Ano Jubilar de São João da Cruz
Armindo Vaz, OCD
Quem ler as obras de Frei João da Cruz facilmente conclui que ele está impregnado de espírito bíblico. Aquele que, juntamente com S. Teresa de Ávila, constitui o melhor que nos foi dado conhecer em matéria de espiritualidade ocidental, viveu a sua experiência de fé a temperaturas altas, que o fazem alinhar com grandes figuras bíblicas, igualmente contemplativas e procuradoras de Deus: Isaías, Jeremias, Oseias, Job, Paulo, João evangelista… Que as suas obras sejam apreciadas por todos deve-se, sem dúvida, à densa experiência humana e mística que transmitem; mas também se deve ao facto de serem eco da palavra de Deus, que ele fazia respirar de forma fresca e viva.
O teólogo Henri de Lubac, depois feito cardeal, ao fim da sua obra monumental Exégèse médiévale, diz que à “exegese beneditina”, que alimentou toda a Idade Média, seguiu uma verdadeira renovação da interpretação da Bíblia graças à “exegese carmelitana”, da qual a obra de S. João da Cruz seria um dos primeiros e luminosos exemplos. E Henri de Lubac conclui que essa exegese, típica da «via mística», se caracteriza por “um olhar sintético extraordinariamente poderoso, que aparece como o privilégio essencial dos santos quando estão diante da Bíblia” (citado por A. LANFRANCHI, “«Die ac nocte in lege Domini meditantes»”, Quaderni carmelitani 22 (2005) 23).










