Ano Jubilar de São João da Cruz
Armindo Vaz, OCD

Transcrevemos do apreciado crítico de poesia espanhola, Dámaso Alonso:
«[Neste livrinho, Poesias de São João da Cruz,] condensa-se uma das maiores torrentes de luz e de calor que o espírito humano terá produzido: as poesias de São João da Cruz. Que contraste entre a brevidade material das páginas e a beleza e imensidão do seu sentido! Tão grande é o contraste que seria insensato pretender esclarecê-lo totalmente do ponto de vista humano… Os poemas de São João da Cruz têm sido para mim fonte de serenidade e de consolação. [Bem me sentiria] se este livro chegasse a alguma dessas poucas pessoas que – perdidas em mil diários afãs – têm “inteligência de amor”…; se lhes fizesse compreender melhor um pouco da beleza dos versos de São João da Cruz; se lhes fizesse esquecer por um momento esta quotidiana fricção da vida, tão dura…
Depois de ter louvado a alta espiritualidade da poesia de Frei Luis de León, Menéndez Pelayo passa a falar da de São João da Cruz. Eis as suas palavras: “Mas ainda há uma poesia mais angélica, celestial e divina, que já não parece deste mundo, nem é possível medi-la com critérios literários. Até é mais ardente de paixão do que qualquer poesia profana; e é tão elegante e delicada na forma e tão plástica e figurativa como os mais valiosos frutos do Renascimento. São as Canções espirituais de São João da Cruz… Confesso que, ao tocá-las, me infundem religioso terror. Por lá passou o espírito de Deus, embelezando e santificando tudo… Avaliar tais êxtases… com a admiração com que avaliamos uma ode de Píndaro ou de Horácio parece irreverência e profanação”… É o mesmo assombro que eu sempre tinha sentido. Pensava que diante da poesia de São João da Cruz o melhor era admirar e ficar calado» (D. ALONSO, La poesía de San Juan de la Cruz [Ensaistas hispánicos; Aguilar; Madrid 1958] 17-18).