Parece-me que encontrei o meu Céu na terra, porque o Céu é Deus, e Deus é a minha alma. No dia em que compreendi isto, tudo em mim se iluminou e gostaria de dizer baixinho este segredo àqueles que amo, para que também eles em tudo adiram sempre a Deus e que se realize esta prece do Cristo: «Pai, que eles sejam consumados no Uno!
Assim escreveu a Carmelita Isabel da Trindade, que vai ser canonizada brevemente. O anúncio foi feito depois da aprovação, pelo Papa Francisco, do milagre realizado por sua intercessão.
Isabel Catez viveu 26 anos e meio. Nasceu no campo militar de Avor no dia 18 de Julho de 1880 e morreu no dia 9 de Novembro de 1906. Depois da morte do pai, aos sete anos, foi educada, humana e religiosamente, junto de sua mãe e a sua irmã Guida. Fez a Primeira Comunhão e recebeu a Confirmação. No dia 2 de Agosto de 1901 entrou no Carmelo de Dijon, com vinte e um anos, onde recebeu o nome de Isabel da Trindade. Viveu aí seis anos de vida contemplativa. No dia 8 de Dezembro de 1901 tomou o hábito. No dia 11 de Janeiro de 1903 fez a Profissão religiosa. A 21 de Novembro de 1904 escreveu a sua célebre oração Ó meu Deus, Trindade que eu adoro. Em Março de 1906 ingressou na enfermaria conventual gravemente doente. No dia 9, depois do toque do Angelus, a “casa de Deus” partiu, às seis da manhã, para a “casa do Pai” onde é para sempre “louvor de glória da Santíssima Trindade”.
Uma vida breve, mas densa de conteúdo humano e riqueza espiritual, na qual não faltou a aventura da santidade. Encontrou na abertura à Palavra de Deus as razões da sua vida consagrada a Deus. O seu magistério espiritual é essencialmente escrito e estende-se principalmente ao círculo familiar – sua mãe e irmã – e às amigas, aos seminaristas e aos sacerdotes. Além das Obras espirituais – o Céu na fé, a Grandeza da nossa vocação, o Último Retiro e Deixa-te amar – legou-nos um conjunto de Cartas, o Diário, as Notas íntimas, as Poesias.
João Paulo II beatificou-a no dia 25 de Novembro de 1984 como testemunha da habitação do Pai, do Filho e do Espírito Santo no mais íntimo de si mesma. “Uma nova luz brilha para nós, um novo guia certo e seguro se apresenta”.










