1. De que maneira o livro propõe transformar o dia a dia do leitor em “pequenos espaços de silêncio e escuta”, mesmo em meio a uma rotina agitada?
    Esse é, precisamente, um dos principais objetivos desta publicação – proporcionar espaços de silêncio para escutar o sussurro do Espírito que sempre nos interpela, mesmo no frenesim quotidiano. Podemos dizer que o livro “mergulha” nas rotinas agitadas dos seus leitores e é no meio da azáfama, dos aborrecimentos e contrariedades, mas também nas horas felizes de alegria, paz e gratidão que a Irmã se põe a caminho connosco, quase à maneira de Jesus com os discípulos de Emaús.
    Pensamos que o facto de as propostas de oração estarem estrategicamente distribuídas pelos diferentes momentos do dia, ajudará a transformar esses diferentes momentos – com os seus desafios próprios – em espaços de silêncio e escuta. Mas não somos autómatos, somos Humanos, por isso sabemos que essa transformação não acontece de forma automática, antes exige uma certa cadência que ajude cada um a ir desacelerando os seus ritmos para ir assumindo os ritmos de Deus. Daí a proposta de caminhar um mês com a Irmã Lúcia. Seremos felizes se, ao fim desse mês, já for o orante a procurar, por um imperativo espiritual, esses pequenos oásis de oração no meio das suas atividades.
  2. Que novos aspetos da vida e da espiritualidade da Irmã Lúcia este livro revela em comparação com as obras editadas anteriormente?
    Acreditamos que a grande surpresa deste livro está na revelação de uma Irmã Lúcia igual a nós, ou seja, com os mesmos anseios, dificuldades, sofrimentos e alegrias tão parecidas com as de qualquer pessoa. Desmonta, esperamos nós, a perspetiva que ainda existirá de que a Irmã Lúcia, estando encerrada numa clausura, vivia alheada do mundo que a rodeava.
    Por outro lado, partindo de situações tão comuns, a Irmã Lúcia revela-se verdadeira mestra em ensinar-nos a sobrenaturalizar cada acontecimento da nossa vida, a levar tudo a Deus, desde uma dor de cabeça até à situação política da nação.
    Por fim, as passagens escolhidas vêm revelar as grandes intenções de oração que a Irmã Lúcia transportava no seu coração, como o seu amor aos sacerdotes (que é muito próprio do nosso carisma), as vicissitudes da Igreja, o carinho pela sua família ou o modo como sentia o pulsar da humanidade. Em síntese, a grande diferença entre esta publicação e as anteriores prende-se com a demonstração, aqui, da humanidade da Venerável Irmã Lúcia.
  3. De que forma é que os textos da Irmã Lúcia e do Frei João Costa contribuem para aprofundar a experiência de oração sugerida pelo livro?
    Por vezes, quando pensamos num livro de oração, remetemo-nos imediatamente a palavras abstratas, alta teologia ou escritos piedosos. Ora, neste livro, os textos oferecidos partem de situações muito concretas. Diríamos que é um livro de oração da vida real. E só a partir da nossa realidade, da verdade de cada um de nós, é que podemos encontrar-nos com Cristo, que é a Verdade e a Vida. Depois, se nos aproximamos d’Ele de mãos vazias, na simplicidade do nosso existir, Ele faz a Sua parte de nos ir introduzindo noutros níveis de comunhão conSigo. Mas o primeiro passo há-se ser dado assim, ir a Deus a partir da simplicidade do nosso quotidiano e é neste ponto que as propostas de Um Mês com a Irmã Lúcia nos situam.
  4. e mais uma: O que significa, na visão da obra, a expressão “vivida por fora como todas, por dentro como nenhuma” ao descrever a vida monástica da Irmã Lúcia? Uma das principais especificidades da Vida Monástica é o seguimento de uma Regra de Vida que, não despersonalizando cada monge, oferece a toda a família religiosa linhas seguras de fidelidade ao carisma que devem ser observadas. Ora, a Irmã Lúcia, como Carmelita Descalça, não foi exceção. O facto de ter visto Nossa Senhora não lhe reservou privilégios comunitários ou singularidades, mas observou as obrigações de qualquer carmelita como, de resto, o demonstram os horários por ela seguidos aos domingos e dias de semana. Por outro lado, são recorrentes nos trechos apresentados no livro expressões como “por obediência” ou “com a comunidade”, que explicitam bem como a sua vida foi vivida por fora como todas. Mas diz Santa Isabel da Trindade que, a uma carmelita, Deus conhece-a por dentro! E, então, é por dentro que cada carmelita é chamada a ser “como nenhuma” na caridade, na fidelidade, no dom de si. Ser como nenhuma, na vida da Irmã Lúcia, traduziu-se na profunda intimidade com Deus-Trindade, no seu amor à Eucaristia e a Nossa Senhora, na obediência ao que a Igreja sempre lhe foi pedindo. Se as citações do diário que ilustram os diversos momentos do dia nos mostram como a Irmã Lúcia viveu por fora como todas, as orações do final do dia retiradas igualmente do seu diário desvendam que esta carmelita era por dentro como nenhuma.