Ano Jubilar de São João da Cruz
Armindo Vaz, OCD
No seu estudo de 675 páginas, Poesía española (Biblioteca românica Hispánica; Editorial Gredos; Madrid 1950), o poeta e crítico literário Dámaso Alonso escreveu em louvor de S. João da Cruz:
«O leitor pense em poetas delicados, desses que suscitam uma especial vibração estética, que com a magia da palavra derramada em ritmo, movem não só o nosso pensamento, iluminando-o, mas também outras secretas câmaras que se nos povoam de delícias… E pensamos em Góngora, ou em Mallarmé…, ou num Paul Valéry…, ou num Ungaretti, ou num Jorge Guillén… Poetas da mais delicada sensibilidade…: este retoca uma palavra, aquele burila o ritmo, outro elimina uma impureza literária… E entre todos estes artistas em frenesim adianta-se sereno, imperturbável, um homem que avança recto: não burila, não se importa da perfeição formal… Avança irremissivelmente atraído pelo centro que se impõe ao espírito… Esse homem que avança indiferente é um fradinho pequeno, quase «meio frade», a quem – digamo-lo sem rebuços – não preocupava a arte pela arte. O único que lhe importava era o amor de Deus… Não tinha lugar para a arte quem estava cheio de Deus.
Três poemas (Cântico espiritual, Noite escura, Chama de amor viva) e duas coplas (Mesmo sendo de noite, Após amoroso lance) são de tal ordem que a literatura mundial não produziu uma emanação mais nostálgica, onde cada palavra parece ter recebido plenitude de graça estética, com uma transfusão tal que a nossa alma, virginalmente arejada, impelida de forma abrasadora, nunca sentiu tão próximas as extremas delícias… Por S. João da Cruz, acredito no prodígio!» (pp. 279-281).










