1. Quais são os principais temas espirituais abordados ao longo do livro?
Claustro é um projecto da nossa Comissão de Comunicação. Vai já na sua quarta edição. Se tivermos em conta o universo de pessoas que o projecto envolve, para o nosso contexto, isto significa um êxito a celebrar. De facto, todas as terças-feiras publicamos um texto, de maior ou menor pendor espiritual, mas sempre cruzando a nossa espiritualidade com a arte do autor em causa. Desde a primeira hora, ocorreu-nos dividir as publicações em quatro alas: Casa Comum, Cultura, Desafios e Espiritualidade – só por aqui já dá para perceber que uns textos são verdadeiros mergulhos na espiritualidade carmelitana, outros são bíblicos, doutros brota uma perspectiva cultural e doutros ainda crónicas para memória futura.
Faço notar que o livro só publica um texto por autor, o que significa que pelo menos metade das publicações só são acessíveis no sítio www.carmelitas.pt/claustro.
2. Como é que os diferentes autores relacionam a experiência humana com a fé e a interioridade?
Completando a resposta acima, direi ainda que o leitor encontrará, quer no livro, quer no site carmelitas.pt/claustro, temáticas tais como família, natureza, evangelho, economia, criação artística, guerra e paz, inteligência artificial.
O que a mim, pessoalmente mais me impressiona, é a disponibilidade de cada um dos autores para estudar a temática que lhe é afim e regalar-nos uma espécie de sumário sobre ela. Esse afinco enternece-me enquanto católico, porque são irmãs e irmãos a estudar um assunto e a dar o seu testemunho, como quem alimenta e encoraja a peregrinação dos demais irmãos, carmelitas ou não. E se entendermos que a grande maioria dos que assumem esta tarefa são leigos (sobretudo, são mulheres!), então é maravilhoso verificar que tantos pais e mães de família, depois do afã nos seus trabalhos e do cuidado das suas famílias, ainda dedicam tempo a pensar e a escrever sobre um assunto, procurando colocar luz e sentido na peregrinação espiritual de tantos! – Que Deus lhes pague e os abençoe, é o que eu digo sempre desde o meu coração!
O objectivo do projecto Claustro é cruzar o saber da arte de cada autor e a sua experiência pessoal com a sua vivência espiritual enquanto membro desta grande família de Santa Teresa e de São João da Cruz. Não atingimos o zénite, acredito, mas estamos no bom caminho, pois se têm alcançado boas sínteses.
3. Que contributos o livro oferece para a vida cristã no quotidiano?
Obviamente, a Claustro não fala só para carmelitas descalços, leigos ou não. Falamos e propomo-nos para todos os católicos. Aliás, creio que alguns destes textos podem ser lidos e assumidos em contextos académicos e até de não crença. Não vejo isso como propósito, vejo-o como um conseguimento não programático e, por isso, um fruto inesperado que resulta deste projecto se ter lançado e se ir mantendo.
Quando dialogo com alguns colaboradores – é só com alguns, mas eu poderia referi-lo de todos – por vezes digo-lhes que não me importaria de ler um novo texto deles todas as semanas! Claro que isto não pode ser pedido a ninguém, óbvio. Mas é para que fique claro a grandeza e a clareza dos contributos que a Claustro vai oferecendo. Porém, eu não poria tanto o acento nas respostas feitas, dadas e prontas a dissolver em água, para que encontremos ali, disponível, uma panaceia eficaz a cem por cento. Não, a Claustro não tem isso, mas tem questões, tem problemáticas inovadoras – sim, sobretudo tem interrogações e espantos.
… e mais uma: De que forma os textos ajudam a compreender melhor a missão e a espiritualidade carmelita?
Eu creio que quem não se conhece, não está em ponto de rezar, de caminhar em direcção à união com Deus – que é isso que nós carmelitas mais ensinamos. Ora, se a Deus nunca O vimos a não ser através de véus, se Aquele que ansiamos conhecer, afinal não abarcamos nem conhecemos bem – o que se compreende, claro… – e se a isso ajuntarmos a ignorância quase total a nosso respeito, eu creio que está reunida uma efervescência explosiva ou, talvez, ao contrário, uma anemia espiritual que gera anões quando o que mais urge, são apóstolos ousados e ardentes testemunhas da Verdade.
Eu emparceiro com aqueles que denunciam (e sofrem) com a redução da realidade ao exterior, ao palpável, ao que um dia soçobrará. Creio que estamos em época de lançar nova empresa das Descobertas, sobretudo para redescobrir o continente da Interioridade, porque é lá que mais somos o que somos, e o que de nós Deus sonhou; é lá que somos aquilo que não passa, que é eterno! Eu temo muito que enquanto vivermos satisfeitos com uma vivência quase só epidérmica da fé e da espiritualidade, mesmo entre católicos, estamos a furtar às novas gerações, horizontes alargados e inovadores de esperançoso futuro.
E sim, a Claustro alerta para isso, pelo que só me arrependo de a não ter começado mais cedo!
Mais informações sobre o livro em: https://carmelo.pt/inicio/236-o-centro-do-claustro.html










