\u00famero de <em>tr\u00eas<\/em> reis magos, fazendo-os corresponder aos presentes referidos por Mateus: ouro, incenso e mirra. Mas a tradi\u00e7\u00e3o oriental imaginou at\u00e9 <em>doze<\/em>. Uma tradi\u00e7\u00e3o devocional conta que ter\u00e3o morrido na P\u00e9rsia.<\/p>\n<p>Estas manifesta\u00e7\u00f5es culturais e religiosas intu\u00edram a profunda significa\u00e7\u00e3o do relato evang\u00e9lico. Os magos \u2013 n\u00e3o <em>m\u00e1gicos<\/em> que fazem truques de magia mas homens de ci\u00eancia capazes de explicar os fen\u00f3menos naturais e dos astros \u2013 aparecem como estrangeiros, \u201cvindos do Oriente\u201d: personagens <em>imagin<\/em>adas, representam todos os povos <em>pag\u00e3os<\/em>, que os judeus distinguiam de si pr\u00f3prios. O relato faz compreender aos leitores, crist\u00e3os convertidos do juda\u00edsmo, que, enquanto os judeus do tempo n\u00e3o deram pelo nascimento do seu novo <em>rei<\/em>, o <em>Messias<\/em> esperado \u2013 porque n\u00e3o interpretavam as Escrituras em rela\u00e7\u00e3o a Jesus \u2013, os pag\u00e3os reconheceram Jesus como seu Deus: o <em>Ungido<\/em> Jesus, \u201crei dos judeus\u201d, veio para salvar todos e n\u00e3o s\u00f3 os judeus.<\/p>\n<p>Os <em>magos<\/em> representavam o movimento dos povos para Jesus. Eram homens a caminho, em busca da Palavra da Verdade. A vinda deles at\u00e9 Bel\u00e9m, terra do rei <em>ungido<\/em> David, era procura, n\u00e3o de algo perdido, nem para satisfazer uma curiosidade inata. Era p\u00f4r-se a caminho em demanda de um neonato que deve ser encontrado: o motor de busca n\u00e3o estava no in\u00edcio do caminho mas ao fim dele, no encontro. Procurando orienta\u00e7\u00e3o para a sua exist\u00eancia, no aparente <em>sil\u00eancio de Deus<\/em> seguiram o caminho tra\u00e7ado no c\u00e9u por uma <em>estrela<\/em>. A sua \u00fanica palavra \u00e9 de procura: \u201cOnde est\u00e1 o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos surgir a sua <em>estrela<\/em> e viemos ador\u00e1-lo\u201d. Neste caso, a <em>palavra<\/em> de Deus para eles era um s\u00edmbolo no c\u00e9u que apontava para a transcend\u00eancia do Messias esperado e os conduziu a ele, Jesus.<\/p>\n<p>A procura \u00e9 atitude filos\u00f3fica que pergunta pelo sentido \u00faltimo da exist\u00eancia e atitude espiritual que o encontra em Deus. O perguntar dos magos por Jesus foi recompensado com a apari\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus: por isso \u201cO adoraram\u201d. Tendo procurado o melhor da hist\u00f3ria humana, encontraram o melhor de si pr\u00f3prios. E, quando O encontraram, j\u00e1 Ele estava \u00e0 espera deles. Compreenderam que Ele era a resposta total ao imenso desejo deles, porque tinham encontrado Aquele que n\u00e3o se desvalorizava com o tempo. Se o melhor da procura \u00e9 o encontro, os magos tiveram o melhor da vida: a busca do <em>cora\u00e7\u00e3o inquieto<\/em> p\u00f4de descansar nos olhos do neonato.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da palavra sobre os <em>magos<\/em>, Mateus sugere ao leitor que a ac\u00e7\u00e3o de Deus rompe os esquemas estreitos das expectativas judaicas. As formas de procurar Deus s\u00e3o plurais e ultrapassam as fronteiras do juda\u00edsmo. O \u00abDeus dos nossos pais\u00bb n\u00e3o \u00e9 propriedade nem monop\u00f3lio dos judeus, nem dos \u00abautoconvencidos da religi\u00e3o\u00bb: \u00e9 tamb\u00e9m o \u00abDeus dos outros\u00bb, incluindo os que est\u00e3o a caminho e os que n\u00e3o o conhecem \u2013 Ele conhece-os! Ele \u00e9 o \u00abDeus dos buscadores\u00bb, como j\u00e1 era, desde sempre, o Deus das pessoas, \u00abo Deus de Abra\u00e3o, o Deus de Isaac, o Deus de Jacob\u00bb.<\/p>\n<p>Para os \u00abbuscadores de Deus\u00bb, o caminho de interroga\u00e7\u00e3o na medita\u00e7\u00e3o do seu mist\u00e9rio \u00e9 geralmente longo, como para os magos: \u00e9 preciso ter paci\u00eancia para o saber descobrir onde menos se espera, porque ele \u00e9 Esp\u00edrito, escondido, envolto no mist\u00e9rio, transcendente (n\u00e3o por estar distante mas por estar porventura demasiado pr\u00f3ximo, no fundo do ser humano e na sua vida: Act 17,27-28). Mesmo o encontro dos magos com Jesus menino n\u00e3o era o fim da sua longa caminhada nem resolu\u00e7\u00e3o de um enigma, mas entrada no cora\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio inesgot\u00e1vel. Na ades\u00e3o pessoal a Jesus \u2013 \u201cadoraram-no\u201d \u2013 come\u00e7ava o seu (novo) caminho infind\u00e1vel de buscadores e seguidores, questionando certezas religiosas abra\u00e7adas at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez encontrado, n\u00e3o O possu\u00edram: sentiram-se encontrados. Foi porventura essa a causa de \u201cse <em>alegrarem<\/em> muito com grande <em>alegria<\/em>\u201d. Alegres com o Encontrado, esvaziaram os cofres dos presentes mas levaram-nos cheios de felicidade. A sua alegria era o seu maior pr\u00e9mio.<\/p>\n<p>Os magos \u201cregressaram ao seu pa\u00eds por outro caminho\u201d, porventura para aprenderem novos caminhos de encontro com Jesus, numa procura que n\u00e3o mais acaba, por ter como objectivo o Mist\u00e9rio absoluto. Para eles, o melhor estava por vir. Se \u201cquem procura encontra\u201d, ent\u00e3o a procura de <em>Jesus<\/em> \u00e9 princ\u00edpio de salva\u00e7\u00e3o ao terminar no encontro com o <em>Salvador<\/em>. Tendo os magos encontrado o rec\u00e9m-nascido, talvez se sentiram eles renascidos. A sua vinda at\u00e9 Bel\u00e9m tinha decorrido sob o signo da procura \u00e0 luz da <em>estrela<\/em>. O retorno ao seu pa\u00eds perspectivava-se como a viagem de uma vida, com o programa do <em>evangelho<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Armindo Vaz, OCD As tradi\u00e7\u00f5es populares influenciadas pelo cristianismo deram import\u00e2ncia aos \u00abreis magos\u00bb. V\u00e1rios pa\u00edses celebram-nos com feriado pomposo na festa da Epifania. E se na literatura b\u00edblica can\u00f3nica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1089,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1088"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1090,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1088\/revisions\/1090"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritualidade.carmelitas.pt\/boletim\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}