- De que maneira o livro propõe transformar o dia a dia do leitor em “pequenos espaços de silêncio e escuta”, mesmo em meio a uma rotina agitada?
Esse é, precisamente, um dos principais objetivos desta publicação – proporcionar espaços de silêncio para escutar o sussurro do Espírito que sempre nos interpela, mesmo no frenesim quotidiano. Podemos dizer que o livro “mergulha” nas rotinas agitadas dos seus leitores e é no meio da azáfama, dos aborrecimentos e contrariedades, mas também nas horas felizes de alegria, paz e gratidão que a Irmã se põe a caminho connosco, quase à maneira de Jesus com os discípulos de Emaús.
Pensamos que o facto de as propostas de oração estarem estrategicamente distribuídas pelos diferentes momentos do dia, ajudará a transformar esses diferentes momentos – com os seus desafios próprios – em espaços de silêncio e escuta. Mas não somos autómatos, somos Humanos, por isso sabemos que essa transformação não acontece de forma automática, antes exige uma certa cadência que ajude cada um a ir desacelerando os seus ritmos para ir assumindo os ritmos de Deus. Daí a proposta de caminhar um mês com a Irmã Lúcia. Seremos felizes se, ao fim desse mês, já for o orante a procurar, por um imperativo espiritual, esses pequenos oásis de oração no meio das suas atividades. - Que novos aspetos da vida e da espiritualidade da Irmã Lúcia este livro revela em comparação com as obras editadas anteriormente?
Acreditamos que a grande surpresa deste livro está na revelação de uma Irmã Lúcia igual a nós, ou seja, com os mesmos anseios, dificuldades, sofrimentos e alegrias tão parecidas com as de qualquer pessoa. Desmonta, esperamos nós, a perspetiva que ainda existirá de que a Irmã Lúcia, estando encerrada numa clausura, vivia alheada do mundo que a rodeava.
Por outro lado, partindo de situações tão comuns, a Irmã Lúcia revela-se verdadeira mestra em ensinar-nos a sobrenaturalizar cada acontecimento da nossa vida, a levar tudo a Deus, desde uma dor de cabeça até à situação política da nação.
Por fim, as passagens escolhidas vêm revelar as grandes intenções de oração que a Irmã Lúcia transportava no seu coração, como o seu amor aos sacerdotes (que é muito próprio do nosso carisma), as vicissitudes da Igreja, o carinho pela sua família ou o modo como sentia o pulsar da humanidade. Em síntese, a grande diferença entre esta publicação e as anteriores prende-se com a demonstração, aqui, da humanidade da Venerável Irmã Lúcia. - De que forma é que os textos da Irmã Lúcia e do Frei João Costa contribuem para aprofundar a experiência de oração sugerida pelo livro?
Por vezes, quando pensamos num livro de oração, remetemo-nos imediatamente a palavras abstratas, alta teologia ou escritos piedosos. Ora, neste livro, os textos oferecidos partem de situações muito concretas. Diríamos que é um livro de oração da vida real. E só a partir da nossa realidade, da verdade de cada um de nós, é que podemos encontrar-nos com Cristo, que é a Verdade e a Vida. Depois, se nos aproximamos d’Ele de mãos vazias, na simplicidade do nosso existir, Ele faz a Sua parte de nos ir introduzindo noutros níveis de comunhão conSigo. Mas o primeiro passo há-se ser dado assim, ir a Deus a partir da simplicidade do nosso quotidiano e é neste ponto que as propostas de Um Mês com a Irmã Lúcia nos situam. - e mais uma: O que significa, na visão da obra, a expressão “vivida por fora como todas, por dentro como nenhuma” ao descrever a vida monástica da Irmã Lúcia? Uma das principais especificidades da Vida Monástica é o seguimento de uma Regra de Vida que, não despersonalizando cada monge, oferece a toda a família religiosa linhas seguras de fidelidade ao carisma que devem ser observadas. Ora, a Irmã Lúcia, como Carmelita Descalça, não foi exceção. O facto de ter visto Nossa Senhora não lhe reservou privilégios comunitários ou singularidades, mas observou as obrigações de qualquer carmelita como, de resto, o demonstram os horários por ela seguidos aos domingos e dias de semana. Por outro lado, são recorrentes nos trechos apresentados no livro expressões como “por obediência” ou “com a comunidade”, que explicitam bem como a sua vida foi vivida por fora como todas. Mas diz Santa Isabel da Trindade que, a uma carmelita, Deus conhece-a por dentro! E, então, é por dentro que cada carmelita é chamada a ser “como nenhuma” na caridade, na fidelidade, no dom de si. Ser como nenhuma, na vida da Irmã Lúcia, traduziu-se na profunda intimidade com Deus-Trindade, no seu amor à Eucaristia e a Nossa Senhora, na obediência ao que a Igreja sempre lhe foi pedindo. Se as citações do diário que ilustram os diversos momentos do dia nos mostram como a Irmã Lúcia viveu por fora como todas, as orações do final do dia retiradas igualmente do seu diário desvendam que esta carmelita era por dentro como nenhuma.
Três perguntas e… mais uma – Sobre o livro “Um mês com a Irmã Lúcia”










